11.10.11

Brasil Fantástico

Fui convidado pelo jornalista, escritor e atual presidente do Clube de Leitores de Ficção Científica, Clinton Davisson, a ajudar na organização do seguinte projeto:

O Clube de Leitores de Ficção Científica e a Editora Draco lançam a coletânea Brasil Fantástico!

Desde os tempos de José de Anchieta, no século XV, as lendas e mitologias do Brasil vem despertando curiosidade e interesse. Seres como o curupira, o saci, o Boi-Tatá, o Capelobo, a cobra grande e muitos outros parecem ter inspirações das mais diversas.
Embora o trabalho de Monteiro Lobato em sua série, O Sítio do Pica-pau amarelo tenha contribuído para preservar e divulgar essa mitologia brasileira, a exploração desses mitos por outros autores e gêneros, como o terror, ainda é tímida no Brasil, se compararmos ao grande volume de histórias que americanos, europeus e asiáticos fazem de suas próprias lendas e mitologias.
O potencial dos seres fantásticos brasileiros é inegável para gerar obras de qualidade e apelo popular e as experiências recentes de autores como Roberto Causo, André Vianco e Christopher Kastensmidt tem conseguido reconhecimento de público e crítica inclusive fora do Brasil.
O preconceito no passado por obras que adotaram essa proposta é perfeitamente compreensível dentro de uma lógica de mercado um pouco explorado. Vamos lembrar que há apenas 20 anos cinema nacional era considerado reduto de Trapalhões e pornochanchada.
Assim, partindo do pressuposto que a função de um Clube de Leitores é abrir espaço para inovações literárias e formar novos leitores, estamos abrindo inscrições para a Coletânea Brasil Fantástico em parceria com a Editora Draco. A comissão organizadora será formada por Clinton Davisson, Daniel Borba, Hugo Vera e Romeu Martins.
Os interessados em se inscrever devem mandar seus contos para coletaneabrasilfantastico@gmail.com com cópia de segurança para fafia7@gmail.com.A submissão deve ser mandada somente em versão eletrônica, formato rich textfile (.RTF).
Os participantes devem se inscrever com pseudônimo para manter a imparcialidade do julgamento.
Nossa deadline é 31 de março de 2012, uma vez que o objetivo primário é lançar a antologia na Fantasticon 2012, no início do segundo semestre do ano que vem.
Confirmaremos a recepção de cada trabalho submetido. Em caso de dúvida, não hesite em nos contatar.
Fixamos os limites das submissões entre 4.000 e 10.000 palavras. Isto não quer dizer, em absoluto, que submissões fora deste intervalo serão sumariamente rejeitadas. Se o trabalho submetido possuir qualidade literária e se enquadrar na temática proposta, essa qualidade pesará muito em nossa apreciação, ainda que o texto seja menor ou maior do que o limite proposto. No entanto, cumpre esclarecer de antemão que olharemos com mais simpatia trabalhos dentro do intervalo citado.
Os contos terão que se passar no Brasil em qualquer época ou talvez em alguma colônia espacial habitada por brasileiros, ou mesmo em algum lugar que tenha uma referência mínima de nossa pátria amada (Portugal é bem aceitável); terá que conter algum elemento ou elementos da mitologia nacional e, claro, algum elemento de fantasia e/ou, ficção científica e/ou terror. Mitologias que não são de origem nacional, mas tiveram repercussão notável no Brasil como A Loura do Banheiro, o Chupa-cabras ou a Cuca, serão considerados.
Se julgar necessário discutir determinada trama ou certa linha de enredo conosco, sinta-se à vontade.

Desde já, conto com a participação de todos os colegas escritores interessados no tema.

10.10.11

Arsenal steampunk

Na entrevista que Bruno Accioly concedeu a Fábio Fernandes na mais recente semana dedicada ao steampunk da TordotCom, fiquei conhecendo o trabalho em esculturas de um artista paranaense. Jorge Pedro, natural de Peabirú, atualmente cursando o mestrado em Jornalismo na Universidade Estadual de Maringá. Em seu site pessoal, o escultor tem uma amostra de um verdadeiro arsenal em ferro com clara influência steamer. Em alguns modelos, reconheci o que poderia ser o fuzil mecanizado de tiro fixo Guarany que João Fumaça e a Polícia dos Caminhos de Ferro usam.





9.10.11

No National Museum de Ottawa

Um muito querido e chique casal de amigos meus está em viagem pelo lado civilizado da América e me mandou uma foto tirada em um museu canadense. É ou não é para se ter orgulho (dos amigos e da participação na Steampunk Bible)?


Brigadão, Telli, Juju. Divirtam-se aí!

Resenha de Deus Ex Machina

Uma ótima resenha conto a conto da coletânea Deus Ex Machina pode ser lida no Blog do Pai Nerd. O autor analisou não apenas os textos mas também vários outros elementos editoriais do livro lançado este ano pela editora Estronho. Vou destacar o início do comentário até chegar a meu conto e deixar o link para a leitura completa ao final:


Deus ex machina – Anjos e Demônios na era do vapor.  Organizadores: Candido Ruiz, Tatiana Ruiz, M. D. AmadoAutores: Alex Nery, Alliah, Carlos Machado, Daniel I. Dutra, Davi M. Gonzales, Davi M. Gonzales, Georgette Silen, Leonilson Lopes, Norberto Silva, O. S. Berquó, Paulo Fodra, Rebeca Bacin, Yuri W. Cortez  
Editora: EstronhoAno: 2011208 páginas

Sinopse: A expressão latina Deus ex machinapode ser interpretada como Deus é a causa e é usada em literatura quando uma situação insolúvel é resolvida com um elemento inesperado e fora do contexto, uma “forçada” de mão do autor que é o Deus da história. No caso aqui os organizadores resolveram dar o sentido que o senso comum dá à expressão: Deus é a  máquina, já que reúne Deus e máquina na mesma frase e é justamente isto que a coletânea se propõe. Uma mistura de gêneros terror com anjos e demônios e steampunk.
Um dos riscos quando se mistura gêneros é a falta de equilíbrio entre eles, acabando por um deles prevalecer e outro ficar forçado, apenas para cumprir tabela. Neste quesito, os organizadores conseguiram harmonizar o conjunto, com um bom resultado.
A capa esta boa, como tem sido as capas da Estronho, e as ilustrações do interior também, onde a editora continua buscando originalidade. Cada conto é precedido por uma ilustração em uma apresentação do autor e está numa “caldeira”, numerada com o número da página de início e o autor identificado como seu operador.
Há um senão: a combinação do papel sem tratamento (atualmente sendo chamado de “ecologicamente correto”) e desenhos e letras escuras acabou prejudicando a leitura da apresentação dos autores e, em alguns casos, até do nome do conto.
A Diabólica Comédia  - A Conquista dos Mares
Operador: Romeu Martins
O título é uma paráfrase de a Divina Comédia. Um submarino, comandado por um demônio enfrenta hordas de anjos em máquinas voadoras. Emocionante. Em alguns momentos chegamos a torcer pelo demônio.
Alerta de Spoiler!O que está em jogo? O domínio dos mares, já que o inferno é de Lúcifer e o céu de Deus. Uma boa sacada.
Continua

5.10.11

Torre de Vigia 39

Eppur si muove. Fazia tempo que eu não tinha a oportunidade de atualizar a sessão de clipagem de resenhas da primeira coletânea steampunk brasileira. A última vez, foi em dezembro do ano passado. Mas mesmo tanto tempo depois de seu lançamento, o livro continua colhendo análises dos leitores, sendo um dos mais avaliados da safra recente de literatura especulativa nacional. Quem fez a resenha mais recente em seu blog foi a escritora, artista plástica e moradora de Niterói Alliah - que é minha colega em outra coletânea steamer, a Deus Ex Machina, diga-se de passagem. Ela começou seu escrutínio pelo trabalho da capa, de autoria de Marcelo Tonidandel e Verena Peres, que acabou sendo o melhor e mais completo comentário sobre aquele belo trabalho gráfico:

O livro “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário” foi lançado pela Tarja Editorial em 2009 e reuniu uma excelente trupe de escritores. Como a obra já foi resenhada por vários blogueiros interwebz afora, minha resenha vai ser um pouquinho diferente do comum. Aquele típico resuminho explicativo sobre o conteúdo de cada história que vem antes das opiniões/críticas de cada resenhista não vai aparecer aqui. Se você tá chegando agora meio perdido nesse estranho mundo chamado fandom e não conhece nenhum dos contos desse livro (shame on you!), vai dar uma googlada por aí e se inteirar.
Vamos começar pela capa, de Marcelo Tonidandel e Verena Peres. (Como já farei a resenha dos contos aqui, a resenha da capa vai ser bem breve e objetiva e não vai pro 
Resenhando Capas.. Mas depois dá um pulinho lá e se inscreva pra receber as atualizações.)



Começando pelas cores. O clássico café envelhecido oscilando entre tons de amarelo e marrom caiu bem. Cheira a antiguidade sem soar precário. O fundo manchado é bonito, porém a textura rugosa que aparece no topo e na base poderia ter sido mais bem trabalhada (ou até mesmo eliminada por outros padrões de mancha. Um papel enrugado seria mais adequado). O mesmo vale para a arte do título. As cores estão fortes e funcionam, mas a iluminação falhou. A máquina em destaque no canto inferior esquerda é o ponto alto. A nitidez detalhada do desenho em sépia escuro acinzentado formou uma combinação que poderia ter sido aproveitada para outras ilustrações, ou numa única ilustração central e mais detalhada ainda. É minha parte favorita da capa. Os três personagens no centro possuem traços suaves demais, como se alguém tivesse exagerado no esfuminho. O sombreamento parece desfocado. Faltou dureza. O dirigível no topo está bem feito e bem posicionado. No conjunto a capa funciona e vende o que promete, mas os detalhes mencionados poderiam ter sido melhor trabalhados.

Em seguida, ela começa sua avaliação de cada um dos nove contos que compõem a obra. Como costumo fazer, copiarei abaixo o comentário a respeito de minha noveleta e deixo os leitores com o endereço para a leitura completa aqui.

Em seguida vem o conto “Cidade Phantástica”, de Romeu Martins, que prova que Niterói só consegue ser um lugar interessante quando retratada numa ficção. João Fumaça é um dos melhores personagens do livro. Btw, o nome simples, objetivo e bem brasileiro é perfeito. (Também não dá pra esquecer a fofura daquele boneco do personagem que foi sorteado uns tempos atrás no blog do Romeu, de mesmo nome desse conto). Aqui, assim como no conto do Gian, os diálogos se destacam. E devo dizer que as palavras, expressões e pequenas frases em inglês foram cuidadosamente encaixadas sem que soasse pedante ou supérfluo. Mas como eu adoro um desastre, fico imaginando a dimensão dos danos que a arma (mais perigosa do mundo) teria causado se nosso herói João Fumaça não tivesse impedido…

(não resisto a um comentário final: eu que sou morador da Niterói catarinense - já que São José é a cidade do outro lado da ponte de Floripa - usei a Niterói original em dois outros contos. A cidade onde mora a resenhista aparece na continuação de "Cidade Phantástica" chamada "Modelo B", que foi publicada na revista Vapor Marginal  e, se tudo der certo, ganhará nova versão em 2012. Da mesma forma ela surge já no título de um conto que sairá no livro Soberba - Lúcifer, da coleção VII Demônios da editora Estronho: "Algo baixou em Niterói")

Anunciados os Consulados do Conselho Steampunk

Como já é tradição, periodicamente a Tor dot Com dedica semanas no ano à cultura steamer. E também já está ficando tradicional a participação de Fábio Fernandes falando do cenário brasileiro em tais ocasiões. Nesta terça-feira, o escritor e tradutor carioca entrevistou seu conterrâneo, o empresário e agitador cultural Bruno Accioly para falar das novidades do Conselho Steampunk nacional. Na conversa, além da divulgação das novidades em relação à nossa produção literária, foi anunciada uma informação em primeira mão e que deverá estender ainda mais a influência do Brazilian Steampunk pelo mundo ao mesmo tempo em que os entusiastas locais do gênero poderão ser ainda mais favorecidos com um maior intercâmbio cultural internacional. Segue a tradução do trecho em que são mencionados os futuros Consulados Steampunk:


Para onde você vê o steampunk indo por sua comunidade? Até onde vocês pretendem ir?
O Conselho Steampunk juntou-se à Sociedade Retrofuturista que usará o mesmo modelo adotado por nós para promover outros gêneros, como Dieselpunk e Cyberpunk. Acreditamos que este processo é importante para um intercâmbio entre os gêneros e que todos podem se beneficiar do formato de sucesso que fomos fortuitos o suficiente em desenvolver.
Mas, em relação ao steampunk propriamente, a notícia é promissora, e vemos o futuro de forma ambiciosa.
Nós, obviamente, esperamos ver uma Loja em cada estado do nosso país, mas recebemos comentários de colegas americanos e europeus sobre como seria possível exportar o Conselho Steampunk.
Recentemente, houve um interesse vindo do exterior em, de alguma forma, importar o nosso modelo de expansão. Isso acabou nos ajudando a criar um conceito interessante que, acredito, pode beneficiar muito o steampunk no Brasil e talvez em todo o mundo.
Nossa visão é que forçar a entrada de uma organização essencialmente brasileira em outro país é algo intrusivo demais para realmente beneficiar o movimento steampunk. É por isso que, depois de algumas discussões, chegamos a uma solução enriquecedora para expandir a nossa influência de uma forma que pode interessar outras organizações de cultura steamer.
Atualmente, estamos trabalhando para a fundação do primeiro Consulado do Conselho Steampunk, cuja função será exatamente o intercâmbio de informações sobre a produção da cultura steamer nos países em que estaremos presentes. O papel de um Consulado será o de oferecer naquele local informações sobre a produção brasileira e o de transmitir para o Brasil informações sobre a produção daquele país. O Consulado também irá funcionar como um meio de troca de informações históricas do século XIX do país em que serão alojados e sobre a história recente brasileira, que, acreditamos, irá enriquecer consideravelmente a qualidade da informação disponível sobre o período.
Esta ainda é uma ideia nova, e nós estamos estabelecendo as bases teóricas de tudo, mas o primeiro Consulado será fundada no país cuja tecnologia naval foi responsável pela nossa descoberta: Portugal.

30.9.11

Uma Noite na Taverna

O novo evento da Sociedade Histórica Desterrense traz mais uma vez a combinação perfeita de boa comida e literatura de primeira. No último sábado de outubro, a partir das 16h, no Café das Meninas, do Estreito, o grupo reconstrucionista espera os amigos para confraternização com receitas de época e uma conversa sobre nosso melhor escritor. A obra escolhida de Machado de Assis é um de seus contos fantásticos, na dupla interpretação da palavra, que já publiquei algum tempo atrás em meu outro blog: "A Igreja do Diabo". Altamente recomendado. Vamos passar um fim de tarde e começo de noite agradável na taverna? Espero os amigos por lá.

28.9.11

Anjos e Demônios autografado

Falei no post anterior da coletânea Deus Ex Machina - Anjos e Demônios na Era do Vapor, que ganhou um booktrailer de dois minutos no YouTube. Pois agora, quem pode ganhar o livro é o caro leitor e com direito a autógrafos de quatros dos escritores presentes na obra. A iniciativa é de Celly Borges, revisora do livro e primeira-dama estronho, e seu blog Mundo de Fantas. Para concorrer nesta promoção, entre neste link e siga as regras. Boa sorte!

27.9.11

Booktrailer de Deus Ex Machina

Assistam ao vídeo de dois minutos que M.D. Amado, da editora Estronho, produziu para promover a coletânea steamer Deus Ex Machina - Anjos e Demônios na Era do Vapor. Lembrando que naquelas páginas estou presente com o conto "A Diabólica Comédia - A Conquista dos Mares". Disponível no canal da editora no YouTube.

26.9.11

Descanse em paz, Sergio Bonelli

Se o steampunk é objetivamente sobre o imaginário do século XIX, a pessoa que mais influenciou o que sei a respeito daquele período morreu hoje pela manhã, o editor de quadrinhos italiano Sergio Bonelli. Pelos estúdios que levam o nome de sua família, ele editou a maioria dos quadrinhos de faroeste que li e uma boa parte do melhor relacionado a mistério e a terror. Todos os meses, compro nas bancas as melhores HQs disponíveis em nosso mercado, J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga e Mágico Vento. Notem que não falei algumas das, mas as melhores mesmo. Tenho todos os números de Marvel Max, compro todos os meses a Vertigo, da DC, mas nenhuma dessas revistas é tão boa e tão regular quanto aqueles dois fumetti, editados por Sergio Bonelli.

O primeiro, um título de investigação que tem a melhor personagem feminina que conheço nos quadrinhos, é escrito pelo mesmo criador de Ken Parker, uma de minhas série favoritas de todos os tempos, Giancarlo Berardi. O outro, com textos de Gianfranco Manfredi, é uma revista de weird western de primeira, que algumas vezes conta com a presença dos desenhos do outro responsável por Ken Parker, Ivo Milazzo. Graças àquele editor e à sua Bonelli Comics, tive acesso a material de tamanha qualidade durante minha infância, adolescência e até os dias de hoje, passando por uma diversidade de casas editoriais nacionais, da Vecchi à atual Mythos, passando por Record e Globo. Só posso deixar meus agradecimentos a ele, pela missão tão bem cumprida e, para os leitores, alguns links de posts que escrevi a respeito por aqui: Cowboys e Aliens; Weird Western nos quadrinhos - Mágico Vento; e  Cursed City em Mágico Vento.

23.9.11

Homens de aço

Resenha nova no UniversoHQ: desta vez comentei sobre uma minissérie dos quadrinistas americanos Brian Azzarelo e Lee Bermejo reunida em edição única pela Panini. Um dos principais embates do mundo dos quadrinhos narrado do ponto de vista do antagonista dos maior dos super-heróis. Abaixo, segue o trecho inicial, para ler mais, clique aqui:

A capacidade de fazer o leitor vivenciar novas perspectivas, bem diferentes de suas convicções habituais, é uma das habilidades mais ambicionadas por escritores, independentemente da mídia em questão: da literatura aos quadrinhos, passando pelos roteiros de teatro, cinema e televisão.

Como o assunto aqui são as HQs, impossível não lembrar do trabalho feito por Alan Moore na criação do personagem Rorschach em Watchmen como um dos exemplos máximos de tal capacidade de provocar empatia alheia.

O quadrinhista britânico dedicou tamanho empenho à construção da personalidade daquele controverso anti-herói encapotado, que muitos poderiam pensar que ele próprio defende ideias semelhantes.

No entanto, quem conhece algo do criador, um anarquista convicto, sabe que Moore não poderia ter uma ideologia mais distinta daquela defendida por sua criatura fascistoide.

Algo assim foi feito pelo norte-americano Brian Azzarello em relação a um personagem que não é de sua autoria e já ganhou versões diversas pelas mãos de muitos dos melhores profissionais da indústria dos comics. Em Lex Luthor - Homem de Aço, ele permite ao leitor um mergulho em profundidade na mente do grande inimigo do primeiro super-herói da DC Comics.

22.9.11

Uma nova palestra sobre steampunk

Uma novidade das mais inesperadas e bem-vindas deste 2011 foram os convites que recebi para falar em público sobre o tema deste blog nos mais diversos eventos. Tudo começou em São Paulo, no lançamento do livro Mortal Engines quando recebi minha comenda; passou pela minha participação, ao lado de Fábio Fernandes, na HQCon; e teve ainda a que achei ser a última, com a palestra que a Sociedade Histórica Desterrense deu no Wasabi Show. Pois é, achei, mas não vai ser. Pois recebi do agitador cultural Rodrigo Augusto, mais conhecido pelos fãs de cultura japonesa da região do Vale do Itajaí como Macks, o convite para falar sobre steampunk em um novo evento ligado a mangás e animes, o AniQuest.


Como pode ser visto acima, pela mascote do evento, com seu monóculo e fivela em forma de engrenagem, o interesse da organização pela cultura steamer é mesmo forte. Acredito que vá ser um evento dos mais interessantes este que vamos ter no dia 15 de outubro, na bela cidade de Itajaí. No site especialmente criado para a ocasião, já há destaque para nosso bate papo.

20.9.11

R.I.P. - Read In Peace

A única  certeza que tenho sobre 2012 é que não terei como superar ou mesmo igualar minha produção editorial deste ano, seja em papel ou no mundo virtual. E acaba de sair mais uma publicação em bytes para se juntar à verdadeira biblioteca da qual tive o prazer de participar nos últimos meses - a saber, 1000 Universos, Vapor Marginal e Hyperpulp. A mais recente da lista, ao contrário das anteriores, não é uma edição de estreia, mas sim de consolidação e de retomada de um projeto. R.I.P. 7 é a edição comemorativa dos quinze anos do site Estronho e Esquésito, um pioneiro da internet desenvolvido pelo mesmo M.D. Amado que criou a editora Estronho pela qual lançou também em 2011 as coletâneas Cursed City - Onde as almas não têm valor e Deus Ex Machina - Anjos e Demônios na Era do Vapor que contam com histórias minhas (além de Steampink, livro que tive o prazer de prefaciar). A capa pode ser vista abaixo:



Para o ezine comemorativo escrevi um depoimento breve que, ao lado de outras figuras de peso do fandom nacional, enfatizam a importância daquele site para nosso país:

Quinze anos? Em idade de cachorro isso dá mais de um século e em tempo de internet, quanto é? Respondo: é praticamente a eternidade. Sim, porque o site Estronho e Esquésito tem quase o mesmo tempo de existência da internet comercial no mundo. Quando ele estreou, em setembro de 1996, poucas eram as pessoas no Brasil que acessavam a rede com alguma regularidade, o assunto ainda era quase ficção científica. E o Estronho já estava lá, divulgando e fomentando a FC propriamente dita, o horror e a fantasia em nosso país. Desde sempre. Que seja imortal e para sempre dure. Parabéns, M. D. Amado, é uma honra ter você como editor.
Uma outra colaboração minha naquelas páginas virtuais é um artigo sobre retrofuturismo, dando espaço não apenas ao steampunk mas a outras formas de contar futuros que deixaram de acontecer em diferentes períodos do tempo. O texto é a adaptação especialmente feita para aquela revista de um post dos mais acessados deste blog, material que serviu de base para a palestra que Fábio Fernandes e eu demos na edição deste ano da HQCon. Fora isso, R.I.P. 7 traz diversas outras atrações, como o resultado de um concurso de nano e minicontos que teve como tema baile de debutantes; contos de literatura fantástica voltados ao universo infanto-juvenil, lançamento de um concurso (com direito a prêmios) para a escolha de um novo mascote para o site e muito mais. O destaque fica por conta do projeto gráfico extremamente ousado que M.D. Amado fez para a revista, usando todos os recursos que a publicação on-line permite (a começar pelo número de páginas ímpar, 59, uma impossibilidade no mundo físico). Notem o uso de cor e imaginem o que seria possível fazer no papel se os custos fossem menores. O material, bem como edições anteriores do zine, pode - e deve, claro - ser baixado aqui.