Nada como a ideia de fechar um ciclo quando se encerra um ano. Então, neste que, provavelmente, deverá ser o último post do ano, tenho a oportunidade de falar do primeiro livro a publicar um conto meu em 2011. O advogado, escritor e organizador da coletânea que será a primeira a publicar um conto meu em 2012 (ciclos), Marcelo Augusto Galvão, postou em seu blog a lista dos livros que se destacaram entre suas leituras do ano. Estou presente lá, com meu conto "Domingo, Sangrento Domingo":
Cursed City – vários autores (Estronho). Essa antologia weird west, organizada por M. D. Amado, já chama a atenção pela capa, com um buraco de bala atravessando o livro. São 20 histórias, algumas ótimas, outras com uma boa ideia mas que precisavam de um tratamento melhor. Os contos que se destacam são os de Alfer Medeiros, Cirilo S. Lemos, Alliah e Romeu Martins.
Aproveito para agradecer ao Galvão pela lembrança e aos leitores por acompanharem este blog em mais um ano de atividade. Abraços e até o próximo ciclo!
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27.12.11
22.10.11
Weird west brasileiro tipo exportação
Uma ótima notícia vem do blog Galvanizando do escritor e advogado paulista Marcelo Augusto Galvão. Ele será um dos autores presentes na coletânea Os anos de ouro da Pulp Fiction portuguesa, editada em Portugal pela Saída de Emergência e com organização de Luís Filipe Silva. Em seu mais recente post, Galvão informa que o conto selecionado para fazer parte do livro é de um dos gêneros favoritos desta casa:
Mais ainda, o representante brasileiro naquela obra deixou disponíveis a bela capa da coletânea - será o Sombra aquele em um táxi lisboeta? - e a instigante apresentação que podem ser vistas a seguir:
No meu caso, participo com o weird west Horror em Sangre de Cristo, uma trama que mostra um xerife tentando solucionar mortes brutais numa cidadezinha no Oeste americano do século XIX.
Mais ainda, o representante brasileiro naquela obra deixou disponíveis a bela capa da coletânea - será o Sombra aquele em um táxi lisboeta? - e a instigante apresentação que podem ser vistas a seguir:
Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo.
16.9.11
Weird Cangaço
Olá, amigos! Ana Cristina voltando às ruas enfumaçadas.
(A-há, vocês acharam que eu tinha desistido de ocupar o puxadinho do Cidade Phantástica? Ledo engano. Só estava (mais) enrolada.)
Quando vocês estiverem lendo essa resenha, estarei a caminho de São Paulo. Ou melhor, provavelmente, já estarei lá para acompanhar a entrega do Troféu HQMix desse ano. Não é a primeira vez que vou na cerimônia, mas agora o gostinho é especial, já que meu marido ganhou o prêmio de Melhor Publicação Infanto-Juvenil.
Então, aproveito a ocasião para falar do álbum que ganhou as três principais categorias (Melhor Álbum, Melhor Roteirista e Melhor Desenhista)

Recomendo MUITO a leitura do álbum! E parabéns ao Danilo Beyruth pela conquista tripla!
(A-há, vocês acharam que eu tinha desistido de ocupar o puxadinho do Cidade Phantástica? Ledo engano. Só estava (mais) enrolada.)
Quando vocês estiverem lendo essa resenha, estarei a caminho de São Paulo. Ou melhor, provavelmente, já estarei lá para acompanhar a entrega do Troféu HQMix desse ano. Não é a primeira vez que vou na cerimônia, mas agora o gostinho é especial, já que meu marido ganhou o prêmio de Melhor Publicação Infanto-Juvenil.
Então, aproveito a ocasião para falar do álbum que ganhou as três principais categorias (Melhor Álbum, Melhor Roteirista e Melhor Desenhista)
deste ano e que tem tudo a ver com vários outros posts do Cidade Phantástica: a graphic novel Bando de Dois, ilustrada e roteirizada por Danilo Beyruth e publicada pela Zarabatana. Li a obra logo após o lançamento, emprestada por um amigo, e comecei a procura para adquirir um exemplar para chamar de meu. Aí entra o grande problema da produção cultural pop brasileira: a distribuição. Ô quadrinho difícil de achar, mesmo nas lojas especializadas aqui do RJ.

Na Bienal, aproveitando a minha jornada heróica nos 11 dias, consegui entrar na Comix antes da criançada que entupia o estande nos dias de semana e finalmente sair com o meu exemplar em mãos!
Capa simpática, né?
Pra começo de conversa, Beyruth é um artista completo. É muito comum termos desenhistas que acham que contar uma história é moleza e saem cometendo atentados contra a arte sequencial por aí. Ou roteiristas que, cansados de lidar com desenhistas, arriscam uns rabiscos indecifráveis. Bando de Dois é a prova que existem casos excepcionais em que um grande desenhista é ao mesmo tempo um contador de histórias sensacional.
Beyruth nos leva até o cangaço, nosso ponto de referência histórica mais parecido com o cenário dos westerns. Traça um relato de vingança, morte e redenção acompanhando os dois últimos sobreviventes de um bando destroçado pela Volante, a tropa que patrulhava o sertão em busca de cabeças dos bandidos, garantia de recompensa na capital.
Os dois aliados tem motivações diferentes. Tinhoso recebe dos espíritos do bando a incumbência de garantir-lhes o repouso final, enquanto Caveira de Boi está atrás de um tesouro cujo mapa ficou no tapa-olho de um dos mortos. A partir desse começo, acompanhamos os dois enquanto traçam um plano de ação e o executam, tentando sempre estar um passo a frente do malicioso Tenente Honório.
A história é bem amarrada, com pouquíssimas pontas soltas (tem um ex-cangaceiro que ajuda os dois até um certo ponto e depois some), situações bem resolvidas e com um ritmo narrativo surpreendente. Beyruth consegue usar uma linguagem quase cinematográfica sem parecer forçado ou sem timing, dando os ganchos e as explicações na hora em que devem surgir na história.
Beyruth sabe que falar fácil é difícil e segue isso no contar da história, sem abusar de firulas ou de desvios que às vezes são tão comuns nos quadrinhos brasileiros.
E a arte é uma coisa maravilhosa.
Já sendo um desenhista excelente desde a época em que publicava o zine do Necronauta (uma das experiências brasileiras mais interessantes na área de super-seres), em Bando de Dois, Beyruth extrapola. Na luz estourada do sertão, ele consegue fazer um jogo de claro/escuro de dar inveja a pintores renascentistas.
Recomendo MUITO a leitura do álbum! E parabéns ao Danilo Beyruth pela conquista tripla!
14.7.11
Novas resenhas de Cursed City e sorteio
Parece que começou a temporada de resenhas da coletânea weird west da editora Estronho! Hoje tenho mais duas dela para incluir em minha clipagem e ainda dar a notícia de um sorteio para concorrer a um exemplar de Cursed City - Onde as almas não têm valor. Começo pela análise feita por uma das contistas do livro, a escritora e atriz Carolina Mancini (autora de "Número 37", trama com uma ótima protagonista feminina) escreveu uma resenha detalhada, texto a texto, da obra. Como sempre faço, copiarei aqui o início da crítica e o trecho em que fala do meu conto, mas a íntegra pode ser lida neste endereço:
A segunda resenha vem do blog Elo das Letras, do qual faço o mesmo corte, indicando aqui o endereço para o texto completo:
E este mesmo blog está sorteando uma edição da coletânea na promoção "Eu quero o livro Cursed City". Clique aqui, leias as regras e participe. Boa sorte!
Falar sobre Cursed não é uma tarefa fácil, porém é muito divertida e emocionante. Sei que pode parecer estranho ou inapropriado resenhar um livro do qual se faz parte, mas quando se trata de uma antologia em que os autores selecionados não mantêm nenhum tipo de contato ou troca de opiniões relativas aos textos, a surpresa e a tomada de ciência da obra completa é muito parecida com a apreciação de qualquer outra obra. E justamente por esses motivos que acho possível falar sobre o livro além de outro fator. Quando você pensa em um conto dentro de uma proposta com um cenário tão rico e detalhado como o desta antologia, é inevitável arregalar os olhos - e até mesmo deixar o queixo cair - diante tantas idéias inesperadas, criativas e diferentes.
Ao todo são vinte autores, isso quer dizer que - com muita audácia e cara de pau hehe - posso falar sobre o trabalho desses parceiros que me emocionaram, divertiram e meteram algumas pulgas atrás da minha orelha ao pensar de onde vieram suas inspirações amaldiçoadas.
A qualidade gráfica dos livros da estronho como sempre é incrível, e dessa vez não foi diferente. Um trabalho que só se faz com muito amor e dedicação - não importa quanto essa frase seja piegas. O cuidado vem desde a proposta com a descrição da cidade tanto no site da editora, para que os autores se baseassem na hora de escrever suas "desventuras" e também no próprio livro para que o leitor saiba em que pedaço do inferno está pisando.
A capa e arte interna do livro mesclam elementos do velho oeste com o horror. A graça é tanta que o livro tem um furo de bala. O papel é de ótima qualidade, e todas as páginas são tematizadas. Assim como marcadores e botons que você adquiri ao comprar o livro. E o que mais se pode falar sobre a diagramação? Nada? Muito pelo contrário. Antes de cada conto há um resuminho sobre cada autor e uma foto sua em um cartaz de procurado! Um mimo tanto para o leitor como para os selecionados. (...)
Romeu Martins caprichou na referência histórica e no modo de falar dos personagens. Tem uma cena de mais tensão, mas o conto ficou firme no dialogo. Tem quase a característica de um capítulo ou introdução de uma história maior. Mesmo assim, cheio de surpresas.
A segunda resenha vem do blog Elo das Letras, do qual faço o mesmo corte, indicando aqui o endereço para o texto completo:
Cursed City é uma cidade muito agitada! E é com essa afirmação que inicio essepost, já para assegurar-lhe de que lá você não vai encontrar um local tranquilo para descansa, ao contrário se você for passar uma noite lá tenha cuidado pois a qualquer momento um bandido poderá tirar-lhe a vida.
Esse livro é um livro peculiar traz um universo que poucos se aventuram na escrita que é o universo do western, mas é sem dúvidas alguma um universo cheio de possibilidades para se explorar e foi assim nesse universo cheio de possibilidades a se explorarem que o livro tomou forma, na verdade formas, que possibilitam ao leitor uma leitura diversificada e ainda a contemplação dos mais diversos estilos.
O livro é uma antologia, com participação dos mais diversos escritores que aceitaram o desafio de viverem alguns dias ou simplesmente darem uma passada em Cursed, a leitura flui bem alguns autores acertaram na tônica do western outros não foram o caso, o fato é que o gênero literário de faroeste é um gênero não muito comum por esses lados da fronteira enquanto alguns se identificam bem com esse gênero outros escrevem contos que não têm a ação esperada para esse tipo de literatura, um livro que poderia ter explorado mais o tamanho das letras, mas fica a dica (...)
Eu quero aqui destacar alguns autores que dentro desse universo trouxeram ação e fantasia e transformaram o cotidiano de Cursed City, são eles: Alfer Medeiros, Georgette Silen, Tânia Souza, Romeu Matins. Esses no meu ponto de vista trouxeram algo de especial já que a leitura fluiu e a curiosidade é aguçada para a cada momento tentar se descobrir o que poderia acontecer mais adiante.
E este mesmo blog está sorteando uma edição da coletânea na promoção "Eu quero o livro Cursed City". Clique aqui, leias as regras e participe. Boa sorte!
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12.7.11
Resenha de Cursed City
O editor da minha primeira publicação on line do ano resenha o meu primeiro livro publicado em 2011. Júnior Cazeri, do blog Café de Ontem e da revista eletrônica 1000 Universos - por onde saiu, na edição de estreia, meu miniconto "Amazônia Underground" - publicou ontem uma resenha de Cursed City - Onde as almas não têm valor - livro com meu conto "Domingo, Sangrento Domingo". Fiquei muito feliz com o retorno, afinal de contas esta foi minha primeira tentativa em um gênero complicado de se escrever algo novo e interessante, o vampirismo. Como de hábito, republicarei aqui a introdução do texto e o trecho em que fala de meu conto, deixando os leitores com um link ao final para a análise completa:
Cursed City – Onde As Almas Não Têm Valor é uma antologia de contos temáticos lançada pela Editora Estronho, oferecendo como cenário a cidade de Golden Valley, mais conhecida como a Cursed City do título, devido a uma série de acontecimentos sobrenaturais que rondam o lugar e atormentam a vida de seus moradores. O desafio aos escritores, convidados e selecionados, foi o de compor histórias ambientadas nesta cidade e ainda utilizar alguns personagens chave como coadjuvantes na trama, o que rendeu 20 contos publicados no livro.
Com a tradicional qualidade editorial do Estronho, o livro vem muito bem apresentado, com papel que remete às revistas pulp que traziam histórias variadas de cavaleiros no oeste bravio. Um buraco de bala atravessa toda a obra, dando um charme particular ao acabamento. Algumas pessoas reclamaram de margens internas muito estreitas e alegaram que estas prejudicavam a leitura, o que é um grande exagero, mesmo elas sendo um pouco mais justas que o padrão, em nada atrapalham.
Com um brevíssimo prefácio de Adriano Siqueira e uma bem vinda apresentação do cenário oferecido aos autores, a obra se inicia. Entre os contos publicados, acredito que acertaram no alvo, sem desperdiçar munição, os autores que brincaram com os clichês do oeste e adicionaram uma pitada de originalidade na questão sobrenatural, propiciando aventuras divertidas e instigantes. Tiveram que efetuar disparos a mais os que levaram o oeste muito a sério e produziram trabalhos onde o desenvolvimento se dá de forma mais lenta, ou então, deixaram se limitar pelo cenário da trama e acabaram se enclausurando em poucas locações. E, infelizmente, perderam o duelo os que se excederam e não sacaram rápido o bastante as duas armas oferecidas.
Começando pelos melhores trabalhos: Cirilo S. Lemos exibe o melhor do estranho oeste em uma perfeita ambientação e narrativa não linear em seu Por um Punhado de Almas. Seus personagens são marcantes e a narrativa cinematográfica colabora e muito na composição de mais um ótimo trabalho na saga deste jovem escritor. André Bozzetto Jr. retrata de forma crua e divertida como uma dívida é cobrada em Cursed City em A Balada do Coyote, com direito a referências musicais e sangue espalhado pelas páginas. Tânia Souzaaposta em uma personagem feminina forte e que não deixa nada a dever aos valentões do livro em seuDemônios da Escuridão, um conto de vingança recheado de mistérios que evoluíam durante alguns anos.Georgette Silen cria um personagem extremamente carismático, brinca com o steampuk, oferece sensualidade e faz bonito com A Mão Esquerda da Morte. M. D. Amado, que também é organizador da obra, mostra que entende do assunto com Nem Sempre A Fé Te Salvará, entre tiros, idas e vindas e algumas alfinetadas escondidas entre suas palavras. Ana Cristina Rodrigues vai fundo da imoralidade e ganância dos moradores com Aquele Que Vendia Almas, um conto que flui bem e surpreende no final. Carolina Mancinitambém investe em uma charmosa personagem que vive uma noite dos diabos na cidade em Número 37, e mostra uma prosa ágil e cheia de energia. Verônica Freitas mostra que não há escapatória de horrores, sobrenaturais ou não, em Cursed City e mostra violência em uma narrativa bastante direta em Deixe-me Entrar. Romeu Martins constrói uma história claustrofóbica e revela segredos ocultos em Domingo, Sangrento Domingo, que mesmo tendo um diálogo como fio condutor, não perde em agilidade.
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24.6.11
Caubói da Contraversão
Calhou que bem no Dia do Vapor fui convidado pelos colegas Gabriel Rocha, Marcos Espíndola e Renê Muller (com quem já havia dividido a tela para comentar o filme U2-3D) para gravar um programa via web sobre steampunk e weird west. Tremendamente divertida a experiência, que ainda acabou numa noitada de vinhos e sopas nas vésperas do casal Gabriel Rocha e Cristine Isabele (pais do gato Pam que já se chamou Pâmela, mas isso é outra história...) completarem seis anos de namoro. O vídeo está no ar em dois endereços, no blog Contraversão, que fez a chamada abaixo, e nesta alternativa aqui:
Não vou mentir pra vocês: aqui em casa e em alguns outros computadores o vídeo que tem quase oito minutos trava depois dos primeiros 60 segundos. Mas várias outras pessoas me disseram que conseguiram ver nossa sessão de Horse Opera na tela. Mande ver nos links e, qualquer coisa, avisem se não der certo.
Aliás, como lembrei na ocasião, foi no cenário onde foi gravado o programa pro blog Contraversão que nasceram as primeiras ideias para a noveleta "Cidade Phantástica": logo depois de receber o email me convidando a escrever algo para a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário fui fazer uma visita ao apê então recém-inaugurado do casal Rocha-Isabele e comecei as elocubrações para as desventuras do João Fumaça.
Agora, apresentamos um programa “sério”, na medida do possível. Em sua versão 2.0, o Ponche Elétrico recebeu a visita do escritor e jornalista Romeu Martins. O rapaz é craque em literatura Steampunk e também no gênero chamado Weird West, que mistura os duelos do Velho Oeste com horror, fantasia e sobrenatural.
O negócio é que o trabalho do Romeu é citado até mesmo na bíblia mundial do Steampunk, como vocês poderão conferir no Ponche. E quem adivinhar quem é a mini-caveira pulando no final do programa, ao som dos Ambervisions, pode levá-la de brinde. Serve como chaveiro…
Não vou mentir pra vocês: aqui em casa e em alguns outros computadores o vídeo que tem quase oito minutos trava depois dos primeiros 60 segundos. Mas várias outras pessoas me disseram que conseguiram ver nossa sessão de Horse Opera na tela. Mande ver nos links e, qualquer coisa, avisem se não der certo.
Aliás, como lembrei na ocasião, foi no cenário onde foi gravado o programa pro blog Contraversão que nasceram as primeiras ideias para a noveleta "Cidade Phantástica": logo depois de receber o email me convidando a escrever algo para a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário fui fazer uma visita ao apê então recém-inaugurado do casal Rocha-Isabele e comecei as elocubrações para as desventuras do João Fumaça.
8.6.11
O lado oeste de Floripa 2
Em um post anterior, fiz um relato sobre como foi o lançamento de Cursed City - Onde as almas não têm valor e de Sagas 2 - Estranho Oeste em Floripa. Agora sairam as prometidas fotos tiradas durante o evento, como a de baixo, na qual este blogueiro aparece ao lado de Pauline Kisner e de M.D. Amado, da editora Estronho, num flagrante feito por Maristela Giassi. Para ver mais alguns daguerreótipos daquele dia, compareça a este endereço.
30.5.11
O lado oeste de Floripa
E o Café Cultura virou mesmo um saloon neste sábado, durante o lançamento dos livros weird west das editoras Estronho e Argonautas. A pedido de Fábio Fernandes fiz um relato do evento do qual ele deve editar trechos para usar em uma matéria de sua autoria a respeito do fandom brasileiro para a revista lusitana Bang! Aproveito, então, para usar as informações que passei a ele na forma de post neste blog, mais tarde darei um upgrade, quando estiverem disponíveis algumas das fotos tiradas por lá.
O que tivemos em Florianópolis neste sábado foi um evento duplo, o lançamento simultâneo de duas coletâneas nacionais dedicadas ao gênero weird west, que, em um autêntico zeitgeist, foram produzidas simultaneamente nos estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. O livro gaúcho foi o segundo volume da coleção Sagas da editora Argonautas, dos sócios César Alcázar (organizador do livro) e Duda Falcão (um dos cinco autores): Estranho Oeste. O volume anterior foi a estreia da editora e dedicado à Espada & Magia.
Quanto à obra mineira, na qual eu tinha um dos vinte contos presentes, era da editora Estronho, de M.D. Amado: Cursed City - Onde as almas não têm valor, que conta com uma escritora portuguesa em suas páginas, Valentina Silva Ferreira, natural da Ilha da Madeira. M.D. Amado é o organizador desta última e tem conto em ambos os livros, pois, em uma coincidência notável, quando os gaúchos entraram em contato com ele para convidá-lo a escrever para a coletânea que preparavam, o mineiro já estava definindo as regras da que ele próprio viria a organizar para seu selo editorial. Longe de essa coincidência causar um desacordo ou atiçar sentimentos de concorrência, ela acabou gerando uma sinergia celebrada no meio do caminho, aqui em Santa Catarina.
Ambos os livros já haviam tido lançamentos oficiais no Rio Grande do Sul e em São Paulo, respectivamente no caso de Estranho Oeste e de Cursed City. Mas o que houve em Florianópolis, no dia 28 de maio, foi o encontro destas duas iniciativas em um evento em conjunto. Ajudei a organizar o encontro com o apoio da Sociedade Histórica Desterrense, um grupo reconstrucionista que tem o objetivo de apresentar formas lúdicas de conhecer a história de diversos períodos, com ênfase no séc XIX. Também contamos com o apoio dos organizadores da maior convenção de quadrinhos do estado, a HQCon, e da loja local do Conselho Steampunk. Além, é claro, da mobilização de ambas as editoras que estiveram presentes não apenas na forma dos livros mas na vinda dos sócios gaúchos, do mineiro e ainda da paranaense Celly Borges, revisora da coletânea Cursed City.
Ao todo, estivemos reunidos no Café Cultura, localizado bem no Centro de Florianópolis, aproximadamente 50 pessoas, lotando a parte superior do casarão colonial, que esteve à nossa disposição das 17h até além do horário normal de fechamento do lugar, às 20h. Foi uma oportunidade de confraternização de grupos que já haviam promovido eventos juntos, caso da SHD e do Conselho, e a oportunidade de fortalecer o contato com a equipe da HQCon, que em agosto abrirá espaço para apresentação de literatura steampunk em sua convenção anual. Depois do encerramento por lá, um grupo de 13 pessoas ainda esticou a conversa até o início da madrugada em uma cantina de vinhos próxima à Universidade Federal de Santa Catarina.
O apoio desses grupos ligados ao reconstrucionismo e à revisão retrofuturista do século retrasado se explica pelo gênero dos livros e pelo interesse da editora Estronho em apostar na cultura steamer. O weird west se passa naquele mesmo período histórico consagrado pela ficção steampunk, sendo normalmente ambientado na porção ocidental do território americano no século XIX. Como é uma união das consagradas narrativas de faroeste com o gênero fantástico (FC, fantasia e horror), guarda bastante semelhança e agrada os fãs do vitorianismo alternativo. E neste segmento mais especificamente, a editora de Minas vai lançar ainda este ano, durante a Fantasticon, duas antologias: Deus Ex Machina - Anjos e demónios na era do vapor e Steampink. A primeira, da qual sou o escritor convidado, mistura a temática dos anjos com ambientação steamer, sendo a pioneira em trazer autores e autoras dividindo as páginas de um mesmo livro do gênero, após o Brasil ter visto a publicação de duas coletâneas apenas com escritores do sexo masculino. Já a segunda, para a qual farei o prefácio, é exclusiva para contos de mulheres.
E é isto. De todos os comentários que me chegaram durante e após o encontro relatado acima, fiquei com a impressão de termos tido um autêntico sucesso. Reforço meus agradecimentos a todos os que ajudaram a tornar viável o lançamento e aos amigos que puderam comparecer à festa.
O que tivemos em Florianópolis neste sábado foi um evento duplo, o lançamento simultâneo de duas coletâneas nacionais dedicadas ao gênero weird west, que, em um autêntico zeitgeist, foram produzidas simultaneamente nos estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. O livro gaúcho foi o segundo volume da coleção Sagas da editora Argonautas, dos sócios César Alcázar (organizador do livro) e Duda Falcão (um dos cinco autores): Estranho Oeste. O volume anterior foi a estreia da editora e dedicado à Espada & Magia.
Quanto à obra mineira, na qual eu tinha um dos vinte contos presentes, era da editora Estronho, de M.D. Amado: Cursed City - Onde as almas não têm valor, que conta com uma escritora portuguesa em suas páginas, Valentina Silva Ferreira, natural da Ilha da Madeira. M.D. Amado é o organizador desta última e tem conto em ambos os livros, pois, em uma coincidência notável, quando os gaúchos entraram em contato com ele para convidá-lo a escrever para a coletânea que preparavam, o mineiro já estava definindo as regras da que ele próprio viria a organizar para seu selo editorial. Longe de essa coincidência causar um desacordo ou atiçar sentimentos de concorrência, ela acabou gerando uma sinergia celebrada no meio do caminho, aqui em Santa Catarina.
Ambos os livros já haviam tido lançamentos oficiais no Rio Grande do Sul e em São Paulo, respectivamente no caso de Estranho Oeste e de Cursed City. Mas o que houve em Florianópolis, no dia 28 de maio, foi o encontro destas duas iniciativas em um evento em conjunto. Ajudei a organizar o encontro com o apoio da Sociedade Histórica Desterrense, um grupo reconstrucionista que tem o objetivo de apresentar formas lúdicas de conhecer a história de diversos períodos, com ênfase no séc XIX. Também contamos com o apoio dos organizadores da maior convenção de quadrinhos do estado, a HQCon, e da loja local do Conselho Steampunk. Além, é claro, da mobilização de ambas as editoras que estiveram presentes não apenas na forma dos livros mas na vinda dos sócios gaúchos, do mineiro e ainda da paranaense Celly Borges, revisora da coletânea Cursed City.
Ao todo, estivemos reunidos no Café Cultura, localizado bem no Centro de Florianópolis, aproximadamente 50 pessoas, lotando a parte superior do casarão colonial, que esteve à nossa disposição das 17h até além do horário normal de fechamento do lugar, às 20h. Foi uma oportunidade de confraternização de grupos que já haviam promovido eventos juntos, caso da SHD e do Conselho, e a oportunidade de fortalecer o contato com a equipe da HQCon, que em agosto abrirá espaço para apresentação de literatura steampunk em sua convenção anual. Depois do encerramento por lá, um grupo de 13 pessoas ainda esticou a conversa até o início da madrugada em uma cantina de vinhos próxima à Universidade Federal de Santa Catarina.
O apoio desses grupos ligados ao reconstrucionismo e à revisão retrofuturista do século retrasado se explica pelo gênero dos livros e pelo interesse da editora Estronho em apostar na cultura steamer. O weird west se passa naquele mesmo período histórico consagrado pela ficção steampunk, sendo normalmente ambientado na porção ocidental do território americano no século XIX. Como é uma união das consagradas narrativas de faroeste com o gênero fantástico (FC, fantasia e horror), guarda bastante semelhança e agrada os fãs do vitorianismo alternativo. E neste segmento mais especificamente, a editora de Minas vai lançar ainda este ano, durante a Fantasticon, duas antologias: Deus Ex Machina - Anjos e demónios na era do vapor e Steampink. A primeira, da qual sou o escritor convidado, mistura a temática dos anjos com ambientação steamer, sendo a pioneira em trazer autores e autoras dividindo as páginas de um mesmo livro do gênero, após o Brasil ter visto a publicação de duas coletâneas apenas com escritores do sexo masculino. Já a segunda, para a qual farei o prefácio, é exclusiva para contos de mulheres.
E é isto. De todos os comentários que me chegaram durante e após o encontro relatado acima, fiquei com a impressão de termos tido um autêntico sucesso. Reforço meus agradecimentos a todos os que ajudaram a tornar viável o lançamento e aos amigos que puderam comparecer à festa.
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23.5.11
Western Walk
Nova nota sobre o evento do próximo sábado, promovido em parceria entre a Sociedade Histórica Desterrense e as editoras Estronho e Argonautas. Desta vez no maior jornal de Santa Catarina, o Diário Catarinense, do grupo RBS. A chamada com o mesmo título deste post foi publicada na bem-humorada coluna Contracapa, do jornalista Marcos Espíndola:
É isso aí, Luan Santana, só em silêncio!
Alô, galera de cowboy! No sábado, no Café Cultura (Centro da Capital) haverá o lançamento um tanto inusitado de dois livros interessantes: Cursed City – Onde as Almas Não Têm Valor (editora Estronho, MG) e Sagas 2 – Estranho Oeste (editora Artonautas, RS). Daquelas ficções bacanas, que misturam western com ficção fantástica. Mas e o inusitado? É que uma turma esperta aproveitará a oportunidade para promover um encontro weird west, onde os participantes se vestirão de acordo com o tema e, quem sabe, darão um rolé pelas ruas do Centro da Capital. O mesmo fez algo similar no aniversário de Floripa, só que trajando roupas de época. O encontro de sábado está marcado para às 17h e quem aparecer devidamente fantasiado ganhará alguns “mimos” (descontos e brindes). Fácil, o xadrez está em alta.
Cantores neo-sertanejos estão convidados, mas não poderão cantar!
É isso aí, Luan Santana, só em silêncio!
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18.5.11
Os neotemplários
Nesta quarta-feira passei por uma experiência inédita: fui ver um filme que adapta quadrinhos que nunca li. No caso, a produção O Padre, baseada em Priest, manhwa escrito e desenhado por Hyung Min-Woo (os quadrinhos sul-coreanos, muito semelhantes aos mangás japoneses mas com sentido de leitura igual ao do ocidente). Não posso falar nada, portanto, da capacidade do diretor Scott Charles Stewart em se manter ou não fiel à obra original, mas acho que vale a pena comentar alguma coisa aqui no blog, afinal, o filme remete inteiramente ao faroeste fantástico, com direito a motos supervelozes fazendo às vezes de cavalos percorrendo as pradarias e com vampiros monstruosos no lugar dos pele-vermelhas. A produção segue aquele mesmo padrão que comentei na resenha de Mortal Engines, a de um futuro retrô, no qual a sociedade acaba retomando a estética e as soluções tecnológicas de algum período histórico. Neste caso, a escolha fez de O Padre mais um lançamento weird west em nossos cinemas.
O cenário básico deste mundo é explicado logo no início com uma breve animação que faz lembrar a primeira parte de Kill Bill, de Quentin Tarantino. A humanidade sempre travou violentos combates contra os vampiros, até que em algum momento os ataques dos monstros passaram a ser tão bem sucedidos que algo precisava ser feito. Boa parte da população sobrevivente passou a se abrigar em cidades-fortificadas que, em última análise, não passavam enormes igrejas. A força policial estava nas mãos de padres guerreiros, que não usam nada com pólvora, mas contam com um arsenal de armas brancas com motivos de crucifixos: espadas, facas, sais, shurikens... Após muita luta, aparentemente se chegou a um equilíbrio de forças, com vampiros vivendo em suas colméias em áreas isoladas e a maioria das pessoas nas tais cidades-igrejas. De uma hora para outra, como ocorreu com os Cavaleiros Templários dos tempos das Cruzadas, o Clero passou a considerar a casta de guerreiros como um embaraço a ser revisto. Com a perda de privilégios, os antigos caçadores de vampiros agora ocupam uma posição de párias em suas comunidades, marcados com tatuagens de cruz do alto da testa até o meio do nariz.
Então, acaba o desenho e somos apresentados a atores não tão animados assim. O inglês Paul Bettany é o protagonista do título; o americano Cam Gigandet, um xerife de povoado que vem lhe avisar que sua sobrinha foi raptada após um inesperado ataque dos monstros; a americana com jeito de asiática (ela é do Hawaii) Maggie Q interpreta uma sensual... hã, como traduzir Priestess? Padreza? Madre? Este é o trio que troca tiros (no caso do xerife) e golpes de kung fu (da parte dos religiosos lutadores) contra as criaturas de CGI comandadas pelo neo-zelandês Karl Urban, que faz um vilão bem pouco aproveitado. É uma boa obra de ação, descontado alguns clichês e interpretações canastronas, que deixa antever um cenário ainda mais interessante que o filme em si. Me deu vontade de conhecer os quadrinhos e de torcer para que as possíveis continuações sejam melhores.
O cenário básico deste mundo é explicado logo no início com uma breve animação que faz lembrar a primeira parte de Kill Bill, de Quentin Tarantino. A humanidade sempre travou violentos combates contra os vampiros, até que em algum momento os ataques dos monstros passaram a ser tão bem sucedidos que algo precisava ser feito. Boa parte da população sobrevivente passou a se abrigar em cidades-fortificadas que, em última análise, não passavam enormes igrejas. A força policial estava nas mãos de padres guerreiros, que não usam nada com pólvora, mas contam com um arsenal de armas brancas com motivos de crucifixos: espadas, facas, sais, shurikens... Após muita luta, aparentemente se chegou a um equilíbrio de forças, com vampiros vivendo em suas colméias em áreas isoladas e a maioria das pessoas nas tais cidades-igrejas. De uma hora para outra, como ocorreu com os Cavaleiros Templários dos tempos das Cruzadas, o Clero passou a considerar a casta de guerreiros como um embaraço a ser revisto. Com a perda de privilégios, os antigos caçadores de vampiros agora ocupam uma posição de párias em suas comunidades, marcados com tatuagens de cruz do alto da testa até o meio do nariz.
Então, acaba o desenho e somos apresentados a atores não tão animados assim. O inglês Paul Bettany é o protagonista do título; o americano Cam Gigandet, um xerife de povoado que vem lhe avisar que sua sobrinha foi raptada após um inesperado ataque dos monstros; a americana com jeito de asiática (ela é do Hawaii) Maggie Q interpreta uma sensual... hã, como traduzir Priestess? Padreza? Madre? Este é o trio que troca tiros (no caso do xerife) e golpes de kung fu (da parte dos religiosos lutadores) contra as criaturas de CGI comandadas pelo neo-zelandês Karl Urban, que faz um vilão bem pouco aproveitado. É uma boa obra de ação, descontado alguns clichês e interpretações canastronas, que deixa antever um cenário ainda mais interessante que o filme em si. Me deu vontade de conhecer os quadrinhos e de torcer para que as possíveis continuações sejam melhores.
Caça aos sobreviventes de Cursed City
Olhem só o cartaz que nossos parceiros da Universo Colecionáveis, a primeira e a melhor loja especializada em colecionáveis de Santa Catarina, penduraram na vitrine:
Começou a temporada de caça aos marginais da Cidade Maldita. E o tiroteio vai ser no dia 28, a partir das 17h, no Café Cultura, lá na Praça XV. Venha, mas venha armado.
Começou a temporada de caça aos marginais da Cidade Maldita. E o tiroteio vai ser no dia 28, a partir das 17h, no Café Cultura, lá na Praça XV. Venha, mas venha armado.
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Cursed City em Mágico Vento
Sabem aquele negócio de timing? Pois não poderia ter sido mais preciso no caso de uma mensagem que enviei para um dos meus fumetti favoritos, editado no Brasil pela editora Mythos. O email acaba de ser publicado na edição 107 de Mágico Vento na coluna "O Correio de Poe" mantida pelo tradutor da série, Júlio Schneider, conforme reproduzo a seguir:
Afirmo que o timing é perfeito porque esta revista começou a chegar às bancas no dia 13 de maio, véspera do lançamento oficial de Cursed City, neste último sábado, em São Paulo. Em Florianópolis, como já divulgado aqui e em outras páginas o livro virá ao público no próximo dia 28, último sábado do mês, em um evento promovido em parceria com as editoras Estronho, Argonautas e a Sociedade Histórica Desterrense. Mas o timing também foi perfeito pela temática da história de Mágico Vento 107: nesta edição o escritor Gianfranco Manfredi faz seu personagem enfrentar criaturas semelhantes à que usei no conto "Domingo, Sangrento Domingo", presente naquela coletânea. A diferença está na nacionalidade. Se o meu monstro vem da região da Catalunha, mais exatamente de Barcelona, o quadrinista italiano criou uma trama com os ch'iang shih, ou seja, com os vampiros do folclore chinês.
Ned Ellis, o shaman branco dos índios sioux, está sozinho na cidade de São Francisco, onde se mete em um conflito das gangues chineses que dominam a região, as chamadas tongs. O líder de um desses grupos é que pensa em usar as criaturas místicas nessa guerra: mortos vivos com características bem diferentes daqueles que costumamos ver em obras ocidentais. Em uma inversão muito interessante do cotidiano dessa série de quadrinhos, vemos Mágico Vento tão perdido nos elementos sobrenaturais da trama quanto o leitor, pois todos estamos explorando um território desconhecido aqui. Em outra seção da revista, "Blizzard Gazette", o próprio autor escreve um artigo contando mais sobre os ch'iang shih, sobre o material de pesquisa que consultou e sobre as liberdades autorais que tomou, para evitar que o roteiro caísse em situações cômicas para os olhos não acostumados com a mitologia da China.
Esta é uma edição excelente para os interessados tomarem contato pela primeira vez com a revista mensal, por ser uma trama fechada que intercala arcos maiores com os personagens. Mágico Vento veio de duas longas sequências de histórias, a primeira envolvendo toda a negociação de compra das Montanhas Negras por parte do governo americano que acabou derivando na guerra aberta contra os índios na qual morreu o general Custer (1839-1876). Seguiu-se a essa sequência de histórias um outro ciclo, de forte influência na literatura de terror de H.P. Lovecraft (1890-1937), concluído no número anterior. E a partir da próxima edição, Manfredi vai voltar a explorar acontecimentos da história real, contando em um novo arco a história do exílio de Touro Sentado (1831-1890) e de seus guerreiros sioux no Canadá. Portanto, a HQ "Vampiros chineses", que nas palavras do próprio autor é "um apêndice de terror bastante suculento", acaba sendo uma oportunidade ótima para conhecer o universo da melhor série weird west a marcar presença em nossas bancas. E serve de preparação para quem for ler mais material do gênero nos livros das editoras Estronho e Argonautas. Mitakuye Oyasin!
"Antes de mais nada quero deixar os parabéns pelo excelente trabalho de vocês, principalmente em meus títulos favoritos das bancas, Júlia e Mágico Vento. Trabalho primoroso, adaptações que respeitam e valorizam o material italiano. Quanto ao personagem criado pelo excepcional escritor que é Gianfranco Manfredi, escrevi sobre ele no meu blog dedicado ao subgênero da FC chamado steampunk, ou a reimaginação retrofuturista do século XIX. O post foi em uma série rápida a respeito do Weird West, aquela mistura de faroeste com ficção fantástica (tanto pode ser FC, fantasia ou terror), da qual Mágico Vento é um belíssimo representante: http://cidadephantastica.blogspot.com/2011/02/weird-west-nos-quadrinhos-magico-vento.html Novamente, parabenizo a todos pelo trabalho. Abraço." Recebemos essa mensagem de Romeu Martins, que mora em São José-SC, cidade da região metropolitana de Florianópolis, e que será um dos autores presentes no primeiro livro de contos dedicado ao gênero weird west, cujo título é Cursed City - Onde as almas não têm valor. Na página de arquivos de janeiro de 2011 do seu blogue há uma matéria sobre isso com o título Sou um sobrevivente de Cursed City. Segundo o autor, entre as suas influências está "o inesquecível Ken Parker, cujas edições da Mythos tenho todas guardadas na minha coleção de quadrinhos".
Afirmo que o timing é perfeito porque esta revista começou a chegar às bancas no dia 13 de maio, véspera do lançamento oficial de Cursed City, neste último sábado, em São Paulo. Em Florianópolis, como já divulgado aqui e em outras páginas o livro virá ao público no próximo dia 28, último sábado do mês, em um evento promovido em parceria com as editoras Estronho, Argonautas e a Sociedade Histórica Desterrense. Mas o timing também foi perfeito pela temática da história de Mágico Vento 107: nesta edição o escritor Gianfranco Manfredi faz seu personagem enfrentar criaturas semelhantes à que usei no conto "Domingo, Sangrento Domingo", presente naquela coletânea. A diferença está na nacionalidade. Se o meu monstro vem da região da Catalunha, mais exatamente de Barcelona, o quadrinista italiano criou uma trama com os ch'iang shih, ou seja, com os vampiros do folclore chinês.
Ned Ellis, o shaman branco dos índios sioux, está sozinho na cidade de São Francisco, onde se mete em um conflito das gangues chineses que dominam a região, as chamadas tongs. O líder de um desses grupos é que pensa em usar as criaturas místicas nessa guerra: mortos vivos com características bem diferentes daqueles que costumamos ver em obras ocidentais. Em uma inversão muito interessante do cotidiano dessa série de quadrinhos, vemos Mágico Vento tão perdido nos elementos sobrenaturais da trama quanto o leitor, pois todos estamos explorando um território desconhecido aqui. Em outra seção da revista, "Blizzard Gazette", o próprio autor escreve um artigo contando mais sobre os ch'iang shih, sobre o material de pesquisa que consultou e sobre as liberdades autorais que tomou, para evitar que o roteiro caísse em situações cômicas para os olhos não acostumados com a mitologia da China.
Esta é uma edição excelente para os interessados tomarem contato pela primeira vez com a revista mensal, por ser uma trama fechada que intercala arcos maiores com os personagens. Mágico Vento veio de duas longas sequências de histórias, a primeira envolvendo toda a negociação de compra das Montanhas Negras por parte do governo americano que acabou derivando na guerra aberta contra os índios na qual morreu o general Custer (1839-1876). Seguiu-se a essa sequência de histórias um outro ciclo, de forte influência na literatura de terror de H.P. Lovecraft (1890-1937), concluído no número anterior. E a partir da próxima edição, Manfredi vai voltar a explorar acontecimentos da história real, contando em um novo arco a história do exílio de Touro Sentado (1831-1890) e de seus guerreiros sioux no Canadá. Portanto, a HQ "Vampiros chineses", que nas palavras do próprio autor é "um apêndice de terror bastante suculento", acaba sendo uma oportunidade ótima para conhecer o universo da melhor série weird west a marcar presença em nossas bancas. E serve de preparação para quem for ler mais material do gênero nos livros das editoras Estronho e Argonautas. Mitakuye Oyasin!
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27.4.11
Cursed City em pré-venda
A loja Estronho acaba de colocar em pré-venda a coletânea weird west Cursed City - Onde as almas não têm valor. Quem for visitar o endereço pode adquirir o título por lá com um desconto de R$ 10 com direito a brindes e ainda acumular pontos para novas aquisições de livros da editora Estronho naquele site, onde também estão disponíveis títulos de suas parceiras, como a Draco, Tarja Editorial e UnderWorld. Para comemorar o início das vendas - e o centésimo post deste ano em meu blog -, segue o trecho inicial do meu conto naquela obra, "Domingo, Sangrento Domingo".
Os passos do casal ecoaram nas rochas cheias de limo e musgo eternamente protegidas da luz do sol. Ela pisou com cuidado o chão escorregadio, mal fez barulho, pois os pés estavam nus, sem os sapatos de salto alto que costumam cobri-los quando andam por terrenos mais firmes. Já o homem, usando botas de solado grosso, retumbou seu peso naquelas pedras acrescido pelo material de mineração que carregava. Os metais faíscavam cada vez que batiam nas paredes sombrias e estreitas.
– Tem certeza que foi daqui que saiu o bicho? – o homem falava com uma voz de tenor valorizada pela acústica da caverna. – Esses montes de pedregulho parece tudo igual.
– Claro que tenho, não falei? – já ela soava como uma soprano, esbaforida pelo esforço da caminhada. – O rato parecia querer que eu visse ele com toda calma. Ficou parado na entrada, bem ali, me olhando, até eu chegar a poucos passos dele. Só então voltou a correr pra dentro desse paredão aí, bem na tua frente. Mas antes disso, largou essa belezura que tava rolando com as patas da frente, refletindo no sol... foi o que me atraiu a vista. Mesmo precisando de dinheiro pra pagar a Marlene o meu quarto no bordel, nem tive corage de vender e chamar a atenção de meio mundo de que tem disso por aqui.
O homem soltou um assobio, ainda impressionado pela pedra que a sua acompanhante carregava.
– Mary, vou dizer, eu nunca ouvi falar de prata nessas terras, mas posso jurar que esse torrão aí é material de primeira! Oh, se é.
A mulher soltou uma risada; o homem largou os apetrechos ruidosamente no chão.
– Eu sei, eu sei. Nunca ninguém soube de prata nessa parte do deserto, tirei a dúvida perguntando prum cliente que trabalhou nas mina da região. Ele me disse que o antigo nome, o de verdade, de Cursed City até tinha alguma coisa que ver com ouro... De prata ele nunca enxergou nada e eu é que não mostrei isso prele, que burra eu não sou.
– Cê é a mulher mais danada de esperta que eu conheço, isso sim. Tanto que resolveu confiar o segredo que o rato te mostrou pra eu – a risada dele explodiu como se a caminhada e o peso da tralha não tivessem afetado em nada seu fôlego.
– Uma coisa é mostrar uma pedra dessas prum espertalhão cheio de contato com os rico da cidade. Outra é confiar em um escravo fugido feito tu, que sabe muito bem que aparecer numa mesa de carteado do Saloon do Billy, cheio de prata pra trocar por ficha, é pedir pra levar chumbo e chicote no lombo.
Um palito esfregado numa pedra qualquer chiou antes de acender o charuto que o negro começou a fumar.
– Escravo fugido? Sei não, Mary, ouço os home dizer que a confusão entre os Confederado e as tropa da União chegou ao fim e que o presidente da capital libertou todo mundo... – uma tragada forte seguiu-se de uma baforada lenta. – É o que ouvi dizer.
– Essas coisas entre o Norte e o Sul são em outro mundo, rapaz. Aqui é o Oeste e nenhuma lei que descontente os que têm dinheiro vai valer só porque o finado Abraham Lincoln, que Deus o tenha, assim queria. Agora larga esse troço fedido e começa a fazer força, não foi pra fumar que tu veio. Pode quebrá bem ali, onde o rato se entocou.
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13.4.11
A Cidade Maldita manda lembranças
Na verdade, os brindes são de autoria do editor da coletânea Cursed City - Onde as almas não têm valor. Na página especial dedcada ao livro, M.D. Amado deixou amostras de alguns extras que os leitores da obra poderão levar para casa: marcadores de páginas e bottons com a temática weird west do projeto. Ele anunciou ainda que, nos lançamentos que correrão o Brasil, quem for vestido a caráter, como caubói, índio, dançarina de saloon ou o que mais a imaginação permitir, receberá um desconto de 10% na compra além do que normalmente a editora já concede nesses eventos. Para ver além dos brindes a capa completa da antologia, clique aqui.


6.4.11
Steam for sale
E já que falei no Sillof, noto que há uma nova seção no blog do rei da customização. Nela, o artista põe a venda algumas de suas criações exclusivas, algo raro, uma vez que sua peças normalmente são para participar de eventos como a CustomCon e para coleção particular. Entre os modelos à venda, diversos têm inspiração steampunk.
A Justice League by Gaslight é a linha mais famosa dele, chegou a gerar mais de um milhão de acessos à sua página quando foi divulgada. Baseada em uma graphic novel ilustrada por Mike Mignola e já resenhada por aqui, o preço sugerido para os oito personagens incluídos é de US $ 1,900.
Victorian Avengers também leva o mesmo conceito steamer a heróis da Marvel, chamados no Brasil de Vingadores. Também com oito figuras, está custando US $ 1,700 levar para casa essas maravilhas.
Os três próximos itens contam com inspiração Weird West. O primeiro deles, é a versão trabalhador de ferrovias de Thor. Por US $ 150.
A seguir, um Tony Stark com armadura do Homem de Ferro removível, igualmente por US $ 150
Por último, o espião Nick Fury em trajes de soldado da União, por apenas US $ 100. Mas no blog de Sillof há outras peças com outras propostas estéticas.
A Justice League by Gaslight é a linha mais famosa dele, chegou a gerar mais de um milhão de acessos à sua página quando foi divulgada. Baseada em uma graphic novel ilustrada por Mike Mignola e já resenhada por aqui, o preço sugerido para os oito personagens incluídos é de US $ 1,900.
Victorian Avengers também leva o mesmo conceito steamer a heróis da Marvel, chamados no Brasil de Vingadores. Também com oito figuras, está custando US $ 1,700 levar para casa essas maravilhas.
Os três próximos itens contam com inspiração Weird West. O primeiro deles, é a versão trabalhador de ferrovias de Thor. Por US $ 150.
A seguir, um Tony Stark com armadura do Homem de Ferro removível, igualmente por US $ 150
Por último, o espião Nick Fury em trajes de soldado da União, por apenas US $ 100. Mas no blog de Sillof há outras peças com outras propostas estéticas.
Weird West Wars
Tenho falado muito de Weird West neste blog, mas tinha deixado passar uma beleza de novidade que, felizmente, me foi chamada a atenção pelo pessoal da Universo Colecionáveis (além de serem a melhor loja de figuras de ação de Floripa, foi deles que vieram o Zod e a Ursa que ganhei na primeira edição da HQCon). O customizador Sillof, um artista das figuras de ação que é presença constante por aqui, recriou os personagens da franquia de Gerorge Lucas como se eles fossem caubóis. West Wars é o nome dessa linha que segue uma tendência do criador já comentada por aqui, quando ele jogou Luke Skywalker e companhia no Japão Feudal.
Foi dessa forma que o próprio customizador apresentou seu trabalho no blog que mantém, o Sillof's Workshop. Então, sem mais delongas, vamos ver algumas dessas belezas que o cara preparou.
Este é o xerife Akan "Death" Vardas que trabalha "com os barões ladrões e os magnatas das estradas de ferro do território". O cara usa o típico chapéu preto dos vilões e por baixo a máscara remete ao respirador de Darth Vader.
Os ajudantes do xerife, a versão faroeste dos Stormtroopers. Aqui com uns toques de cinza no visual e mais uma vez com a máscara de lenço fazendo uma citação às máscaras dos originais.
O mocinho, Luke S. Walker, criado por tios agricultores pobres na fronteira.
O amigo do mocinho, Hank "Solo" Solomon. Como diz o próprio Sillof, Han Solo sempre foi o personagem mais western da saga de Lucas. Aqui, ele está completamente em casa.
O amigo do amigo do mocinho. Chewing Bear é o meu favorito. A ideia do artista foi a de não usar robôs nem outros elementos fantásticos, então, para a sua versão de Chewbacca ele usou um intimidador guerreiro indígena coberto com uma pele de urso. Simples e genial. Veja outros personagens no blog de Sillof, vale muito a pena.
West Wars é uma linha de figuras customizadas que continua minha experiência de pegar muitos elementos de Star Wars e enfatizá-los individualmente. A trilogia original, principalmente Uma nova esperança (Episódio IV), foi influenciada pelos westerns. O empoeirado das pequenas cidades da fronteira, a cantina decadente, os tiroteios para ver quem saca mais rápido etc. Esta linha destina-se a ser totalmente western, sem outros elementos. Para maior autenticidade, todos os nomes são combinações com verdadeiros homens da lei e bandidos do oeste americano. Esta linha está em produção há bastante tempo. Muitas das figuras foram iniciadas após Steam Wars e quando as da Segunda Guerra Mundial e de samurais sequer haviam sido começadas.
Foi dessa forma que o próprio customizador apresentou seu trabalho no blog que mantém, o Sillof's Workshop. Então, sem mais delongas, vamos ver algumas dessas belezas que o cara preparou.
Este é o xerife Akan "Death" Vardas que trabalha "com os barões ladrões e os magnatas das estradas de ferro do território". O cara usa o típico chapéu preto dos vilões e por baixo a máscara remete ao respirador de Darth Vader.
Os ajudantes do xerife, a versão faroeste dos Stormtroopers. Aqui com uns toques de cinza no visual e mais uma vez com a máscara de lenço fazendo uma citação às máscaras dos originais.
O mocinho, Luke S. Walker, criado por tios agricultores pobres na fronteira.
O amigo do mocinho, Hank "Solo" Solomon. Como diz o próprio Sillof, Han Solo sempre foi o personagem mais western da saga de Lucas. Aqui, ele está completamente em casa.
O amigo do amigo do mocinho. Chewing Bear é o meu favorito. A ideia do artista foi a de não usar robôs nem outros elementos fantásticos, então, para a sua versão de Chewbacca ele usou um intimidador guerreiro indígena coberto com uma pele de urso. Simples e genial. Veja outros personagens no blog de Sillof, vale muito a pena.
3.4.11
Uma amostra da cidade amaldiçoada
Que beleza acordar num domingo ensolarado e com uma boa notícia esperando na timeline do twitter! Nesta madrugada, M.D. Amado preparou uma bela amostra da próxima coletânea de sua editora, a Estronho, na qual estarei presente com meu exemplar weird west "Domingo, Sangrento Domingo". Não apenas um, mas dois contos de Cursed City - Onde as almas não têm vez estão disponíveis para que os leitores possam baixá-los em um arquivo pdf. São eles "O gigante, a curandeira e a lutadora de Kung-Fu", de Alfer Medeiros e "Just like Jesse James", de Alliah. O primeiro narra uma história de vingança nas ruas assombradas daquela cidade, na qual, além dos três personagens do título, ainda surgem lobisomens, uma especialidade do autor. O segunda conto, tem início no saloon local, de Billy Monstrengo, e segue com um vislumbre de um autêntico trem-fantasma. O arquivo pode ser baixado aqui, entre outros cinco livros da editora também com trechos livres para degustação, e segue a diagramação e projeto gráfico da versão imprensa, que brevemente deve sair da gráfica para as vendas na loja Estronho. Boa leitura e bom domingo!
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29.3.11
Cowboys e aliens
O post não é nem sobre a HQ homônima do título (criada por Scott Mitchell Rosenberg), nem sobre o filme que a adapta (dirigido por Jon Favreau). Esta é apenas uma chamada para uma série de artigos do crítico de ficção especulativa Edgar Indalecio Smaniotto - já citado neste blog por suas resenhas da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário - a respeito de um dos temas que vola e meia surgem por aqui: o Weird West. Em "Extraterrestres e cowboys", Smaniotto se focou no aspecto dos encontros imediatos para analisar três séries de quadrinhos italianos produzidos pela maior editora daquele país, a Bonelli Comics. Tex, Zagor e Mágico Vento - este último já comentado por aqui - foram os fumetti escolhidos pelo crítico para serem abordados em uma série de textos originalmente publicados de setembro a novembro de 2008 no Jornal Graphiq. O link a seguir é para o blog Universo Fantástico que compilou a trilogia em um único post. Sendo assim, vou deixar os leitores aqui apenas com alguns parágrafos de cada uma dessas análises, recomendando a leitura integral aos interessados na mistura de faroeste com ficção científica.
Parte I: Tex
Em geral podemos identificar um gênero literário pelos ícones que pertencem a este determinado gênero. Se estamos diante de seres com poderes fantásticos é quase certeza que se trata de uma história de super-herói, se falamos de robôs e alienígenas é provável que estamos a ler uma história de ficção científica, mas se nos deparamos com nativos americanos (índios) e cowboys estamos a ler faroeste.
Sou leitor de gibis desde criança, e meu primeiro gibi foi um gibi de faroeste, e também sempre fui leitor de ficção científica, sendo que tenho algumas centenas de livros de FC em minha biblioteca. Como fã destes dois gêneros sempre me chamou à atenção histórias em que estes se misturavam.
Atualmente existe todo um gênero de ficção, conhecido como Steampunk, em que elementos típicos do século XIX, como a tecnologia a vapor, acaba por ter um desenvolvimento para além daquele que realmente teve no século XIX.
Ao mesmo tempo a narrativa incorpora outras tecnologias e elementos que se tornaram parte de nosso imaginário apenas no século XX. Podemos citar, para ficar apenas nos quadrinhos e no cinema, como obras típicas deste movimento: A Liga Extraordinária de Alan Moore, As loucas aventuras de James West (filme e série), a série O Mundo Perdido, a HQ Rocketeer, o filme Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, o desenho animado Steamboy e a HQ Docteur Mystére.
Nos quadrinhos Bonelli (quase um sinónimo para quadrinhos italianos), do qual o mais famoso é TEX, mas também já foram editados no Brasil outros gêneros destes quadrinhos, além de dois outros faroestes que fazem sucesso entre o publico brasileiro: Zagor e Mágico Vento, elementos de steampunk sempre estiveram presente, assim por vezes podemos ver extraterrestres, robôs, naves espaciais e outras coisas impossíveis no século XIX `real’ em meio a histórias de faroeste. (...)
![]()
Parte II: ZagorZagor é uma mistura de Tarzan ou Fantasma com Tex. Para criar um Zagor basta bater em um liquidificador um cowboy, um aventureiro pulp e um super-herói, e ter o talento de Guido Nolitta (roterista criador do personagem). O nome Zagor é uma abreviação de Za-gor-te-nay, ou seja, “O espírito da machadinha”. Zagor possui extraordinários reflexos e dotes atléticos e é extremamente hábil no uso de sua machadinha. Os seus feitos, além da impressão causada por suas vestes (azul e vermelha, com um símbolo enorme no peito) e por seu grito de guerra (AAHHYAAKK!) o fazem ser considerado pelos índios como uma espécie de semi-deus enviado por Manitú.(...)
![]()
Parte III: Mágico Vento
Mágico Vento é uma das melhores HQs seriadas que já aportou em terras brasileiras. Cada história é mais surpreendente que a outra, sem falar que os roteiros são bastante diversificados, com histórias de faroeste, terror (em geral envolvendo mitologia indígena), misticismo, espionagem, guerra e intrigas políticas.
Entre tal variedades de temas, certamente não podia faltar uma história de ficção científica. História esta publicado no n.° 41 “Os Replicantes”. Mas antes de comentar esta história em especifico vamos falar um pouco do personagem Mágico Vento.
Mágico Vento é na verdade o nome indígena de Ned Ellis, único soldado sobrevivente de um massacre, ocasião esta em que teve cravado em sua cabeça um estilhaço de metal, este lhe proporcionou o dom de ter visões, mas lhe causou a perda de sua memória. (...)
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17.3.11
Weird Western from Brazil 3
10.3.11
Weird Westerns from Brazil 2
Por falar na coletânea Cursed City - Onde as almas não têm valor, fiquei sabendo agora pela manhã pelo twitter do organizador da obra, M. D. Amado, que ficaram prontos os cartazes anunciando todos os participantes da coletânea. Não resisto à tentação (ou ao mico?) de postar aqui minha cara de bandoleiro cucaracha. O dos demais colegas de páginas, só lá no hot site da editora.
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