Mostrando postagens com marcador Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Mostrar todas as postagens

15.4.12

Novas histórias de um passado extraordinário

A mais bem sucedida, em termos de crítica e de repercussão, coletânea lançada pelo fandom de ficção científica nacional vai ganhar uma bem vinda continuação. Lançada com pioneirismo em 2009 pela Tarja Editorial, Steampunk - Histórias de um passado extraordinário recebeu algumas dezenas de menções e avaliações em blogs nacionais e estrangeiros, programas de TV e de podcasts, garantiu presença em livros como o Anuário de Ficção Científica e a Steampunk Bible. Agora, a mesma editora anuncia que chegará prevemente às livrarias físicas e virtuais Steampunk 2. Eu já estava sabendo e até já enviei uma noveleta para ser avaliada pelos organizadores, agora, que a notícia se tornou pública, vou compartilhar a nota publicada pelo site do Conselho Steampunk de São Paulo

.

Depois do indiscutível sucesso de público e crítica que foi “SteamPunk ~ Histórias de um Passado Extraordinário”, a Tarja Editorial resolveu lançar uma continuação com noveletas de autores selecionados tratando o SteamPunk cada um a sua maneira.

O período Vitoriano é o foco da obra, o que limita os contos entre 1837 e 1901, mas certa flexibilidade é dada nas circunstâncias ficcionais anacrônicas cabíveis.

Segundo o editor Gian Paolo Celli – também responsável pelo primeiro volume – a intenção é reunir entre 8 e 12 obras de ficção científica que provoquem a reflexão acerca do subgênero literário.

O elenco de autores presentes na primera coletânea impressionou bastante e houve inclusive repercussão internacional graças ao competente resultado literário.

Na nova coletânea todas as obras deverão se ater ao formato “noveleta” de narrativa livre, sendo deixadas de fora outros formatos como poesias e estruturas afins.

Como é do feitio da Tarja Editorial, nenhum valor é cobrado aos escritores e não há qualquer compromisso para além da divulgação da obra e cada autor receberá três exemplares – cujo evento de entrega será oportunamente agendado.

A editora pretende lançar o livro em formato 14x21cm, reservando cerca de 30 páginas por autor – que perfazem 45 mil toques ou de 14 à 15 páginas no formato A4. Precederá cada conto uma página de apresentação com o nome do autor e breve introdução a obra, seguindo-se à obra breve biografia do autor e área para fixar um endereço de website e email para contato.

A Tarja Editorial, como editora responsável pelo primeiro lançamento SteamPunk do Brasil, é alvo de um carinho especial do Conselho SteamPunk e de entusiastas de toda parte, mas nosso coração à vapor é enorme e vai continuar abraçando cada uma das demais editoras que se juntarem à ilustre pioneira com o intuito de enriquecer a produção de Cultura SteamPunk no país.

Para mais informações sobre o projeto, os interessados devem entrar em contato com a
Tarja Editorial pelo email steampunk2@tarjaeditorial.com.br

13.2.12

Torre de Vigia 40

Quando comecei esta seção que monitora resenhas e matérias sobre a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário não imaginava que ela fosse chegar a tantos exemplos nem que ela continuaria em atividade, quase três anos depois do lançamento do livro da Tarja Editorial. Mas eis que o livro ainda gera repercussões que merecem o registro por aqui. Caso da lista que a equipe do blog da livraria Martins Fontes pediu para ser elaborada por um velho conhecido do Cidade Phantástica, Octavio Aragão. A proposta foi a que segue abaixo:

Convidamos o designer gráfico, professor universitário e escritor Octavio Aragão para fazer uma seleção de livros que representem o que existe de mais importante no Steampunk, um subgênero da ficção científica.
A literatura steampunk é construída através de narrativas que aconteceram no passado, ou em um mundo paralelo semelhante a algum período da nossa história, com alguns avanços tecnológicos semelhantes aos atuais, mas alcançados com tecnologia de época. Ou seja, computadores feitos de madeira e engrenagens, aviões a vapor, máquinas do tempo alquímicas etc.
Sendo assim, foi montada uma listagem com dez obras consideradas essenciais para entender o gênero, sendo que o livro a ocupar a sexta posição é o que segue:



6) Steampunk, vários
Antologia de contos brasileiros onde se pode ler, entre outras coisas, o que aconteceria se Brás Cubas tivesse comercializado seus famosos unguentos; se dois personagens de Júlio Verne tivessem se enfrentado, submarino contra aeróstato; ou como seria a história do mundo caso um contato imediato tivesse ocorrido no século XIX.
A lista completa pode ser conferida aqui, valendo lembrar que boa parte dos livros foram resenhados neste blog.

3.1.12

Steampunk tipo exportação

Um dos melhores textos steamers nacionais é finalista em um concurso que premiará o melhor conto de ficção científica brasileiro recente com uma tradução profissional para o inglês e a publicação em um site internacional. A escritora e advogada Ana Carolina Silveira, uma das juizas do concurso Hydra anunciou em seu blog Leitura Escrita a escolha dos três finalistas:

“(História com desenho e diálogo)” por Brontops Baruq, publicado na revista Portal Fundação do Projeto Portal
· “Eu, a Sogra” por Giulia Moon, publicado na antologia Imaginários, vol. 1 da Editora Draco
· “Por um Fio” de Flávio Medeiros Junior, publicado na antologia Steampunk da Tarja Editorial
"Por um fio" é a representante steampunk nesta reta final do concurso, conto do mineiro Flávio Medeiros Jr. publicado na primeira coletânea nacional dedicada ao gênero, Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Como eu já disse em diversas oportunidades, é também meu conto favorito naquele livro, o que torna, a meu juízo, uma excelente notícia a de que ele tem boas chances de se sair o vencedor na escolha final, que será feita pelo consagrado - e polêmico - escritor americano Orson Scott Card, proprietário do site onde o melhor texto será postado.

A blogueira, também de Minas, fez uma apresentação bastante precisa do conto concorrente:

Ana Carolina Silveira, juíza do concurso escreve: “’Por Um Fio’ é uma mistura de estilos e temáticas: steampunk, ficção alternativa e história alternativa. É a história de uma batalha naval cujos participantes são velhos conhecidos dos amantes de livros, no meio de uma guerra mundial vitoriana. O clima de aventura e perseguição está presente do início ao fim, culminando em um final surpreendente e eletrizante”.

Fica aqui a torcida do Cidade Phantástica, sem desmerecer os outros participantes, a este representante do Braziliam Steampunk.


5.10.11

Torre de Vigia 39

Eppur si muove. Fazia tempo que eu não tinha a oportunidade de atualizar a sessão de clipagem de resenhas da primeira coletânea steampunk brasileira. A última vez, foi em dezembro do ano passado. Mas mesmo tanto tempo depois de seu lançamento, o livro continua colhendo análises dos leitores, sendo um dos mais avaliados da safra recente de literatura especulativa nacional. Quem fez a resenha mais recente em seu blog foi a escritora, artista plástica e moradora de Niterói Alliah - que é minha colega em outra coletânea steamer, a Deus Ex Machina, diga-se de passagem. Ela começou seu escrutínio pelo trabalho da capa, de autoria de Marcelo Tonidandel e Verena Peres, que acabou sendo o melhor e mais completo comentário sobre aquele belo trabalho gráfico:

O livro “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário” foi lançado pela Tarja Editorial em 2009 e reuniu uma excelente trupe de escritores. Como a obra já foi resenhada por vários blogueiros interwebz afora, minha resenha vai ser um pouquinho diferente do comum. Aquele típico resuminho explicativo sobre o conteúdo de cada história que vem antes das opiniões/críticas de cada resenhista não vai aparecer aqui. Se você tá chegando agora meio perdido nesse estranho mundo chamado fandom e não conhece nenhum dos contos desse livro (shame on you!), vai dar uma googlada por aí e se inteirar.
Vamos começar pela capa, de Marcelo Tonidandel e Verena Peres. (Como já farei a resenha dos contos aqui, a resenha da capa vai ser bem breve e objetiva e não vai pro 
Resenhando Capas.. Mas depois dá um pulinho lá e se inscreva pra receber as atualizações.)



Começando pelas cores. O clássico café envelhecido oscilando entre tons de amarelo e marrom caiu bem. Cheira a antiguidade sem soar precário. O fundo manchado é bonito, porém a textura rugosa que aparece no topo e na base poderia ter sido mais bem trabalhada (ou até mesmo eliminada por outros padrões de mancha. Um papel enrugado seria mais adequado). O mesmo vale para a arte do título. As cores estão fortes e funcionam, mas a iluminação falhou. A máquina em destaque no canto inferior esquerda é o ponto alto. A nitidez detalhada do desenho em sépia escuro acinzentado formou uma combinação que poderia ter sido aproveitada para outras ilustrações, ou numa única ilustração central e mais detalhada ainda. É minha parte favorita da capa. Os três personagens no centro possuem traços suaves demais, como se alguém tivesse exagerado no esfuminho. O sombreamento parece desfocado. Faltou dureza. O dirigível no topo está bem feito e bem posicionado. No conjunto a capa funciona e vende o que promete, mas os detalhes mencionados poderiam ter sido melhor trabalhados.

Em seguida, ela começa sua avaliação de cada um dos nove contos que compõem a obra. Como costumo fazer, copiarei abaixo o comentário a respeito de minha noveleta e deixo os leitores com o endereço para a leitura completa aqui.

Em seguida vem o conto “Cidade Phantástica”, de Romeu Martins, que prova que Niterói só consegue ser um lugar interessante quando retratada numa ficção. João Fumaça é um dos melhores personagens do livro. Btw, o nome simples, objetivo e bem brasileiro é perfeito. (Também não dá pra esquecer a fofura daquele boneco do personagem que foi sorteado uns tempos atrás no blog do Romeu, de mesmo nome desse conto). Aqui, assim como no conto do Gian, os diálogos se destacam. E devo dizer que as palavras, expressões e pequenas frases em inglês foram cuidadosamente encaixadas sem que soasse pedante ou supérfluo. Mas como eu adoro um desastre, fico imaginando a dimensão dos danos que a arma (mais perigosa do mundo) teria causado se nosso herói João Fumaça não tivesse impedido…

(não resisto a um comentário final: eu que sou morador da Niterói catarinense - já que São José é a cidade do outro lado da ponte de Floripa - usei a Niterói original em dois outros contos. A cidade onde mora a resenhista aparece na continuação de "Cidade Phantástica" chamada "Modelo B", que foi publicada na revista Vapor Marginal  e, se tudo der certo, ganhará nova versão em 2012. Da mesma forma ela surge já no título de um conto que sairá no livro Soberba - Lúcifer, da coleção VII Demônios da editora Estronho: "Algo baixou em Niterói")

16.9.11

Faça você mesmo

O título acima é o mesmo que o jornalista especializado nos anos 80 Guilherme Bryan deu a uma matéria que escreveu para a Revista do Brasil sobre os 40 anos do movimento punk. Tive o prazer de ser um dos entrevistados para a produção do texto, ao lado de alguns caras que eu ouvia muito durante minha adolescência, como o Clemente, da banda Inocentes. Falei, como não podia deixar de ser, sobre o controverso lado punk da cultura steamer. Seguem trechos, a íntegra pode ser lida aqui:


Essa maneira de produção cultural influenciou outras artes, caso da literatura de ficção científica. O jornalista Romeu Martins é especialista na área e autor de contos publicados em 2009 na coletânea Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário, que acaba de ganhar edição [parcial, na Steampunk Bible] em inglês. “Tudo começou no cyberpunk, na segunda metade dos anos 1980. O movimento liderado por William Gibson e Bruce Sterling levou a ideologia punk ao mundo da ficção científica, ajudando a dar maior relevância aos verdadeiros produtores do gênero – os escritores – e incluindo uma temática muito mais politizada e não conformista”, explica Romeu. “Quando o escritor K.W. Jeter escreveu uma carta em 1987 para a revista Locus batizando o steampunk, ele apenas fazia uma analogia com o cyberpunk, mas o sentido original, de vagabundo, marginal, começava a se perder”, relata.

“O modo punk de ver o mundo deu maior relevância aos verdadeiros produtores culturais, em todas as vertentes em que se manifestou. Acredito que, mesmo antes da música, já se podia ver isso nos quadrinhos, a partir do momento em que Robert Crumb passou a editar ele mesmo suas revistas e a vendê-las em um carrinho de bebê nas esquinas de São Francisco, na metade dos anos 1960. Esse foi o espírito do jornalista Legs McNeil ao resgatar aquela palavra, que já aparecia nas peças de William Shakespeare, há quase meio milênio, e batizar um fanzine com ela, fazendo com que o termo punk entrasse definitivamente para o vocabulário da contracultura”, acrescenta.

10.6.11

Phantastic City

Estar em uma publicação como a Steampunk Bible ao lado de ídolos internacionais da estatura de Bruce Sterling e Jake von Slat já não tem preço. Porém, como eu disse por aqui antes, um orgulho do qual ninguém pode me tirar é o de ter algo em comum com William Gibson, Alan Moore, PKD e outros mestres: o fato de termos um mesmo tradutor na figura de Fábio Fernandes. Sendo assim, é com esse mesmo orgulho que publico a seguir o trecho integral traduzido por ele a pedido de Jeff VanderMeer para a Bíblia do Vapor. No livro, o texto foi editado para ficar adequado ao espaço de um box; abaixo, posto a versão completa que, garanto, é bem superior ao texto original em português:


Phantastic City. That’s how people started referring to the Capital of the Empire. Newspapers’s articles and headlines, speeches of politicians and members of the nobility, and even popular songs — everyone was celebrating that epithet from the moment that place saw the speediest, most intense wave of development that humankind had ever bore witness to. The marks of progress changed the landscape to such an extent that left behind the exuberance of nature that used to be the only subject among foreigners when they talked about the city of São Sebastião do Rio de Janeiro.

 Since the opening of the pioneering industry, in the estuary of Ponta da Areia, in Nictheroy —birthplace of the Baron locomotive — not a month goes by without a new factory opening its doors to work. The rhythm inside the factories is as intense as the hurly-burly in the streets, and not only during the day, but also along the nights, something that became feasible when the gaslight network replaced the old whale oil lamps. Neither luminosity nor even the imperial decree that outlawed the practice of capoeira and kung fu refrained the streets from becoming the stage for showdowns between the wild bunches of black and Chinese men who terrorize the carioca people. Despite the fact that most of those groups, like the Brotherhood of the Quilombo and the Celestial Order, do not use fire arms, such fights invariably end in death. 

The groups represent their communities and cultivate a hatred for the rival ones. With the housing grounds already taken by factories and mansions, the hordes of immigrants and the former slaves from Africa had not much of an option other than to use the many hills of the Capital, creating villages, veritable small towns apart from the metropolitan progress. The best example is the very first one, built upon Providência hill: Shanghai, meaning “above the sea”, in the Chinese language, is a mix of humble wooden shacks with stone temples called pagodas, whose architecture is marked by the multi-tiered roofs, like piled blocks. From those places of difficult access, where are grown the poppy seeds that originate the opium consumed in the city, use to get out the bands who instill fear into the hearts of the populace and hate into the minds of the authorities. 

Anyway, even without taking into consideration the matter of public security, the light from those lampposts has been demanded earlier and earlier, for one of the consequences of industrial activity is the smoke curtain that is now part of the daily life of the thousands of people that adopted the biggest city of Latin America as their home and workplace. 

The fog, capable of impregnating the senses of touch, taste, and smell of the inhabitants, spreads out of the maze formed by hundreds of huge stone obelisks scattered through the Capital. They are the chimneys of the industries, veritable monsters that, with its ovens, fed by the coal from Santa Catarina, give birth to fresh ovens, train tracks, whole trains, steam ship hulls…. It’s the future materialized in metal.

 Of all the prodigies engendered by technique and ingenuity in this city, none is equal to – none is even close in comparison – the colossal building that shall be finished until the end of the year, by the shore of Copacabana Beach. With a hundred floors, the Phantastic City Building is the highest structure ever designed by human hands. It is roughly twice the height of the Washington Monument, which is being built for decades in the United States capital – a work constantly delayed due to the Civil War that until few months ago devastated the godforsaken republic.
 

9.6.11

O Brasil na Bíblia

Mas afinal, o que a Steampunk Bible traz a respeito de nosso país, além da tradução de minha noveleta feita com habitual competência por Fábio Fernandes? O Brasil surge no derradeiro capítulo desta obra de referência, justamente aquele dedicado ao futuro da cultura steamer, ao lado de outros países emergentes, como a França. Mesmo sem a mesma competência de meu tradutor, fiz abaixo uma versão para o português das citações que Jeff VanderMeer e S.J. Chambers fizeram de nós. Como vão ver, as informações sobre a cena brasileira foram cedidas por depoimentos do próprio Fábio Fernandes e de Jacques Barcia, autores que estiveram presentes na primeira antologia nacional steampunk. Aliás, a capa de Steampunk - Histórias de um passado extraordinário aparece ilustrando o capítulo, e ocupa toda uma página do livro, o que garantiu a essa reprodução uma dimensão ainda maior do que a que foi publicada originalmente por aqui. Segue o texto e um detalhe das páginas deste capítulo:



Steampunk Internacional e multicultural

A internet tornou-se uma ferramenta essencial para os fãs do steampunk conhecerem e participarem dessa subcultura, não importando onde eles vivem. Sites como Brass Goggles e The Steampunk Workshop servem como uma conexão para tal atividade. No entanto, os entusiastas internacionais também têm desenvolvido suas próprias comunidades, com interesses em comum. Gradualmente, a internet está servindo como uma estrada de duas mãos, permitindo que steampunkers na América do Norte e na Grã-Bretanha descubram os esforços realizados em outros países. Da França ao Brasil, incluindo todos os pontos entre eles, há mais atividade do que nunca com sites como o Beyond Victoriana e Silver Goggles que focam o steampunk multicultural, independentemente de sua origem. Entusiastas de longa data como GD Falksen, que tem escrito sobre o tema steampunk multicultural para Tor.com, também reconhecem que o futuro do gênero requer diversidade. "Toda a cultura que existia no século XIX potencialmente pode ser usada para uma história steampunk ou como recurso estético", diz Falksen. "Acredito que as pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes das possibilidades".

(...) O Brasil surgiu como um ambiente efervescente do steampunk. Segundo o escritor, tradutor e fundador do blog Post-Weird Thoughs, Fábio Fernandes, o steampunk brasileiro tem estado "ativo há um par de anos, pelo menos oficialmente. A maioria de seus membros em todo o país sequer conheciam uns aos outros até 2007. Eles começaram a se reunir logo após a fundação da Loja São Paulo do Conselho Steampunk (algo semelhante a uma loja maçônica, mas só no nome). Agora, existem lojas nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e Paraná."

Mesmo tendo o steampunk brasileiro menos de três anos de existência, Fernandes afirma que a comunidade "está fazendo um ótimo trabalho, atraindo muito interesse, com pessoas ativas organizando vários eventos. A maioria deles até agora, porém, está relacionada com moda e estilo de vida, em vez de literatura. Alguns eventos fundiram essas duas comunidades ... mas elas não são realmente integradas. Mas não vemos isso como um problema. Ambas as comunidades se dão muito bem. O movimento de escritores está crescendo rapidamente, e ouso dizer que nos próximos dois ou três anos vamos ver o nascimento de uma verdadeira escrita brasileira no gênero steampunk."

Fernandes aponta Jacques Barcia, um dos líderes na cena brasileira de ficção científica e fantasia, também como um dos melhores escritores steamers do país. "Ele pode evocar imagens de uma beleza terrível, engenhocas infernais e belas criaturas como golems mecânicos apaixonados."

Barcia concorda com a avaliação de Fernandes: "A literatura steampunk brasileira cresce rapidamente, mas ainda está em sua infância. Há grandes obras de ficção, grandes antologias temáticas e convenções dedicadas apenas a esse subgênero, mas muitos autores (e leitores) não têm uma visão clara do que é steampunk ou sobre como ele se desenvolveu ao longo dos anos. Por outro lado, existem grandes exemplos de escritores brasileiros criando uma vitoriana com sabor nacional, misturando figuras históricas com personagens da literatura romântica brasileira e atingindo grandes resultados."

A ficção de Barcia não se encaixa em uma "estética steampunk brasileira mais geral. Eu focalizo normalmente na Belle Époque, em vez de usar imagens vitorianas, e prefiro ambientar minhas histórias em cidades imaginárias que só lembram (ou recriam) localidades brasileiras. Além disso, meus personagens são geralmente os dissidentes, os pobres, os sindicalistas e os anarquistas do início do século 20. Acho que o steampunk precisa de mais revoluções, mais agitação. Afinal, a virada do século passado diz respeito a fábricas e seus turnos de 80 horas, além da busca pela liberdade. Não é apenas fantasia a vapor, maquinário mecânico e seus inventores."

Em 2009, uma antologia steampunk brasileira mostrou as obras de Barcia e de outros autores, na condição de porta-bandeira (ou seria porta-dirigíveis?) para uma ficção bastante variada. Muitos dos textos selecionados trazem influências familiares, como Verne e Wells; mas outros, como "Cidade Phantástica", de Romeu Martins, com suas "favelas steampunk", bandos de ex-escravos vindos da África que se tornaram capoeiristas e enormes edifícios nas margens da praia de Copacabana, são mais intrinsecamente brasileiros.

17.5.11

Ponto de partida

No início parecia que ia ser apenas um modismo passageiro, mas a verdade é que a cultura steamer dá mostras de ter se firmado de vez no Brasil. Tanto que a cada novo evento, a cada novo encontro vitoriano, a cada novo lançamento de livro, seja nacional ou uma tradução de material de outro país, novos interessados começam a se perguntar o que afinal de contas é esse tal de steampunk. Felizmente, surgem também novos espaços para dar as informações básicas a quem busca informações e dicas de como aproveitar melhor o que se produz no gênero, seja na forma de livros, filmes, quadrinhos ou qualquer outra manifestação cultural. Fico feliz de poder recomendar um trabalho que é um excelente ponto de partida para esses novos steamers: o especial em duas partes escrito pela historiadora Juliana Poggi em seu blog Caramilholas de JP.



Dividido em duas partes, Juliana apresentou primeiramente uma rápida introdução a esta forma de retrofuturismo em seu post do dia 6 de maio.

Uma pitada de engrenagens
Misture um pouco de vapor para fazê-las funcionar
Insira tudo isso no séc. XIX, de preferência na Inglaterra vitoriana (que vai de 1837 a 1901), mas se preferir usar a criatividade pode levar para qualquer lugar do mundo.
Não esqueça seu cientista maluco (responsável por todas as criações mirabolantes) e claro para sua segurança coloque seus óculos de proteção! ou se preferir os de aviação!


Já no dia 14, após um atrasado involuntário, provocado pelos mesmos problemas com o blogger que fizeram o Cidade Phantástica diminuir o ritmo semana passada, ela voltou ao tema, agora em um verdadeiro mergulho no steampunk. Entre as várias dicas de obras mencionadas, a blogueira não deixou de comentar o material nacional que vem sendo publicado por aqui desde 2009:


Mas Além das traduções que agora tem maior espaço no mercado, autores brasileiros têm produzido muita coisa no gênero.
O esquadrão brasileiro conta com diversos autores entre eles Romeu Martins (que comentou no post passado!) Antonio Luiz M. C., ClaudioVilla e Fábio Fernandes e claro com o apoio de editoras como a Draco, Estronho, Tarja Editorial.



Entre as publicações nacionais temos as coletâneas/antologias de contos Steampunk: Histórias de um passado extraordinário da Tarja Editorial (Skoob/RESENHA porAntonio Luiz M. C.) que reune diversos autores entre eles os citados acima e Vaporpunk: Relatos Steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades pela Draco.(Skoob/RESENHA Por Lucien, o Bibliotecário).

Steampunk: Histórias de um passado extraordinário foi a primeira obra brasileira do gênero (2009) organizada por Gianpaolo Celli, trás as mais diversas temáticas, como Sociedades Secretas, Santos Dummont, faroeste, tudo é claro com muito vapor, dirigíveis, ciência e etc. A cada conto uma história inesperada e surpreendente.
Vaporpunk: Relatos Steampunk publicados sob as ordens de Suas Majestades(2010) aproveitando a inspiração Steamer no séc. XIX, os organizadores Gerson Lodi-Ribeiro e Luis Filipe Silva apresentam oito noveletas steampunk sob a ótica brasileira (Império) e portuguesa do assunto.

Agradeço a Juliana pelas palavras elogiosas ao longo do post e indico este seu especial como uma ótima introdução a quem começa a se aventurar por esse mundo do vapor.

4.2.11

Damas e Cavalheiros: a Vapor Marginal - Artigo

Então, mesmo passando por um dos costumeiros apagões da Net em minha cidade, quero concluir a apresentação das minhas contribuições na revista oficial do Conselho Steampunk. A pedido do editor, Bruno Accioly, escrevi um artigo que tenta analisar o interesse dos brasileiros pelo século XIX e ao mesmo tempo o interesse dos estrangeiros pelo século XIX no Brasil. Claro que também fiz um link para o que a ficção fantástica tem a ver com isso, especialmente o subgênero steampunk. Segue o início do texto:

Usando apenas quatro algarismos nos títulos de seus livros, o escritor e jornalista Laurentino Gomes vem se consolidando como um produtor de best sellers em série sobre a História brasileira. Primeiro veio 1808, a respeito da vinda da família real portuguesa para esta sua colônia ultramarina na mais ousada fuga provocada pelas Guerras Napoleônicas. O sucesso atual é o de 1822, que conta os bastidores da Independência do Brasil do ponto de vista de múltiplos personagens. Para fechar a trilogia de momentos que definiram a identidade de nosso país, haverá ainda um 1889 a ser lançado em futuro breve com a narrativa da Proclamação da República. Há muito que se pensar por aí, nestas obras de divulgação que se tornam fenômeno de vendas atraindo o interesse de dezenas e dezenas de milhares de brasileiros sobre assuntos que eles viram em algum momento de suas vidas escolares.

Ajuda a ter uma ideia ainda mais clara do quanto o tema é relevante para tantas pessoas se pensarmos além do que faz sucesso hoje. Por exemplo, qual foi o filme que marcou a retomada do cinema nacional, tornando-se um sucesso de público como há muito não era visto no país em meados dos anos 90? Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, uma visão burlesca daquele mesmo tema do primeiro livro de Laurentino Gomes. E qual foi o primeiro produto de exportação em massa de nossa produção audiovisual, uma telenovela que atingiu mais de uma centena de países tornando-se campeã de audiência em vários deles? A Escrava Isaura, de 1976, adaptação que Gilberto Braga fez para a rede Globo do livro de Bernardo Guimarães (1825-1884), que já podia ser considerado um sucesso na época do seu lançamento em 1875.

Como podemos perceber, o fascínio pela época não é de hoje e não se restringe apenas à realidade como foi registrada oficialmente. Algo no século XIX atrai leitores, espectadores, público em geral para dedicar atenção a livros de divulgação, a romances, a programas de TV e a filmes ambientados nele com um interesse acima da média. A mistura de um Império nos Trópicos, das lutas abolicionistas, dos grandes personagens daquele tempo, de um período que foi definidor para o presente em que vivemos parece ser irresistível a muito de nossos compatriotas. E não apenas a eles, como comprovou o consagrador sucesso que a citada novela Escrava Isaura alcançou em lugares de formação tão diferente da nossa quanto a Rússia e a China. Naqueles locais, a protagonista da trama, vivida pela atriz Lucélia Santos, se estabeleceu durante um bom tempo como embaixadora não-oficial de nossa televisão em particular e de nossa cultura em geral; e o vilão Leôncio Almeida, interpretado pelo saudoso Rubens de Falco (1931-2008), tornou-se uma encarnação do Mal. Palavras como senzala entraram para o vocabulário de pessoas que talvez nunca tenham visto pessoalmente um descendente de africanos.

E nada mais natural que as apropriações do Oitocentos não se restringissem apenas àquelas exercidas por historiadores, divulgadores e autores de ficção realista. Era de se esperar que em algum momento os escritores dedicados à ficção fantástica nacional fossem se voltar também para aquele período do tempo, usando tal século como matéria prima para suas criações de ficção científica, terror ou fantasia. E a liberdade para se especular com o passado, imaginar novas possibilidades históricas, reinterpretar personagens reais ou mesmo os ficcionais que o tempo encarregou de tornar sob domínio público é o caminho natural dessa tribo que atende pelo nome de steampunkers. Quando o casamento do fantástico local com o século XIX foi oficialmente celebrado em 2009, por ocasião do lançamento da primeira coletânea nacional dedicada ao tema, a história voltou a se repetir, dentro das devidas proporções que o nicho da literatura especulativa ocupa em nosso país.
Continua na Vapor Marginal.

14.12.10

E veio mesmo mais Brazilian Steampunk 2

Continuando com as boas notícias internacionais, outro conto brasileiro acaba de ser publicado em inglês em um site anglófono. Desta vez é a tradução para "Uma vida possível atrás das barricadas", de Jacques Barcia, editado orginalmente na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Vertido para "A life made possible behind the barricades", o texto está disponível em pdf no site da Tachyon Publications como material complementar da antologia Steampunk Reloaded, organizada por Jeff VanderMeer.

Beyond the aethership’s window, Catalonia shone like a brass and crystal star, lost and alone in the vastness of space. Kilometric antennae cast to the void, flowers carved over its colossal hull and around the main station’s atrium, beautiful stained glasses, and asymmetrical lines. Art. Home, if everything goes well. It has always bothered Fritz, this tick-tock speeding up inside his chest. It knotted his guts, tightened his pneumatics. And of course there was the noise, the clocks emphasizing his anguishes, excitements, dreads and delights, right there, for everyone to hear. But now he tried to keep himself calm, the glassy cold window against his icy metal forehead, their battle breaking the silence in the cabin with a sharp sound.

Continua.

4.12.10

Torre de Vigia 38

Mais de um ano depois do lançamento, surgem novas resenhas da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. O comentarista da vez é o quadrinista e escritor Mushi-san que escreveu a respeito do livro em seu blog. Para manter a tradição desta seção do Cidade Phantástica, irei postar abaixo a introdução do texto e a parte em que o resenhista se refere a meu conto, deixando o link para a íntegra aqui.


*Para mim*, steampunk é aquele gênero de histórias de ficção científica que tenta resgatar o clima das primeiras histórias do gênero: são passadas numa Era Vitoriana imaginária, com maquinários fantásticos (de computadores à maquinas voadoras, utensílios domésticos e tudo o mais) movidos à vapor cheias de engrenagens e rebites, a ciência vista como benéfica e progressista... É comum dizerem que são histórias ambientadas em universos similares aos criadores da FC como a conhecemos: Verne, Wells e cia.

(Falei em Ficção Científica, mas algumas vezes o gênero cai em História Alternativa, o que não deixa de ser interessante. Nesse volume, várias histórias poderiam ter como chamada "o que aconteceria se... a República não tivesse sido proclamada" ...deve ser nossa ucrônia favorita^^)

Eu sei que não é essa exatamente a explicação oficial pro termo, mas é quase (pros detalhistas, a wikipédia tá aqui, a um clique de distância) e foi com esse conceito em mente que peguei Steampunk – histórias de um passado extraordinário, lançado ano passado pela Tarja Editorial, uma das poucas no Brasil a investir de verdade em textos nacionais de Ficção Científica e Fantasia, pra ler :) O livro é uma onde autores nacionais escrevem nove histórias steampunk...

...ou quase isso. (...)


• "Cidade Phantástica" do Romeu Martins é o outro conto do livro que não me apateceu. Não sei se foi ter enredos demais num só conto (começa uma coisa, vira outra e termina como outra, como já me apontaram) ou se alguns personagens ficaram caricatos demais, ou se simplesmente não tem "novidades" na história. Não curti.

De repente, mui provável, eu que seja chato mesmo^^

22.11.10

Torre de Vigia 37

Nova resenha da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Desta vez, a avaliação foi feita por Fernando Salvaterra em seu blog Contorno. Como de hábito, vou republicar aqui o início do texto e a parte em que o resenhista se refere ao meu conto, deixando com os leitores o link para o material completo:


Steampunk, Histórias de um Passado Extraordinário brilha nas estantes como a primeira incursão brasileira publicada no gênero. Por economia de tempo e espaço, meu e do eventual leitor, essa entrada fica sem uma introdução satisfatória ao gênero. Creio que todos já toparam com essa estética que por aí abunda, em filmes e peças de arte. Qualquer curioso já foi verificar a fonte de inspiração desse movimento. Basta dizer (perdão se é a milésima vez que lê isso) que se trata de um ramo da ficção científica que lida com um passado hipotético onde a tecnologia do século XIX, alimentada por máquinas a vapor, é mais fantástica do que foi. É comum o uso de personagens clássicos da literatura daquele tempo, que já estão em domínio público. (...)

“Cidade Phantástica”, de Romeu Martins utiliza personagens de diversos autores, como Julio Verne, Sir Arthur Conan Doyle e Bernardo Guimarães. O enredo, envolvendo um prédio gigantesco, um canhão igualmente grande e uma cidade submersa na fuligem é bastante interessante. O início cheio de ação é ótimo. Só não gostei muito dos diálogos expositivos, meio artificiais, que decorrem depois.

Entrevista para a Cásper Líbero

Conforme comentei no post anterior, vou publicar aqui a íntegra da entrevista que fizeram comigo para a revista Esquinas, do curso de Jornalismo da Cásper Líbero. As perguntas foram feitas por Roberto Francisco Causo.




Como você começou a fazer parte do movimento steampunk no Brasil?


Comecei a me interessar pela produção brasileira de ficção científica em geral em 2007, quando conheci o site de fanfics www.hyperfan.com.br e descobri que entre os autores havia contistas, romancistas e dramaturgos do porte de Fábio Fernandes, Octavio Aragão, Carlos Orsi, entre outros. Até então, eu já apreciava bastante FC estrangeira, porém o que eu conhecia do gênero no país se restringia aos textos de escritores de gerações anteriores, como JJ Veiga e Ignácio de Loyola Brandão. Então fui procurar o que esse pessoal totalmente novo para mim estava produzindo, além dos contos disponíveis naquela página, e vim a encontrar as comunidades do Orkut em que eles se reuniam. Logo, passei a ler e a resenhar as obras desse pessoal para o portal www.overmundo.com.br, o que fiz durante todo o ano de 2008. No finalzinho daquele mesmo ano, entrei em outras comunidades, justamente as que faziam parte da iniciativa de divulgação da cultura steamer do Conselho Steampunk.


Como foi fazer parte da coletânea Steampunk? O que lhe fez começar a escrever steampunk?


FC tem uma capacidade de contaminação terrível, é um típico vírus memético: quem começa a ler muito, acaba querendo escrever também. Eu já havia escrito sobre FC, naquela série de resenhas que foram republicadas em meu blog www.romeumartins.blogspot.com, mas acabei também escrevendo FC de fato em algumas experiências com contos feitos despretensiosamente para outra página minha, a www.terrorcon.blogspot.com. O primeiro desses contos acabou sendo publicado na edição de estreia de um projeto de coletâneas sem temática fixa da Tarja Editorial, a coleção Paradigmas. Foi minha introdução formal nesse mundo dos escritores de ficção científica, com um conto que pode ser classificado como nowpunk, “A teoria na prática”, em 2009, menos de um semestre depois de eu ter começado a escrever ficção.

Acabou que um dos sócios daquela mesma editora, Gianpaolo Celli, entrou numa daquelas comunidades steampunk e perguntou quem ali escrevia algo do gênero. Fui dos que respondeu dizendo ter algumas ideias a respeito, apesar de não ter escrito na época ainda nada formalmente dentro do estilo. Mesmo assim, ele me convidou poucas semanas depois, bem no finalzinho de 2008, para fazer parte daquela que veio a ser coletânea pioneira do país: Steampunk – Histórias de um passado extraordinário. Receber esse convite foi uma surpresa e tanto, sem dúvida um desafio para um cara que mal tinha começado a se dar conta de que estava escrevendo textos ficcionais ter a possibilidade de ser publicado ao lado de gente consagrada, incluindo um daqueles autores que descobri via Hyperfan, o Fábio Fernandes. Para minha sorte, o processo inteiro foi muito profissional por parte da editora e do organizador e pude ainda contar com beta readers que me ajudaram bastante nesse desafio. Terminei o texto em fevereiro e em julho de 2009 o livro já estava sendo lançado.

Como entrou em contato pela primeira vez, com o steampunk?

Foi pelos quadrinhos. A primeira vez que tive a sensação de uau lendo algo a respeito foi pelas páginas da primeira edição da Liga Extraordinária, de Alan Moore e Kevin O’Neill, quando eles mostram sua versão de uma Londres Vitoriana retrofuturista. Isso foi pelas edições importadas, via Amazon, em 1999, quando havia uma saudável paridade do real com o dólar facilitando aquisições de material importado. Aquilo mexeu muito comigo, a ponto de até hoje a Liga Extraordinária estar entre os trabalhos do Moore dos quais mais gosto. E em termos nacionais, a primeira obra do tipo que li foi uma descoberta que fiz naquele citado site de fanfics, o Hypefan, e que acabou virando um romance: A mão que cria, de Octavio Aragão. Livro com fortes elementos steampunk, ele foi o primeiro da FC nacional que resenhei, na época para o site www.omelete.com.br. 

Quais você acha, que são as maiores dificuldades que tal movimento enfrenta no Brasil, atualmente, especialmente em termos de distribuição, etc?

Bem, acho que comparativamente com outros subgêneros ligados à FC o steampunk até que está bem no contexto geral. Afinal, aquela primeira coletânea não só é relativamente fácil de se encontrar em boa parte do país, pela rede de livrarias Cultura e Saraiva, incluindo suas lojas on-line, como esgotou a primeira edição em menos de um ano. Na minha opinião, a maior dificuldade está em alcançar um público ainda maior por sofrer da mesma falta de divulgação entre grandes veículos de imprensa nacionais, jornais, revistas, programas de TV, e mesmo de portais voltados ao entretenimento, como o já mencionado Omelete, que qualquer outro tipo de ficção científica feita por brasileiros.

A coletânea Steampunk recebeu uma divulgação imensa entre seus leitores que procurei registrar em um blog que tem o mesmo título de minha noveleta publicada naquele livro o www.cidadephantastica.blogspot.com. Foram dezenas de citações que saíram em páginas pessoais, redes sociais e podcasts, de forma espontânea, e resenhas feitas no exterior, por críticos do porte do americano Larry Nolen e da portuguesa Cristina Alves; além de menções no blog do escritor americano Bruce Sterling - no portal da Wired - e no blog e na versão impresa da Locus Magazine. Foi um autêntico fenômeno, comparado a qualquer outro livro de FC publicado recentemente no país. Mesmo assim, não houve espaço similar em jornais e em revistas nacionais. Em relação à TV, quando surgem matérias em programas de auditório, estão mais interessados em discutir o tipo de roupa que os fãs do gênero costumam usar em encontros do que a literatura envolvida. Acho que virar pauta na imprensa é uma das maiores dificuldades não só do steampunk, mas da literatura de ficção científica em geral. Talvez isso ocorra quando novas gerações de jornalistas, que hoje estão cursando a faculdade, cheguarem às redações.


Em contraponto, à pergunta anterior, por que acha que o movimento Steampunk está indo tão bem no Brasil e no mundo atualmente?

Naquele meu blog, eu também costumo publicar reflexões de pessoas que procuram entender esse fato. Em geral, concordo com a abordagem que no mundo hipertecnológico em que vivemos é irresistível reimaginar um tempo em que os apetrechos eram mais compreensíveis aos mortais comuns, quando engrenagens aparentes faziam acontecer a mágica que hoje se dá de modo invisível em chips. Além do que, há um charme todo especial na estética do gênero que pode ser apreciado mesmo por quem nem mesmo faz ideia de que há literatura por trás daquilo.

No mundo e em termos literários, a atual onda começou com uma coletânea organizada por Jeff VanderMeer chamada apenas de Steampunk, e foi reconquistando um espaço que parecia ter perdido entre os fãs. Isso deu fôlego para novos livros, novos filmes. No Brasil, a onda finalmente chegou para valer e encontrou uma diversidade de escritores interessados no gênero, como os reunidos na coletânea Steampunk, na mais recente Vaporpunk – da editora Draco, que traz também portugueses – e vários outros que preparam seus projetos para os próximos meses. Aconteceu então um fato muito raro: algo produzido por aqui em termos de FC encontrou ressonância com o que estava sendo consumido lá fora.

Tanto isso é verdade que as duas ondas acabaram se topando e nos dois próximos projetos de VanderMeer ligados ao gênero vai haver a presença de brasileiros que foram publicados na Histórias de um passado extraordinário. Na nova coletânea Steampunk Reloaded, ele vai apresentar aos leitores anglófonos trechos em inglês das noveletas “Breve história da Maquinidade”, do carioca radicado em São Paulo Fábio Fernandes, e “Uma vida possível atrás das barricadas”, do pernambucano Jacques Barcia. E no segundo projeto – um livro de arte que deve ser referência sobre o assunto quando for publicado em maio de 2011, a Steampunk Bible – além de entrevistas com esses dois, haverá um trecho da noveleta deste catarinense rebatizada como “Phantastic City”, em uma tradução de primeira providenciada por Fábio Fernandes. Uma honra mais do que inesperada, devo dizer.

Quais são suas maiores influências Steampunk?

Como não poderia deixa de ser, Alan Moore, em primeiro lugar. Fora do mundo das HQs, a influência vem dos diversos escritores que cito explicitamente na noveleta “Cidade Phantástica”, ou seja, o francês Jules Verne, o inglês Conan Doyle, o americano Philip José Farmer e os cariocas Octavio Aragão e Gerson Lodi-Ribeiro.

Planos para o futuro? Quais?

Tenho algumas outras histórias escritas naquele mesmo universo. O miniconto “Uderground Amazon” já foi publicado no blog de um artista plástico steamer californiano e deve ser republicado, em nova versão, em um zine. Um conto ilustrado chamado “Modelo B” deve sair numa revista on-line que está sendo preparada pelo Conselho Steampunk. E uma segunda noveleta, “Tridente de Cristo”, foi encomendada para uma nova coletânea que deve sair em 2011. Ainda no gênero, estou tentando viabilizar uma versão em quadrinhos da história que deu origem a isso tudo, a noveleta “Cidade Phantástica”, também para o próximo ano. Recebi, mais recentemente, um convite inusitado para mais uma coletânea que deve misturar steampunk com elementos de fantasia e estou, neste momento, trabalhando no texto. Fora desse mundo a vapor, há alguns outros texto ficcionais que estão sendo avaliados para outras duas coletâneas, de gêneros distintos, além de um novo livro de não-ficção sobre inovação tecnológica. 

Por favor, um pequeno currículo com seu nome completo, idade, formação, profissão e se possível, uma foto em alta resolução, por favor.

Meu nome é Romeu Manoel Coelho Martins, tenho 34 anos, sou jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Minha especialidade é a área de ciência e tecnologia sobre a qual já publiquei um livro chamado Conhecimento & Riqueza, em coautoria com Roberto Pacheco, principal desenvolvedor da Plataforma Lattes, pela editora Instituto Stela. Na ficção, tenho contos publicados nos livros Paradigmas 1, Steampunk – Histórias de um passado extraordinário, da Tarja Editorial, e vou ser um dos brasileiros presentes na Steampunk Bible da Abrams Image.

20.11.10

Torre de Vigia 36

Está no ar uma nova matéria sobre a cultura steamer que cita a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Desta vez, a referência é na revista laboratório do curso de Jornalismo da Cásper Líbero, Esquinas. A edição número 48 dessa publicação semestral tem como tema "Arte", analisado em várias vertentes, e a atual onda steampunk acabou sendo lembrada por sua produção literária, cinematográfica e quadrinística. Neste endereço, a revista pode ser lida na íntegra, incluindo a matéria "De volta para o passado", na página 56. O artigo foi feito em parceria por Lídia Zuin, já chamada de musa do steampunk por este blog, e por Roberto Francisco Causo, filho de Roberto de Sousa Causo, um dos contistas daquela coletânea. Entre os entrevistados, estão membros do Conselho Steampunk, como Bruno Aciolly e Cândido Ruiz, o escritor americano Bruce Sterling e eu. Num próximo post devo publicar a íntegra da entrevista que enviei por email para a revista.

1.11.10

Torre de Vigia 35

Não há jeito melhor de começar um novo mês - o penúltimo do Ano do Vapor - do que com boas notícias. Como falei no tópico anterior, a equipe do site da editora Tor convidou Fábio Fernandes para colaborar com textos durante a quinzena dedicada ao steampunk que ela vem promovendo. Após o artigo anterior, o escritor e tradutor publicou ontem uma resenha completa da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, a primeira obra editada no Brasil totalmente dedicada àquele subgênero. Como passei o dia 31 de outubro praticamente todo off-line, só fiquei sabendo da boa nova nesta segunda-feira, ainda com alguns resquícios da ressaca pós-festa da democracia.

Como de hábito nesta seção do blog, vou reproduzir, com uma tradução ligeira, o início da análise e a parte em que ele se refere ao conto homônimo a este blog. Deixo com os leitores o link para ler integralmente a resenha aqui.



Desde 2008, parece que a FC brasileira finalmente começou a acompanhar a velocidade com que ela vem sendo escrita na esfera anglo-americana de ficção científica e fantasia. A culpa é do steampunk: a moda tornou-se aparentemente um estilo de vida para uma grande parcela do fandom brasileiro, e a maioria dos recém-chegados são antes de tudo steamers hardcore.


Escritores e editoras do Brasil não estavam cegos a esta tendência, apesar de todo aquele vapor: eles se adaptaram. O primeiro caso foi a coletânea  Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário (Steampunk: Stories from an Extraordinary Past), da Tarja Editorial, que foi publicada no ano passado e está perto de uma terceira edição. Oficialmente considerado a primeira antologia steampunk brasileira, este livro contém nove histórias curtas de autores novos e antigos do gênero no Brasil. O resultado, embora irregular, é muito interessante (...)

"Cidade Phantastica" ("Phantastic City"), de  Romeu Martins, é uma outra história da qual eu gostei muito e que vocês terão a oportunidade de ler um trecho, em breve, na Steampunk Bible, de S. J. Chambers e Jeff VanderMeer. Esta história, assim como a primeira, "O Assalto ao Trem Pagador", também começa com um assalto a trem, mas de natureza diferente: este aqui é weird steam westen, senhoras e senhores, com bala voando e muitos confrontos coloniais entre americanos, ingleses, brasileiros pelo fim da escravidão e o estabelecimento do Brasil como uma nação livre. 

 Confesso para vocês que adorei esta classificação do Fábio Fernandes: "weird steam western". Não tem jeito melhor de começar o mês e curar uma ressaca.

29.10.10

Do Brasil com vapor

O título acima, um belo achado semântico, é a tradução do artigo que Fábio Fernandes acaba de publicar no site da Tor nesta quinzena que eles dedicam ao steampunk. Segue abaixo um aportuguesamento meu do texto em que ele apresenta ao público anglófono o cenário da cultura steamer em nosso país.

Vá em frente, pergunte a eles: no país do Carnaval, geeks, nerds e aficionados por ficção científica normalmente não são diferentes do que você encontraria, digamos, nos EUA, no Canadá, na Austrália ou no Reino Unido Eles preferem ficar com uma boa leitura ou assistindo a uma maratona de séries de TV do que se fantasiar e se divertir com o samba nas ruas, por exemplo. Mas estaria o samba tão distante da ficção científica nos dias de hoje? Talvez não: em fevereiro de 2009, uma conhecida escola de samba bem carioca, a União da Ilha do Governador, escolheu como tema o maravilhoso mundo de Júlio Verne!



Até dois ou três anos atrás, os fãs mais literários da FC ficariam horrorizados se alguém os relacionasse aos "aos geeks que se vestem como Kirk e Spock nas convenções". (Sim, nós também temos. Várias delas). Mas veio um motor a vapor que, curiosamente, parece ter mudado tudo.



Não houve nenhum evento de proporções cósmicas no Brasil ao qual podemos atribuir o início do steampunk nestas terras. Muitos dos fãs de ficção científica tradicional que leem Inglês estavam bem familiarizados com o tropos steampunk desde o início dos anos 90, especialmente desde a publicação do The Difference Engine, embora tenhamos também lido James Blaylock, Michael Moorcock, e KW Jeter (nenhum dos quais foi publicado no Brasil até hoje, com exceção de uma única história de Elric Moorcock ... e de quase trinta anos atrás, imaginem vocês).

Mas talvez as coisas tenham se colocado aos poucos em movimento por aqui com outras mídias: cinema, anime e quadrinhos. Steamboy, de Katsuhiro Otomo, Fullmetal Alchemist, de Hiromu Arakawa e A Liga Extraordinária, de Alan Moore,  vêm à mente, entre outros exemplos.

E, de repente, uma nova geração veio se juntar a nós, velhos escritores e fãs (eu tenho 44 anos e a maioria destes steamers estão com seus vinte e poucos anos, o que é muito refrescante). E as coisas estão funcionando sem problemas na subcultura steamer brasileira: não falta carvão para alimentar as fornalhas daqui.



Hoje, o Brasil tem nada menos que sete Lojas Steampunk algo ligeiramente semelhante na organização de lojas maçônicas - mas sem segredos e conspirações - em um país com 26 estados. O fato de todas essas lojas terem sido criadas nos últimos dois anos é um feito enorme. As Lojas não escaparam do olho sempre atento de Bruce Sterling, que tem agora e repetidamente escrito sobre elas em seu blog. Há também um Conselho Steampunk Brasil, que serve como um elo para essas lojas e mantém uma comunidade web, AoLimiar que agora abriga cerca de sessenta blogs relacionados ao steampunk.

E, ao final do dia, esta situação gerou um efeito inesperado, uma reversão de expectativas, por assim dizer: em 2009, foi publicada, pela primeira vez, uma antologia Steampunk brasileira, apresentando contos originais de escritores conhecidos e de novos nomes do gênero. No mês passado, nós publicamos Vaporpunk, uma colaboração Brasil-Portugal com histórias originais que vão do conto até a noveleta (Ambos serão analisados por mim aqui na próximas semanas.)
 
Vários romances steampunk estrangeiros estão começando a ser publicado por aqui em tradução para o português brasileiro: The Difference Engine vai finalmente ser visto nas livrarias brasileiras em dezembro, e atualmente estou traduzindo Boneshaker Cherie Priest (que foi nomeado para Melhor Romance do prêmio Hugo, no início deste ano) para publicação no início de 2011. (Também traduzi a versão Absolute da Liga Extraordinária, publicado este mês no Brasil). Há também uma abundância de histórias originais steampunk brasileiras. Engraçado para um país tropical, você pode perguntar? Você nunca deve ter ido a São Paulo, ou para os estados mais ao sul. Pode ficar muito frio lá, e se vestir como nos anos oitenta (os anos oitenta do século XIX, é claro).

Fábio Fernandes é um escritor e tradutor vivendo em São Paulo, Brasil. Ele traduziu aproximadamente setenta romances de diversos gêneros para o Português do Brasil, entre eles Laranja Mecânica, Neuromancer e Snow Crash. Você pode ler alguns de seus escritos em Steampunk Reloaded e no vindouro The Apex Book of World SF, Vol 2.

17.10.10

VanderMeer diz que vem mais Brazilian Steampunk por aí

Notinha enigmática (e bem-humorada) do escritor e organizador Jeff VanderMeer em seu blog avisa que há novidades à vista relacionadas com brasileiros. Aproveitando para anunciar sua nova coletânea Steampunk Reloaded - que já pode ser encomendada com 20% de desconto no site da editora -, o americano deu algumas dicas para os leitores complementarem seus conhecimentos do gênero até se fartarem. Ele lembrou que em breve postará como complemento ao livro um conto chamado “A Life Made Possible Behind the Barricades”que é nada menos que a versão em inglês da noveleta "Uma vida possível atrás das barricadas", do escritor pernambucano Jacques Barcia, originalmente publicada na coletânea brasileira Steampunk - Histórias de um passado extraordinário.

 

Mas até aí, já sabíamos. Acontece que VanderMeer adiantou que em breve haverá também uma surpresa que foi preparada por uma dupla velha conhecida dos leitores deste blog. São eles o outro contista brasileiro presente naquela antologia americana - Fábio Fernandes, autor de "Uma breve história da Maquinidade" para a coletânea brasileira - e pelo crítico americano Larry Nolen, responsável por uma das mais completas resenhas que a citada coletânea recebeu. Que surpresa é essa? Juro que não sei e que estou ansioso para descobrir. Por fim, o blogueiro voltou a citar um outro tabalho seu de organização e compilação internacional pelo qual aguardo ainda mais ansiosamente: a Steampunk Bible, na qual, graças ao citado Fábio Fernandes, terei uma participação. Como se não bastasse tudo isso, ele ainda termina dando uma dica do que pode ser o próximo alvo de sua atenção, como escritor ou como compilador (ou seria um despiste?): dieselpunk. Quem quiser conferir e tirar suas conclusões, pode ler a nota neste endereço.

Torre de Vigia 34

Falei sobre o seminário Science'N'Fiction em um post anterior, destacando o debate que se fará nele a respeito do tema deste blog. Antecipando o debate, a página do evento entrevistou o representante da cultura steamer naquela iniciativa,  Carlos Eduardo Pereira Felippe, mais conhecido pelos apreciadores de seus artigos no site da Loja São Paulo do Conselho Steampunk - entre os quais eu me incluo - como Karl Felippe. Na conversa, o futuro debatedor fez uma análise interessante dos motivos do sucesso do gênero em nosso país e citou entre suas leituras as coletâneas nacionais lançadas respectivamente pela Tarja e pela Draco, Steampunk - Histórias de um passado extraordinário e Vaporpunk. Abaixo, segue uma seleção da entrevista que pode ser lida na íntegra aqui.


Por que você acha que o Steampunk deu tão certo no Brasil?
Ressonância morfogenética (risos). Certo, falando sério: acho que o motivo foi simplesmente timming. Fora do Brasil, a “cena” steampunk, por assim dizer, já estava crescendo exponencialmente (a chamada segunda onda steampunk), mas agora não apenas nos livros, mas também como subcultura, se espalhando para outras formas de arte -  pintura, escultura, modelagem, moda, constumização, musica e assim por diante. Era natural que algo assim chegasse aqui, calhou apenas de não ser com um atraso muito grande.
Talvez a identificação com o steampunk deva-se ao fato de que, aqui no Brasil, não houve uma grande explosão tecnológica no século XIX, como em outro países, mas houve uma grande produção cultural (literária). Isso pode-se perceber na ênfase dada às obras produzidas aqui e, mesmo na vitalidade diferente das histórias steampunk produzidas no Brasil, que costumam se desviar um pouco do otimismo “a ciência nos salvará!” de outras histórias, assumindo uma postura mais para “a ciência nos salvará?” de um modo bem parecido com as primeiras histórias steampunk escritas no início dos anos 1980. (...)

Quais são seus autores de referência?
Poderia citar James Blaylock, K. W. Jeter e Michael Moorcock porque li mais de dois livros de cada um que se encaixassem no gênero. E alguns livros que valem a pena mencionar são The Difference Engine, do William Gibson e do Bruce Sterling, Anti-Ice do Stephen Baxter, a antologia Extraordinary Engines de Nick Gevers, bem como a antologia Steampunk de Jeff e Ann Vardermeer. Mainspring do Jay Lake (que não é exatamente steampunk, mas dane-se), os dois primeiros volumes da Liga Extraordinária do Alan Moore, e mais recentes como o Boneshaker, da Cherie Priest, Leviathan do Scott Westerfield, Clockwork Heart da Dru Pagliassotti,  Whitechapel Gods do S.M. Peters, e bem, temos duas antologias nacionais no gênero que são realmente muito boas: uma da editora Tarja e outra da Draco.

12.9.10

Torre de Vigia 33

Sempre citado por aqui, Cândido Ruiz um dos mais ativos membros do Conselho Steampunk de São Paulo acaba de ser entrevistado pelo blog Ofício Literário. Entre as perguntas e respostas, ele acabou por citar a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, a vindoura Steampunk Bible, de Jeff VanderMeer e este blogueiro que vos escreve. Para ler o material na íntegra, vá a este endereço, abaixo, temos um apanhado da conversa.


No Brasil, a literatura steampunk é representada por quais escritores e obras?
RESP:
Entre as obras nacionais estão a coletânea SteamPunk (Editora Tarja), a Vaporpunk (coletânea Luso-Brasileira da Editora Draco) e a obra Bilac vê estrelas. Autores nacionais como Gerson Lodi-Ribeiro, Romeu Martins, Fábio Fernandes, Antônio Luiz M. C. Costa, Alexandre Lancaster entre outros. (...)

steampunk - steampunk

O Steampunk internacional tem mais seguidores e visibilidade do que o nacional? Caso sim, a que você atribui esse fato?
RESP: Na verdade, no momento, o Steampunk nacional possui grande visibilidade, até mesmo fora do país. Jeff Vander Meer, escritor e editor americano, organizador de coletâneas de repercussão internacional sobre Steampunk e New Weird, acaba de mostrar ao público as provas de seu mais novo projeto, um autêntico e luxuoso livro de arte. E, entre as páginas do livro dele, terão o seu quinhão três autores nacionais Fábio Fernandes, Jacques Barcia e Romeu Martins que compartilharão as páginas com criadores do porte de Jess Nevins, Libby Bulloff, Bruce Sterling, Desirina Boskovich, Jake von Slatt, Rick Klaw entre muitos outros.

28.8.10

Damas e Cavalheiros: a Steampunk Bible

Com um prazer incomensurável eu anuncio por aqui uma novidade que me enche de orgulho e alegria. Jeff VanderMeer teve a primazia da notícia em seu blog, o Ecstatic Days. Nada mais justo. Afinal, ele é o grande responsável pela obra em questão. O escritor e editor americano, organizador de coletâneas de repercussão internacional sobre Steampunk e New Weird, acaba de mostrar ao público as provas de seu mais novo projeto, um autêntico e luxuoso livro de arte. E, sim tenho a honra de estar naquelas páginas ao lado dos escritores Fábio Fernandes e Jacques Barcia, com quem já havia dividido espaço na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, e ainda com criadores do porte de Jess Nevins, Libby Bulloff, Bruce Sterling, Desirina Boskovich, Jake von Slatt, Rick Klaw entre muitos outros.

A obra em questão é a Steampunk Bible, um tomo que foi planejado para ser uma referência à cultura steamer em diversas vertentes, da moda à literatura. Escrita por VanderMeer em parceria com S. J. Chambers, o livro deverá ser oficialmente lançado em maio de 2011 pela prestigiada editora Abrams Image, especializada em livros de arte desde 1949. O anúncio de que o projeto estava em andamento surgiu há exatamente um ano, numa nota do dia 27 de agosto de  2009. O que foi postado hoje ainda é um material sujeito à aprovação, com algumas fotos em baixa resolução e detalhes a serem modificados. Mas já dá para se ter uma excelente ideia do que está por vir.

E entre as atrações da Bíblia Steampunk há o já comentado material brasileiro. Tanto o carioca Fábio Fernandes quanto o pernambucano Jacques Barcia foram entrevistados por Jeff VanderMeer e o resultado dessas conversas estará registrado na obra. Bem como um excerto de minha noveleta de mesmo nome deste blog. Com a tradução de Fábio Fernandes, os leitores vão poder conferir um trecho da rebatizada "Phantastic City". Este fato foi destacado pelo próprio organizador com a foto abaixo e o seguinte comentário:

Fãs brasileiros de steampunk ficarão excitados com o capítulo sobre o Futuro do gênero, que não só apresenta a capa da antologia steampunk brasileira, como traz ainda um trecho exclusivo e traduzido de uma das histórias publicadas nela (obrigado, Fábio Fernandes!).


Amigos, sejam sinceros: o que eu posso dizer além de repetir essas últimas palavras? Thanks, Fábio Fernandes! Thanks, Jeff  VanderMeer!