Nada como a ideia de fechar um ciclo quando se encerra um ano. Então, neste que, provavelmente, deverá ser o último post do ano, tenho a oportunidade de falar do primeiro livro a publicar um conto meu em 2011. O advogado, escritor e organizador da coletânea que será a primeira a publicar um conto meu em 2012 (ciclos), Marcelo Augusto Galvão, postou em seu blog a lista dos livros que se destacaram entre suas leituras do ano. Estou presente lá, com meu conto "Domingo, Sangrento Domingo":
Cursed City – vários autores (Estronho). Essa antologia weird west, organizada por M. D. Amado, já chama a atenção pela capa, com um buraco de bala atravessando o livro. São 20 histórias, algumas ótimas, outras com uma boa ideia mas que precisavam de um tratamento melhor. Os contos que se destacam são os de Alfer Medeiros, Cirilo S. Lemos, Alliah e Romeu Martins.
Aproveito para agradecer ao Galvão pela lembrança e aos leitores por acompanharem este blog em mais um ano de atividade. Abraços e até o próximo ciclo!
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27.12.11
14.10.11
Nova resenha de Cursed City
A primeira coletânea da qual participei este ano, Cursed City - Onde as almas não têm valor, da editora Estronho, acaba de receber uma nova e completa resenha, com comentários para cada um dos seus vinte contos. A avaliação foi feita por no blog Guria que lê, mas por um guri, Gutemberg Fernandes. Como é o costume neste blog, irei republicar o início do texto e a crítica que o resenhista faz ao meu conto. Como extra, também o comentário a respeito de minha coblogueira Ana Cristina Rodrigues, parceira naquelas páginas amaldiçõadas. Ao final, deixo o link para o texto completo a respeito da primeira antologia weird western do Brasil.
Para ler mais, clique aqui
Cursed City, outrora conhecida por Golden Valley, é uma cidade incrustada no interior do meio-oeste americano, em meio a cânions e desertos que já viveu seus melhores dias sendo que hoje abriga somente um punhado de almas condenadas.
Tomada por forças do mal, Cursed City é um local onde até mesmo o Diabo tem medo de andar a noite e seus habitantes vivem trancados em meio ao temor e o álcool, vivendo cada segundo das longas noites como se fossem eras. Os esperançosos rezam para o sol chegue mais rápido enquanto que os desafortunados para não terem que agüentar outra lua sob aquela cidade maldita.
Certo é que quando o sol se põe somente a escuridão tem vez naquelas paragens.
Cursed City foi à primeira das antologias editadas pela Estronho Editora que tive o prazer de ler e esta me surpreendeu tanto pelo cuidado com a diagramação quanto pela qualidade dos textos. Seguindo a proposta de sua linha editorial, cujos títulos em catálogo e seus futuros lançamentos tendem a explorar vertentes poucos ortodoxas da literatura e promoverem ótimas misturas de gênero, esta antologia reuniu vinte autores para mostrarem como seria a visão de cada um sobre o velho oeste permeado por criaturas fantásticas e seres de outros mundos.
O resultado desta mistura de elementos, que pode ser chamada de Weird West ou Oeste Estranho, resultou numa das melhores, e mais coesas, coletâneas de contos que li até então. Por conta de determinados itens do regulamento da seleção, que exigiam a presença de certos elementos da cidade fictícia, cada conto, mesmo criado por autores diversos, conseguiu manter o ritmo e o clima da narrativa ao longo das duzentas e quarenta páginas de Cursed City.
Outro ponto muito importante de ser frisado é a qualidade dos contos. Em geral as pessoas tendem a preterir a leitura de antologias, mesmo as feitas por autores únicos, por conta da variação do nível dos textos apresentados. Em Cursed City esta preocupação é inexistente, uma vez que de todas as obras selecionadas tem atrativos para todo o tipo de leitor.
O único ponto negativo com relação a publicação que acho interessante de ressaltar diz respeito a margem interna do livro, que prejudica em alguns momentos a leitura por esconder o final das frases próximas a costura. Quanto a diagramação, tanto interna quanto externa, a editora merece muitos elogios, pois oferece um livro de qualidade gráfica bem superior ao que muitas das editoras. (...)
“Domingo, sangrento domingo” de Romeu Martins foi uma das surpresas dentre os contos que fazem parte de Cursed City. O primeiro ponto é a presença do diálogo bem coloquial entre os personagens que consegue trazer a narrativa para mais perto do leitor e em seguida o desenrolar da trama, e suas reviravoltas, que tornam o desfecho do conto bem interessante e diferente. Além do título que é muito mais profundo em sua origem do que se esperar ao deparar-se com ele. (...)
Ana Cristina Rodrigues merece destaque por conta de seu ótimo conto “Aquele que vendia vidas”. Embora nos tenhamos outros contos elementos bem exóticos este em particular me chamou a intenção por aproveitar-se de outro elemento sobrenatural muito conhecido da cultura americana. Valendo-se disto a autora foi capaz de criar um conto dentro da temática da antologia, porém distinto dos outros em seu cerne, o que torna sua leitura ainda mais atraente.
Para ler mais, clique aqui
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14.7.11
Novas resenhas de Cursed City e sorteio
Parece que começou a temporada de resenhas da coletânea weird west da editora Estronho! Hoje tenho mais duas dela para incluir em minha clipagem e ainda dar a notícia de um sorteio para concorrer a um exemplar de Cursed City - Onde as almas não têm valor. Começo pela análise feita por uma das contistas do livro, a escritora e atriz Carolina Mancini (autora de "Número 37", trama com uma ótima protagonista feminina) escreveu uma resenha detalhada, texto a texto, da obra. Como sempre faço, copiarei aqui o início da crítica e o trecho em que fala do meu conto, mas a íntegra pode ser lida neste endereço:
A segunda resenha vem do blog Elo das Letras, do qual faço o mesmo corte, indicando aqui o endereço para o texto completo:
E este mesmo blog está sorteando uma edição da coletânea na promoção "Eu quero o livro Cursed City". Clique aqui, leias as regras e participe. Boa sorte!
Falar sobre Cursed não é uma tarefa fácil, porém é muito divertida e emocionante. Sei que pode parecer estranho ou inapropriado resenhar um livro do qual se faz parte, mas quando se trata de uma antologia em que os autores selecionados não mantêm nenhum tipo de contato ou troca de opiniões relativas aos textos, a surpresa e a tomada de ciência da obra completa é muito parecida com a apreciação de qualquer outra obra. E justamente por esses motivos que acho possível falar sobre o livro além de outro fator. Quando você pensa em um conto dentro de uma proposta com um cenário tão rico e detalhado como o desta antologia, é inevitável arregalar os olhos - e até mesmo deixar o queixo cair - diante tantas idéias inesperadas, criativas e diferentes.
Ao todo são vinte autores, isso quer dizer que - com muita audácia e cara de pau hehe - posso falar sobre o trabalho desses parceiros que me emocionaram, divertiram e meteram algumas pulgas atrás da minha orelha ao pensar de onde vieram suas inspirações amaldiçoadas.
A qualidade gráfica dos livros da estronho como sempre é incrível, e dessa vez não foi diferente. Um trabalho que só se faz com muito amor e dedicação - não importa quanto essa frase seja piegas. O cuidado vem desde a proposta com a descrição da cidade tanto no site da editora, para que os autores se baseassem na hora de escrever suas "desventuras" e também no próprio livro para que o leitor saiba em que pedaço do inferno está pisando.
A capa e arte interna do livro mesclam elementos do velho oeste com o horror. A graça é tanta que o livro tem um furo de bala. O papel é de ótima qualidade, e todas as páginas são tematizadas. Assim como marcadores e botons que você adquiri ao comprar o livro. E o que mais se pode falar sobre a diagramação? Nada? Muito pelo contrário. Antes de cada conto há um resuminho sobre cada autor e uma foto sua em um cartaz de procurado! Um mimo tanto para o leitor como para os selecionados. (...)
Romeu Martins caprichou na referência histórica e no modo de falar dos personagens. Tem uma cena de mais tensão, mas o conto ficou firme no dialogo. Tem quase a característica de um capítulo ou introdução de uma história maior. Mesmo assim, cheio de surpresas.
A segunda resenha vem do blog Elo das Letras, do qual faço o mesmo corte, indicando aqui o endereço para o texto completo:
Cursed City é uma cidade muito agitada! E é com essa afirmação que inicio essepost, já para assegurar-lhe de que lá você não vai encontrar um local tranquilo para descansa, ao contrário se você for passar uma noite lá tenha cuidado pois a qualquer momento um bandido poderá tirar-lhe a vida.
Esse livro é um livro peculiar traz um universo que poucos se aventuram na escrita que é o universo do western, mas é sem dúvidas alguma um universo cheio de possibilidades para se explorar e foi assim nesse universo cheio de possibilidades a se explorarem que o livro tomou forma, na verdade formas, que possibilitam ao leitor uma leitura diversificada e ainda a contemplação dos mais diversos estilos.
O livro é uma antologia, com participação dos mais diversos escritores que aceitaram o desafio de viverem alguns dias ou simplesmente darem uma passada em Cursed, a leitura flui bem alguns autores acertaram na tônica do western outros não foram o caso, o fato é que o gênero literário de faroeste é um gênero não muito comum por esses lados da fronteira enquanto alguns se identificam bem com esse gênero outros escrevem contos que não têm a ação esperada para esse tipo de literatura, um livro que poderia ter explorado mais o tamanho das letras, mas fica a dica (...)
Eu quero aqui destacar alguns autores que dentro desse universo trouxeram ação e fantasia e transformaram o cotidiano de Cursed City, são eles: Alfer Medeiros, Georgette Silen, Tânia Souza, Romeu Matins. Esses no meu ponto de vista trouxeram algo de especial já que a leitura fluiu e a curiosidade é aguçada para a cada momento tentar se descobrir o que poderia acontecer mais adiante.
E este mesmo blog está sorteando uma edição da coletânea na promoção "Eu quero o livro Cursed City". Clique aqui, leias as regras e participe. Boa sorte!
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12.7.11
Resenha de Cursed City
O editor da minha primeira publicação on line do ano resenha o meu primeiro livro publicado em 2011. Júnior Cazeri, do blog Café de Ontem e da revista eletrônica 1000 Universos - por onde saiu, na edição de estreia, meu miniconto "Amazônia Underground" - publicou ontem uma resenha de Cursed City - Onde as almas não têm valor - livro com meu conto "Domingo, Sangrento Domingo". Fiquei muito feliz com o retorno, afinal de contas esta foi minha primeira tentativa em um gênero complicado de se escrever algo novo e interessante, o vampirismo. Como de hábito, republicarei aqui a introdução do texto e o trecho em que fala de meu conto, deixando os leitores com um link ao final para a análise completa:
Cursed City – Onde As Almas Não Têm Valor é uma antologia de contos temáticos lançada pela Editora Estronho, oferecendo como cenário a cidade de Golden Valley, mais conhecida como a Cursed City do título, devido a uma série de acontecimentos sobrenaturais que rondam o lugar e atormentam a vida de seus moradores. O desafio aos escritores, convidados e selecionados, foi o de compor histórias ambientadas nesta cidade e ainda utilizar alguns personagens chave como coadjuvantes na trama, o que rendeu 20 contos publicados no livro.
Com a tradicional qualidade editorial do Estronho, o livro vem muito bem apresentado, com papel que remete às revistas pulp que traziam histórias variadas de cavaleiros no oeste bravio. Um buraco de bala atravessa toda a obra, dando um charme particular ao acabamento. Algumas pessoas reclamaram de margens internas muito estreitas e alegaram que estas prejudicavam a leitura, o que é um grande exagero, mesmo elas sendo um pouco mais justas que o padrão, em nada atrapalham.
Com um brevíssimo prefácio de Adriano Siqueira e uma bem vinda apresentação do cenário oferecido aos autores, a obra se inicia. Entre os contos publicados, acredito que acertaram no alvo, sem desperdiçar munição, os autores que brincaram com os clichês do oeste e adicionaram uma pitada de originalidade na questão sobrenatural, propiciando aventuras divertidas e instigantes. Tiveram que efetuar disparos a mais os que levaram o oeste muito a sério e produziram trabalhos onde o desenvolvimento se dá de forma mais lenta, ou então, deixaram se limitar pelo cenário da trama e acabaram se enclausurando em poucas locações. E, infelizmente, perderam o duelo os que se excederam e não sacaram rápido o bastante as duas armas oferecidas.
Começando pelos melhores trabalhos: Cirilo S. Lemos exibe o melhor do estranho oeste em uma perfeita ambientação e narrativa não linear em seu Por um Punhado de Almas. Seus personagens são marcantes e a narrativa cinematográfica colabora e muito na composição de mais um ótimo trabalho na saga deste jovem escritor. André Bozzetto Jr. retrata de forma crua e divertida como uma dívida é cobrada em Cursed City em A Balada do Coyote, com direito a referências musicais e sangue espalhado pelas páginas. Tânia Souzaaposta em uma personagem feminina forte e que não deixa nada a dever aos valentões do livro em seuDemônios da Escuridão, um conto de vingança recheado de mistérios que evoluíam durante alguns anos.Georgette Silen cria um personagem extremamente carismático, brinca com o steampuk, oferece sensualidade e faz bonito com A Mão Esquerda da Morte. M. D. Amado, que também é organizador da obra, mostra que entende do assunto com Nem Sempre A Fé Te Salvará, entre tiros, idas e vindas e algumas alfinetadas escondidas entre suas palavras. Ana Cristina Rodrigues vai fundo da imoralidade e ganância dos moradores com Aquele Que Vendia Almas, um conto que flui bem e surpreende no final. Carolina Mancinitambém investe em uma charmosa personagem que vive uma noite dos diabos na cidade em Número 37, e mostra uma prosa ágil e cheia de energia. Verônica Freitas mostra que não há escapatória de horrores, sobrenaturais ou não, em Cursed City e mostra violência em uma narrativa bastante direta em Deixe-me Entrar. Romeu Martins constrói uma história claustrofóbica e revela segredos ocultos em Domingo, Sangrento Domingo, que mesmo tendo um diálogo como fio condutor, não perde em agilidade.
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30.5.11
O lado oeste de Floripa
E o Café Cultura virou mesmo um saloon neste sábado, durante o lançamento dos livros weird west das editoras Estronho e Argonautas. A pedido de Fábio Fernandes fiz um relato do evento do qual ele deve editar trechos para usar em uma matéria de sua autoria a respeito do fandom brasileiro para a revista lusitana Bang! Aproveito, então, para usar as informações que passei a ele na forma de post neste blog, mais tarde darei um upgrade, quando estiverem disponíveis algumas das fotos tiradas por lá.
O que tivemos em Florianópolis neste sábado foi um evento duplo, o lançamento simultâneo de duas coletâneas nacionais dedicadas ao gênero weird west, que, em um autêntico zeitgeist, foram produzidas simultaneamente nos estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. O livro gaúcho foi o segundo volume da coleção Sagas da editora Argonautas, dos sócios César Alcázar (organizador do livro) e Duda Falcão (um dos cinco autores): Estranho Oeste. O volume anterior foi a estreia da editora e dedicado à Espada & Magia.
Quanto à obra mineira, na qual eu tinha um dos vinte contos presentes, era da editora Estronho, de M.D. Amado: Cursed City - Onde as almas não têm valor, que conta com uma escritora portuguesa em suas páginas, Valentina Silva Ferreira, natural da Ilha da Madeira. M.D. Amado é o organizador desta última e tem conto em ambos os livros, pois, em uma coincidência notável, quando os gaúchos entraram em contato com ele para convidá-lo a escrever para a coletânea que preparavam, o mineiro já estava definindo as regras da que ele próprio viria a organizar para seu selo editorial. Longe de essa coincidência causar um desacordo ou atiçar sentimentos de concorrência, ela acabou gerando uma sinergia celebrada no meio do caminho, aqui em Santa Catarina.
Ambos os livros já haviam tido lançamentos oficiais no Rio Grande do Sul e em São Paulo, respectivamente no caso de Estranho Oeste e de Cursed City. Mas o que houve em Florianópolis, no dia 28 de maio, foi o encontro destas duas iniciativas em um evento em conjunto. Ajudei a organizar o encontro com o apoio da Sociedade Histórica Desterrense, um grupo reconstrucionista que tem o objetivo de apresentar formas lúdicas de conhecer a história de diversos períodos, com ênfase no séc XIX. Também contamos com o apoio dos organizadores da maior convenção de quadrinhos do estado, a HQCon, e da loja local do Conselho Steampunk. Além, é claro, da mobilização de ambas as editoras que estiveram presentes não apenas na forma dos livros mas na vinda dos sócios gaúchos, do mineiro e ainda da paranaense Celly Borges, revisora da coletânea Cursed City.
Ao todo, estivemos reunidos no Café Cultura, localizado bem no Centro de Florianópolis, aproximadamente 50 pessoas, lotando a parte superior do casarão colonial, que esteve à nossa disposição das 17h até além do horário normal de fechamento do lugar, às 20h. Foi uma oportunidade de confraternização de grupos que já haviam promovido eventos juntos, caso da SHD e do Conselho, e a oportunidade de fortalecer o contato com a equipe da HQCon, que em agosto abrirá espaço para apresentação de literatura steampunk em sua convenção anual. Depois do encerramento por lá, um grupo de 13 pessoas ainda esticou a conversa até o início da madrugada em uma cantina de vinhos próxima à Universidade Federal de Santa Catarina.
O apoio desses grupos ligados ao reconstrucionismo e à revisão retrofuturista do século retrasado se explica pelo gênero dos livros e pelo interesse da editora Estronho em apostar na cultura steamer. O weird west se passa naquele mesmo período histórico consagrado pela ficção steampunk, sendo normalmente ambientado na porção ocidental do território americano no século XIX. Como é uma união das consagradas narrativas de faroeste com o gênero fantástico (FC, fantasia e horror), guarda bastante semelhança e agrada os fãs do vitorianismo alternativo. E neste segmento mais especificamente, a editora de Minas vai lançar ainda este ano, durante a Fantasticon, duas antologias: Deus Ex Machina - Anjos e demónios na era do vapor e Steampink. A primeira, da qual sou o escritor convidado, mistura a temática dos anjos com ambientação steamer, sendo a pioneira em trazer autores e autoras dividindo as páginas de um mesmo livro do gênero, após o Brasil ter visto a publicação de duas coletâneas apenas com escritores do sexo masculino. Já a segunda, para a qual farei o prefácio, é exclusiva para contos de mulheres.
E é isto. De todos os comentários que me chegaram durante e após o encontro relatado acima, fiquei com a impressão de termos tido um autêntico sucesso. Reforço meus agradecimentos a todos os que ajudaram a tornar viável o lançamento e aos amigos que puderam comparecer à festa.
O que tivemos em Florianópolis neste sábado foi um evento duplo, o lançamento simultâneo de duas coletâneas nacionais dedicadas ao gênero weird west, que, em um autêntico zeitgeist, foram produzidas simultaneamente nos estados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais. O livro gaúcho foi o segundo volume da coleção Sagas da editora Argonautas, dos sócios César Alcázar (organizador do livro) e Duda Falcão (um dos cinco autores): Estranho Oeste. O volume anterior foi a estreia da editora e dedicado à Espada & Magia.
Quanto à obra mineira, na qual eu tinha um dos vinte contos presentes, era da editora Estronho, de M.D. Amado: Cursed City - Onde as almas não têm valor, que conta com uma escritora portuguesa em suas páginas, Valentina Silva Ferreira, natural da Ilha da Madeira. M.D. Amado é o organizador desta última e tem conto em ambos os livros, pois, em uma coincidência notável, quando os gaúchos entraram em contato com ele para convidá-lo a escrever para a coletânea que preparavam, o mineiro já estava definindo as regras da que ele próprio viria a organizar para seu selo editorial. Longe de essa coincidência causar um desacordo ou atiçar sentimentos de concorrência, ela acabou gerando uma sinergia celebrada no meio do caminho, aqui em Santa Catarina.
Ambos os livros já haviam tido lançamentos oficiais no Rio Grande do Sul e em São Paulo, respectivamente no caso de Estranho Oeste e de Cursed City. Mas o que houve em Florianópolis, no dia 28 de maio, foi o encontro destas duas iniciativas em um evento em conjunto. Ajudei a organizar o encontro com o apoio da Sociedade Histórica Desterrense, um grupo reconstrucionista que tem o objetivo de apresentar formas lúdicas de conhecer a história de diversos períodos, com ênfase no séc XIX. Também contamos com o apoio dos organizadores da maior convenção de quadrinhos do estado, a HQCon, e da loja local do Conselho Steampunk. Além, é claro, da mobilização de ambas as editoras que estiveram presentes não apenas na forma dos livros mas na vinda dos sócios gaúchos, do mineiro e ainda da paranaense Celly Borges, revisora da coletânea Cursed City.
Ao todo, estivemos reunidos no Café Cultura, localizado bem no Centro de Florianópolis, aproximadamente 50 pessoas, lotando a parte superior do casarão colonial, que esteve à nossa disposição das 17h até além do horário normal de fechamento do lugar, às 20h. Foi uma oportunidade de confraternização de grupos que já haviam promovido eventos juntos, caso da SHD e do Conselho, e a oportunidade de fortalecer o contato com a equipe da HQCon, que em agosto abrirá espaço para apresentação de literatura steampunk em sua convenção anual. Depois do encerramento por lá, um grupo de 13 pessoas ainda esticou a conversa até o início da madrugada em uma cantina de vinhos próxima à Universidade Federal de Santa Catarina.
O apoio desses grupos ligados ao reconstrucionismo e à revisão retrofuturista do século retrasado se explica pelo gênero dos livros e pelo interesse da editora Estronho em apostar na cultura steamer. O weird west se passa naquele mesmo período histórico consagrado pela ficção steampunk, sendo normalmente ambientado na porção ocidental do território americano no século XIX. Como é uma união das consagradas narrativas de faroeste com o gênero fantástico (FC, fantasia e horror), guarda bastante semelhança e agrada os fãs do vitorianismo alternativo. E neste segmento mais especificamente, a editora de Minas vai lançar ainda este ano, durante a Fantasticon, duas antologias: Deus Ex Machina - Anjos e demónios na era do vapor e Steampink. A primeira, da qual sou o escritor convidado, mistura a temática dos anjos com ambientação steamer, sendo a pioneira em trazer autores e autoras dividindo as páginas de um mesmo livro do gênero, após o Brasil ter visto a publicação de duas coletâneas apenas com escritores do sexo masculino. Já a segunda, para a qual farei o prefácio, é exclusiva para contos de mulheres.
E é isto. De todos os comentários que me chegaram durante e após o encontro relatado acima, fiquei com a impressão de termos tido um autêntico sucesso. Reforço meus agradecimentos a todos os que ajudaram a tornar viável o lançamento e aos amigos que puderam comparecer à festa.
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27.5.11
Fica, vai ter bala
Amigos, é amanhã o dia. Espero encontrar muitos de vocês no Café Cultura, a partir das 17h e até depois do sol se por, para o lançamento dos livros Sagas 2 - Estranho Oeste e Cursed City - Onde as almas não têm valor. Quero registrar o agradecimento à diretoria da Sociedade Histórica Desterrense, Pauline e Maurice Kisner, Carolina Silva e Jessé Fialho Martins, pela inestimável ajuda na preparação do evento. Às editoras Argonautas e Estronho pela disposição de vir à Ilha e com isso por Florianópolis no mapa da literatura fantástica nacional. Aos blogs e sites que abriram espaço para divulgar a data - Perdi Essa Aula, Sono da Razão, Museu do Terror e Rádio Digital Rio - bem como aos jornalistas Marcos Espíndola, do Diário Catarinense, e Carol Macário, do Notícias do Dia, além do tradutor Julio Schneider da revista Mágico Vento, que também publicaram notas sobre o assunto. Sem falar nas muitas arrobas que retwittaram cada novo aviso deste encontro. Todos vocês já fizeram este empreendimento ser um sucesso antes mesmo de começar. Inestimáveis agradecimentos a cada um de vocês.
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23.5.11
Western Walk
Nova nota sobre o evento do próximo sábado, promovido em parceria entre a Sociedade Histórica Desterrense e as editoras Estronho e Argonautas. Desta vez no maior jornal de Santa Catarina, o Diário Catarinense, do grupo RBS. A chamada com o mesmo título deste post foi publicada na bem-humorada coluna Contracapa, do jornalista Marcos Espíndola:
É isso aí, Luan Santana, só em silêncio!
Alô, galera de cowboy! No sábado, no Café Cultura (Centro da Capital) haverá o lançamento um tanto inusitado de dois livros interessantes: Cursed City – Onde as Almas Não Têm Valor (editora Estronho, MG) e Sagas 2 – Estranho Oeste (editora Artonautas, RS). Daquelas ficções bacanas, que misturam western com ficção fantástica. Mas e o inusitado? É que uma turma esperta aproveitará a oportunidade para promover um encontro weird west, onde os participantes se vestirão de acordo com o tema e, quem sabe, darão um rolé pelas ruas do Centro da Capital. O mesmo fez algo similar no aniversário de Floripa, só que trajando roupas de época. O encontro de sábado está marcado para às 17h e quem aparecer devidamente fantasiado ganhará alguns “mimos” (descontos e brindes). Fácil, o xadrez está em alta.
Cantores neo-sertanejos estão convidados, mas não poderão cantar!
É isso aí, Luan Santana, só em silêncio!
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18.5.11
Caça aos sobreviventes de Cursed City
Olhem só o cartaz que nossos parceiros da Universo Colecionáveis, a primeira e a melhor loja especializada em colecionáveis de Santa Catarina, penduraram na vitrine:
Começou a temporada de caça aos marginais da Cidade Maldita. E o tiroteio vai ser no dia 28, a partir das 17h, no Café Cultura, lá na Praça XV. Venha, mas venha armado.
Começou a temporada de caça aos marginais da Cidade Maldita. E o tiroteio vai ser no dia 28, a partir das 17h, no Café Cultura, lá na Praça XV. Venha, mas venha armado.
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Cursed City em Mágico Vento
Sabem aquele negócio de timing? Pois não poderia ter sido mais preciso no caso de uma mensagem que enviei para um dos meus fumetti favoritos, editado no Brasil pela editora Mythos. O email acaba de ser publicado na edição 107 de Mágico Vento na coluna "O Correio de Poe" mantida pelo tradutor da série, Júlio Schneider, conforme reproduzo a seguir:
Afirmo que o timing é perfeito porque esta revista começou a chegar às bancas no dia 13 de maio, véspera do lançamento oficial de Cursed City, neste último sábado, em São Paulo. Em Florianópolis, como já divulgado aqui e em outras páginas o livro virá ao público no próximo dia 28, último sábado do mês, em um evento promovido em parceria com as editoras Estronho, Argonautas e a Sociedade Histórica Desterrense. Mas o timing também foi perfeito pela temática da história de Mágico Vento 107: nesta edição o escritor Gianfranco Manfredi faz seu personagem enfrentar criaturas semelhantes à que usei no conto "Domingo, Sangrento Domingo", presente naquela coletânea. A diferença está na nacionalidade. Se o meu monstro vem da região da Catalunha, mais exatamente de Barcelona, o quadrinista italiano criou uma trama com os ch'iang shih, ou seja, com os vampiros do folclore chinês.
Ned Ellis, o shaman branco dos índios sioux, está sozinho na cidade de São Francisco, onde se mete em um conflito das gangues chineses que dominam a região, as chamadas tongs. O líder de um desses grupos é que pensa em usar as criaturas místicas nessa guerra: mortos vivos com características bem diferentes daqueles que costumamos ver em obras ocidentais. Em uma inversão muito interessante do cotidiano dessa série de quadrinhos, vemos Mágico Vento tão perdido nos elementos sobrenaturais da trama quanto o leitor, pois todos estamos explorando um território desconhecido aqui. Em outra seção da revista, "Blizzard Gazette", o próprio autor escreve um artigo contando mais sobre os ch'iang shih, sobre o material de pesquisa que consultou e sobre as liberdades autorais que tomou, para evitar que o roteiro caísse em situações cômicas para os olhos não acostumados com a mitologia da China.
Esta é uma edição excelente para os interessados tomarem contato pela primeira vez com a revista mensal, por ser uma trama fechada que intercala arcos maiores com os personagens. Mágico Vento veio de duas longas sequências de histórias, a primeira envolvendo toda a negociação de compra das Montanhas Negras por parte do governo americano que acabou derivando na guerra aberta contra os índios na qual morreu o general Custer (1839-1876). Seguiu-se a essa sequência de histórias um outro ciclo, de forte influência na literatura de terror de H.P. Lovecraft (1890-1937), concluído no número anterior. E a partir da próxima edição, Manfredi vai voltar a explorar acontecimentos da história real, contando em um novo arco a história do exílio de Touro Sentado (1831-1890) e de seus guerreiros sioux no Canadá. Portanto, a HQ "Vampiros chineses", que nas palavras do próprio autor é "um apêndice de terror bastante suculento", acaba sendo uma oportunidade ótima para conhecer o universo da melhor série weird west a marcar presença em nossas bancas. E serve de preparação para quem for ler mais material do gênero nos livros das editoras Estronho e Argonautas. Mitakuye Oyasin!
"Antes de mais nada quero deixar os parabéns pelo excelente trabalho de vocês, principalmente em meus títulos favoritos das bancas, Júlia e Mágico Vento. Trabalho primoroso, adaptações que respeitam e valorizam o material italiano. Quanto ao personagem criado pelo excepcional escritor que é Gianfranco Manfredi, escrevi sobre ele no meu blog dedicado ao subgênero da FC chamado steampunk, ou a reimaginação retrofuturista do século XIX. O post foi em uma série rápida a respeito do Weird West, aquela mistura de faroeste com ficção fantástica (tanto pode ser FC, fantasia ou terror), da qual Mágico Vento é um belíssimo representante: http://cidadephantastica.blogspot.com/2011/02/weird-west-nos-quadrinhos-magico-vento.html Novamente, parabenizo a todos pelo trabalho. Abraço." Recebemos essa mensagem de Romeu Martins, que mora em São José-SC, cidade da região metropolitana de Florianópolis, e que será um dos autores presentes no primeiro livro de contos dedicado ao gênero weird west, cujo título é Cursed City - Onde as almas não têm valor. Na página de arquivos de janeiro de 2011 do seu blogue há uma matéria sobre isso com o título Sou um sobrevivente de Cursed City. Segundo o autor, entre as suas influências está "o inesquecível Ken Parker, cujas edições da Mythos tenho todas guardadas na minha coleção de quadrinhos".
Afirmo que o timing é perfeito porque esta revista começou a chegar às bancas no dia 13 de maio, véspera do lançamento oficial de Cursed City, neste último sábado, em São Paulo. Em Florianópolis, como já divulgado aqui e em outras páginas o livro virá ao público no próximo dia 28, último sábado do mês, em um evento promovido em parceria com as editoras Estronho, Argonautas e a Sociedade Histórica Desterrense. Mas o timing também foi perfeito pela temática da história de Mágico Vento 107: nesta edição o escritor Gianfranco Manfredi faz seu personagem enfrentar criaturas semelhantes à que usei no conto "Domingo, Sangrento Domingo", presente naquela coletânea. A diferença está na nacionalidade. Se o meu monstro vem da região da Catalunha, mais exatamente de Barcelona, o quadrinista italiano criou uma trama com os ch'iang shih, ou seja, com os vampiros do folclore chinês.
Ned Ellis, o shaman branco dos índios sioux, está sozinho na cidade de São Francisco, onde se mete em um conflito das gangues chineses que dominam a região, as chamadas tongs. O líder de um desses grupos é que pensa em usar as criaturas místicas nessa guerra: mortos vivos com características bem diferentes daqueles que costumamos ver em obras ocidentais. Em uma inversão muito interessante do cotidiano dessa série de quadrinhos, vemos Mágico Vento tão perdido nos elementos sobrenaturais da trama quanto o leitor, pois todos estamos explorando um território desconhecido aqui. Em outra seção da revista, "Blizzard Gazette", o próprio autor escreve um artigo contando mais sobre os ch'iang shih, sobre o material de pesquisa que consultou e sobre as liberdades autorais que tomou, para evitar que o roteiro caísse em situações cômicas para os olhos não acostumados com a mitologia da China.
Esta é uma edição excelente para os interessados tomarem contato pela primeira vez com a revista mensal, por ser uma trama fechada que intercala arcos maiores com os personagens. Mágico Vento veio de duas longas sequências de histórias, a primeira envolvendo toda a negociação de compra das Montanhas Negras por parte do governo americano que acabou derivando na guerra aberta contra os índios na qual morreu o general Custer (1839-1876). Seguiu-se a essa sequência de histórias um outro ciclo, de forte influência na literatura de terror de H.P. Lovecraft (1890-1937), concluído no número anterior. E a partir da próxima edição, Manfredi vai voltar a explorar acontecimentos da história real, contando em um novo arco a história do exílio de Touro Sentado (1831-1890) e de seus guerreiros sioux no Canadá. Portanto, a HQ "Vampiros chineses", que nas palavras do próprio autor é "um apêndice de terror bastante suculento", acaba sendo uma oportunidade ótima para conhecer o universo da melhor série weird west a marcar presença em nossas bancas. E serve de preparação para quem for ler mais material do gênero nos livros das editoras Estronho e Argonautas. Mitakuye Oyasin!
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16.5.11
Apareçam, vivos ou mortos
Amigos, tenho o prazer de convidá-los para o lançamento dos livros Cursed City, onde as almas não têm valor, da editora Estronho e Sagas - Estranho Oeste, da Argonautas, em Florianópolis, no sábado dia 28 de maio. Esta é a primeira vez em que vou poder estar presente no lançamento de uma obra com um conto meu, já que perdi a oportunidade nos livros anteriores, Paradigmas vol I e Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Por isso mesmo, ficarei muito feliz com a presença de todos neste evento, que conta com o inestimável apoio da Sociedade Histórica Desterrense, sendo Pauline Kisner, a criadora do grupo, a responsável pelo cartaz abaixo, com todas as informações sobre o encontro:
Quem confirmar no fórum da SHD a presença no lançamento, concorre automaticamente a um livro. As pessoas que forem no dia trajando roupas de caubóis, índios, soldados confederados ou o que mais a imaginação permitir dentro do tema weird west receberão descontos na compra dos livros e ainda concorrerão a prêmios concedidos pelas editoras. Portanto, apareçam, amigos, vivos ou mortos. Vamos bater papo, tomar umas cervejas - ou uísque sem gelo para quem preferir - até depois do por-do-sol.
Quem confirmar no fórum da SHD a presença no lançamento, concorre automaticamente a um livro. As pessoas que forem no dia trajando roupas de caubóis, índios, soldados confederados ou o que mais a imaginação permitir dentro do tema weird west receberão descontos na compra dos livros e ainda concorrerão a prêmios concedidos pelas editoras. Portanto, apareçam, amigos, vivos ou mortos. Vamos bater papo, tomar umas cervejas - ou uísque sem gelo para quem preferir - até depois do por-do-sol.
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27.4.11
Cursed City em pré-venda
A loja Estronho acaba de colocar em pré-venda a coletânea weird west Cursed City - Onde as almas não têm valor. Quem for visitar o endereço pode adquirir o título por lá com um desconto de R$ 10 com direito a brindes e ainda acumular pontos para novas aquisições de livros da editora Estronho naquele site, onde também estão disponíveis títulos de suas parceiras, como a Draco, Tarja Editorial e UnderWorld. Para comemorar o início das vendas - e o centésimo post deste ano em meu blog -, segue o trecho inicial do meu conto naquela obra, "Domingo, Sangrento Domingo".
Os passos do casal ecoaram nas rochas cheias de limo e musgo eternamente protegidas da luz do sol. Ela pisou com cuidado o chão escorregadio, mal fez barulho, pois os pés estavam nus, sem os sapatos de salto alto que costumam cobri-los quando andam por terrenos mais firmes. Já o homem, usando botas de solado grosso, retumbou seu peso naquelas pedras acrescido pelo material de mineração que carregava. Os metais faíscavam cada vez que batiam nas paredes sombrias e estreitas.
– Tem certeza que foi daqui que saiu o bicho? – o homem falava com uma voz de tenor valorizada pela acústica da caverna. – Esses montes de pedregulho parece tudo igual.
– Claro que tenho, não falei? – já ela soava como uma soprano, esbaforida pelo esforço da caminhada. – O rato parecia querer que eu visse ele com toda calma. Ficou parado na entrada, bem ali, me olhando, até eu chegar a poucos passos dele. Só então voltou a correr pra dentro desse paredão aí, bem na tua frente. Mas antes disso, largou essa belezura que tava rolando com as patas da frente, refletindo no sol... foi o que me atraiu a vista. Mesmo precisando de dinheiro pra pagar a Marlene o meu quarto no bordel, nem tive corage de vender e chamar a atenção de meio mundo de que tem disso por aqui.
O homem soltou um assobio, ainda impressionado pela pedra que a sua acompanhante carregava.
– Mary, vou dizer, eu nunca ouvi falar de prata nessas terras, mas posso jurar que esse torrão aí é material de primeira! Oh, se é.
A mulher soltou uma risada; o homem largou os apetrechos ruidosamente no chão.
– Eu sei, eu sei. Nunca ninguém soube de prata nessa parte do deserto, tirei a dúvida perguntando prum cliente que trabalhou nas mina da região. Ele me disse que o antigo nome, o de verdade, de Cursed City até tinha alguma coisa que ver com ouro... De prata ele nunca enxergou nada e eu é que não mostrei isso prele, que burra eu não sou.
– Cê é a mulher mais danada de esperta que eu conheço, isso sim. Tanto que resolveu confiar o segredo que o rato te mostrou pra eu – a risada dele explodiu como se a caminhada e o peso da tralha não tivessem afetado em nada seu fôlego.
– Uma coisa é mostrar uma pedra dessas prum espertalhão cheio de contato com os rico da cidade. Outra é confiar em um escravo fugido feito tu, que sabe muito bem que aparecer numa mesa de carteado do Saloon do Billy, cheio de prata pra trocar por ficha, é pedir pra levar chumbo e chicote no lombo.
Um palito esfregado numa pedra qualquer chiou antes de acender o charuto que o negro começou a fumar.
– Escravo fugido? Sei não, Mary, ouço os home dizer que a confusão entre os Confederado e as tropa da União chegou ao fim e que o presidente da capital libertou todo mundo... – uma tragada forte seguiu-se de uma baforada lenta. – É o que ouvi dizer.
– Essas coisas entre o Norte e o Sul são em outro mundo, rapaz. Aqui é o Oeste e nenhuma lei que descontente os que têm dinheiro vai valer só porque o finado Abraham Lincoln, que Deus o tenha, assim queria. Agora larga esse troço fedido e começa a fazer força, não foi pra fumar que tu veio. Pode quebrá bem ali, onde o rato se entocou.
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3.4.11
Uma amostra da cidade amaldiçoada
Que beleza acordar num domingo ensolarado e com uma boa notícia esperando na timeline do twitter! Nesta madrugada, M.D. Amado preparou uma bela amostra da próxima coletânea de sua editora, a Estronho, na qual estarei presente com meu exemplar weird west "Domingo, Sangrento Domingo". Não apenas um, mas dois contos de Cursed City - Onde as almas não têm vez estão disponíveis para que os leitores possam baixá-los em um arquivo pdf. São eles "O gigante, a curandeira e a lutadora de Kung-Fu", de Alfer Medeiros e "Just like Jesse James", de Alliah. O primeiro narra uma história de vingança nas ruas assombradas daquela cidade, na qual, além dos três personagens do título, ainda surgem lobisomens, uma especialidade do autor. O segunda conto, tem início no saloon local, de Billy Monstrengo, e segue com um vislumbre de um autêntico trem-fantasma. O arquivo pode ser baixado aqui, entre outros cinco livros da editora também com trechos livres para degustação, e segue a diagramação e projeto gráfico da versão imprensa, que brevemente deve sair da gráfica para as vendas na loja Estronho. Boa leitura e bom domingo!
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10.3.11
Weird Westerns from Brazil 2
Por falar na coletânea Cursed City - Onde as almas não têm valor, fiquei sabendo agora pela manhã pelo twitter do organizador da obra, M. D. Amado, que ficaram prontos os cartazes anunciando todos os participantes da coletânea. Não resisto à tentação (ou ao mico?) de postar aqui minha cara de bandoleiro cucaracha. O dos demais colegas de páginas, só lá no hot site da editora.
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Weird Westerns from Brazil
O título acima é o mesmo dado pelo escritor e quadrinista britânico Paul Green ao post em que ele anuncia a seus leitores a coletânea Cursed City - Onde as almas não têm valor, da editora Estronho. Falei de Green e de sua Enciclopédia temática de Weird West ontem, ao fazer uma nota sobre a resenha do livro escrita por Marcelo Augusto Galvão. O enciclopedista ficou sabendo da resenha e se interessou pela atual movimentação brasileira em torno do gênero. O primeiro resultado foi este post publicado no blog que complementa aquela sua obra de referência. Nele, além de mostrar a bela capa da coletânea brasileira ainda a ser lançada, ele traduz para o inglês a descrição do projeto que vai trazer meu conto "Domingo, Estranho Domingo".
Vale notar outra coincidência no mesmo blog de Mister Green. Em um post anterior, ele também se pergunta se a animação Rango, resenhada por aqui ontem, não seria um representante do gênero. Recorrendo as informações de Robert W. Butler, do McClatchy Newspaper, ele chega a conclusão de que é, sim, como afirmei por aqui. Cita dois exemplos de esquisitices naquele filme, uma sobrenatural e outra ligada à FC (e que tinha me escapado). Vale a pena ler, apesar dos spoilers para quem ainda não viu essa excelente produção.
Vale notar outra coincidência no mesmo blog de Mister Green. Em um post anterior, ele também se pergunta se a animação Rango, resenhada por aqui ontem, não seria um representante do gênero. Recorrendo as informações de Robert W. Butler, do McClatchy Newspaper, ele chega a conclusão de que é, sim, como afirmei por aqui. Cita dois exemplos de esquisitices naquele filme, uma sobrenatural e outra ligada à FC (e que tinha me escapado). Vale a pena ler, apesar dos spoilers para quem ainda não viu essa excelente produção.
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20.1.11
Sou um sobrevivente de Cursed City!
Ótimas notícias, caros amigos da Malta do Vapor! Quando postei no dia 10 de novembro a respeito da coletânea de Weird West da editora Estronho, não estava em meus planos participar da seleção de contos, apesar de adorar as duas vertentes ali reunidas, a ficção fantástica e o faroeste (afinal, fui criado lendo Jules Verne e pulps de bangue-bangue). Mas eis que me surgiu uma ideia inusitada para o tema e não resisti. Escrevi quase no limite do prazo "Domingo, Sangrento Domingo", contei com a colaboração dos beta leitores Giseli Ramos, Edgard Refinetti, Tatiana Ruiz e Débora Aquino - registro meus agradecimentos ao quarteto pelas dicas, sugestões e correções - e enviei o dito cujo. O resultado saiu hoje, como pode ser lido no site da editora, nas palavras de M. D. Amado:
Muitos textos encaminhados para a seleção de Cursed City surpreenderam pela qualidade e por isso mesmo foi difícil chegar a seleção final. No final das contas, fui obrigado a subir a quantidade de contos a serem publicados, de 15 para 20 e ainda assim algumas boas escritas ficaram de fora. Espero sinceramente que os espíritos de Cursed City não achem que eu fui injusto nesta seleção, senão eu estou f...
Sendo assim, eis os sobreviventes da cidade amaldiçoada:
Xerife prefaciador: Adriano Siqueira
Bandido Convidado: André Bozzetto Jr. (A balada do coyote)
Os Procurados: Alfer Medeiros (O gigante, a curandeira e a lutadora de kung-fu), Alliah (Just like Jesse James), Ana Cristina Rodrigues (Aquele que vendia vidas), Carolina Mancini (Número 37), Chico Pascoal (Duas lendas), Cirilo S. Lemos (Por um punhado de almas), Davi M. Gonzales (Ainda dói?), Ghad Arddhu (Oricvolver), Georgette Silen (A mão esquerda da morte), Jota Marques (As desventuras do pequeno Roy), Lucas Rocha (O fantasma de Franklin Stuart), M. D. Amado (Nem sempre a fé te salvará), Marcel Breton (Sombras), Romeu Martins (Domingo, sangrento domingo), Tânia Souza (Demônios da escuridão), Valentina Silva Ferreira (Sally), Verônica Freitas (Deixe-me entrar), Yvis Tomazini (Só o dinheiro dos mortos) e Zenon (Descanse em paz).
Então, podem avaliar como estou feliz! O meu texto trata de um certo tipo de monstro mitológico sobre o qual eu nunca imaginava escrever... Mas raios, até meados de 2008 eu jamais esperava escrever ficção mesmo. E como eu disse para o Fábio Fernandes no Twitter, agora aprendi a nunca dizer deste sangue não chuparei. "Domingo, Sangrento Domingo" não é exatamente um conto steampunk, apesar de se passar no século XIX - no dia 6 de junho de 1866, uma quarta-feira, se você fizer questão de exatidão - e de ter uma tecnologia bem exótica ao final. Mas espero que agrade também aos meus caros confrades steamers.
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