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25.2.11

Brasileiros no Wold Newton Universe

Quando fiz uma nota, há exatamente um mês, sobre a participação de Carlos Orsi no The Baker Street Journal com um artigo sobre as vilãs brasileiras que atravessaram o caminho do personagem mais conhecido de Arthur Conan Doyle, lembrei de uma contribuição internacional anterior daquele escritor jundiaiense em um projeto colaborativo inspirado em outro famoso autor de ficção fantástica. Naquela oportunidade, Orsi escreveu um artigo a quatro mãos com o carioca Octavio Aragão para o Wold Newton Universe, uma expansão criada por entusiastas do conceito de Wold Newton Family criado pelo americano Philip José Farmer. Bem no início deste blog, por ocasião da morte daquele escritor que é a principal referência da chamada ficção alternativa, falei sobre o assunto:

O parceiro de Phillip José Farmer em diversos projetos, incluindo um último livro escrito a quatro mãos, Win Scott Eckert deu uma ótima entrevista ao site Comic Book Resources na qual fala de seu velho mestre, falecido no dia 27 de fevereiro. Ele explora bastante o tema dos crossovers entre personagens de diferentes autores, definindo bem o conceito tanto da Wold Newton Family criada por Farmer quanto de sua ampliação fruto de inúmeras colaborações, o Wold Newton Universe. Na imagem ao lado, vemos o monumento que lembra a queda do meteorito (ou, uma pedra extraordinária, conforme documentaram naquele memorial) na cidade inglesa que batiza tais conceitos, no século XVIII.

A entrevista já estava pronta para ser publicada uma semana antes, mas o responsável pela coluna semanal, Greg Hatcher, segurou o material e só o publicou na última sexta, acrescido de um novo depoimento de Eckert a respeito da inspiração que os livros de Farmer representaram para sua própria carreira de novelista. Uma bela homenagem ao rei dos crossovers. O texto pode ser lido aqui.

 Então, entre as "inúmeras colaborações", podemos encontrar o artigo "From Russia with madness" que foi assim definido por Orsi, em tom de brincadeira, pelo twitter, quando avisei que iria escrever um post sobre o material (vale lembrar que Martinho é o segundo sobrenome dele):

@Carlossom71 Mais um produto Aragão & Martinho, finos pseudofactuais e elegantes histórias alternativas desde 2001

Se eu tentar resumir aqui  os entroncamentos biográficos de personalidades reais e fictícias que a dupla Aragão & Martinho imaginou em seu artigo - a partir dos acontecimentos que antecederam a queda dos czares da Rússia - estragaria muitas ótimas surpresas para os leitores que ainda não conhecem o texto. Basta dizer que os brasileiros conseguiram elencar no artigo desde a eminência parda dos antigos mandatários russos, até super-heróis da Marvel e da DC, personagens de filmes, peças teatrais, seriados de TV e um enorme etcetera. O resultado é muito divertido para quem gosta das charadas intelectuais propostas por obras como A Liga Extraordinária, de Alan Moore, Anno Dracula, de Kim Newman, O outro diário de Phileas Fogg, do próprio Farmer, ou ainda A mão que cria, no qual Octavio Aragão utilizou alguns dos achados descritos no artigo. Fica minha dica de leitura para o fim de semana, lá vai o endereço novamente. Até a próxima.

9.3.09

Ainda sobre Farmer

O parceiro de Phillip José Farmer em diversos projetos, incluindo um último livro escrito a quatro mãos, Win Scott Eckert deu uma ótima entrevista ao site Comic Book Resources na qual fala de seu velho mestre, falecido no dia 27 de fevereiro. Ele explora bastante o tema dos crossovers entre personagens de diferentes autores, definindo bem o conceito tanto da Wold Newton Family criada por Farmer quanto de sua ampliação fruto de inúmeras colaborações, o Wold Newton Universe. Na imagem ao lado, vemos o monumento que lembra a queda do meteorito (ou, uma pedra extraordinária, conforme documentaram naquele memorial) na cidade inglesa que batiza tais conceitos, no século XVIII.

A entrevista já estava pronta para ser publicada uma semana antes, mas o responsável pela coluna semanal, Greg Hatcher, segurou o material e só o publicou na última sexta, acrescido de um novo depoimento de Eckert a respeito da inspiração que os livros de Farmer representaram para sua própria carreira de novelista. Uma bela homenagem ao rei dos crossovers. O texto pode ser lido aqui.

26.2.09

O outro diário de Farmer

Em um de seus livros, Farmer dedicou-se exclusivamente a trabalhar com uma obra de Jules Verne. The other log of Phileas Fogg (de 1973, publicado no Brasil pela Francisco Alves em 1987 como O diário de bordo de Phileas Fogg) descreve os bastidores de Le tour du monde en quatre-vingts jours, criada exatamente um século antes pelo pai da Ficção Científica. Focando o protagonista daquela aventura e seu ajudante, Passepartout, Farmer buscou uma explicação alienígena para os propósitos daquele tour pelo mundo e para o comportamento exótico dos personagens originais, agora metidos em uma trama de rivalidade ancestral entre duas espécies extraterrestres.

Está longe de ser um dos melhores momentos de Farmer, mas enquanto nenhuma editora nacional se dispõe a publicar por aqui as biografias do Homem-Macaco e do Homem de Bronze esta é a opção mais disponível para os brasileiros interessados nos crossover malucos do autor americano.

Morre o rei dos crossovers

Esta Quarta-Feira de Cinzas foi um dia triste para fãs de Ficção Científica. Morreu aos 91 anos um dos mestres do gênero. Philip José Farmer, autor consagrado com as maiores honrarias dedicadas a essa vertente da literatura, os prêmios Hugo e Nebula, faleceu em sua casa, em Illinois, EUA, enquanto dormia.

Pioneiro em acrescentar descrições sexuais a uma FC quase sempre marcada pela aura de puritanismo juvenil, Farmer foi ainda um precursor de um subgênero muito importante para a noveleta que dá título a este blog. Foi ele o criador do conceito de Wold Newton Family: partindo de um evento real, a queda de um meteorito em uma cidadezinha da Inglaterra, em 1795, o escritor explicou a origem dos dotes fantásticos de vários personagens da literatura popular e aventurescas, entre eles alguns criados pelo nosso inspirador em comum, Jules Verne.

Heróis, antiheróis e vilões como Sherlock Holmes, Moriarty, Capitão Nemo, Doc Savage, Tarzan, Fu Manchu, Pimpinela Escarlate, entre outros, seriam descendentes diretos de pessoas que foram afetadas pela radiação alienígena daquela pedra espacial. Essa seria a origem secreta por trás de tantos supergênios e superatletas que surgiram na literatura entre o século XIX e XX.

A ideia foi trabalhada por Farmer basicamente em dois livros, nos quais ele biografou personagens como se fossem pessoas reais: Tarzan alive, de 1972, e Doc Savage: his apocalyptic life, lançado no ano seguinte. Mais tarde, o conceito foi ampliado por uma legião de fãs e admiradores de sua obra, atingindo o status de Wold Newton Universe por abranger uma gama impressionante de criações não mais apenas literárias (há personagens de inúmeras mídias, como cinema, TV, quadrinhos, teatro até música) de todas as partes do mundo. Eles coexistem em intercruzamentos jamais imaginados por seus criadores originais.

Não haveria "Cidade Phantástica" se não fosse Philip José Farmer. Assim como talvez não houvesse a Liga Extraordinária de Alan Moore e o Planetary de Warren Ellis. Um muito obrigado por tudo.