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2.3.12

Cidade Phantástica, a graphic novel 2

Circula hoje por toda Santa Catarina, no jornal de maior tiragem do estado, a primeira imagem colorida da graphic novel steampunk que Zambi e eu estamos produzindo para a editoria Underworld. Mais do que isso, a nossa futura HQ recebeu uma detalhada matéria em primeiríssima mão de autoria do colega jornalista Marcos Espíndola na coluna mais prestigiada da área de cultura e entretenimento daqui, a Contracapa do caderno de Variedades do Diário Catarinense. Marquinhos captou e explicou perfeitamente o cenário da noveleta que está sendo transposta para uma nova mídia. Então, é com muita satisfação que reproduzo aqui o desenho que Zambi fez com os principais personagens de Cidade Phantástica e o trecho da coluna de hoje que destaca nosso trabalho. Se isso não vale uma bela comemoração nesta sexta-feira, o que valeria?


O (Retro)Futuro é aqui
Quando integrou, com "Cidade Phantástica", a pioneira coletânea de contos Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, lançada em 2009 pela Tarja Editorial, o jornalista e escritor catarinense Romeu Martins estava longe de se dar por realizado. A ideia primária era levar a fábula retrô futurista para os quadrinhos. O intento começa a se consumar por meio da parceria com o ilustrador Sandro Zamboni, o Zambi, chargista do jornal Hora de Santa Catarina. Cidade Phantástica tem como cenário o Rio de Janeiro do período de 1866 e 1867. A capital do Segundo Império vive um momento de franca evolução socio-econômica e cultural, assumindo a vanguarda da industrialização frente aos Estados Unidos mergulhados em uma guerra civil.
A razão desta expansão desenvolvimentista, que, pelo menos nesta ficção, coloca o Brasil como a potência da época, é o fato de o país não ter entrado na Guerra do Paraguai. À frente deste processo estão os ideários do Barão de Mauá, figura histórica que assume o papel de principal conselheiro do imperador Dom Pedro II, tendo influência direta, por exemplo, no fim da escravidão em 1855 - 34 anos antes da Lei Áurea. Neste outro Brasil desenvolve-se uma trama de heróis e vilões, personagens de Júlio Verne e de Sir Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes) que também mudaram de ares e passaram a habitar a pujante nação tropical. A novela está prevista para sair em 2013 para atender as exigências da editora Underworld, que pede por uma publicação colorida.
Mas aqui temos um aperitivo do que a dupla Martins/Zambi imagina deste Brasil steampunk. Os desdobramentos desta obra serão detalhados no blog cidadephantastica.blogspot.com

28.2.12

A Liga dos Joões Fumaça

Mostrei recentemente aqui a versão de Sandro Zamboni, o Zambi, para o protagonista da noveleta e futura graphic novel "Cidade Phantástica":


Mas vale lembrar que o primeiro desenho do personagem foi de autoria de Tiburcio, o que acabou inspirando o conto "Modelo B" publicado na edição de estreia da revista Vapor Marginal.


Além do conto, a versão de Tiburcio também serviu de modelo para o bonequinho superfake de Fernando Pascale, sorteado por aqui.


Será que ainda vamos ver mais alguma versão alternativa do agente da Polícia dos Caminhos de Ferro?

24.2.12

Cidade Phantástica, a graphic novel

Fevereiro está sendo um mês tão cheio de trabalho que tem me sobrado pouco tempo para postar aqui. Neste mês, conclui o trabalho de divulgação de uma coletânea de contos retrofuturistas e a revisão de um livro de não-ficção. Mas eu volto agora com uma novidade que esperei bastante tempo e estava ansioso para compartilhar. Vontade antiga que está se tornando realidade, a de transformar a noveleta que dá nome a este blog em minha mídia favorita: os quadrinhos. O projeto já vinha de tempo, mas só pode começar a ser posto em prática quando conheci o desenhista e a editora perfeitos para fechar a parceria.

O desenhista é Sandro Zamboni, mais conhecido como Zambi, chargista do jornal Hora de Santa Catarina. Um talento que conheci no lançamento da coletânea weird west Cursed City - Onde as almas não têm valor. A editora é a mesma que vai publicar a coletânea Underworld of Steampunk e a Steampunk Bible, a
Underworld.

Mas eu não poderia dar esta notícia sem compartilhar também um breve gosto de como vai ser esta história em quadrinhos. Aqui, no blog, vou apresentar o trio de protagonistas no traço de Zambi. Em outro espaço, a página recentemente inaugurada do Cidade Phantástica no Facebook, teremos as imagens da dupla de vilões.    Passem por lá e curtam aquela outra filial deste nosso edifício.

Vamos aos desenhos!

Para começar, o Policial dos Caminhos de Ferro, João Fumaça:



Temos ainda, saído das páginas de Sherlock Holmes escritas por Sir Arthur Conan Doyle, o Rei do Ouro, J. Neil Gibson:


E para completar, pelo menos por aqui, outro empréstimo da pena de Doyle, a noiva de Gibson, Maria Pinto:


O que vocês me dizem? Espero que tenha alguém ai tão empolgado quanto eu com este projeto! Não deixem de conferir os vilões lá no Facebook.

24.1.12

Novos rascunhos de personagens

Há uma semana, no aniversário do blog, postei rascunhos de um projeto de quadrinhos que pretendo levar adiante este ano com o gaúcho radicado em São José Kayuá Waszak. Hoje tenho marcado um bate papo com ele e outro ilustrador muito talentoso que também está morando na minha cidade, o blumenauense  Denis Pacher. Com este último estou recomeçando uma antiga ideia de adaptação de um conto, para o qual ele também já elaborou os esboços a seguir:




Vamos ver se numa happy hour regada à comia árabe saem novas ideias e confirmações de projetos. Fiquem na torcida.

17.1.12

Este é o Barão Noir

No post 666 deste blog, publiquei um trecho inédito de um conto que pretendo ver ganhar forma de uma graphic novel (ou, quem sabe, de uma série delas) em parceria com meu brother Kayuá Waszak. Eis que, bem no dia do aniversário desta página, o cara que atende por @TheWiFi no twitter liberou duas imagens do protagonista da história, uma trama de fantasia hardboiled. Como vocês notarão, com visual inspirado no ator baiano Lázaro Ramos, apresento aos leitores do Cidade Phantástica os primeiros esboços do Barão Noir.



2.1.12

Os Cronistas Sherlockianos

Para começar bem o ano, Erick Sama, da editora Draco, liberou um extra que estará presente na edição de Sherlock Holmes - Aventuras Secretas. Feitas pelo próprio editor, são ilustrações de cada um dos oito escritores presentes na coletânea, incluindo os organizadores Carlos Orsi e Marcelo Augusto Galvão. Estou ali, usando o meu chapéu importado de Forquilhinhas.


Legal, hein? O livro terá lançamento em São Paulo no dia 4 de fevereiro. Não percam, meus caros.

26.12.11

Steampunk e MMA

Meu colega na coletânea Deus ex machina - Anjos e Demônios na Era do Vapor, João Norberto, está em fase de preparação de novos materiais com influência steampunk. Uma amostra do que está por vir foi postada por ele em seu blog, unindo a ficção steamer com uma modalidade de luta que cada vez atrai mais público. Segue um trecho da apresentação e a ilustração que ele fez para o projeto:



Enquanto vou preparando um livro expandindo o universo apresentado no conto Anhanguera, publicado na antologia Deus Ex Machina da editora Estronho, comecei a pensar em novos conceitos para outros contos Steampunk e eis uma das tentativas.
Imaginei como seria uma luta de MMA ( Mixed Martial Arts) com elementos “à vapor” e aos poucos foram surgindo personagens e acabei me inspirando num clipe da banda Within Temptation para o casal principal.
Enquanto o conto anterior, com o personagem Jaguar-Upiara tinha como cenário Aupaba, também conhecida como Terra de Santa Cruz, esse mostra um pouco do já citado Império Primordial, de onde vêm os colonizadores (ou invasores) mostrando que existe mais nesse mundo do que parece.
Sem mais delongas, escolha seu lutador, torça muito e boa leitura.

Continua

9.11.11

Pôster steampunk

Estevão Ribeiro, autor da tira Os Passarinhos e esposo de minha coblogueira Ana Cristina Rodrigues, preparou um presente para os leitores de seu site. Em comemoração a seus novos lançamentos que vão ocorrer no Festival Internacional de Quadrinhos, maior evento brasileiro da área que ocorre neste fim de semana em Minas Gerais, ele deixou à disposição um pôster de seus personagens emplumados em versão steamer. No mesmo post, ele avisa que em 2012 o projeto de uma HQ a vapor de Hector e Afonso, "A peça que move o mundo", será retomado para publicação. Torcendo aqui por mais esta produção steampunk nacional desbravando uma área ainda intocada pelos brasileiros: os quadrinhos.

29.10.11

Heróis na Guerra Civil

O leitor João Norberto comentou em um post do blog em que fiz a chamada para uma das minhas HQs favoritas da linha "O que aconteceria se" da Marvel: aquela sobre o Capitão América em atividade na Guerra Civil americana. Em seu comentário ele deixou o link para artes vetorizadas que fez expandindo aquele universo com outros personagens também envolvidos no maior conflito bélico já travado neste continente. Vale a pena conferir o material na íntegra aqui. Deixo vocês com alguns exemplos, do Capitão América, Batman e Flash, respectivamente.




6.6.11

...e em quadrinistas

O título deste post completa o de baixo, no qual mostrei os esboços de um projeto de quadrinhos com Lidia Zuin; neste aqui, vamos ver uma ilustração feita por um conhecido quadrinista, mas ele já avisa que não é exatamente para uma HQ. Estevão Ribeiro postou em seu blog a imagem abaixo de seus conhecidos personagens da tira Os Passarinhos na versão vaporosa, que já foi citada por aqui uma, duas, três vezes. Ele não revelou exatamente o propósito desta vez - desconfio que seja para algo... fofo - mas avisou: "Não querendo decepcionar aos Piantes que esperam uma hq, ainda não é desta vez, mas confesso que estou muito animado com a ilustração e a história por trás de cada esboço que faço. A ilustração será para um produto, que mostrarei daqui a um mês. Aguardem que vai valer a pena!"

4.4.11

Esboços de mangá steampunk nacional

Comentei sobre o projeto de um almanaque brasileiro de quadrinhos em estilo japonês por aqui, com as seguintes palavras:

Mais uma notícia envolvendo quadrinhos de interesse para quem curte retrofuturismo. Alex Lancaster está à frente de um projeto que pretende trazer ao Brasil o mesmo modelo usado no Japão para apresentar séries de mangás, um almanaque cuja rotatividade dos títulos dependerá da popularidade de cada obra. Serão os leitores, interagindo com os editores e autores, que determinarão qual série de Ação Magazine terá continuidade em suas páginas. Uma amostra do material que está disponível para apreciação dos leitores pode ser acessado neste endereço, no qual se encontra o número zero da revista, cuja capa é esta abaixo, que segue bem de perto o padrão nipônico:



O mesmo Alexandre Lancaster inaugurou no site da Ação Magazine um blog no qual não só deve concentrar seus textos a respeito do steampunk como também divulgou alguns esboços e estudos de personagens da série que vai publicar naquela revista. "Expresso!" é uma história em quadrinhos sobre um jovem inventor brasileiro que já apareceu na forma do conto "A música das esferas" na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Segue abaixo uma das imagens do caderno de esboços do quadrinista e o início de seu texto de apresentação do material:



Algumas pessoas viram esta imagem acima no meu Twitpic pessoal. Ela foi extraída do meu caderninho de esboços – um Moleskine genérico de capa vermelha, que acompanhou boa parte do desenvolvimento de meus personagens em sua forma atual. A verdade é que Expresso!, apesar de ser baseado em conceitos que eu tinha guardados desde os doze anos de idade, foi só tomar sua forma definitiva na virada dos anos 90 para os 2000, quando eu comecei a pôr em ordem todo esse universo sob o eixo do conceito do Edisonade. Esse caderninho na realidade reflete as dúvidas e indefinições que acompanharam a definição final dos personagens de suas formas preliminares ao que são hoje – isso porque olhando bem, as versões originais eram bem menos shonen (ou, pelo menos, menos shonen em termos de hoje em dia): eram muito ligadas a aquele espírito dos velhos materiais da World Masterpiece Theatre, que me influenciou um bocado. Não vou reclamar desse processo de "shonenização" da série porque isso deu algum tipo de personalidade à forma final; ela poderia, hoje, estar parecendo um item de nostalgia, com ecos do Miyazaki pré-Ghibli. Não acho que isso fosse algo saudável. Temos que respeitar o passado e tratá-lo com a reverência que se deve, mas temos que criar algo novo, romper com as amarras e seguir em frente.

Continua

26.8.10

Novo projeto de HQ steampunk

A torcida por boas novas pelo jeito deu certo. No dia 13 de julho escrevi por aqui:

Nem sempre é possível dar boas notícias por aqui e é o caso desta nota. Estevão Ribeiro, quadrinista criador da tira Os Passarinhos, anunciou em seu blog o adiamento de um projeto steampunk ligado àqueles personagens emplumados. Eu havia comentado sobre a graphic novel A peça que move o mundo por aqui, mas o autor decidiu deixar o conceito em hibernação (...)

Aquele projeto ainda está hibernando, esperando o momento certo de vir à tona. Mas há sim uma boa nova, conforme ficamos sabendo pelo blog de uma ótima desenhista que, como vocês vão ver, acompanho há tempos, a Dandi. Ontem, ela publicou por lá a seguinte nota e ilustração:

Fui convidada pelo Estevão Ribeiro a participar de um novo projeto, onde eu desenharei tirinhas para seus roteiros de uma história Steampunk, e já sou familiarizada há alguns anos com o gênero...

Este é apenas o rascunho de uma das personagens, Nicolette Thierry, a francesa negra que entende de máquinas a vapor e armas.


Ainda tenho outras personagens a trabalhar, mas só Nicolette nasceu no momento que a conheci XD Acho que é porque acho muito mais legal criar mulheres de largos quadris e muitas curvas... rsrs

Legal, não? E ela não está exagerando quando diz que é familiarizada com a cultura steamer. Veja este post do ano passado que Dandi publicou no mesmo blog


Eu admito, tenho muita coisa aidna pra incluir neste blog, mas acredito que estou mais preocupada em criar mais coisas novas agora.

O trabalho a seguir foi criado para o concurso Myths and Legends da CGSociety, com o tema Steampunk. Não cheguei perto de vencer, mas ao ver os vencedores pude visualizar onde quero chegar em qualidade de trabalho... no entanto gostei do resultado de meu trabalho também. Como sempre, para o alto e avante!


Bem legal, também, né? Clicando no link vocês vão poder notar que eu já havia comentando a ilustração na época em que foi postada por lá. Parabéns a Dandi e ao Estevão e que venham mais quadrinhos steampunk por aí!

11.5.10

E já que o assunto é arte...

... deixem-me pelo menos fazer o registro hoje - já que a perda de conexão ontem tornou isso impossível - da morte de um dos meus ídolos. Frank Frazetta morreu nesta segunda-feira, dia 10 de maio, aos 82 anos, deixando para trás um legado artístico que revolucionou a fantasia e a ficção científica. Se hoje há tamanho interesse por um subgênero como o steampunk, com tanta atenção pela parte estética, visual, muito se deve a pessoas como esse nova-iorquino, criador de mundos e responsável pela popularização de personagens como Conan, criação máxima de Robert E. Howard (1906-1936). Deixo vocês com o início do texto de André Forastieri dedicado a esse artista, publicado hoje de manhã em seu blog no portal R7:


Frank Frazetta era boa pinta como um ator coadjuvante em um policial noir - um italianinho do Brooklyn musculoso, topetudo, com um sorriso canastrão. Era bom no desenho e no baseball - chegou a ser chamado para os New York Giants.

Frank passou a vida dividido entre ser esportista e artista. Malhou a vida toda. Atingiu o melhor equilíbrio. Frank, morto ontem, foi um dos ilustradores mais influentes do século 20 - e suas criações exibem a explosão muscular de um atleta nato. 

Aos 16 anos, 1944, Frank estreou ilustrando quadrinhos. Na década seguinte faria de tudo um pouco, sempre aprendendo, sempre na melhor companhia. Foi, por nove anos, assistente de Al Capp em Ferdinando; publicou na EC Comics, editora dos melhores quadrinhos adultos do período; trabalhou com Harvey Kurtzman no clássico erótico da Playboy, Little Annie Fanny; desenhou de faroestes a Buck Rogers.

Smaller - Reprodução

Foi como ilustrador que deixaria sua maior marca. Primeiro, de pôsteres de cinema. Desenhou 15 pôsteres de 1965 a 1983, de O que é que há, Gatinha a A Festa do Monstro Maluco a Mad Max. Pagava bem melhor que quadrinhos - quatro, cinco mil dólares, o que Frazetta ganhava em um ano. 

Destructeur - Reprodução
  Barbarian - Reprodução
Mais importantes ainda foram suas capas de livro. A partir de 1966, Frazetta passou a ilustrar as capas da série Conan - e simplesmente reinventou a estética da literatura fantástica, disparando uma nova onda de interesse por fantasia e ficção científica e influenciando milhares de ilustradores pelo mundo afora.

Sem Frazetta não existiria a série em quadrinhos de Conan, muito menos os filmes. Suas capas para Tarzan fizeram o homem-macaco popular de novo; as ilustrações para a série John Carter of Mars, de Edgar Rice Burroughs, conectaram fantasia espacial com a nova geração dos 60 - do rock, das drogas, da contracultura.

Steampunk em imagens

Gabriela Barbosa da Loja Paraíba do Conselho Steampunk deu início a uma série de matérias a respeito de um dos aspectos que mais chama a atenção na cultura steamer: o apelo visual, a arte inspirada nas divagações retrofuturistas do gênero. Em seu primeiro artigo, ela escolheu um tema bastante incomum, como podem ler abaixo, no trecho inicial e nas primeiras imagens escolhidas por ela:


Não é difícil encontrar na internet novidades acerca do steampunk. Como gosto muito de arte, fico encantada quando encontro objetos criados dentro da estética steam.

Tendo acumulado muitos links e imagens, resolvi fazer uma série de publicações para divulgação desses artistas. Se você também é um desses e quer ver seu material aqui, deixe um comentário.
Hoje vamos nos dedicar aos insetos. Achou estranho?!

O artista multidisciplinar (como se autoclassifica) Mike Libby ao encontrar um besouro morto intacto e localizar um antigo relógio de pulso, pensou que o besouro era semelhante a um pequeno dispositivo mecânico, então resolveu juntar os dois. Dissecou o besouro e o equipou com peças de relógio, resultando numa linda escultura.


A partir daí, Libby criou o Insect Lab. Ele compra insetos reais de várias partes do mundo e faz o mesmo procedimento, com peças de relógio, máquinas de costura, de escrever, etc.

“Na ficção científica, os insetos são frequentemente apresentados como robôs. [...] De Cronos à Bússola de Ouro o inseto/protótipo de robô usado, reutilização e re-imaginado inúmeras vezes. “
“Na realidade, os engenheiros olham para o movimento dos insetos, o desing das asas entre outras características como inspiração para novas tecnologias”
“Essa hibridização entre insetos e tecnologia é onde o Insect Lab empresta. [...] O trabalho não tem intenção de funcionar, mas de insistir alegre e maliciosamente de que foi possível.” M.Libby
(Tradução livre de trechos retirados do .COM PROSA)


E não para por aí. Gabriela criou um espaço no Tumblr chamado Distopias Utópicas no qual também faz a compilação de arte steampunk. Por lá, ela comentou um pouco sobre o gênero e também falou da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário:


Steampunk, ou Vapor Punk

Oriundo do CyberPunk, considerado inicialmente um subgênero da ficção científica, o Steampunk se passa numa realidade alternativa. Você já deve ter parado para pensar algum dia da sua vida: “se [isso] tivesse acontecido, como seria hoje?!”, não?!

Então, imagine que a Era Vitoriana tivessse continuado, que o século XIX tivesse sido um completo sucesso e sua cultura tivesse perpetuado! Um mundo com tecnologia movida a vapor! Isso é puro Steampunk (...)

No Brasil, o Steampunk cresce a passos largos. Em 2009 foi lançado pela Tarja o livro de contos Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário, agora em 2010 temos outra obra saindo que é O Baronato de Shoah. Além disso, o Conselho Steampunk está se mobilizando para que esse seja  Ano do Vapor
                                      

27.1.10

Dragões do Império 2

Mais alguns detalhes do fardamento dos Dragões do Império, agora tomando como base a distinção que há entre as diferentes patentes dos militares. A referência usada foram informações visuais deste fórum.


Dragão do Império - Oficial

 

Dragão do Império - Graduado




Dragão do Império - Soldado


25.1.10

Dragões do Império

Para a noveleta "Cidade Phantástica" peguei emprestada da história brasileira uma força policial com um nome tão poético que parecia ser fictício: a Polícia dos Caminhos de Ferro. Foi assim que descrevi, em um dos primeiros posts deste blog, aquela instituição:

Pode até parecer, mas essa força policial não é somente uma invenção para o universo ficcional de Cidade Phantástica. Polícia dos Caminhos de Ferro foi realmente o nome da primeira corporação de segurança especializada do Brasil, criada antes mesmo da inauguração de alguma estrada de ferro no país.

D. Pedro II fundou a instituição por força de um decreto régio em julho de 1852. Apenas dois anos depois, em abril de 1854, terminou a construção da ferrovia por onde circulou a locomotiva número um do Brasil, a Baroneza (conforme grafia da época), apelido recebido para homenagear a esposa do Barão de Mauá.

Na noveleta que dá continuação à primeira desventura de João Fumaça surge um novo aparato de segurança naquela versão mais industrializada do Brasil no século XIX. Desta vez, trata-se de um grupamento fictício, porém baseado em forças armadas que realmente existiram em nosso país. Segue um trecho no qual são citados os Dragões do Império:

Na noite de hoje, alguns de seus homens garantem a proteção da corte, trajando o uniforme de gala, idêntico ao dos Dragões da Independência, conforme foi criado pelo pintor francês Jean Baptiste Debret a pedido do pai do atual Imperador. A diferença marcante entre o fardamento das duas tropas de Dragões é que no dos mais antigos predomina a cor branca; no dos que se encontram perfilados do lado de fora da Catedral de São Patrício o preto contrasta com o vermelho dos detalhes da gola, dos punhos e da faixa da cintura, além do dourado dos capacetes. Acima desses, penachos coloridos sinalizam a patente de cada militar e fazem companhia às esculturas do animal mítico que empresta seu nome àqueles militares. Os sabres na cintura dos alferes são mero enfeite, o poder de fogo deles pode ser medido pelos fuzis mecanizados do tipo Guarany que portam: armas capazes de disparar as dezenas de balas de suas câmaras com um único apertar de gatilho.

De fato, Jean Baptiste Debret (1768-1848) viveu no Brasil entre os anos de 1816 e 1831, onde registou, com pinturas e desenhos, os principais momentos que levaram à Independência do país e os primeiros anos do reinado de D. Pedro I (1798-1834). Uma de suas primeiras contribuições para o imaginário nativo foi a recriação da farda do Primeiro Regimento de Cavalaria do Exército, criado em 1808, ainda pelo Príncipe Regente D. João VI (1767-1826). Após a Independência, a denominação mudou oficialmente para Imperial Guarda de Honra. A inspiração para o desenho do uniforme veio da Tropa de Cavalaria do império austríaco, na qual também predominava a cor branca. Aquela foi a forma do pintor homenagear o país de origem da Imperatriz Maria Leopoldina (1797-1826).

Em nossa história alternativa, as duas forças ostentam o nome de Dragões já em 1866, algo que na realidade só veio a ocorrer oficialmente sete décadas depois, em 1936. Dragão é o soldado de cavalaria ligeira, em contraposição às tropas de cavalaria couraçada. Pode ser encarada como uma referência ao animal heráldico que adorna o capacete dos militares e que vem diretamente do brasão da Casa de Bragança, a Família Imperial brasileira. Na criação do fictício regimento dos Dragões do Império entrou ainda outra fonte: os Voluntários da Pátria. Foram os corpos de soldados criados em 1865 para ampliar a força do Exército e servir basicamente como frente de combate na Guerra do Paraguai (1864-1870). Neste mundo, tal conflito não ocorreu, contudo o Brasil e seus aliados (o Paraguai à frente) se encontram em outra zona de batalha no ano em que se passa a noveleta, 1868.

Quem for ler "Tridente de Cristo" deverá perceber ainda uma terceira referência na mistura que deu origem a esses dragões ficcionais; uma tropa bem mais contemporânea e bastante conhecida de nosso país. Dali veio a ideia de modificar a cor original do fardamento, como pode ser visto na pintura acima, de autoria de Debret com intervenção minha. Clicando na imagem, é possível perceber muitos detalhes do trabalho daquele artista francês.

15.11.09

Boneca a vapor é gente

A obra de José Bento Renato Monteiro Lobato (1882-1948) está servindo de base para um artista e empresário paranaense recriá-la com conceitos assumidamente inspirados no steampunk. Arthur Moreno Milan Parreira concebeu a ideia como trabalho de conclusão do curso de Artes Visuais - Multimídia: a concept art de O Sítio do Picapau Amarelo a série de livros que o paulista de Taubaté escreveu a partir da década de 20 do século passado e que já recebeu variadas versões de seriados televisivos, música popular e histórias em quadrinhos.

Como além de estudante Parreira é dono de uma empresa que terceiriza arte para games, o objetivo do trabalho é relacionar a literatura com esta outra mídia, a dos jogos eletrônicos. Para dar forma ao projeto, ele se utilizou de softwares de código aberto, citando o Sistema Operacional Ubuntu 8.10, o GIMP e o Inkscape. Resultados preliminares do TCC podem ser vistos na página que o artista mantém no site deviantART. Lá podemos ver os conceitos para o humano Pedro Encerrabodes de Oliveira, o sabugo de milho Visconde de Sabugosa, o leitão Marquês de Rabicó e sua esposa, alter ego e criatura mais famosa de Monteiro Lobato, a boneca Emília, agora em uma versão metálica movida a vapor, não mais um brinquedo de pano animado, como podemos ver abaixo (clique na arte para ampliá-la).


Um detalhe curioso foi revelado pela matéria que o site do Conselho Steampunk dedicou ao TCC do artista paranaense. A Loja Rio de Janeiro do grupo também tem um projeto semelhante, de retrabalhar os personagens do Sítio em uma estética steamer. Ficamos sabendo que o nome da ideia é "Herdade" e que esta deve ser uma novidade cuja veiculação está prevista para o próximo ano. Como enfatiza o site, ambos os projetos são exercícios não comerciais de exploração do trabalho ficcional de Lobato, uma vez que a obra do autor só entrará em domínio público quando se completarem 70 anos de sua morte, ou seja, em 2018.

Mesmo assim, a matéria comemora a coincidência: "Isso significa que o gênero está de fato se popularizando e que, embora ainda haja muito chão a ser percorrido, o Zeitgeist aponta para o ano de 2010 como sendo 'O Ano do Vapor'!". Que as palavras se mostrem proféticas e a Cuca não atrapalhe. Parabéns ao artista do Paraná e à Loja do Rio de Janeiro por manter vivo o interesse na criação daquele paulista genial.