15.6.11

Círculo Literário Cruz e Sousa

No dia 9 de julho, teremos aqui em Santa Catarina um evento para celebrar a maior criação de um dos autores favoritos deste blog: Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930). A Sociedade Histórica Desterrense vai promover a estreia de seu Círculo Literário, batizado em homenagem a Cruz e Sousa (1861-1889), o simbolista que é o maior poeta de todos os tempos de Santa Catarina, com uma apresentação sobre o livro Um estudo em vermelho. Escrito em 1887, a obra apresentou aos ingleses e ao mundo um dos personagens mais conhecidos, lidos, interpretados e reinterpretados da história: o detetive consultor Sherlock Holmes. Talvez, nesse encontro, eu já esteja autorizado a divulgar alguns detalhes de um projeto da Editora Draco, a respeito desse mito literário vitoriano. Abaixo, o convite para o evento, que vai reunir os leitores interessados na livraria Catarinense, da rua Felipe Schmidt. Aguardo os amigos por lá:

14.6.11

Dia Internacional do Steampunk?

Hoje, 14 de junho, por algum desses motivos que só o Facebook entende, é considerado o International Steampunk Day (neste post, do Steampunk Scholar, há algumas especulações a respeito do porquê da misteriosa escolha desta data). Essa efeméride levou a um debate no twitter com representantes da Loja Paraíba (@bponto e @zumbibs) e com o cocriador - ao lado de @rcandidoruiz - do Conselho Steampunk (@baccioly) sobre as possibilidades de termos um Dia Nacional do Steampunk. no Brasil. Minha sugestão inicial foi que a data a ser escolhida prestasse uma homenagem ao dia em que foi criado o próprio Conselho, por ser, sem dúvida alguma, o fato desencadeador do movimento no Brasil. Quando soube que no próximo dia 21 deste mês comemora-se ao mesmo tempo os três anos de criação do grupo e o aniversário de quatro décadas de seu mentor, perdi todas as dúvidas. Não poderia haver momento mais justo que tal dia para marcar a comemoração.



Até o Dia Nacional do Steampunk e aniversário de nosso guru, Bruno Accioly!

12.6.11

"Isso realmente me interessa"

Bruce Sterling é a única personalidade viva para quem dediquei uma tag neste blog. Clicando aqui, os leitores podem ver os motivos para essa minha homenagem pessoal a ele, tantas foram as citações que o escritor, uma força fundamental pra o steampunk literário no mundo, fez a respeito da produção brasileira no gênero. Um tanto atrasado, constato que em uma entrevista concedida no final de 2010, o texano havia manifestado um interesse ainda maior no Brazilian Steampunk do que já demonstrara anteriormente. Foi no dia 17 de dezembro, em uma entrevista concedida a Tiffany Lee Brown, do site Eureka Idea Lab. Abaixo, seguem a foto que ilustrou a convesa, a introdução da entrevista, a pergunta e a resposta em que são citados o retrofuturismo e o Brasil traduzidas para o português:



Mais conhecido por seus dez romances de ficção científica, incluindo o vencedor do Clarke Award do ano 2000, Distratiction, o vencedor do Campbel Award de 1989, Piratas de dados e o vencedor do Hugo Award de 1999, Taklamkan, Bruce Sterling também é famoso por sua inteligência, pelo pensamento original e pela clareza com que ele o apresenta (Upgrade: Fábio Fernandes me avisou que, na verdade, Taklamkan recebeu o Hugo de 1999 na categoria conto e Distraction, no mesmo ano, o de romance). É por isso que você pode vê-lo no Nightline da ABC, na  BBC, no The Late Show e na MTV, ou ler as suas palavras na Time, no Wall Street Journal, na ID ou na Nature.

Editor contribuinte da revista Wired, ele também escreve contos, resenhas de livros, crítica de design e muito mais. Suas obras incluem a não-ficção The Hacker Crackdown, Tomorrow Now: Envisioning the Next Fifty Years e Shaping Things. Recentemente, foi o curador convidado para o Share Festival of Digital Art and Culture em Torino, na Itália, e o visionário residente no Sandberg Instituut, de Amsterdã.

Uma vez que, aqui no Eureka Idea Lab, realmente gostamos de falar com pessoas que são muito mais espertas do que nós, achamos que Bruce deveria ser a nossa próxima vítima para uma entrevista (...)

Você está creditado, juntamente com o seu coautor William Gibson, por ter dado o pontapé inicial na tendência steampunk, em 1990, com o fabuloso  romance The Difference Engine. Por que as pessoas têm esta fascinação com tecnologias das eras Vitoriana e Eduardiana? Qual é o apelo que existe para você, pessoalmente?

Steampunk é um grande tema, e suas origens e desenvolvimento são complexos. O apelo pessoal que encontro no steampunk está em assistir a algo feito por um punhado de escritores de ficção científica, tendo raízes em lugares como Polônia e Brasil. Isso realmente me interessa. O cyberpunk brasileiro é surpreendentemente persistente e popular - mas o steampunk brasileiro é muito mais. Então, minha pergunta pessoal é esta: o que isso demonstra sobre o Brasil? Uma vez que entendo muito bem o gênero, estudar o steampunk brasileiro é como ter um pé-de-cabra pessoal para abrir a cultura brasileira.

10.6.11

Phantastic City

Estar em uma publicação como a Steampunk Bible ao lado de ídolos internacionais da estatura de Bruce Sterling e Jake von Slat já não tem preço. Porém, como eu disse por aqui antes, um orgulho do qual ninguém pode me tirar é o de ter algo em comum com William Gibson, Alan Moore, PKD e outros mestres: o fato de termos um mesmo tradutor na figura de Fábio Fernandes. Sendo assim, é com esse mesmo orgulho que publico a seguir o trecho integral traduzido por ele a pedido de Jeff VanderMeer para a Bíblia do Vapor. No livro, o texto foi editado para ficar adequado ao espaço de um box; abaixo, posto a versão completa que, garanto, é bem superior ao texto original em português:


Phantastic City. That’s how people started referring to the Capital of the Empire. Newspapers’s articles and headlines, speeches of politicians and members of the nobility, and even popular songs — everyone was celebrating that epithet from the moment that place saw the speediest, most intense wave of development that humankind had ever bore witness to. The marks of progress changed the landscape to such an extent that left behind the exuberance of nature that used to be the only subject among foreigners when they talked about the city of São Sebastião do Rio de Janeiro.

 Since the opening of the pioneering industry, in the estuary of Ponta da Areia, in Nictheroy —birthplace of the Baron locomotive — not a month goes by without a new factory opening its doors to work. The rhythm inside the factories is as intense as the hurly-burly in the streets, and not only during the day, but also along the nights, something that became feasible when the gaslight network replaced the old whale oil lamps. Neither luminosity nor even the imperial decree that outlawed the practice of capoeira and kung fu refrained the streets from becoming the stage for showdowns between the wild bunches of black and Chinese men who terrorize the carioca people. Despite the fact that most of those groups, like the Brotherhood of the Quilombo and the Celestial Order, do not use fire arms, such fights invariably end in death. 

The groups represent their communities and cultivate a hatred for the rival ones. With the housing grounds already taken by factories and mansions, the hordes of immigrants and the former slaves from Africa had not much of an option other than to use the many hills of the Capital, creating villages, veritable small towns apart from the metropolitan progress. The best example is the very first one, built upon Providência hill: Shanghai, meaning “above the sea”, in the Chinese language, is a mix of humble wooden shacks with stone temples called pagodas, whose architecture is marked by the multi-tiered roofs, like piled blocks. From those places of difficult access, where are grown the poppy seeds that originate the opium consumed in the city, use to get out the bands who instill fear into the hearts of the populace and hate into the minds of the authorities. 

Anyway, even without taking into consideration the matter of public security, the light from those lampposts has been demanded earlier and earlier, for one of the consequences of industrial activity is the smoke curtain that is now part of the daily life of the thousands of people that adopted the biggest city of Latin America as their home and workplace. 

The fog, capable of impregnating the senses of touch, taste, and smell of the inhabitants, spreads out of the maze formed by hundreds of huge stone obelisks scattered through the Capital. They are the chimneys of the industries, veritable monsters that, with its ovens, fed by the coal from Santa Catarina, give birth to fresh ovens, train tracks, whole trains, steam ship hulls…. It’s the future materialized in metal.

 Of all the prodigies engendered by technique and ingenuity in this city, none is equal to – none is even close in comparison – the colossal building that shall be finished until the end of the year, by the shore of Copacabana Beach. With a hundred floors, the Phantastic City Building is the highest structure ever designed by human hands. It is roughly twice the height of the Washington Monument, which is being built for decades in the United States capital – a work constantly delayed due to the Civil War that until few months ago devastated the godforsaken republic.
 

9.6.11

O Brasil na Bíblia

Mas afinal, o que a Steampunk Bible traz a respeito de nosso país, além da tradução de minha noveleta feita com habitual competência por Fábio Fernandes? O Brasil surge no derradeiro capítulo desta obra de referência, justamente aquele dedicado ao futuro da cultura steamer, ao lado de outros países emergentes, como a França. Mesmo sem a mesma competência de meu tradutor, fiz abaixo uma versão para o português das citações que Jeff VanderMeer e S.J. Chambers fizeram de nós. Como vão ver, as informações sobre a cena brasileira foram cedidas por depoimentos do próprio Fábio Fernandes e de Jacques Barcia, autores que estiveram presentes na primeira antologia nacional steampunk. Aliás, a capa de Steampunk - Histórias de um passado extraordinário aparece ilustrando o capítulo, e ocupa toda uma página do livro, o que garantiu a essa reprodução uma dimensão ainda maior do que a que foi publicada originalmente por aqui. Segue o texto e um detalhe das páginas deste capítulo:



Steampunk Internacional e multicultural

A internet tornou-se uma ferramenta essencial para os fãs do steampunk conhecerem e participarem dessa subcultura, não importando onde eles vivem. Sites como Brass Goggles e The Steampunk Workshop servem como uma conexão para tal atividade. No entanto, os entusiastas internacionais também têm desenvolvido suas próprias comunidades, com interesses em comum. Gradualmente, a internet está servindo como uma estrada de duas mãos, permitindo que steampunkers na América do Norte e na Grã-Bretanha descubram os esforços realizados em outros países. Da França ao Brasil, incluindo todos os pontos entre eles, há mais atividade do que nunca com sites como o Beyond Victoriana e Silver Goggles que focam o steampunk multicultural, independentemente de sua origem. Entusiastas de longa data como GD Falksen, que tem escrito sobre o tema steampunk multicultural para Tor.com, também reconhecem que o futuro do gênero requer diversidade. "Toda a cultura que existia no século XIX potencialmente pode ser usada para uma história steampunk ou como recurso estético", diz Falksen. "Acredito que as pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes das possibilidades".

(...) O Brasil surgiu como um ambiente efervescente do steampunk. Segundo o escritor, tradutor e fundador do blog Post-Weird Thoughs, Fábio Fernandes, o steampunk brasileiro tem estado "ativo há um par de anos, pelo menos oficialmente. A maioria de seus membros em todo o país sequer conheciam uns aos outros até 2007. Eles começaram a se reunir logo após a fundação da Loja São Paulo do Conselho Steampunk (algo semelhante a uma loja maçônica, mas só no nome). Agora, existem lojas nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e Paraná."

Mesmo tendo o steampunk brasileiro menos de três anos de existência, Fernandes afirma que a comunidade "está fazendo um ótimo trabalho, atraindo muito interesse, com pessoas ativas organizando vários eventos. A maioria deles até agora, porém, está relacionada com moda e estilo de vida, em vez de literatura. Alguns eventos fundiram essas duas comunidades ... mas elas não são realmente integradas. Mas não vemos isso como um problema. Ambas as comunidades se dão muito bem. O movimento de escritores está crescendo rapidamente, e ouso dizer que nos próximos dois ou três anos vamos ver o nascimento de uma verdadeira escrita brasileira no gênero steampunk."

Fernandes aponta Jacques Barcia, um dos líderes na cena brasileira de ficção científica e fantasia, também como um dos melhores escritores steamers do país. "Ele pode evocar imagens de uma beleza terrível, engenhocas infernais e belas criaturas como golems mecânicos apaixonados."

Barcia concorda com a avaliação de Fernandes: "A literatura steampunk brasileira cresce rapidamente, mas ainda está em sua infância. Há grandes obras de ficção, grandes antologias temáticas e convenções dedicadas apenas a esse subgênero, mas muitos autores (e leitores) não têm uma visão clara do que é steampunk ou sobre como ele se desenvolveu ao longo dos anos. Por outro lado, existem grandes exemplos de escritores brasileiros criando uma vitoriana com sabor nacional, misturando figuras históricas com personagens da literatura romântica brasileira e atingindo grandes resultados."

A ficção de Barcia não se encaixa em uma "estética steampunk brasileira mais geral. Eu focalizo normalmente na Belle Époque, em vez de usar imagens vitorianas, e prefiro ambientar minhas histórias em cidades imaginárias que só lembram (ou recriam) localidades brasileiras. Além disso, meus personagens são geralmente os dissidentes, os pobres, os sindicalistas e os anarquistas do início do século 20. Acho que o steampunk precisa de mais revoluções, mais agitação. Afinal, a virada do século passado diz respeito a fábricas e seus turnos de 80 horas, além da busca pela liberdade. Não é apenas fantasia a vapor, maquinário mecânico e seus inventores."

Em 2009, uma antologia steampunk brasileira mostrou as obras de Barcia e de outros autores, na condição de porta-bandeira (ou seria porta-dirigíveis?) para uma ficção bastante variada. Muitos dos textos selecionados trazem influências familiares, como Verne e Wells; mas outros, como "Cidade Phantástica", de Romeu Martins, com suas "favelas steampunk", bandos de ex-escravos vindos da África que se tornaram capoeiristas e enormes edifícios nas margens da praia de Copacabana, são mais intrinsecamente brasileiros.

Irmãos, chegou minha Bíblia

Estava eu comentando no twitter que mesmo antes das 11h da manhã as boas notícias estavam chegando que o dia prometia. E, minutos antes da undécima hora, não é que me surge a encomenda mais esperada de todos os tempos? Minha edição de colaborador da Steampunk Bible, de Jeff VanderMeer e S.J. Chambers!



E no capítulo dedicado ao futuro do gênero, mais exatamente na página 212, o que vejo? Trechos da minha noveleta traduzidos para o inglês por Fábio Fernandes!



Uau! Vou aproveitar minha leitura, aqui, torcendo para que um dia, em breve, quem sabe?, tenhamos uma edição nacional dessa preciosidade, uma obra de referência para o retrofuturismo em escala mundial.

www.cidadephantastica.com.br

Agora também atendemos pelo endereço acima, que é direcionado aqui para o blogger. Meus agradecimentos ao M.D. Amado, da Editora Estronho que fez o meio de campo para que isso fosse possível.

8.6.11

O lado oeste de Floripa 2

Em um post anterior, fiz um relato sobre como foi o lançamento de Cursed City - Onde as almas não têm valor e de Sagas 2 - Estranho Oeste em Floripa. Agora sairam as prometidas fotos tiradas durante o evento, como a de baixo, na qual este blogueiro aparece ao lado de Pauline Kisner e de M.D. Amado, da editora Estronho, num flagrante feito por Maristela Giassi. Para ver mais alguns daguerreótipos daquele dia, compareça a este endereço.

7.6.11

E Kastensmidt levou

Falei do escritor americano radicado em solo gaúcho Christopher Kastensmidt por aqui em três ocasiões. Na primeira, quando soube do sucesso de sua novela "The Elephant and Macaw Banner™", o post levou o título provocativo de "Quem não faz, leva", por ter sido necessário o olhar de um autor estrangeiro o necessário para mostrar a potencialidade de um cenário histórico e fantástico brasileiro, com direito a Saci e tudo, de alcançar público internacional. A segunda vez, foi por ocasião da publicação de sua novela no Brasil, já com o título traduzido para "A Bandeira do Elefante e da Arara" pela Devir. E na terceira vez, foi para anunciar que o trabalho dele concorria a um dos mais prestigiados prêmios dedicados à FC, o Nebula. Volto a mencionar Kastensmidt para comprovar o sucesso de seu trabalho e o interesse do mercado americano pela temática, pois ele acabou de ganhar um outro prêmio internacional.

No próprio email que ele me enviou, o autor já menciona que tal premiação "mostra mais uma vez o potencial de temáticos brasileiros" e relembra alguns pontos: "Agradeço sempre o apoio da comunidade de literatura fantástica aqui, e estou aproveitando o interesse gerado no exterior por esta noveleta para chamar mais atenção para a literatura brasileira. Espero compartilhar em breve um anúncio sobre uma oportunidade interessante, que espero ser do interesse de todos". Da minha parte, digo que somos nós quem temos a agradecer e parabenizar Christopher Kastensmidt por seu trabalho e seu entusiasmo. Segue a nota que ele enviou a respeito dessa ótima notícia:



Fantasia brasileira ganha prêmio Realms of Fantasy Readers’ Choice Award


“The Fortuitous Meeting of Gerard van Oost e Oludara”, noveleta de fantasia baseada no Brasil colonial, recebeu mais uma honra este ano quando foi escolhida como melhor ficção publicada na revista Realms of Fantasy durante o ano de 2010. A seleção foi feito pelos leitores, e a noveleta empatou a votação com outra noveleta, “Queen of the Kanguellas”, escrita por Scott Dalrymple.

A noveleta é a primeira em uma série intitulada A Bandeira do Elefante e da Arara, ou The Elephant and Macaw Banner, sobre dois aventureiros no Brasil do século XVI. Esta primeira história está disponível no Brasil sob o título de “O encontro fortuito de Gerard van Oost e Oludara” no livro Duplo Fantasia Heróica (Devir Livraria), junto com a noveleta “A Travessia” por Roberto de Sousa Causo. A segunda noveleta da série tem lançamento marcado para agosto, também pela editora Devir Livraria. Mais informação sobre a série pode ser encontrada no site www.eamb.org/brasil.

6.6.11

...e em quadrinistas

O título deste post completa o de baixo, no qual mostrei os esboços de um projeto de quadrinhos com Lidia Zuin; neste aqui, vamos ver uma ilustração feita por um conhecido quadrinista, mas ele já avisa que não é exatamente para uma HQ. Estevão Ribeiro postou em seu blog a imagem abaixo de seus conhecidos personagens da tira Os Passarinhos na versão vaporosa, que já foi citada por aqui uma, duas, três vezes. Ele não revelou exatamente o propósito desta vez - desconfio que seja para algo... fofo - mas avisou: "Não querendo decepcionar aos Piantes que esperam uma hq, ainda não é desta vez, mas confesso que estou muito animado com a ilustração e a história por trás de cada esboço que faço. A ilustração será para um produto, que mostrarei daqui a um mês. Aguardem que vai valer a pena!"

5.6.11

Por falar em quadrinhos...

Já que as últimas postagens no blog dizem respeito ao universo dos quadrinhos, resolvi fazer esta nota sobre o início de um projeto que estou desenvolvendo com uma jovem conhecida deste blog, Lidia Zuin, proclamada por aqui como  Musa do Steampunk. Na verdade, já conheço o trabalho dela como escritora de outros blogs e carnavais, não sendo à toa que publiquei um conto dela no TerrorCon em 2009: "I'm Overdriven". Da mesma forma, já resenhei a estreia dela em papel, na coletânea Imaginários 4, da Editora Draco, e anunciei o que vai ser o debute dela no gênero steamer no livro Steampink, da Estronho. Acontece que além de escrever, Lidia também é uma ótima desenhista, como comprovam os esboços a seguir:




Ainda é cedo para dar detalhes do projeto, mas espero que curtam a arte da Musa tanto quanto eu. Mais exemplares podem ser vistos no perfil dela no DeviantArt.

3.6.11

Quadrinistas, este é o curso

Meus queridíssimos amigos e experts no tema, Diego Moreau, Ester Gewehr e José Mathias, organizadores da HQCon, em parceria com o não menos querídissimo e expert quadrinista Ricardo Manhães, um brasileiro que faz sucesso no concorrido mercado francês, prepararam um curso que é ideal para os interessados na nona arte.  O HQCon Delivery vai entregar a seus participantes informações e técnicas sobre quadrinhos, com uma abordagem que une a teoria e a prática. Confiram o link e o cartaz abaixo, com as informações sobre o curso:

1.6.11

A ameaça fantasma

Para começar esta resenha, vamos logo tirar uma questão de definições de gênero da frente. Naquele meu post sobre as diversas nomenclaturas para retrofuturismo, temos uma que se encaixa perfeitamente em X-Men - Primeira Classe, filme que estreia na próxima sexta-feira nos cinemas brasileiros e que pude ver na cabine de imprensa promovida pela rede Cinesystem, no Shopping Iguatemi de Florianópolis:

Transistorpunk. Continuando com a lista de Remy, temos esse subgênero que diz respeito a “uma exagerada e glamourizada sociedade da era da Guerra Fria”. Influenciado pelos ideais e modismos da década de 1960, o Transistorpunk também pode ser chamado de "Psychedelipunk" ou "Weedpunk", quando enfatiza elementos psicodélicos ou “tecnologias à base de cânhamo”.

Tendo uma versão bastante particular da Crise dos Mísseis em Cuba (ocorrida em outubro de 1962) como pano de fundo, o filme é sem a menor dúvida influenciado pelos ideais - o embate entre comunismo e capitalismo da Guerra Fria - e pelos modismos - o cafoníssimo visual sessentista - daquela década, além de contar com boa dose de uma tecnologia avançada demais para ter existido de fato meio século atrás. Felizmente, ninguém precisa decorar termos como transistorpunk, psychedelipunk, weedpunk ou quetais para se divertir com a obra dirigida por Matthew Vaughn, que já tinha no currículo adaptações da HQ Kick-Ass, de Mark Millar, e do livro ilustrado Stardust, de Neil Gaiman. Agora, este londrino se dedicou a contar a origem dos mutantes mais populares dos quadrinhos, com tal ambientação que, certamente não por acaso, coincide com a data da criação desses personagens pela mitológica dupla Stan Lee e Jack Kirby para a editora Marvel.

Falando nisso, não custa lembrar que este não é um dos vários filmes cuja criação é assumida inteiramente por aquela editora, caso dos longas recentes Hulk, Homem de Ferro, Thor e dos futuros Capitão América e Vingadores. Os X-Men, assim como Homem-Aranha, estão licenciados para a Fox, o que faz este lançamento ter um compromisso maior com a continuidade estabelecida na trilogia cinematográfica iniciada no ano 2000 por X-Men, o filme do que com o material que rende uma infinidade de gibis todos os meses. A intenção declarada desta nova produção remete diretamente à estratégia adotada por George Lucas em Star Wars: Primeira Classe é apresentado como sendo a parte um de uma nova série de três filmes que atencede a trilogia que o precedeu... Isso mesmo, pensei que nunca mais veria um projeto com essa proposta, mas aconteceu de novo. Sendo assim, o que chegará às salas de cinema nesta semana é algo como A Ameaça Fantasma da saga X-Men, com a vantagem de ser bem melhor que aquele filme de 1999.

Tal ligação com os três filmes que o precederam nos cinemas mas que o sucedem cronologicamente fica clara desde os minutos iniciais. Vaughn optou por reproduzir a sequência em que o garoto que um dia se tornaria Magneto manifesta pela primeira vez seus poderes ao ser violentamente separado dos pais em um campo de concentração nazista, em 1944; exatamente a mesma que abriu o filme de Bryan Singer, uma década atrás (esse cineasta, aliás, aparece nos créditos como produtor do novo longa e, não, não há nenhuma cena legal no pós-crédito, pode sair da sala quando começarem a acender as luzes). Paralelamente também vemos como estaria Charles Xavier naquele mesmo ano, vivendo na mansão de sua família no condado de Westchester, NY, e seu encontro com Mística, a primeira mutante além de ele próprio que o futuro geneticista conhece. E em paralelo seguimos adiante, avançando 18 anos no futuro, quando o sobrevivente inicia sua busca por vingança atravessando países como Suíça e Argentina; bem como o pacifista vai até a Inglaterra aprofundar seus estudos sobre o fenômeno da mutação. Neste momento, conhecemos a dupla que tem a missão de defender personagens que foram brilhantemente interpretados por Patrick Stewart e sir Ian McKellen, respectivamente os jovens James McAvoy e Michael Fassbander, que cumprem a tarefa com êxito, principalmente este último.

A convergência ocorre nos Estados Unidos, quando um inimigo em comum força uma parceria entre os dois mutantes e um braço operativo da CIA: Sebastian Shaw, o líder de um grupo de conspiradores chamado Clube do Inferno (sobre o qual já falei aqui), interpretado por Kevin Bacon, o ator mais experiente da película e, dos que estão em atividade, talvez o que tenha mais a cara dos anos 60. O restante do elenco principal é composto por jovens com pouca experiência, mas quase todos dando conta do recado. É assim com os mutantes que fazem parte da tal "primeira classe" do título, uma formação bastante diferente daquela vista nas HQs, com Ciclope, Garota Marvel, Anjo, Homem de Gelo e Fera. Na versão do cinema, apenas este último (responsável pela criação das tecnologias avançadas que vemos no filme), se mantém; os demais são alguns personagens obscuros até mesmo para um leitor moderado das revistas: Banshee, Angel, Destrutor e Darwin. Uma ousadia e tanto, garantir o filme mais nos alicerces das obras anteriores que em personagens carismáticos e de apelo popular. Sendo que alguns deles podem até mesmo confundir o público que precisa estar atento para entender, por exemplo, que aquele demônio vermelho que se teleporta (Azazel) não é o mesmo demônio azul que se teleportava (Noturno) de X-Men 2 (também dirigido por Bryan Singer, em 2003).

Só posso torcer para que essa ousadia não espante o público e garanta a continuação da trilogia de prequels programada pela Fox. Nem essa nem as demais, como o fato de ser um filme poliglota, com diversos diálogos sendo falados, pela ordem, em alemão, francês, espanhol e russo. Bem como o já citado visual sessentista e a trama de espionagem internacional que lembram mais os episódios iniciais da cinessérie 007 do que uma adaptação típica de super-heróis. Caso a audiência média americana e do restante do mundo supere   tais estranhamentos, ela poderá aproveitar uma obra muito mais interessante que o filme solo dedicado ao popstar do grupo (X-Men Origens: Wolverine, de 2009) e dar a chance para que essa experiência continue em frente. Pois com seu roteiro complexo - e às vezes confuso, sim - X-Men - Primeira Classe consegue dar coerência a muitos dos elementos vistos anteriormentes na franquia. Mas também abriu novas pontas que poderiam ser mais bem exploradas nos dois próximos filmes, cobrindo 50 anos de história. E novas formas de retrofuturismo seriam vistas na tela grande, o que seria uma ótima notícia.