19.8.10

Quem não faz, leva

A notícia dada ontem no site Universo Insônia confirma duas teses. A primeira: há interesse internacional em histórias de ficção fantástica sobre o passado do Brasil. Já a segunda é a máxima futebolística posta em prática.

Série de fantasia brasileira atraí a atenção do público e críticos norte-americanos

Porto Alegre – 17 de agosto de 2010

The Elephant and Macaw Banner™, uma série de contos escritos por Christopher Kastensmidt, anda fazendo sucesso nos EUA. Os contos são do gênero conhecido como “Espada & Feitiçaria”, um estilo de literatura fantástica estabelecida nas revistas populares de ficção de polpa do século XX. A série baseia-se no Brasil Colonial do século XVI, e expõe seres do folclore brasileiro como personagens.

O primeiro conto foi publicado em fevereiro deste ano na revista Realms of Fantasy, maior revista de fantasia literária dos EUA. E não foi tarefa fácil; a revista recebe milhares de submissões literárias por ano, e costuma publicar menos de quarenta delas. Douglas Cohen, editor da revista, afirma que em quinze anos de existência foi a primeira vez que a revista publicou um conto situado no Brasil.

Douglas escreve: “Personagens verdadeiramente memoráveis na literatura de Espada e Feitiçaria são raros. Como numerosos autores descobriram ao longo dos anos, é um trabalho hercúleo sair das sombras do Conan de Robert E. Howard, do Elric de Michael Moorcock e de Fafhrd e Gray Mouse de Fritz Leiber. Com Gerard van Oost e Oludara, Christopher Kastensmidt me deu motivos para crer que este clube exclusivo tenha admitido seus dois mais recentes membros. Esta dupla é nova e diferente – assim como a ambientação de um Brasil Colonial mágico — mas ao mesmo tempo suas aventuras relembram tudo que me faz amar este gênero.”

Christopher também mantém um website, escrito em inglês, onde ele apresenta informação sobre a época colonial para o público internacional. A série e website estão recebendo bastante publicidade; saíram recentemente duas resenhas favoráveis da revista Locus, principal revista de crítica de literatura fantástica nos EUA, e uma entrevista com o escritor no site da editora Apex Book Company.

O escritor Christopher Kastensmidt, norte-americano radicado há dez anos em Porto Alegre, explica: “Esta série é uma combinação de duas paixões minhas: fantasia e Brasil Colonial. É uma honra poder mostrar um pouco da história e cultura do Brasil para o mundo afora na forma de ficção. Vem muito mais pela frente.”

10 comentários:

Matheus A. Quinan disse...

Título mais do que apropriado para a postagem.

Romeu Martins disse...

Pois é. Parabéns para ele e puxão de orelha em nós.

Tiburcio Illustrator disse...

Pois é, precisamos fazer para não levar.

Salvaterra disse...

muita inquietação agora.

tava preparando as bases duma história fantástica justamente no brasil colonial no fim do ano passado. larguei mão pra escrever outras coisas.

e agora? é válido continuar, sob risco de parecer oportunista?

chorei.

Romeu Martins disse...

Precisamos fazer e sem preconceitos com nossa próprio cultura, a conhecida Síndrome do Vira-Lata, Tiburcio.

Salvaterra, talvez seja o caso de ler o material do Kastensmidt e ver o que há de parecido entre sua ideia e o trabalho dele. Se ainda tiver algum ponto a acrescentar...

Pelo menos, no mínimo, deve ser mais interessante que a bilionésima história de um elfo tolkiniano.

Antonio Luiz M. C. Costa disse...

Sinceramente, não entendi isso de "quem não faz, leva". Por acaso perdemos alguma coisa porque um autor gringo escreveu sobre o Brasil?

Os europeus perdem alguma coisa quando um brasileiro (ou estadunidense) escreve mais uma fantasia medieval? Pelo contrário: isso só atrai respeito e interesse por sua história.

Da mesma forma, o Kastensmidt só ajudaria a promover nossa cultura e abreir mais espaço para os brasileiros que queiram explorá-la. Mesmo que não fosse um brasileiro adotivo. Embora seja texano, mora no Rio Grande do Sul e é professor da PUC-RS. Ele não é do time adversário, é do nosso!

Romeu Martins disse...

Não estou dizendo que houve uma perda definitiva, mas que foi preciso um estrangeiro para abrir tal espaço pela primeira vez. Perdeu-se, no caso, a chance de ser um escritor brasileiro a mostrar a potencialidade do cenário lá fora. Como já havia acontecido antes com o romance Brazyl.

Mas como eu disse nas comunidades do orkut, o que eu espero é que essa abertura incentive mais escritores brasileiros a investir em cenários daqui, sem síndromes de vira-lata ou de capitão barbosa.

Daniel Folador Rossi disse...

Como disse o Antonio, isso realmente vai ajudar a visão da nossa cultura lah fora. Mas fiquei aliviado quando soube que ele mora por aqui... Pq qdo li o título, imaginei uma terrível gafe literária (como naquele livro do King onde o protagonista comenta sobre os leões sul-americanos...)

Romeu Martins disse...

Também acho que a tendência é ajudar a despertar ainda mais o interesse a respeito do Brasil. Cultura é algo que quanto mais se consome, mais se quer voltar a consumir. ;-)

Leonardo Peixoto disse...

Essa notícia me deixou ao mesmo tempo alegre e triste : alegre por ver um estrangeiro interessado em nossa história e triste por ver que esse interesse não é compartilhado pelos próprios brasileiros !
Temos realmente que deixar de lado a síndrome idiota que nos impede de ver nosso valor !