24.12.12

Cadáver esquisito de Natal

Não, o título do post não é sobre o peru que provavelmente vai ser servido esta noite em sua ceia natalina. Cadáver esquisito é o nome de um jogo literário criado há quase cem anos pelos surrealistas que consiste em vários escritores produzindo um mesmo texto . Cada um, a sua vez, acrescenta algumas linhas na história coletiva, dando continuidade a partir do ponto em que o antecessor parou e deixando a bola pronta para o seu sucessor. Participei de um projeto assim que está sendo publicado na edição especial de Natal do jornal Notícias do Dia, que circula nesta segunda e terça-feiras em bancas catarinenses.

O convite foi feito pela jornalista Carol Macário a mim e a outros 11 autores, entre escritores, dramaturgos, roteiristas, atores e produtores culturais em geral. O resultado foi bastante divertido, a história natalina dos segredos da Tia Berta e de sua sobrinha narradora. Acho que a parte que escrevi será facilmente identificada pelos leitores que me conhecerem. Esta foi também minha última publicação do ano, encerrado este atribulado 2012. Aproveito para agradecer a Carol pela oportunidade e ao pessoal que aparece neste blog e em sua fanpage no Facebook pela audiência. Ótimas festas a todos e até 2013.

13.12.12

Estou no ClockWork, de Portugal


Ser chamado de "um dos nomes incontornáveis do steampunk brasileiro" pelo maior site de divulgação do gênero de Portugal é um fato para alegrar o dia de qualquer um. Foi o que aconteceu ontem, quando Jo Lima, uma das organizadoras da primeira convenção steamer lusitana, a EuroSteamCon, fez este post sobre minha participação no programa Desfolhando, da TV Paulo Freire, e relembrando o vídeo que fiz para aquele evento europeu. Só posso agradecer a todos por essa grande divulgação da literatura retrofuturista escrita e produzida em português, dos dois lados do Atlântico.

10.12.12

Milagre científico

Tive o prazer de participar desta obra como ilustrador:


O livro de Évito Gomes, técnico superior em Terapia Física e Reabilitação, formado em Cuba, narra em tom ficcional uma história real da qual ele foi um dos principais participantes. Um milagre alcançado  é sobre a história de uma criança vítima de atropelamento e desenganada por equipes médicas em sua cidade natal, no norte do país, que teve a chance de ser reabilitada com um tratamento multidisciplinar em Santa Catarina. Com os nomes dos envolvidos protegidos por pseudônimos de origem tupi, é contatada nessas páginas uma comovente trama real, de superação por parte da criança e de sua família, e de extremo envolvimento para além do profissionalismo por parte da equipe que a tratou por aqui. Participei dessa história fazendo ilustrações de tal equipe e de alguns dos equipamentos desenvolvidos por meu amigo Évito Gomes para recuperação da menina Arabi. Mais informações a respeito podem ser obtidas neste endereço.

3.12.12

Steampunk na TV Paulo Freire

Como adiantei em um post anterior, fui gentilmente convidado para participar do programa Desfolhando, veiculado na TV Paulo Freire, um espaço voltado para os educadores da rede de ensino do estado vizinho do Paraná, onde a cena steampunk é uma das mais fortes do país. A matéria conduzida por Tania Bonassa ficou muitíssimo bem editada e bem produzida pela equipe do programa. Pode ser conferida tanto ela quanto nada menos que nove chamadas curtas na página do Desfolhando no Youtube. Por exemplo, nesta aqui eu leio aquele que deve ser o menor conto escrito por Conan Doyle com seus dois grandes protagonistas, e infelizmente sempre deixado de lado quando se trata do cânone sherlockiano: "O aprendizado de Watson". Já o link direto para a matéria é este aqui (prestem atenção nas ótimas animações que dão vida ao nosso bate papo, gravado no bar Jokers, da capital paranaense, durante a Gibicon).


No mais, estou sem acesso à minha CPU nos últimos dias, portanto, sem poder usar meus textos e conteúdo relacionado a este blog. Tentarei solucionar esse problema o mais brevemente possível, mas até lá devo ficar sem poder atualizar este espaço. Um abraço e até a volta.

19.11.12

Camiseta, Sangrenta Camiseta

Sintam a presença da camiseta que meu brother Kayuá Waszak fez inspirada na arte de Victor Conceição para o meu conto weird western "Domingo, Sangrento Domingo":


Prestem atenção aos detalhes e curvas de Mary Ruiva...


...e na figura repulsiva de Domingo Ruiz:


Fantástico, não?

13.11.12

Sherlock e eu

No final de outubro fui até Curitiba para aproveitar a Gibicon e acabei recebendo o convite de Tania Bonassa para ser entrevistado no programa Desfolhando, voltado aos professores do Paraná e com o objetivo de reforçar o interesse pela leitura. Em breve eu solto o link da matéria editada, mas por enquanto os leitores do Cidade Pantástica podem ficar com esta ilustração que serve de capa para a página do programa no Facebook e com um diálogo imaginário que Tania me pediu para escrever com o Grande Detetive. Na versão que irá ao ar, um trecho bem menor deste e de outros diálogos imaginários (entre eles um entre Dom Pedro II e Dom Casmurro) farão parte da edição da entrevista. Aguardem e confiem.


ROMEU – Não acredito em meus olhos! Estarei mesmo diante de Sherlock Holmes, o maior detetive de todos os tempos, o ícone do racionalismo da Era Vitoriana?

 HOLMES – Sim, este de fato são meu nome, sobrenome, profissão e status de reconhecimento. Por sua vez, noto que estou falando com um brasileiro, diria mesmo que com um escritor vindo daquele país exótico do continente americano.

 ROMEU – Espantoso! Mesmo tendo lido todos os sessenta casos relatados por seu amigo John H. Watson não estava preparado para ver assim, in loco suas lendárias capacidades dedutivas.

HOLMES – Muitas pessoas têm esta sua reação, mas por favor, recolha o queixo ou vai molhar seus sapatos.

ROMEU – Oh, sim, sim. Me desculpe, mas é que meu nome é Romeu Martins, de fato sou do Brasil e tive a honra de ter sido convidado a escrever uma aventura imaginária sua, na qual especulei o que teria ocorrido caso nunca se houvesse se dado a parceria entre o senhor e o doutor Watson, no número 221-B, de Baker Street. “O Caso do Desconhecido Íntimo” é o nome do texto.

HOLMES – Curioso. Não ocupo muito minha mente com essas ficções especulativas, prefiro gastar meu tempo com pesquisas relacionadas aos casos que sou contratado para investigar. O cérebro é como um grande sótão, precisamos escolher o que guardamos...

ROMEU - ...e o que jogamos fora. Sim, sim, esta é uma observação famosa sua. Sou mesmo um grande admirador seu, como disse. Se importaria de me dizer como chegou a conclusão sobre minha nacionalidade e a minha profissão?

 HOLMES – Foi bastante elementar. Conheço a língua que é falada em Portugal e em suas colônias e treinei meu ouvido para escutar além dos timbres de meu violino. Como já tive a oportunidade por duas vezes de trava contato em casos envolvendo brasileiras, conheço o acento de seu país. E acredite, duas das três mulheres mais ardilosas que já conheci, tiveram passagem pelo Brasil.

ROMEU – Maria Pinto, do “Problema com a Ponte de Thor”, e Isadora Klein, do “Caso das Três Empenas”. Imaginei que essas suas experiências anteriores dariam pistas sobre minha nacionalidade. E como soube que sou escritor.

HOLMES – Observação dos detalhes. Foi fácil perceber olhando para suas mãos essa pitoresca forma de os calos se formarem nas pontas dos dedos . Isso é típico de quem precisa manusear constantemente teclados. Para deduzir que você é um escritor estrangeiro, mais exatamente vindo do Brasil, só precisei entrever os livros e anotações que você leva nesta estranha bolsa que carrega nas costas, com traduções de minhas aventuras para o idioma de Camões. Mas agora, me deixe terminar de fumar meu charuto. Até a vista, meu caro Martins.

8.11.12

Monstros

Um dos motivos para os meus sumiços são os frilas. Aqui vai uma amostra de um que achei bem interessante por ter voltado a me dar a chance de desenhar coisas de que gosto. Foi uma encomenda para um show de sombras que vai acontecer durante uma apresentação de bandas em Curitiba. Para cada um dos pequenos monstros abaixo (nenhuma relação com Lady Gaga e seus fãs) há uma música.

Zumbi

Curupira

Múmia

Lobisomen


King Kong

 Chupa-Cabras

Corpo-Seco

Astronauta na HQCon

Está no ar minha resenha do principal lançamento nacional de quadrinhos deste ano: Astronauta - Magnetar de Danilo Beyruth e Cris Peter. Segue uma palhinha do texto que pode ser lido no site da HQCon:


Começando pelo contexto: esta graphic novel é o ponto culminante de um projeto de renovação do material produzido nos estúdios de Mauricio de Sousa capitaneado pelo editor do UniversoHQ, Sidney Gusman.
Tal processo se iniciou nas comemorações do cinquentenário do criador da Turma da Mônica, se estendendo por uma trilogia de álbuns nos quais – em cada um – meia centena de artistas homenageava o nosso mais bem sucedido quadrinista, reinventando sua obra com estilos os mais pessoais possíveis.
Agora, com muito mais espaço para retrabalhar tais personagens icônicos da história dos quadrinhos nacionais, uma coleção de álbuns denominada Graphic MSP começa a dar oportunidades inéditas a uma nova leva de artistas brasileiros.
Serão histórias completas e mais complexas, com dezenas de páginas, em uma parceria com o maior estúdio de quadrinhos do Brasil, a Mauricio de Sousa Produções, e a maior editora do ramo em atividade no país, o braço local da multinacional Panini.
Mesmo levando em conta o quanto o adjetivo anda sendo gasto à toa nos últimos anos, é o caso de classificar este momento de revolucionário para a história da nona arte brasileira. Não há outra palavra que dê conta de forma mais precisa a respeito desta nova fase do projeto.

Por falar na HQCon, temos aqui o cartaz do evento que vai acontecer no dia 24 de novembro, no Colégio Catarinense, com várias atrações, incluindo a exposição Super-Realismo, com a arte de Angelo de Capua para novos uniformes realistas de super-heróis. Segue o cartaz:


30.10.12

Tacando o terror no It's

Recentemente dei uma entrevista para o Portal It's em Florianópolis sobre literatura de terror. O material ficou muito legal, enfocando além dos livros o mundo do teatro. Neste endereço, você pode ver o resultado da conversa com o repórter Igor Lima e o câmera Leonardo Russo nas Livrarias Catarinense, no qual falo um pouco da experiência de ter escrito contos para o livro Deus Ex Machina: Anjos e Demônios na Era do Vapor e para a vindoura coletânea de super-heróis. Confiram lá.


17.10.12

Sociedade underground

A resenha a seguir foi enviada pelo colaborador Pedro Dobbin, do Rio de Janeiro.

Autora: Cherie Priest
Tradutor: Fabio Fernandes
Ano: 2012
 Páginas: 416
 Editora: Underworld

 Cherie Priest é consagrada autora norte-americana que criou o Clockwork Century Universe, do qual Boneshaker é o primeiro da série e que temos a oportunidade de ver na excelente tradução de Fabio Fernandes. Podemos ver mais sobre esse universo, em inglês em http://theclockworkcentury.com/

 A capa do livro é idêntica à original e chama a atenção por si própria. A diagramação, o trabalho gráfico e a revisão estão excelentes. É o primeiro livro da Editora Underworld que leio, mas confesso que fiquei bastante impressionado com o cuidado e profissionalismo. Podemos esperar ótimas edições, em especial dos projetos Steampunk desta editora.

 A história faz juz ao gênero Steampunk, todos os elementos estão lá presentes. Numa Seattle da segunda metade do século XIX, durante a Guerra Civil americana, a corrida do ouro fez com que um inventor, Leviticus Blue, criasse a incrível máquina perfuratriz Boneshaker. Durante o que poderia ter sido um teste, ou mesmo uma ação calculada, essa máquina irrompe do porão de sua casa e inicia uma caminhada subterrânea e mortal, retornando à casa depois de deixar um rastro de destruição no centro da cidade. Além disso, por um incrível azar a máquina atinge um veio de gás que acabou por mostrar-se mortífero e, o que é pior, tornando zumbis os afetados por ela.

 Uma muralha imensa é construída para conter o gás e isolar os zumbis. Toda uma sociedade underground acaba por constituir-se lá dentro. A história propriamente dita começa 16 anos depois da catástrofe, quando a viúva Blue (esposa do cientista citado acima) é obrigada a entrar na parte isolada da cidade em busca do seu filho.

 A história é muito bem contada, com ação de tirar o fôlego, principalmente nos momentos finais, e embora os personagens, à exceção da viúva Blue, pudessem ser mais desenvolvidos, é rica de pormenores e aqueles que, como eu, adoram a temática Steampunk, com seus aparelhos tecnológicos (dirigíveis, braços mecânicos, etc.) e sua estética, ficarão bastante satisfeitos e ansiosos pela publicação dos outros títulos do universo criado por Cherie Priest.


15.10.12

Um vislumbre da Cidade Phantástica

Dia desses, no Facebook, o grande pintor digital Raqsonu Duhu fez um convite a seus amigos do site: queria que propusessem ideias de cenários para ele produzir. Aproveitei a oportunidade para sugerir um Rio de Janeiro mais industrializado, do século XIX, no qual se ergueria no morro do Corcovado uma estátua em honra do Imperador D. Pedro II. Sim, quem leu minha noveleta homônima a este blog reconheceu do que eu estava falando. O resultado saiu na pintura que pode ser conferida abaixo:


Não ficou phantástico?

11.10.12

Super Realismo, a exposição

Deu no UniversoHQ, a principal fonte de informações sobre quadrinhos do Brasil, uma chamada para a exposição de pinturas ultrarrealistas de Angelo de Capua baseadas nas minhas ideias para uniformes mais críveis para perosnagens clássicos do mundo de super-heróis. Na nota de Marcelo Naranjo aparece pela primeira vez o nome do projeto, Super Realismo, que vai ser realizado durante a próxima edição da HQCon (o evento está com uma nova data, a pedido do local que sediará o encontro, o Colégio Catarinense: será no dia 24 de novembro). Segue o link para a matéria e uma prévia do próximo herói a ter o conceito explicado em minha coluna para o site da HQCon:



9.10.12

Como foi a EuroSteamCon

Um excelente relato sobre como foi a primeira conferência portuguesa dedicada ao steampunk pode ser lido no blog ClockWork Portugal. Confiram como foi a EuroSteamCon, realizada no último final de semana de setembro, da qual tive a honra de participar virtualmente:


Realizou-se no passado fim-de-semana de 29 e 30 de Setembro a tão esperada Euro Steam Con 2012 no Edifício Parnaso, no Porto. Apesar de ser uma primeira edição, explorando um conceito relativamente desconhecido do grande público português, o evento contou com cerca de 150 visitantes dispersos pelos dois dias.
 Desde Fevereiro que a equipa da Clockwork Portugal se organizou, cresceu e trabalhou para que a primeira convenção de Steampunk em terras lusas fosse um sucesso e que todas as engrenagens das pequenas comunidades se encaixassem, chamando assim a atenção para um conceito que, além fronteiras, motiva já muitas actividades e publicações. No contexto da nossa língua, é de referir que o Brasil já trabalha neste área a todo o vapor há cerca de 3 anos, como Romeu Martins explicou através de um pequeno vídeo que fez para a Convenção.

Continua