15.5.09

Competição de textos

Dá uma olhada neste capacete:



Ele é uma criação do artista plástico Tom Banwell, um especialista em máscaras e acessórios steampunk. O cara lançou um desafio: "Estou procurando um conto original e criativo que explique quem o proprietário do capacete é e como o capacete veio a existir".



Banwell esclarece que o objeto deve servir para explorações subterrâneas e ele ainda vai ser equipado com um tanque de oxigênio para abastecer de ar, por uma mangueira, o aventureiro a protagonizar o conto.



No blog deste artista, os interessados na competição podem adquirir mais informações além de detalhes técnicos do equipamento (nos posts anteriores há um passo a passo da montagem do capacete). Ele pretende usar o texto escolhido para divulgar sua criação, vai publicar o conto em vários endereços e premiar o autor com um crédito de US$ 39 para adquirir alguma de suas máscaras à moda vitoriana alternativa. O prazo de entrega das histórias, que devem ter entre 300 e 500 palavras, se encerra no dia 31 deste mês e o resultado sai no dia primeiro de junho.

9.5.09

Mangá steampunk nacional

Ainda no lado leste do mundo, ou quase. O roteirista Douglas MCT e o desenhista Ulisses Perez anunciam uma novidade inspirada nas onipresentes HQs japonesas e dentro do gênero steampunk. Os dois assinaram contrato com a New Pop, uma das quatro maiores editoras de mangá do Brasil e parte impressa do site Anime Pró para a publicação de Hansel & Gretel, uma série de quadrinhos em três volumes. O projeto conta com um blog para anunciar o andamento da publicação e divulgar imagens da série. Foi de lá que peguei o belo teaser abaixo e a promissora sinopse da história:




Hansel e Gretel são um casal de gêmeos e guardam um trauma recente: passaram meses sequestrados por uma velha canibal numa casa feita de doces falsos, nas entranhas do Bosque de Sidh. Finalmente conseguem fugir do cativeiro, mutilados, e com um desejo de vingança: buscar seu pai e matá-lo. Afinal foi ele foi o responsável por abandoná-los na floresta, não?

Seguindo rastros duvidosos e informações vagas, os irmãos chegam até a metrópole Echtra, uma cidade com um enorme centro industrial, responsável pelo poderio financeiro, militar e religioso daquele lugar, movido a ferro e vapor.

Em sua jornada, eles se deparam com outras figuras, que de uma forma ou de outra lhes trazem problemas e auxílio, em diversos sentidos. Uma dessas é uma garotinha que descobre-se licantropa e supostamente matou a própria avó, tornando-se uma fugitiva em seu lar. Há um arqueiro mercenário que vem a Echtra com o intuito de matar um dragão... ou algo assim, e teme que tal besta poderá destruir qualquer coisa viva; e um felino humanóide, disposto a proteger os irmãos... Custe o que custar! Uma caipira balonista, colega de três criaturas bizarras de um circo de horrores; e uma dançarina de cabaré que também é caçadora nas horas vagas. Além de uma bela jovem anti-social, que não confia em ninguém e tem pesadelos constantes, que mal sabe, mas podem determinar o fim de tudo em que acredita.

Ao mesmo tempo os gêmeos são caçados por uma figura maligna, fruto de um amor conturbado e trágico, capaz de controlar as trevas e atravessar as sombras, em busca mais do que uma simples vingança...

Numa realidade steampunk e fantástica, Hansel & Gretel é uma série em mangá, que brinca de forma perversa com as fábulas conhecidas do grande público, trazendo tais personagens e situações para uma realidade nada bela.

Verne em estilo japonês


Pesquei a notícia no blog do Alexandre Lancaster, Maximum Cosmo, o Omelete dos mangás:

A Shueisha está lançando uma nova coleção das obras de Jules Verne, um dos pais da ficção científica como a conhecemos e padroeiro espiritual do gênero que viria a ser conhecido como steampunk. E reuniu um time sensacional para as capas da coleção: Masakazu Katsura (de Video Girl Ai, I's e Zetman), Kazuki Funatsu (Addicted to Curry) e Betten Court (do crudelíssimo – e plasticamente belo – Girfriend). Claro que ninguém vai importar os livros em japonês só por causa das capas, nem essa notícia vai mudar a vida de ninguém, mas eu não resisti a postar essas imagens. Elas são de primeira.

Sou obrigado a concordar com ele e republicar por aqui as três capas aqui, no Cidade Phantástica.

27.4.09

Steampunk made in Brazil 2

Eu havia postado aqui sobre um conto de Fábio Fernandes publicado no site Everyday Weirdness chamado The Boulton-Watt-Frankenstein Company, certo? Pois acabo de ter o prazer de ler a continuação do texto em que o autor novamente mistura personagens reais e fictícios para criar sua versão steampunk do primeiro robô do mundo, ou melhor, dada sua origem, ao primeiro diener do mundo. Explico, a palavra robô foi criada pelo escritor e dramaturgo tcheco Karel Capek (1890-1938) em sua peça R.U.R. (de 1921), e significa servo naquela língua, o mesmo significado, em alemão, de diener.



No universo ficcional criado pelo escritor e tradutor carioca, a união dos empresários reais Mattew Boulton (1728–1809) e James Watt (1736-1819) - sócios de fato no "nosso mundo" - com o fictício Viktor Frankenstein (publicado originalmente em 1818) é que deu origem "àquilo que os antigos gregos chamaram de autômato", como definiu Fernandes. Na nova história, The Arrival of the Cogsmiths (oil on canvas, by Turner, 1815), vemos como a inovação foi incrementada graças aos avanços no campo da automação do francês Joseph-Marie Jacquard (1752-1834), ao mesmo tempo em que despertou o interesse de um poderoso militar e político conterrâneo dele. E a mistura de ficção e realidade continua, com a participação de um certo Marie-Henri Beyle (mais conhecido por Stendhal, 1783-1842) e a suposta intervenção de Sir Percy Blakeney (famoso como Pimpinela Escarlate, criado em 1903).

Por si só, esta é uma excelente notícia. Contudo, em seu blog, o imperdível Pós-Estranho, Fábio Fernandes anuncia que ainda há mais pela frente: "E aguardem mais novidades daqui até julho, desta vez em português - inclusive um lançamento na FLIP, em Paraty!". Alvíssaras.


26.4.09

Repercussão transatlântica

A coletânea que inaugurou a Coleção Paradigmas recebeu atenção de uma leitora portuguesa, Cristina Alves, do blog Rascunhos. Ela analisa alguns dos treze contos do livro e conclui:

A antologia constitui um conjunto diversificado de contos, que misturam o horror com a ficção científica, a fantasia ou o folclore. Aconselhável a quem deseje ler algo diferente, histórias de origem dispare da anglo-saxónica. Por último, resta apenas agradecer o envio do exemplar!


Para ler o texto completo, é só clicar aqui.

25.4.09

Ainda sobre Paradigmas

O organizador da coletânea Paradigmas e um dos sócios da editora Tarja concedeu uma entrevista sobre o projeto da coleção ao site Fantastik. Leia a seguir um trecho e confira a íntegra aqui:


Qual a proposta do projeto Paradigmas?

A idéia principal do Projeto Paradigmas é traçar um perfil dos autores que vem atuando com freqüência nessa época, independente da mídia utilizada. Muitos escritores tem uma boa produção, porém não possuem trabalhos expostos ao público em uma mídia permanente, ou mesmo catalogados em uma compilação que resista para a posteridade. Esta coleção tem previsão inicial de doze volumes, com projeção para alcançar 25, dessa forma pode cumprir essa meta a contento. O processo de seleção dos textos é extremamente rigoroso, de tal maneira que além de grandes nomes, teremos também o melhor dessa produção.

23.4.09

Segunda resenha de Paradigmas

Dica do paradigmático Bruno Cobbi: saiu a segunda resenha da coletânea Paradigmas. O texto pode ser conferido no blog Lote do Betão. Segue um trecho:

Recebi o livro faz quase um mês. Mas só o terminei poucas horas antes deste post ir ao ar. Por quê? Porque dias antes recebi um e-mail do Cobbi perguntando se eu tinha recebido o livro. Sim, eu havia recebido, mas não queria terminar. Tinha devorado alguns contos, regurgitado outros e ainda usado um ou outro como poderoso sonífero – mas o livro tinha uma qualidade estranhamente diferente. Como uma cabeça esquizofrênica de muitas vozes falando de mundos diferentes e realidades bizarras, tudo ao mesmo tempo agora. Dragões adormecidos em motos ultravelozes esgarçando combates com taças de ouro e homens de prata.

7.4.09

Steamgang



Foto de Marcelo Augusto Galvão

6.4.09

Steamgirl

E a comunidade steampunk compareceu ao evento!



Foto de Marcelo Augusto Galvão

1.4.09

Literatura fantástica

A comunidade paulista Steampunk já anunciou que vai comparecer:

O local do evento é a unidade Bourbon Shopping Pompéia. Para mais detalhes, consulte o portal da Oficina de Produção & Estudos de Literatura Fantástica.

30.3.09

Resenha de Paradigmas - Vol I

Por Cristina Lasaitis

Não é porque o filho também é meu, mas essa é uma das coletâneas mais bem organizadas da cena literária atual. São 13 contos de 13 autores bastante diversificados em temáticas e estilos, todos eles se encaixam de algum modo nas designações da literatura fantástica, mas aqui não existem fronteiras claras de gênero e vanguarda, a proposta é justamente gerar uma quebradeira de rótulos. Creio que a maioria dos contos conseguiu cumprir com a missão.
Reparei que muitos autores investiram na quebra dos paradigmas por meio da reinvenção mitológica e, em alguns casos, com o tempero do erotismo.
+ Jacques Barcia em O Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração operou a transfiguração da mitologia indiana em uma vertiginosa epopéia onírica.
+ Roberta Nunes em Una deu vidas passadas e ares de ficção científica à saga de Lilith. Belíssimo!
+ Já Fogo de Artifício, do Eric Novello, é um inusitado conto policial onde os bandidos são personagens de contos de fadas e a loura Alice com seu coelho inseparável não é mais uma menininha…
+ Em Aqui Há Monstros, Camila Fernandes praticamente inventa um novo mito grego, um jovem náufrago vai parar em uma ilha desconhecida onde é salvo por uma misteriosa mulher cuja beleza ele jamais pode olhar.
+ E quem disse que dragões não têm nada a ver com favela e tráfico de drogas? Essa conexão inusitadíssima é mérito do Bruno Cobbi, com O Mendigo e o Dragão.
+ Um Forte Desejo, de MD Amado, conta as aventuras sexuais de uma mulher independente com uma bizarra criatura.
+ Tem ainda uma escritora chamada Cris Lasaitis com sua alegoria moderna sobre um maestro narcisista e uma melodia mágica (Sinfonia Para Narciso).
+ Leonardo Pezzella com A Lenda do Homem de Palha praticamente inventou uma lenda popular tão pictórica quanto as que povoam o imaginário da cultura brasileira.
+ O conto da Ana Cristina Rodrigues, O Templo do Amor, traz um interessante duelo entre as duas maiores forças que norteiam a nossa existência: o amor e a morte.
+ A Teoria na Prática (excelente título) é uma grande sacada do Romeu Martins ao dar sentido e quintas intenções à cultura da pasmaceira que chamamos de teoria da conspiração. Ou você não percebeu que tem alguém interessado em fazer você acreditar que camisinha dá câncer?
+ O conto do Richard Diegues, MAI-NI Expressas é uma viagem alucinante num mundo ciber-futurista-distópico onde motoboys rompem fronteiras a mil e seiscentos quilômetros por hora para entregar o seu pacote antes que a guerra comece.
+ O Combate de Maria Helena Bandeira é um altar de sacríficios ao deus Xanam, o deus do acaso e também das roletas russas.
+ E Madalena, de Osíris Reis, é um conto de terror situado entre o grotesco e o escatológico, onde não há fronteira entre os pesadelos e a realidade para uma menina de nove anos aterrorizada e violada pelos seus monstros pessoais e pela religião. Lembra um pouco um caso que aconteceu no Pernambuco outro dia…
Acho que não deixei faltar ninguém. É isso aí, criançada, parabéns! E que venha o volume 2!

22.3.09

Paradigmáticos

A festa de lançamento de Paradigmas, na última sexta-feira, dia 20 de março, foi um sucesso além do esperado. As estimativas dos organizadores são as de que aproximadamente 250 pessoas compareceram ao evento, entre elas oito dos treze autores dos textos presentes na coletânea. Infelizmente, não pude estar entre eles, mas reproduzo abaixo a foto de Hugo Vera que registrou o momento.


Da esquerda para a direita: Leonardo Vieira, M.D.Amado, Bruno Cobbi, Eric Novello e Cristina Lasaitis. Logo abaixo: Camila Fernandes, Roberta Nunes e Richard Diegues.

Que seja o primeiro número de uma série para fazer a história da literatura fantástica em nosso país. Parabéns a todos, autores, leitores e equipe da Tarja.

9.3.09

Ainda sobre Farmer

O parceiro de Phillip José Farmer em diversos projetos, incluindo um último livro escrito a quatro mãos, Win Scott Eckert deu uma ótima entrevista ao site Comic Book Resources na qual fala de seu velho mestre, falecido no dia 27 de fevereiro. Ele explora bastante o tema dos crossovers entre personagens de diferentes autores, definindo bem o conceito tanto da Wold Newton Family criada por Farmer quanto de sua ampliação fruto de inúmeras colaborações, o Wold Newton Universe. Na imagem ao lado, vemos o monumento que lembra a queda do meteorito (ou, uma pedra extraordinária, conforme documentaram naquele memorial) na cidade inglesa que batiza tais conceitos, no século XVIII.

A entrevista já estava pronta para ser publicada uma semana antes, mas o responsável pela coluna semanal, Greg Hatcher, segurou o material e só o publicou na última sexta, acrescido de um novo depoimento de Eckert a respeito da inspiração que os livros de Farmer representaram para sua própria carreira de novelista. Uma bela homenagem ao rei dos crossovers. O texto pode ser lido aqui.