5.8.10

Vaporpunk: Capa e Capista

Promessa é dívida. Sei que estava todo mundo esperando para ver a capa da coletânea Vaporpunk, então, sem mais demora, aqui vai:




Não é impressionante? Ao final do post, vocês podem vê-la aberta, também, com mais detalhes desse projeto minucioso. Antes disso, segue uma conversa com o criador dessa peça gráfica, Erick Santos, que por acaso é também o dono da editora que a publica, a Draco.


Você me disse que foram ao todo mais de 20 horas dedicadas ao trabalho desta capa. Poderia dar uma ideia de como foi o processo de criação? Quais foram as técnicas empregadas nela, como chegou ao resultado final?


Erick Essa capa foi um desafio, estou me planejando para ela desde o momento em que o Gerson Lodi-Ribeiro trouxe a coletânea para a Draco, dado o meu fascínio pelo tema. Para executá-la, primeiro fiz alguns esboços sobre o conceito a lápis, antes de partir para os programas de ilustração no computador. Contei como sempre com valiosos retornos de amigos que me apontaram problemas na montagem ou sugeriram soluções, além de me darem dicas para utilizar o software de 3D (o mesmo tipo utilizado por criadores de games e filmes), algo que ainda não domino. Para finalizar, utilizei montagem digital de fotos com a composição em 3D, que ainda exigiu tratamento de pós-produção. 


E a ideia para a capa partiu de que ponto? Qual foi sua inspiração para o material?

Erick O gênero steampunk sempre me chamou a atenção, tanto em jogos como Final Fantasy VI, animes como Steamboy e o próprio Difference Engine.

Em todos esses exemplos, a questão estética aliada ao conteúdo foi fundamental.

Então, decidi explorar o visual, apresentando a excentricidade da época e mostrando a força da tecnologia no imaginário steampunk. Esse foi o meu ponto de partida. Por ter em mente que precisaria de uma técnica que transmitisse melhor a sensação de realidade, escolhi o 3D e as fotos.

Usei como referência a abertura do anime Steamboy, que traz um grande mecanismo que apresenta o título. O filme mais recente de Sherlock Holmes me ofereceu a tipologia ideal para a execução. Mal posso esperar para ver uma versão animada quando o mercado de tablets se firmar.


Poderia falar um pouco de sua experiência como ilustrador?


Erick Trabalho com edição de arte e desenho gráfico há mais de 10 anos. Nesse meio tempo, tive oportunidades para ilustrar, mas não me aprofundei na área. A ilustração por si só já é uma carreira, e o meu traço é muito carregado pelo pop, principalmente referências de mangás e videogames. Trabalhei sob demanda pela internet, inclusive para o extinto site estadunidense gamedreamz.com, mas deixei meus desenhos adormecidos e me concentrei no que a profissão exigia. Com a Draco, estou retomando meu lado ilustrador e aproveitando isso em nossas capas.

E sobre a editora. Desde que a Draco surgiu no final do ano passado ela tem surpreendido autores e leitores com uma política de formação de acervo crescente, em termos de quantidade e de qualidade. O que podemos  esperar dos próximos lançamentos?


Erick Como disse anteriormente, trabalho no mercado editorial há bastante tempo e sempre fui fã de literatura fantástica e suas vertentes. Porém, sentia falta de um trabalho mais sólido focado na literatura nacional. Por acreditar na qualidade dessa literatura, temos como missão só trabalhar com obras brasileiras, e por isso queremos um catálogo abrangente e que agregue leitores de diversos gostos e faixas etárias. Assim, queremos apresentar o que há de melhor, como os autores veteranos que temos publicado, mas também novos autores que possam crescer junto com a casa.

Com a formação desse catálogo base, vamos continuar investindo muito em distribuição, queremos oferecer nossa literatura para todo o Brasil e, com o advento dos e-books, para todo o mundo.

Especificamente sobre steampunk. A coletânea Vaporpunk e o terceiro número da série Imaginários foram as primeiras investidas da Draco no retrofuturismo. Sabemos que vão vir mais lançamentos do tipo, na coletânea Brinquedos Mortais e nos romances Baronato de Shoah e O Peregrino. Isso é o que já foi anunciado. Mas ainda há mais interesse por material do tipo? Há espaço para mais histórias retrofuturistas em sua editora?

Erick Não temos nada específico de steampunk para o momento, mas estamos abertos para a avaliação de originais que tratem de retrofuturismo ou de qualquer abordagem especulativa que amplie os horizontes da literatura brasileira.

Acredito que em breve encontraremos bases interessantes para explorar ambientes diferenciados dentro do próprio imaginário brasileiro, sem dependermos tanto das tendências vindas de fora. Quero trabalhar pelo dia em que o Brasil inverterá a situação e oferecerá as tendências a serem seguidas pela literatura estrangeira.

E, para finalizar, como prometido, eis a capa da coletânea aberta, percebam o detalhismo do projeto (e tentem imaginar uma versão animada dela, como foi previsto na entrevista):

22 comentários:

José Roberto Vieira disse...

Confesso que fiquei sem fôlego quando vi esta capa...

Versão animada? WTf?
ISSO eu quero ver...

Romeu Martins disse...

Oh, se quero!

Tibor Moricz disse...

É a melhor capa do gênero que já vi na minha vida. Duvido que façam algo melhor nos próximos 100 anos!! O_0

Romeu Martins disse...

Duvido muito, também. É pra levar prêmio internacional. Já tô com pena da Aleph que vai ter que suar pra tentar chegar perto com a do Difference Engine

Mariana Paixão disse...

Capa MUITO linda *_*
A qualidade da Editora Draco é algo que só vai melhorando a cada livro que eu vejo! \o/
Adorei a entrevista também! :D

Giseli disse...

Caramba! UAU! Esse livro eu vou comprar pela capa! =P Brincadeira... sei que além da capa (que merecia um prêmio), o conteúdo também promete. Meus parabéns à editora Draco por essa capa impressionante!

Romeu Martins disse...

A Draco tá impondo um novo padrão ao mercado, Mariana, tão de parabéns.

Com o time reunido ali, Gi, aposto como o conteúdo tá à altura da forma ;-)

Matheus A. Quinan disse...

Está explicado o porquê da demora: a capa ficou realmente linda!
E acredito que o conteúdo não será pior.
Parabéns à Draco e ao Erick. Obra de arte!

Romeu Martins disse...

Eu só não divulguei ontem porque não queria que a entrevista do Gerson ficasse eclipsada, Matheus. Mas cho que valeu a espera, né ;-)

Octavio Aragão disse...

Eu tô dizendo... a capa de Vaporpunk será a imagem de 2010 (ei, meioparadoxal isso, não? Mas faz sentido). Creio que o livro será um marco.

Romeu Martins disse...

Paradoxos são por conta da casa. ;-) Acredito que o Erick acaba de elevar o patamar das capas nacionais. Não tem volta isso.

Hugo Vera disse...

Ficou linda a capa!
Acho que é um dos melhroes trabalhos da Draco. Agora quero vê-la, pessoalmente, para ver a qualidade de impressão da capa.
Sem dúvida meu exemplar estará em mãos em breve!

Estevão Ribeiro disse...

Mais um trabalho primoroso do Erick!
A Draco é excelência em apresentação de conteúdo.
É o bom caso de julgar o livro pela capa!

Romeu Martins disse...

Olha, é disparado o melhor trabalho da Draco. Minha dúvida é se não é o melhor trabalho já feito na história das capas de FC nacional. Acho que sim.

Cláudio Carqueija disse...

Rapaz, fiquei boquiaberto por umas 2h depois de ver essa capa!

bibs disse...

=OOOOOOOOOOO

quero esse livro djá!

Romeu Martins disse...

Eu ainda tô meio de queixo caído ;-)

Cirilo S. Lemos disse...

As capas da Draco são lindas, mas essa se superou. Julgue um livro pela capa.

Romeu Martins disse...

Veja a capa, leia o livro ;-)

Gerson Lodi-Ribeiro disse...

Só pra lembrar: a Vaporpunk será lançada na Fantasticon 2010, dias 28 e 29/08 lá (aí) em Sampa!

Romeu Martins disse...

Recado dado, Gerson. Muito sucesso!

Adriana Vargas de Aguiar disse...

Ola,

Estou precisando de alguem para fazer a capa do meu livro, por favor, envia-me um email:
adrianavargas.ocadv@hotmail.com

Meu nome é Adriana