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11.3.12

Os autores da HQ

Uma foto que ainda não havia postado aqui: Sandro Zamboni, o Zambi, e eu no evento uma Tarde na Taverna, de novembro passado. A dupla de criadores da graphic novel baseada em Cidade Phantástica.

7.3.12

Mulheres fantásticas

Ontem, a escritora Tânia Souza, minha colega de páginas da coletânea weird west Cursed City - Onde as almas não têm valor, me pediu para participar de uma pesquisa que ela estava fazendo para um post especial em seu blog. Em comemoração ao Dia das Mulheres, ela estava pedindo aos escritores da literatura fantástica nacional que apontassem suas personagens femininas favoritas, entre as mais sombrias, no acervo mundial. Escapei um pouco do trinômio fantástico habitual - a FC, a fantasia e o horror - e dei minha preferência em outro representante da literatura de gênero, o policial, como podem ver abaixo, no trecho em que ela me cita em seu blog:


E para estrear nossa série, o escritor Romeu Martins (@romeumartins) do blog Cidade Phantástica, elegeu o universo das histórias sherlockianas para invocar sua musa das sombras. Conheçam a fascinante Maria Pinto, criação de Arthur Conan Doyle.

“Sou fã da Irene Adler - chamada por Holmes de "A Mulher", como um diferencial de todas as outras que ele encontrou -, Irene Adler surgiu no conto"Um escândalo de Boêmia". E gosto das vilãs brasileiras do Doyle, tanto que usei a Maria Pinto no Cidade Phantástica. Irene Adler é uma unanimidade pra quem gosta das histórias sherlockianas, mas eu tenho essa preferência pessoal pela Maria Pinto desde que li "O problema da Ponte de Thor" pela primeira vez e descobri aquela personagem brasileira que o próprio Holmes define como uma das mais ardilosas que ele já conhecera. Eu adoro o plano de vingança que ela elabora naquele conto.”
           
E o autor gosta mesmo da personagem, já escreveu sobre ela na noveleta "Cidade Phantástica", presente na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário e agora, em seu novo projeto, uma graphic novel adaptando aquele texto, em parceria com o desenhista Sandro Zamboni (o Zambi), vão mostrar as origens dessa vilã brasileira criada por Arthur Conan Doyle. Vamos aguardar!

A opinião de outros convidados pode ser lida aqui, no primeiro post desta série. Lembro também a homenagem que fiz aqui nesta página ano passado nesta mesma data.

2.3.12

Cidade Phantástica, a graphic novel 2

Circula hoje por toda Santa Catarina, no jornal de maior tiragem do estado, a primeira imagem colorida da graphic novel steampunk que Zambi e eu estamos produzindo para a editoria Underworld. Mais do que isso, a nossa futura HQ recebeu uma detalhada matéria em primeiríssima mão de autoria do colega jornalista Marcos Espíndola na coluna mais prestigiada da área de cultura e entretenimento daqui, a Contracapa do caderno de Variedades do Diário Catarinense. Marquinhos captou e explicou perfeitamente o cenário da noveleta que está sendo transposta para uma nova mídia. Então, é com muita satisfação que reproduzo aqui o desenho que Zambi fez com os principais personagens de Cidade Phantástica e o trecho da coluna de hoje que destaca nosso trabalho. Se isso não vale uma bela comemoração nesta sexta-feira, o que valeria?


O (Retro)Futuro é aqui
Quando integrou, com "Cidade Phantástica", a pioneira coletânea de contos Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, lançada em 2009 pela Tarja Editorial, o jornalista e escritor catarinense Romeu Martins estava longe de se dar por realizado. A ideia primária era levar a fábula retrô futurista para os quadrinhos. O intento começa a se consumar por meio da parceria com o ilustrador Sandro Zamboni, o Zambi, chargista do jornal Hora de Santa Catarina. Cidade Phantástica tem como cenário o Rio de Janeiro do período de 1866 e 1867. A capital do Segundo Império vive um momento de franca evolução socio-econômica e cultural, assumindo a vanguarda da industrialização frente aos Estados Unidos mergulhados em uma guerra civil.
A razão desta expansão desenvolvimentista, que, pelo menos nesta ficção, coloca o Brasil como a potência da época, é o fato de o país não ter entrado na Guerra do Paraguai. À frente deste processo estão os ideários do Barão de Mauá, figura histórica que assume o papel de principal conselheiro do imperador Dom Pedro II, tendo influência direta, por exemplo, no fim da escravidão em 1855 - 34 anos antes da Lei Áurea. Neste outro Brasil desenvolve-se uma trama de heróis e vilões, personagens de Júlio Verne e de Sir Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes) que também mudaram de ares e passaram a habitar a pujante nação tropical. A novela está prevista para sair em 2013 para atender as exigências da editora Underworld, que pede por uma publicação colorida.
Mas aqui temos um aperitivo do que a dupla Martins/Zambi imagina deste Brasil steampunk. Os desdobramentos desta obra serão detalhados no blog cidadephantastica.blogspot.com

28.2.12

A Liga dos Joões Fumaça

Mostrei recentemente aqui a versão de Sandro Zamboni, o Zambi, para o protagonista da noveleta e futura graphic novel "Cidade Phantástica":


Mas vale lembrar que o primeiro desenho do personagem foi de autoria de Tiburcio, o que acabou inspirando o conto "Modelo B" publicado na edição de estreia da revista Vapor Marginal.


Além do conto, a versão de Tiburcio também serviu de modelo para o bonequinho superfake de Fernando Pascale, sorteado por aqui.


Será que ainda vamos ver mais alguma versão alternativa do agente da Polícia dos Caminhos de Ferro?

24.2.12

Cidade Phantástica, a graphic novel

Fevereiro está sendo um mês tão cheio de trabalho que tem me sobrado pouco tempo para postar aqui. Neste mês, conclui o trabalho de divulgação de uma coletânea de contos retrofuturistas e a revisão de um livro de não-ficção. Mas eu volto agora com uma novidade que esperei bastante tempo e estava ansioso para compartilhar. Vontade antiga que está se tornando realidade, a de transformar a noveleta que dá nome a este blog em minha mídia favorita: os quadrinhos. O projeto já vinha de tempo, mas só pode começar a ser posto em prática quando conheci o desenhista e a editora perfeitos para fechar a parceria.

O desenhista é Sandro Zamboni, mais conhecido como Zambi, chargista do jornal Hora de Santa Catarina. Um talento que conheci no lançamento da coletânea weird west Cursed City - Onde as almas não têm valor. A editora é a mesma que vai publicar a coletânea Underworld of Steampunk e a Steampunk Bible, a
Underworld.

Mas eu não poderia dar esta notícia sem compartilhar também um breve gosto de como vai ser esta história em quadrinhos. Aqui, no blog, vou apresentar o trio de protagonistas no traço de Zambi. Em outro espaço, a página recentemente inaugurada do Cidade Phantástica no Facebook, teremos as imagens da dupla de vilões.    Passem por lá e curtam aquela outra filial deste nosso edifício.

Vamos aos desenhos!

Para começar, o Policial dos Caminhos de Ferro, João Fumaça:



Temos ainda, saído das páginas de Sherlock Holmes escritas por Sir Arthur Conan Doyle, o Rei do Ouro, J. Neil Gibson:


E para completar, pelo menos por aqui, outro empréstimo da pena de Doyle, a noiva de Gibson, Maria Pinto:


O que vocês me dizem? Espero que tenha alguém ai tão empolgado quanto eu com este projeto! Não deixem de conferir os vilões lá no Facebook.

9.10.11

No National Museum de Ottawa

Um muito querido e chique casal de amigos meus está em viagem pelo lado civilizado da América e me mandou uma foto tirada em um museu canadense. É ou não é para se ter orgulho (dos amigos e da participação na Steampunk Bible)?


Brigadão, Telli, Juju. Divirtam-se aí!

5.10.11

Torre de Vigia 39

Eppur si muove. Fazia tempo que eu não tinha a oportunidade de atualizar a sessão de clipagem de resenhas da primeira coletânea steampunk brasileira. A última vez, foi em dezembro do ano passado. Mas mesmo tanto tempo depois de seu lançamento, o livro continua colhendo análises dos leitores, sendo um dos mais avaliados da safra recente de literatura especulativa nacional. Quem fez a resenha mais recente em seu blog foi a escritora, artista plástica e moradora de Niterói Alliah - que é minha colega em outra coletânea steamer, a Deus Ex Machina, diga-se de passagem. Ela começou seu escrutínio pelo trabalho da capa, de autoria de Marcelo Tonidandel e Verena Peres, que acabou sendo o melhor e mais completo comentário sobre aquele belo trabalho gráfico:

O livro “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário” foi lançado pela Tarja Editorial em 2009 e reuniu uma excelente trupe de escritores. Como a obra já foi resenhada por vários blogueiros interwebz afora, minha resenha vai ser um pouquinho diferente do comum. Aquele típico resuminho explicativo sobre o conteúdo de cada história que vem antes das opiniões/críticas de cada resenhista não vai aparecer aqui. Se você tá chegando agora meio perdido nesse estranho mundo chamado fandom e não conhece nenhum dos contos desse livro (shame on you!), vai dar uma googlada por aí e se inteirar.
Vamos começar pela capa, de Marcelo Tonidandel e Verena Peres. (Como já farei a resenha dos contos aqui, a resenha da capa vai ser bem breve e objetiva e não vai pro 
Resenhando Capas.. Mas depois dá um pulinho lá e se inscreva pra receber as atualizações.)



Começando pelas cores. O clássico café envelhecido oscilando entre tons de amarelo e marrom caiu bem. Cheira a antiguidade sem soar precário. O fundo manchado é bonito, porém a textura rugosa que aparece no topo e na base poderia ter sido mais bem trabalhada (ou até mesmo eliminada por outros padrões de mancha. Um papel enrugado seria mais adequado). O mesmo vale para a arte do título. As cores estão fortes e funcionam, mas a iluminação falhou. A máquina em destaque no canto inferior esquerda é o ponto alto. A nitidez detalhada do desenho em sépia escuro acinzentado formou uma combinação que poderia ter sido aproveitada para outras ilustrações, ou numa única ilustração central e mais detalhada ainda. É minha parte favorita da capa. Os três personagens no centro possuem traços suaves demais, como se alguém tivesse exagerado no esfuminho. O sombreamento parece desfocado. Faltou dureza. O dirigível no topo está bem feito e bem posicionado. No conjunto a capa funciona e vende o que promete, mas os detalhes mencionados poderiam ter sido melhor trabalhados.

Em seguida, ela começa sua avaliação de cada um dos nove contos que compõem a obra. Como costumo fazer, copiarei abaixo o comentário a respeito de minha noveleta e deixo os leitores com o endereço para a leitura completa aqui.

Em seguida vem o conto “Cidade Phantástica”, de Romeu Martins, que prova que Niterói só consegue ser um lugar interessante quando retratada numa ficção. João Fumaça é um dos melhores personagens do livro. Btw, o nome simples, objetivo e bem brasileiro é perfeito. (Também não dá pra esquecer a fofura daquele boneco do personagem que foi sorteado uns tempos atrás no blog do Romeu, de mesmo nome desse conto). Aqui, assim como no conto do Gian, os diálogos se destacam. E devo dizer que as palavras, expressões e pequenas frases em inglês foram cuidadosamente encaixadas sem que soasse pedante ou supérfluo. Mas como eu adoro um desastre, fico imaginando a dimensão dos danos que a arma (mais perigosa do mundo) teria causado se nosso herói João Fumaça não tivesse impedido…

(não resisto a um comentário final: eu que sou morador da Niterói catarinense - já que São José é a cidade do outro lado da ponte de Floripa - usei a Niterói original em dois outros contos. A cidade onde mora a resenhista aparece na continuação de "Cidade Phantástica" chamada "Modelo B", que foi publicada na revista Vapor Marginal  e, se tudo der certo, ganhará nova versão em 2012. Da mesma forma ela surge já no título de um conto que sairá no livro Soberba - Lúcifer, da coleção VII Demônios da editora Estronho: "Algo baixou em Niterói")

2.9.11

Kit Steampunk na Loja Estronho

Três livros. Mais de trinta contos. Boa parte da produção steamer brasileira que tanto despertou interesse dentro e fora do país. Tudo isso está à sua espera, com um desconto imperdível, na loja virtual da Estronho.

São as coletâneas Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, da Tarja Editorial, com minha noveleta "Cidade Phantástica"; Deus Ex Machina - Anjos e Demônios na Era do Vapor, com meu conto "A Diabólica Comédia - A conquista dos mares"; e Steampink, com o prefácio que escrevi para o primeiro livro só com contos de escritoras nacionais dentro do gênero. Tudo isso com um desconto de R$ 26, 00. Aproveite! Você pode comprar o Kit Steampunk clicando aqui. Boa leitura!

18.7.11

Steampunk brasileiro em revista lusitana

Como anunciei por aqui anteriormente, Fábio Fernandes foi contatado pela equipe da revista portuguesa Bang! para publicar um relato sobre a cena de literatura fantástica brasileira naquela publicação trimestral, editada pela Saída de Emergência em uma parceria com as livrarias Fnac. "Vida noutros planetas" é o título do artigo do escritor, tradutor e pesquisador que abrange vários aspectos e manifestações do fandom nacional, desde os fanzines, passando pelas comunidades virtuais e os eventos presenciais, até chegar no advento recente das pequenas editoras que investem na área. O relato dá destaque para a ascensão da cultura steampunk em nosso país, citando o Conselho Steampunk e as várias manifestações de apoio que Bruce Sterling deu ao movimento nacional em posts de sua coluna no site da Wired Magazine. Fábio Fernandes ainda fez uma gentil menção a mim, que cito a seguir:


Embora exista contato e amizade entre os dois grupos, o conselho atua de forma inteiramente independente e promove, através de suas lojas, eventos periódicos (quase mensais) em todo o Brasil. A recém-lançada The Steampunk Bible, editada por S. J. Chambers e Jeff VanderMeer, há uma seção inteira dedicada ao Brasil. Um dos nomes de maior destaque desse movimento steamer é Romeu Martins, cuja história Cidade Phantástica teve um excerto traduzido por mim para esse livro.

O artigo ainda dá algumas pistas de empreendimentos futuros de nosso mais internacional articulador da ficção científica em prol de, como ele mesmo fala ao final de seu texto, "um fandom unido, com membros de vários países trabalhando junto em projetos diferentes". Alvissareiras notícias, meus caros.

26.6.11

As vilãs brasileiras de Sherlock Holmes 2

Eu havia dado o toque a respeito neste post:

Vai haver um texto de brasileiro na edição de inverno de um dos periódicos mais renomados quanto à divulgação e ao estudo da obra de Arthur Conan Doyle (1859-1930). Carlos Orsi, jornalista especializado em C&T e um dos melhores escritores de FC do país, é o articulista que teve um texto aprovado pelos Baker Street Irregulars para figurar no The Baker Street Journal. O tema do artigo do paulista é, como vai se ver, do meu maior interesse: The Brazilian Villainesses  of the Canon ("As Vilãs Brasileiras do Cânone"). O Cânone, no caso, são as histórias escritas pelo criador do detetive mais famoso da literarura.


O jundiaiense fez a gentileza de me enviar o exemplar daquele periódico (que eu tive de recuperar após uma investigação sherlockiana e uma caminhada de alguns quilômetros, pois passei o número da minha casa errado para ele e o journal foi parar no outro extremo da minha rua) e eu traduzi o artigo em que ele especula sobre o passado e as reais motivações de Isadora Klein (de "As três empenas") e Maria Pinto (de "A ponte de Thor" e, por empréstimo, "Cidade Phantástica") para o recém-inaugurado blog da Editora Draco. Segue o início do texto, revisado pelo autor:


No início do século XX, Sherlock Holmes cruzou espadas, por assim dizer, com duas vilãs do Brasil: Isadora Klein, a notória femme fatale de  "As três empenas", e Maria Pinto, uma vingativa suicida e aspirante a assassina de  "A ponte de Thor". Ambas são descritas como mulheres latinas de sangue quente e foram esposas – no caso de Isadora Klein, a viúva – de ricos e poderosos homens vindos de climas mais temperados. Pouca atenção foi dada à origem de seus pares, e às circunstâncias que as levaram primeiro à Inglaterra e, de lá, ao mundo do crime.


Para ler a íntegra da tradução de "The Brazilian villainesses of the Canon", basta clicar aqui. Para conhecer minha versão do envolvimento da manauense Maria Pinto e o multimilionário americano J. Neil Gibson, só lendo a noveleta "Cidade Phantástica". Ou, quem sabe, em um futuro próximo, uma versão dela para outra mídia.

22.6.11

O sucesso do Dia do Vapor

Foi excelente a repercussão sobre o Dia Nacional do Vapor, pelo que eu pude acompanhar na movimentação virtual provocada pela data. O meu post já recebeu no primeiro dia um número de participantes acima do esperado, chegando a empatar logo na largada com o sorteio anterior feito por aqui. No post do Conselho Steampunk (que sorteia livros da editora Estronho, Deus Ex Machina e Steampink) a promessa é de que em 2012 o barulho será ainda maior:

O evento será comemorado a boca pequena este ano mas, para 2012, uma série de pequenas revoluções estão prometidas pelo próprio Conselho SteamPunk e pela comunidade de entusiastas.O cenário das organizações baseadas em gênero no país pode mudar bastante na verdade, uma vez que a Sociedade Retrofuturista – sob a qual repousa o Conselho SteamPunk – deve estender seus tentáculos na direção de outros gêneros, como o DieselPunk, BitPunk e CyberPunk, implantando o M.O.S. (Modelo de Organização Sustentável), utilizado pelo Conselho SteamPunk e engendrado por Bruno Accioly e Raul Cândido Ruiz, os fundadores do Conselho SteamPunk.Tudo indica que o primeiro movimento começa ainda este ano, no atendimento aos entusiastas do gênero CyberPunk, que contará com Lidia Zuin e Mein Weise – duas representantes conhecidas do gênero – como Curadoras da comunidade CyberPunk no Brasil, que vão coordenar a “subversão” e a criação de Enclaves™ e Células™ em todo território nacional.
Para participar daquele sorteio duplo, basta copiar e colar esta frase no twitter:

SteamPunk: Dia Nacional - Quero os livros da Editora @estronho ! - http://t.co/oazUyv3 #diadovapor
E na Loja Paraíba, o sorteio é da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário da Tarja Editorial, que contou com uma resenha especialmente escrita para a ocasião. Deixem-me manter a tradição do blog e  reproduzir o início do texto e o trecho em que fala do meu conto:

Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário foi pensado com cuidado, preocupando-se em manter uma linearidade que atendesse a novos leitores e puristas do estilo, como o próprio Richard Diegues diz. E acredito que as escolhas foram felizes, ao ponto que outras publicações se tornaram possíveis a partir do sucesso desta, a exemplo da Vaporpunk (Editora Draco), Deus Ex Machina e Steampink (ambas da Editora Estronho), assim como outros contos publicados na Revista Vapor Marginal (que ganhará um post aqui em breve) e na rede (...)
Cidade Phantástica é como a capital do Império é conhecida por todos. Aqui, Romeu Martins nos apresenta algumas figuras conhecidas de nossa história e literatura e a João Fumaça, um policial atuante nas estradas de ferro que está em uma missão especial: proteger a futura Sra Gibson dos assassinos chineses da Malta do Vapor. O que ele não esperava é acabar envolvido numa situação um pouco mais complicada e que pode resultar num desastre em escala 
Para participar desde outro sorteio, deve-se deixar um comentário lá e dar RT na frase:

RT Vou ganhar a coletânea Steampunk da @tarjaeditorial que @SteampunkPB está sorteando pelo Dia Nacional do Steampunk http://migre.me/56938

A data da escolha dos vencedores é a mesma para todos os casos Update - na verdade o Conselho Steampunk já fez o sorteio no dia seguinte, segue a expectativa aqui e na Loja Paraíba: dia 22 de julho. A sorte está lançada, boa sorte a todos!

10.6.11

Phantastic City

Estar em uma publicação como a Steampunk Bible ao lado de ídolos internacionais da estatura de Bruce Sterling e Jake von Slat já não tem preço. Porém, como eu disse por aqui antes, um orgulho do qual ninguém pode me tirar é o de ter algo em comum com William Gibson, Alan Moore, PKD e outros mestres: o fato de termos um mesmo tradutor na figura de Fábio Fernandes. Sendo assim, é com esse mesmo orgulho que publico a seguir o trecho integral traduzido por ele a pedido de Jeff VanderMeer para a Bíblia do Vapor. No livro, o texto foi editado para ficar adequado ao espaço de um box; abaixo, posto a versão completa que, garanto, é bem superior ao texto original em português:


Phantastic City. That’s how people started referring to the Capital of the Empire. Newspapers’s articles and headlines, speeches of politicians and members of the nobility, and even popular songs — everyone was celebrating that epithet from the moment that place saw the speediest, most intense wave of development that humankind had ever bore witness to. The marks of progress changed the landscape to such an extent that left behind the exuberance of nature that used to be the only subject among foreigners when they talked about the city of São Sebastião do Rio de Janeiro.

 Since the opening of the pioneering industry, in the estuary of Ponta da Areia, in Nictheroy —birthplace of the Baron locomotive — not a month goes by without a new factory opening its doors to work. The rhythm inside the factories is as intense as the hurly-burly in the streets, and not only during the day, but also along the nights, something that became feasible when the gaslight network replaced the old whale oil lamps. Neither luminosity nor even the imperial decree that outlawed the practice of capoeira and kung fu refrained the streets from becoming the stage for showdowns between the wild bunches of black and Chinese men who terrorize the carioca people. Despite the fact that most of those groups, like the Brotherhood of the Quilombo and the Celestial Order, do not use fire arms, such fights invariably end in death. 

The groups represent their communities and cultivate a hatred for the rival ones. With the housing grounds already taken by factories and mansions, the hordes of immigrants and the former slaves from Africa had not much of an option other than to use the many hills of the Capital, creating villages, veritable small towns apart from the metropolitan progress. The best example is the very first one, built upon Providência hill: Shanghai, meaning “above the sea”, in the Chinese language, is a mix of humble wooden shacks with stone temples called pagodas, whose architecture is marked by the multi-tiered roofs, like piled blocks. From those places of difficult access, where are grown the poppy seeds that originate the opium consumed in the city, use to get out the bands who instill fear into the hearts of the populace and hate into the minds of the authorities. 

Anyway, even without taking into consideration the matter of public security, the light from those lampposts has been demanded earlier and earlier, for one of the consequences of industrial activity is the smoke curtain that is now part of the daily life of the thousands of people that adopted the biggest city of Latin America as their home and workplace. 

The fog, capable of impregnating the senses of touch, taste, and smell of the inhabitants, spreads out of the maze formed by hundreds of huge stone obelisks scattered through the Capital. They are the chimneys of the industries, veritable monsters that, with its ovens, fed by the coal from Santa Catarina, give birth to fresh ovens, train tracks, whole trains, steam ship hulls…. It’s the future materialized in metal.

 Of all the prodigies engendered by technique and ingenuity in this city, none is equal to – none is even close in comparison – the colossal building that shall be finished until the end of the year, by the shore of Copacabana Beach. With a hundred floors, the Phantastic City Building is the highest structure ever designed by human hands. It is roughly twice the height of the Washington Monument, which is being built for decades in the United States capital – a work constantly delayed due to the Civil War that until few months ago devastated the godforsaken republic.
 

9.6.11

O Brasil na Bíblia

Mas afinal, o que a Steampunk Bible traz a respeito de nosso país, além da tradução de minha noveleta feita com habitual competência por Fábio Fernandes? O Brasil surge no derradeiro capítulo desta obra de referência, justamente aquele dedicado ao futuro da cultura steamer, ao lado de outros países emergentes, como a França. Mesmo sem a mesma competência de meu tradutor, fiz abaixo uma versão para o português das citações que Jeff VanderMeer e S.J. Chambers fizeram de nós. Como vão ver, as informações sobre a cena brasileira foram cedidas por depoimentos do próprio Fábio Fernandes e de Jacques Barcia, autores que estiveram presentes na primeira antologia nacional steampunk. Aliás, a capa de Steampunk - Histórias de um passado extraordinário aparece ilustrando o capítulo, e ocupa toda uma página do livro, o que garantiu a essa reprodução uma dimensão ainda maior do que a que foi publicada originalmente por aqui. Segue o texto e um detalhe das páginas deste capítulo:



Steampunk Internacional e multicultural

A internet tornou-se uma ferramenta essencial para os fãs do steampunk conhecerem e participarem dessa subcultura, não importando onde eles vivem. Sites como Brass Goggles e The Steampunk Workshop servem como uma conexão para tal atividade. No entanto, os entusiastas internacionais também têm desenvolvido suas próprias comunidades, com interesses em comum. Gradualmente, a internet está servindo como uma estrada de duas mãos, permitindo que steampunkers na América do Norte e na Grã-Bretanha descubram os esforços realizados em outros países. Da França ao Brasil, incluindo todos os pontos entre eles, há mais atividade do que nunca com sites como o Beyond Victoriana e Silver Goggles que focam o steampunk multicultural, independentemente de sua origem. Entusiastas de longa data como GD Falksen, que tem escrito sobre o tema steampunk multicultural para Tor.com, também reconhecem que o futuro do gênero requer diversidade. "Toda a cultura que existia no século XIX potencialmente pode ser usada para uma história steampunk ou como recurso estético", diz Falksen. "Acredito que as pessoas estão se tornando cada vez mais conscientes das possibilidades".

(...) O Brasil surgiu como um ambiente efervescente do steampunk. Segundo o escritor, tradutor e fundador do blog Post-Weird Thoughs, Fábio Fernandes, o steampunk brasileiro tem estado "ativo há um par de anos, pelo menos oficialmente. A maioria de seus membros em todo o país sequer conheciam uns aos outros até 2007. Eles começaram a se reunir logo após a fundação da Loja São Paulo do Conselho Steampunk (algo semelhante a uma loja maçônica, mas só no nome). Agora, existem lojas nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraíba e Paraná."

Mesmo tendo o steampunk brasileiro menos de três anos de existência, Fernandes afirma que a comunidade "está fazendo um ótimo trabalho, atraindo muito interesse, com pessoas ativas organizando vários eventos. A maioria deles até agora, porém, está relacionada com moda e estilo de vida, em vez de literatura. Alguns eventos fundiram essas duas comunidades ... mas elas não são realmente integradas. Mas não vemos isso como um problema. Ambas as comunidades se dão muito bem. O movimento de escritores está crescendo rapidamente, e ouso dizer que nos próximos dois ou três anos vamos ver o nascimento de uma verdadeira escrita brasileira no gênero steampunk."

Fernandes aponta Jacques Barcia, um dos líderes na cena brasileira de ficção científica e fantasia, também como um dos melhores escritores steamers do país. "Ele pode evocar imagens de uma beleza terrível, engenhocas infernais e belas criaturas como golems mecânicos apaixonados."

Barcia concorda com a avaliação de Fernandes: "A literatura steampunk brasileira cresce rapidamente, mas ainda está em sua infância. Há grandes obras de ficção, grandes antologias temáticas e convenções dedicadas apenas a esse subgênero, mas muitos autores (e leitores) não têm uma visão clara do que é steampunk ou sobre como ele se desenvolveu ao longo dos anos. Por outro lado, existem grandes exemplos de escritores brasileiros criando uma vitoriana com sabor nacional, misturando figuras históricas com personagens da literatura romântica brasileira e atingindo grandes resultados."

A ficção de Barcia não se encaixa em uma "estética steampunk brasileira mais geral. Eu focalizo normalmente na Belle Époque, em vez de usar imagens vitorianas, e prefiro ambientar minhas histórias em cidades imaginárias que só lembram (ou recriam) localidades brasileiras. Além disso, meus personagens são geralmente os dissidentes, os pobres, os sindicalistas e os anarquistas do início do século 20. Acho que o steampunk precisa de mais revoluções, mais agitação. Afinal, a virada do século passado diz respeito a fábricas e seus turnos de 80 horas, além da busca pela liberdade. Não é apenas fantasia a vapor, maquinário mecânico e seus inventores."

Em 2009, uma antologia steampunk brasileira mostrou as obras de Barcia e de outros autores, na condição de porta-bandeira (ou seria porta-dirigíveis?) para uma ficção bastante variada. Muitos dos textos selecionados trazem influências familiares, como Verne e Wells; mas outros, como "Cidade Phantástica", de Romeu Martins, com suas "favelas steampunk", bandos de ex-escravos vindos da África que se tornaram capoeiristas e enormes edifícios nas margens da praia de Copacabana, são mais intrinsecamente brasileiros.

Irmãos, chegou minha Bíblia

Estava eu comentando no twitter que mesmo antes das 11h da manhã as boas notícias estavam chegando que o dia prometia. E, minutos antes da undécima hora, não é que me surge a encomenda mais esperada de todos os tempos? Minha edição de colaborador da Steampunk Bible, de Jeff VanderMeer e S.J. Chambers!



E no capítulo dedicado ao futuro do gênero, mais exatamente na página 212, o que vejo? Trechos da minha noveleta traduzidos para o inglês por Fábio Fernandes!



Uau! Vou aproveitar minha leitura, aqui, torcendo para que um dia, em breve, quem sabe?, tenhamos uma edição nacional dessa preciosidade, uma obra de referência para o retrofuturismo em escala mundial.

www.cidadephantastica.com.br

Agora também atendemos pelo endereço acima, que é direcionado aqui para o blogger. Meus agradecimentos ao M.D. Amado, da Editora Estronho que fez o meio de campo para que isso fosse possível.

28.5.11

Um outro orgulho nerd é...

...ser citado por um dos melhores e mais reconhecidos tradutores do Brasil como um talentoso amigo a fazer parte de listas como a Science Fiction & Fantasy Translation Awards a partir da qual ele faz seus comentários. Aconteceu comigo neste post do blog do acadêmico e escritor (além de querido amigo) Fábio Fernandes, no qual ele comentava a tradição brasileira de consumir material internacional em traduções para o português, mas nem sempre seguida pela de fornecer material a ser traduzido para outras línguas:

Não há muitos livros brasileiros sendo traduzidos agora (eles são, mas não na mesma quantidade e velocidade com que livros estrangeiros são massivamente traduzidos para o português). Talvez esta seja a razão pela qual você não vai ver um romance ou um conto brasileiros na lista. Eu, por exemplo, tenho escrito minhas próprias histórias em inglês ultimamente. (Eu desisti totalmente de escrever ficção em português, por motivos pessoais, desde o início do ano - o que também é outra história - e estou escrevendo em inglês, então só espero que alguns dos meus bons e talentosos amigos brasileiros, como Romeu Martins, autor de um conto cujo trecho traduzi para The Steampunk Bible, nos honrem com sua presença na lista no futuro.)
Honrado estou eu por estas palavras, mal traduzidas por mim ai em cima. Assim como honrado eu fiquei de ter o trecho de "Cidade Phantástica" vertido para o inglês por um profissional que tem em em seu currículo a reconstrução de obras como Neuromancer, Laranja Mecânica, Snow Crash, A Fundação, O  Homem do Castelo Alto entre muitas outras. Como já disse em ocasiões diferente e em mídias diversas, este é um orgulho que ninguém pode me tirar: o de ter algo em comum com William Gibson, Alan Moore, PKD e outros mestres, pelo fato de termos um mesmo tradutor na figura de Fábio Fernandes. E tenho dito!

5.4.11

Boas novas internacionais

Estive o dia inteiro fora nesta terça-feira (entre outras coisas, assistindo a um filme que não tem a ver diretamente com o assunto deste blog, mas que devo resenhar por aqui ainda esta semana, a animação Rio, dirigida pelo brasileiro Carlos Saldanha para 20th Century Fox), e quando volto para casa, vejo duas ótimas notícias que me aguardavam no mundo virtual. A primeira delas, um emai de S.J. Chambers, co-editora, ao lado de Jeff VanderMeer, da Steampunk Bible (que tem uma tag por aqui). O contato foi para pedir meu endereço para me enviarem dentro de algumas semanas uma edição de colaborador daquela publicação. Como disse antes, haverá naquele livro um trecho da noveleta "Cidade Phantástica", traduzida para o inglês por Fábio Fernandes.

E a segunda novidade também diz respeito ao escritor e tradutor carioca. Dando uma olhada rápida no que me foi twittado hoje enquanto eu estava fora, li que ele acabou de vender uma nova história para o exterior, mais exatamente para a primeira edição de uma revista que trata de retrofuturismo. Ops, na verdade, ele acabou de me atualizar nos comentários: Fábio Fernandes vendeu uma história hoje, de fato, para outra publicação e, no mesmo dia, foi anunciada a publicação da revista de retrofuturismo, que já estava acertada anteriormente e sobre a qual vou falar a seguir. Vou fazer uma tradução rápida do post que anunciou o lançamento da Paleofuture Magazine:

A primeira edição de Paleofuture Magazine está disponível para compra! A versão impressa custa $11.99 e inclui download gratuito de um arquivo PDF  que ficará ótimo em sua futurística máquina computacional. Ou você pode escolher fazer apenas o download da versão em PDF por apenas $1.99.

A primeira edição de Paleofuture Magazine é inteiramente sobre comida, com 42 páginas de artigos, resenhas e imagens raras, a maioria dos quais nunca vistos anteriormente no blog  Paleofuture. A lista de colaboradores inclui Bob SassoneJosh Calder, Ryan V. Lower, Fábio Fernandes, e Mike Frodsham. Peça seu exemplar hoje!

Enfim, comecei o dia bem com a notícia dos meus colegas na coletânea Deus Ex Machina, vi um ótimo filme, encontrei muitas pessoas bacanas e ainda encerro a jornada com essas duas boas novas. Uma bela terça-feira, esta.

10.3.11

Damas e Cavalheiros: a Steampunk Bible 5

Jeff VanderMeer aos poucos vai matando a comunidade steamer internacional de ansiedade. O livro de referência que ele e SJ Chambers organizaram só chega ao mercado no feriado de Primeiro de Maio, mas, como vem fazendo aos poucos ao longo dos meses, ontem ele liberou a imagem de mais algumas páginas da - atenção para o nome completo - The Steampunk Bible: An Illustrated Guide to the World of Imaginary Airships, Corsets and Goggles, Mad Scientists, and Strange Literature. Desta vez o editora americano recebeu uma versão antecipada da obra em sua cada, da qual tirou algumas fotos e postou em seu blog. Reproduzo a capa, em seguida, mas para ver o aperitivo completo, só no Ecstatic Days.



Acho que nem preciso lembrar, mas como eu gosto de fazer isso, lá vai: nas páginas do livro há um excerto da minha noveleta "Cidade Phantástica", traduzida para o inglês por Fábio Fernandes, conforme pode ser visto nesta outra prévia antecipada por VanderMeer.

15.1.11

Luis Filipe Silva também fala sobre Vaporpunk

Na postagem anterior, destaquei uma entrevista em que um dos organizadores da coletânea Vaporpunk, Gerson Lodi-Ribeiro, comentava sobre os bastidores daquele livro. Acabo de encontrar na rede algo semelhante feito pelo outro organizador da obra, o português Luis Filipe Silva, em uma nota em seu blog Efeitos Secundários. Em uma retrospectiva dos lançamentos do mercado de ficção fantástica realizados no ano passado, o escritor e editor abriu 2011 relembrando os passos que levaram à produção daquele projeto binacional:

Surpreendendo pela forma como se tornaria em objecto de interesse internacional, o projecto de escrita de noveletas steampunk ambientadas em cenários históricos luso-brasileiros que veio a constituir a antologia Vaporpunk começou de uma forma relativamente discreta. 

A iniciativa partiu do Gerson Lodi-Ribeiro, conhecido autor, editor e antologista brasileiro, que tivera oportunidade de discorrer sobre o género steampunk com bastante detalhe no seu ebook Ensaios de História Alternativa. Aparentemente, tendo surgido a oportunidade conjunta de publicar-se pela primeira vez uma antologia de contos steampunk brasileiros, surgiu uma diferença de opiniões entre os participantes, sendo que o Gerson defendia que o steampunk é irmão do ramo da história alternativa, e logo apenas o formato noveleta, com a maior capacidade de elaboração, lhe poderia fazer justiça - poder pintar-se numa tela mais vasta, por assim dizer, do que na imagem concentrada, de postal, do conto.

Essa diferença tornar-se-ia irreconciliável e logo Gerson abandonaria amigavelmente o projecto inicial (que resultaria mais tarde em Steampunk - Histórias de um Passado Extraordinário, organizado por Gianpaolo Celli e publicado pela Tarja Editorial), para dar início a uma outra iniciativa - que não só pretendia oferecer aos autores a dimensão necessária para construirem universos paralelos, como a possibilidade «de receber trabalhos steampunks cujos enredos dissessem respeito, directa ou indirectamente, às culturas brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto social do avanço tecnológico precoce na história dessa(s) cultura(s). Vaporpunks, por assim dizer. [...] Em resumo, [...] enredos que mostrem o impacto social do emprego amplo e precoce de avanços tecnológicos nas culturas portuguesa e/ou brasileira. Tais enredos podem se constituir em passados alternativos ou em presentes alternativos.»

Complementarmente, a intenção do Gerson era de abrir convite às participações portuguesas, precisando para tal de um coordenador além-Atlântico. Foi aí que me envolvi no projecto.

Mais à frente, ao analisar as diferenças entre os nossos dois mercados na produção de FC, ele se mostrou otimista quanto ao modo de nossos países abordarem a cultura steamer e ainda fez referência a este blog:


Ou seja, resumindo, a conclusão que penso se possa tirar é que, se não conseguimos até hoje edificar uma Ficção Científica assumidamente portuguesa, nem capacidade para a identificar que características a definiriam, existe uma forte probabilidade de desenvolvermos um Steampunk em língua portuguesa.
A isto não será obviamente alheio o nosso pendor cultural (dos dois países) para tudo o que sejam questões históricas.

Se tal não ocorrer atempadamente em Portugal, sem dúvida que o Brasil conseguirá. Não só o fenómeno steampunk tem sido seguido e debatido desde há uns anos (caso contrário não se teria chegado a uma sofisticação do debate literário que conduzisse à criação simultânea de duas antologias de inéditos) como tem estado a impor-se como movimento artístico, a par do interesse internacional, com o surgimento de eventos sociais subordinados à temática e à estética dos ditos «mecanismos de mola e óculos de aviador», e sítios Web como a Cidade Phantastica e o Conselho Steampunk com «lojas» em algumas cidades brasileiras - entre outros.

4.12.10

Torre de Vigia 38

Mais de um ano depois do lançamento, surgem novas resenhas da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. O comentarista da vez é o quadrinista e escritor Mushi-san que escreveu a respeito do livro em seu blog. Para manter a tradição desta seção do Cidade Phantástica, irei postar abaixo a introdução do texto e a parte em que o resenhista se refere a meu conto, deixando o link para a íntegra aqui.


*Para mim*, steampunk é aquele gênero de histórias de ficção científica que tenta resgatar o clima das primeiras histórias do gênero: são passadas numa Era Vitoriana imaginária, com maquinários fantásticos (de computadores à maquinas voadoras, utensílios domésticos e tudo o mais) movidos à vapor cheias de engrenagens e rebites, a ciência vista como benéfica e progressista... É comum dizerem que são histórias ambientadas em universos similares aos criadores da FC como a conhecemos: Verne, Wells e cia.

(Falei em Ficção Científica, mas algumas vezes o gênero cai em História Alternativa, o que não deixa de ser interessante. Nesse volume, várias histórias poderiam ter como chamada "o que aconteceria se... a República não tivesse sido proclamada" ...deve ser nossa ucrônia favorita^^)

Eu sei que não é essa exatamente a explicação oficial pro termo, mas é quase (pros detalhistas, a wikipédia tá aqui, a um clique de distância) e foi com esse conceito em mente que peguei Steampunk – histórias de um passado extraordinário, lançado ano passado pela Tarja Editorial, uma das poucas no Brasil a investir de verdade em textos nacionais de Ficção Científica e Fantasia, pra ler :) O livro é uma onde autores nacionais escrevem nove histórias steampunk...

...ou quase isso. (...)


• "Cidade Phantástica" do Romeu Martins é o outro conto do livro que não me apateceu. Não sei se foi ter enredos demais num só conto (começa uma coisa, vira outra e termina como outra, como já me apontaram) ou se alguns personagens ficaram caricatos demais, ou se simplesmente não tem "novidades" na história. Não curti.

De repente, mui provável, eu que seja chato mesmo^^