A expressão do título é a opinião manifesta por Bruce Sterling em seu blog na Wired a respeito do Conselho Steampunk. O texano recebeu do cofundador do grupo brasileiro, o carioca Bruno Accioly, as últimas atualizações a respeito das atividades do conselho, todas elas já tratadas por aqui. Pela ordem:
Sobre como o SteamCast foi visto por mais de 50 mil pessoas em todo o mundo, com sua edição bilingue inglês/português e os bastidores da relização do segundo encontro virtual SteamCon, ambos mencionados no mesmo post por aqui;
O lançamento da Vapor Marginal (anunciado aqui) que, informa Accioly, em breve receberá uma versão disponível em RSS para que seus artigos, matérias, entrevistas e contos possam ser lidos de forma traduzida pelo Google Translator. Aliás, ao anunciar a lista de colaboradores da revista, o brasileiro nomeou a jornalista e modelo da capa Lidia Zuin, que recebeu um oi do escritor americano, que a conheceu em sua recente vinda ao Brasil.
Bruno Accioly encerrou a mensagem publicada por Bruce Sterling anunciando que em breve deverá mandar o link para o segundo SteamCast produzido pelo Conselho Steampunk. Como bem disse o homem que ajudou a desenvolver o subgênero "They’re like the steampunk emergent superpower". E se Mr. Sterling disse, está dito. Parabéns a Bruno e a todos os confrades por mais este justíssimo reconhecimento internacional!
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5.2.11
4.2.11
Damas e Cavalheiros: a Vapor Marginal - Artigo
Então, mesmo passando por um dos costumeiros apagões da Net em minha cidade, quero concluir a apresentação das minhas contribuições na revista oficial do Conselho Steampunk. A pedido do editor, Bruno Accioly, escrevi um artigo que tenta analisar o interesse dos brasileiros pelo século XIX e ao mesmo tempo o interesse dos estrangeiros pelo século XIX no Brasil. Claro que também fiz um link para o que a ficção fantástica tem a ver com isso, especialmente o subgênero steampunk. Segue o início do texto:
Usando apenas quatro algarismos nos títulos de seus livros, o escritor e jornalista Laurentino Gomes vem se consolidando como um produtor de best sellers em série sobre a História brasileira. Primeiro veio 1808, a respeito da vinda da família real portuguesa para esta sua colônia ultramarina na mais ousada fuga provocada pelas Guerras Napoleônicas. O sucesso atual é o de 1822, que conta os bastidores da Independência do Brasil do ponto de vista de múltiplos personagens. Para fechar a trilogia de momentos que definiram a identidade de nosso país, haverá ainda um 1889 a ser lançado em futuro breve com a narrativa da Proclamação da República. Há muito que se pensar por aí, nestas obras de divulgação que se tornam fenômeno de vendas atraindo o interesse de dezenas e dezenas de milhares de brasileiros sobre assuntos que eles viram em algum momento de suas vidas escolares.Continua na Vapor Marginal.
Ajuda a ter uma ideia ainda mais clara do quanto o tema é relevante para tantas pessoas se pensarmos além do que faz sucesso hoje. Por exemplo, qual foi o filme que marcou a retomada do cinema nacional, tornando-se um sucesso de público como há muito não era visto no país em meados dos anos 90? Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, uma visão burlesca daquele mesmo tema do primeiro livro de Laurentino Gomes. E qual foi o primeiro produto de exportação em massa de nossa produção audiovisual, uma telenovela que atingiu mais de uma centena de países tornando-se campeã de audiência em vários deles? A Escrava Isaura, de 1976, adaptação que Gilberto Braga fez para a rede Globo do livro de Bernardo Guimarães (1825-1884), que já podia ser considerado um sucesso na época do seu lançamento em 1875.
Como podemos perceber, o fascínio pela época não é de hoje e não se restringe apenas à realidade como foi registrada oficialmente. Algo no século XIX atrai leitores, espectadores, público em geral para dedicar atenção a livros de divulgação, a romances, a programas de TV e a filmes ambientados nele com um interesse acima da média. A mistura de um Império nos Trópicos, das lutas abolicionistas, dos grandes personagens daquele tempo, de um período que foi definidor para o presente em que vivemos parece ser irresistível a muito de nossos compatriotas. E não apenas a eles, como comprovou o consagrador sucesso que a citada novela Escrava Isaura alcançou em lugares de formação tão diferente da nossa quanto a Rússia e a China. Naqueles locais, a protagonista da trama, vivida pela atriz Lucélia Santos, se estabeleceu durante um bom tempo como embaixadora não-oficial de nossa televisão em particular e de nossa cultura em geral; e o vilão Leôncio Almeida, interpretado pelo saudoso Rubens de Falco (1931-2008), tornou-se uma encarnação do Mal. Palavras como senzala entraram para o vocabulário de pessoas que talvez nunca tenham visto pessoalmente um descendente de africanos.
E nada mais natural que as apropriações do Oitocentos não se restringissem apenas àquelas exercidas por historiadores, divulgadores e autores de ficção realista. Era de se esperar que em algum momento os escritores dedicados à ficção fantástica nacional fossem se voltar também para aquele período do tempo, usando tal século como matéria prima para suas criações de ficção científica, terror ou fantasia. E a liberdade para se especular com o passado, imaginar novas possibilidades históricas, reinterpretar personagens reais ou mesmo os ficcionais que o tempo encarregou de tornar sob domínio público é o caminho natural dessa tribo que atende pelo nome de steampunkers. Quando o casamento do fantástico local com o século XIX foi oficialmente celebrado em 2009, por ocasião do lançamento da primeira coletânea nacional dedicada ao tema, a história voltou a se repetir, dentro das devidas proporções que o nicho da literatura especulativa ocupa em nosso país.
3.2.11
Damas e cavalheiros: a Vapor Marginal - Entrevista
Como eu já havia postado antes por aqui o trecho do conto "Modelo B" que foi publicado na revista Vapor Marginal, farei o mesmo neste e no próximo post com minhas duas outras participações na revista do Conselho Steampunk. Começando com a entrevista que Cândido Ruiz fez comigo, via Gtalk, sobre este blog, a noveleta homônima e diversos outros assuntos. Abaixo, seguem alguns trechos, a íntegra pode ser lida na revista:
Vapor Marginal: Bem, falemos um pouco então sobre "Cidade Phantástica". A Noveleta e o universo que a permeia. Inspiração?
Romeu Martins: Foi tudo planejado a partir do convite para escrever na coletânea. Eu nunca tinha pensado a sério em escrever algo no gênero, apesar de que em um conto dos terroristas, "Espírito animal", já dava uma brecha para algo assim. Na época do convite, feito por Gian Celli, estava comprando uma série de revistas de uma coleção da História Viva sobre as estradas de ferro no Brasil. Numa das edições, a primeira, eles relembravam que o Barão de Mauá era citado no livro Da Terra à Lua de Jules Verne. Esse foi o embrião de tudo. (...)
Vapor Marginal: Este resgate da cultura brasileira por meio de personagens históricos e oriundos de telenovelas foi planejado? Acredita que este seja um papel importante da literatura nacional?
Romeu Martins: Eu não gosto de levantar bandeiras, nem de pregar algo tão controverso quanto o nacionalismo. Mas não vou negar que a ideia de fazer um resgate do tipo me agrada. Veja, as inspirações iniciais daquele texto foram o romance de um francês, Jules Verne, e o conto de um inglês, Artur Conan Doyle.
Mas eu queria que a história tivesse algo de nacional, para não simplesmente se passar no Brasil. Então, pensei num personagem, em domínio público, como os outros, que é também o mais famoso vilão da ficção brasileira. Achei isso simplesmente irresistível usá-lo na noveleta. O romance de onde ele veio foi escrito no século XIX e também foi adaptado em telenovelas de muito sucesso. A telenovela é nosso folhetim, nossa literatura pulp em forma eletrônica. Acho que é uma homenagem justa algo assim estar ao lado de Verne e de Doyle. Mas há mais um pouco de literatura brasileira em “Cidade Phantástica”. Ela se encerra com uma citação a Machado de Assis, mas usada numa brincadeira com histórias em quadrinhos. Esse é um dos grandes baratos do steampunk. Podemos nos apropriar de coisas que marcaram a vida de gerações anteriores e usar para algo nosso. E uma das coisas mais complicadas da noveleta foi mexer com tantos elementos díspares.
Eu uso nela personagens de Verne entre uma página e outra de um mesmo livro. No caso do conto do Doyle, a história se passa anos antes de quando os personagens em questão foram criados, quando eles ainda eram jovens. E no caso do livro brasileiro, a noveleta é situada quase dez anos depois do período em que ela se passa. Harmonizar tudo isso foi um desafio muito legal, teve uma boa dose de pesquisa ali.
Vapor Marginal: Dois elementos bastante peculiares na noveleta que gostaria que comentasse, são a presença do Gun Club e existência de uma Malta tão peculiar.
Romeu Martins: O Gun Club é uma criação maravilhosa de Verne. Engenheiros bélicos americanos querendo um uso pacífico para seus conhecimentos. A gênese da NASA!
Claro que o sonho de Impey Barbicane não poderia agradar a todos e foi um prazer caçar um descontente no meio daquele grupo ;) A Malta foi uma interação muito legal com meus beta readers. No início eu queria brincar com as expressões que Alan Moore usa em sua série Liga Extraordinária. O nome da gangue de assaltantes de trens seria Vagabundos Vaporosos. Uma beta gostou, outros dois odiaram. Daí mudei pra Malta do Vapor. Veja que a ideia era brincar com a questão da tradução mal feita, como fizemos naquele site, O Malaco.
Na mesma frequência de usar personagens brasileiros no meio de criações estrangeiras. Pelo mesmo motivo que João Fumaça vira John Steam quando os americanos falam com ele.
Então Malta do Vapor é igual a Vagabundos Vaporosos que é igual a... SteamPunk ;)
Vapor Marginal: O Web-site surgiu para divulgar a noveleta e acabou se transformando em um folhetim steampunk bastante popular. Como foi esta transformação?
Romeu Martins: Pois é, aquele era pra ser um blog totalmente descartável. A ideia era apresentar o universo e interagir com os comentaristas, para me ajudar a fazer algo que nunca tinha feito: um texto ficcional maior que um conto.
Mas eu gosto de, sempre que possível, tentar agregar mais gente, interagir mais com mais autores. Então, ao longo dos meses, a coisa passou a ser um blog sobre o projeto de outras pessoas também.
Acho que começou com uma resenha de uma flash fiction que o Fábio Fernandes publicou no site Everyday Weirdness. Que na época eu nem sabia, mas, foi a base do conto que ele publicou também na coletânea SteamPunk, da Tarja.
Dai pra frente, comecei a ver o que estava acontecendo no país em termos de produção nacional no gênero e tudo o que fiquei sabendo fui publicando por lá. Começou como uma ferramenta auxiliar pra noveleta, passou a ser o espaço da clipagem das resenhas do livro e uma fonte de informação sobre o steampunk no Brasil.
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2.2.11
Damas e Cavalheiros: a Vapor Marginal
Agora, sim! Eu estava louco para comentar, mas esperei um pouco para que fosse possível arrumar um pequeno problema na edição do meu conto. Mas agora, com tudo solucionado, tenho o prazer de anunciar a primeira publicação oficial do Conselho Steampunk: a revista virtual Vapor Marginal. Clicando no link ao lado, os leitores terão duas opções, a de baixar o arquivo pdf com a íntegra da revista ou ainda folhear eletronicamente as impecáveis 40 páginas do material. Tenho a honra de estar presente nesta edição de lançamento de maneira tripla.
Primeiramente, através da publicação do meu citado conto, "Modelo B", que se passa no mesmo universo da noveleta "Cidade Phantástica" e que foi ilustrado pelo cartunista veterano da Mad Tiburcio. Depois, por meio de um artigo no qual tento analisar rapidamente o interesse de nós, brasileiros, pelo século XIX. E finalmente, também fui um dos entrevistados neste número inaugural, oportunidade que tive para responder perguntas do meu camarada Cândido Ruiz sobre esta página que vocês estão lendo, entre outros assuntos. Mas minha participação é apenas uma pequena parte de tudo o que a Vapor Marginal tem a oferecer aos leitores, entusiastas da cultura steamer. Por isso mesmo, vou deixá-los com o manifesto/editorial de Bruno Accioly que apresenta mais esta inestimável contribuição à ficção fantástica brasileira.
Primeiramente, através da publicação do meu citado conto, "Modelo B", que se passa no mesmo universo da noveleta "Cidade Phantástica" e que foi ilustrado pelo cartunista veterano da Mad Tiburcio. Depois, por meio de um artigo no qual tento analisar rapidamente o interesse de nós, brasileiros, pelo século XIX. E finalmente, também fui um dos entrevistados neste número inaugural, oportunidade que tive para responder perguntas do meu camarada Cândido Ruiz sobre esta página que vocês estão lendo, entre outros assuntos. Mas minha participação é apenas uma pequena parte de tudo o que a Vapor Marginal tem a oferecer aos leitores, entusiastas da cultura steamer. Por isso mesmo, vou deixá-los com o manifesto/editorial de Bruno Accioly que apresenta mais esta inestimável contribuição à ficção fantástica brasileira.
2011: A Revolução do Vapor
Seja bem vindo ao Futuro do Pretérito
Uma Máquina a Vapor à Margem do Tempo
É preciso dizer que este periódico é o veículo através do qual mais se poderá compreender cada um daqueles que retiraram o SteamPunk do papel e do acetato para transformá-lo em no Movimento SteamPunk.
Mesmo com todos os recursos oferecidos pelos podcasts, vidcasts, e tudo mais de que viemos lançando mão nos últimos dois anos para alcançar entusiastas como você, é aqui que cada um que colaborou com a confecção deste periódico pode se expressar com profundidade.
É aqui que os membros participantes do Conselho SteamPunk encontram espaço e tempo para se colocar à margem do momento histórico em que vivem de fato para embarcar em uma viagem crononáutica em direção à uma Era do Vapor que jamais aconteceu.
Vapor Marginal é mais que uma revista sobre um gênero literário ou sobre um movimento nele baseado, mas a manifestação orgânica, caótica e fervilhante do imaginário daqueles que aqui se expressam, em um periódico aberta e intrinsecamente anárquico, mas norteado pelo porpourri de valores nobres, éticos e morais que talvez tenham existido mais na ficção que na dura realidade e que vão nortear a Revolução do Vapor em 2011.
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