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28.1.11

1000 Universos - Primeira resenha

Comecei o mês com um post sobre o ebook que publicou meu primeiro conto em 2011:

Saudações, amigos da Malta do Vapor. Primeiro post do ano, primeira publicação do ano. Junior Cazeri, do blog Café de Ontem, deu início nesta segunda-feira a um projeto muito interessante. Ele vai organizar periodicamente uma série de antologias de ficção fantástica virtuais, reunindo em um mesmo espaço autores de FC, fantasia e horror. A edição de estreia de 1000 Universos é esta que vocês podem ver abaixo (arte de um quase xará, Rodrigo Martins), seguida do prefácio escritro pelo criador da empreitada:



Eis então que percebi ontem que já saiu a primeira resenha da publicação (que pode ser baixada aqui) no blog do Absurdo Fantástico, do paulista Amadeus Paes. Alertando desde já que o texto dele apresenta alguns spoilers (por isso recomendaria ler a 1000 Universos antes), vou republicar abaixo o início da análise do blogueiro, o trecho em que ele comenta meu miniconto e o encerramento. Para ler a íntegra, basta clicar aqui:

Iniciativa do blog Café de Ontem, com apoio incondicional do blog Absurdo Fantástico, pensando pelo lado comercial, é ótimo que incentivamos e consumamos a literatura fantástica, quanto mais portas melhor e assim devagarzinho nós vamos conhecendo novos autores e novas possibilidades.


O número 1 da revista 1001 universos tem 112 páginas e é distribuído gratuitamente, o link está no final do post, inclusive estão abertas as inscrições para o nº 2. Temos as seguintes histórias e autores:

(...)Amazonia Underground – Romeu Martins

É um pequeno conto steampunk com nuanças de Arthur C. Doley e Julio Verne, o autor explica os detalhes de suas personagens, eu percebi estas nuanças antes de ler as explicações.

É a história de um aventureiro inglês que se embrenha na floresta amazônica, ainda na época do império e que está metido numa enrascada da qual ele precisa achar uma solução para salvar a sua pele.

O conto é bem simples, mas vale à pena a leitura para se familiarizar com o universo steampunk.

*Steampunk: Existem algumas definições para este gênero: Mas eu creio que a mais certa seja histórias com tecnologias avançadas movidas a motores a vapor, causando uma distopia na sociedade. (...)

1001 Universos

Gostei da iniciativa, o numero de páginas está bom, está bem legal pra ler no netbook, notbook e i-pad, aguardo ansiosamente pelo número 2.

Ótima Obra.

Para Baixar e participar do nº 2:

http://cafedeontem.wordpress.com/2011/01/03/1000-universos-01/#more-1081

3.1.11

Para começar 2011 com estilo

Saudações, amigos da Malta do Vapor. Primeiro post do ano, primeira publicação do ano. Junior Cazeri, do blog Café de Ontem, deu início nesta segunda-feira a um projeto muito interessante. Ele vai organizar periodicamente uma série de antologias de ficção fantástica virtuais, reunindo em um mesmo espaço autores de FC, fantasia e horror. A edição de estreia de 1000 Universos é esta que vocês podem ver abaixo (arte de um quase xará, Rodrigo Martins), seguida do prefácio escritro pelo criador da empreitada:



O que é o fantástico? Mundos, criaturas e aventuras que estão além do nosso cotidiano modesto? O calafrio do horror, o encanto diante da fantasia e o assombro contemplando um futuro distante?

Definir o fantástico é aprisioná-lo. E isso é um tanto injusto, dadas as possibilidades infinitas que ele nos oferece. Eu descobri o fantástico nos desenhos animados, depois nos quadrinhos, cinema e literatura. Como em uma viagem sem fim, estou sempre a redescobri-lo, em palavras e imagens.

Hoje, eu lhe convido a participar desta busca, deixando-se guiar pelas palavras hábeis e imaginação fértil dos escritores aqui presentes que, tão gentilmente, cederam seus trabalhos para que nós, juntos, pudéssemos mais uma vez descobrir o fantástico e suas vastidões. São universos sem fim, arrepiantes, encantadores e
assombrosos. Sente-se confortavelmente, tome fôlego, relaxe e aprecie. Permita-se sonhar e, sonhando, crie o seu próprio universo.

E entre as mais de 100 páginas eletrônicas deste ebook, estou lá com uma versão atualizada do primeiro miniconto steampunk que escrevi. "Amazônia Underground" agora faz parte oficialmente do mesmo universo da noveleta homônima deste blog, além de outros dois trabalhos ainda inéditos, "Tridente de Cristo" e "Modelo B". Com as mudanças feitas no miniconto, ele passa a ter as mesmas características dos demais textos: o protagonista João Fumaça interage nessas histórias apenas com outros personages ficcionais, retirados das obras dos mais diversos escritores, sejam eles brasileiros ou estrangeiros. Um lista de referência ao final vai ajudar a situar os leitores.

Para baixar esta edição inaugural de 1000 Universos, que traz ainda colaborações de Georgette Silen, Marcelo Paschoalin, Miguel Carqueija, Ana Cristina Rodrigues, M.D. Amado, Marcelo Galvão e Ana Lúcia Merege, basta visitar o endereço do blog de Junior Cazeri. Agradeço a ele pela oportunidade e dou os parabéns aos colegas que vou ter o prazer de ler nos próximos dias.

5.1.10

Brazilian Steampunk

O vvb32 Reads é um espaço para compartilhar livros para jovens adultos (YA books). Em um post do dia 21 de dezembro, a responsável pelo site, uma auxiliar de administração de San Francisco, na Califórnia, dedicou uma postagem ao steampunk, uma das especialidades da casa - as outras são zumbis, vampiros, material japonês e Jane Austen.



O destaque foi para o que se produz aqui, neste lado do mundo: A coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário aparece com sua capa reproduzida. O site ainda faz links para outros assuntos que foram anunciados em nosso endereço. A entrevista do empresário Bruno Aciolly, do Conselho Steampunk, à coluna Beyond Victoriana; a resenha do livro feita por Larry Nollen em Off Blog of the Fallen; e ainda, para a minha alegria, indicou a seus leitores meu conto "Underground Amazon", spin-off do "Cidade Phantástica", traduzido para o inglês por Ludimila Hashimoto, e o qual foi feito originalmente para outro blog californiano, o do artista plástico Tom Banwell.

Diante do entusiasmo da blogueira, que disse estar ansiosa pela tradução para o inglês dos nove textos que fazem parte do livro, passei o endereço do vvb32 Reads à equipe da Tarja editorial. O comentário do editor responsável pela primeira coletânea nacional do gênero, Gianpaolo Celli, foi promissor para a vontade daquela leitora potencial: "Podem acreditar que esta é uma ideia que estamos considerando já faz algum tempo". Fica a torcida para que em breve leitores anglófonos possam conhecer mais do Brazilian Steampunk.

25.9.09

Cidade Phantástica - o spin-off

Escrevi a história abaixo para participar de um concurso organizado pelo artista plástico californiano Tom Banwell, antes mesmo da publicação de "Cidade Phantástica" na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Trata-se de um spin-off, uma trama derivada de uma obra original, que utiliza o mesmo universo, o mesmo personagem principal daquela noveleta mas em um outro período do tempo, vinte anos no futuro.

Resolvi publicar por aqui o conto e a tradução dele, feita por Ludimila Hashimoto (responsável pela versão em português de alguns de meus escritores favoritos, como Alan Moore, Hunther Thompson, Terry Pratchett e Philip K. Dick) quando vi as fotos do capacete de exploração subterrânea que inspirou a narrativa que Banwell publicou em seu blog . Antes disso, a versão em inglês já havia saído na página daquele artista americano e eu mesmo já postara ambos os textos em meu outro blog, o Terroristas da Conspiração.

Underground Amazon

By Romeu Martins
Translated by Ludimila Hashimoto
Picture by Tom Banwell

Percy Fawcett told me he still felt he’d die in the Amazon. If I didn’t find a way to help him, that would be the day: the young explorer would be sliced by the man hired to guide him in the forest. Torres was a slave hunter before slavery abolition in Brazil. I never trusted him, but did not expect the bastard would blow up the tunnel right after he left the cave, leaving me unarmed and isolated. Thanks to a helmet I survived the landslide.

Rocks blocked the cave mouth, leaving just a gap through which I saw the traitor threaten the boy outside. A damn time for J. Neil Gibson to come up with the idea of the expedition! The American became a millionaire when he was young and found gold in the Amazon. But he wanted more. He used money to get the English adventurer to search for new precious resources under the jungle. Now the Brazilian slaver was doing the same, using a knife instead. He was forcing the boy to tell him the location of a diamond streak.

How did I get myself into this? Luckily or not, I met Gibson two decades ago. I had just entered the Brazilian police and saved his life in Rio. My reward, twenty years later: he decided to take me on the expedition. He is a U.S. senator, influential in the court of the Brazilian Empire, so I came against my will. Everyone calls me John Steam. Not my real name: my mother delivered me in a steam train in England. I am Fawcett’s fellow citizen, but I came from a village called Wold Newton, whose only memorable event was a rock falling from the sky, 45 years before I was born.

The thought of the meteor gave me an idea. The explosion had disarmed me. Except for the underground exploration helmet, I only had a pickaxe. Not enough to break through the rocks, but I had my tricks. The engineers had added an oxygen canister to the helmet so that I could breathe in closed environments. Though it was not the case in the gallery, the accessory would be useful. I took it off my back, detached it from the hose that connected it to the mask and placed it in the hole.

Without that opening I would be in the darkness if it weren’t for the electric candle adjusted to the helmet. Thanks to the artificial glow I could lift the pick and strike the safety valve on the canister. Not enough. Just caused sparks that would have pierced my eyes, if it weren’t for the goggles. Torres had certainly heard the clap. My second blow had to be precise.

So it was: the seal was opened and the compressed oxygen released. As if it were a Chinese rocket, the canister took off. My makeshift projectile only stopped after breaking the assassin’s spine. Percy Harrison Fawcett’s omen of death in the Amazon would have to wait.

Amazônia Underground

Por Romeu Martins
Foto de Tom Banwell

Percy Harrison Fawcett me disse que sentia que ainda morreria na Amazônia. Caso eu não encontrasse um meio de ajudá-lo aquele seria o dia: o jovem explorador seria fatiado pelo homem contratado para guiá-lo naquela floresta. Torres tinha sido um caçador de negros muitos anos atrás, antes da abolição da escravatura no Brasil. Nunca confiei nele, com suas cicatrizes de cortes espalhadas pelo corpo, mas não esperava que o desgraçado fosse provocar a explosão do túnel, logo depois de deixar a caverna, me deixando desarmado e isolado. Sobrevivi porque o capacete protegeu minha cabeça do deslizamento.

As pedras barravam a passagem, deixando só uma fresta por onde eu enxergava o traidor ameaçar o garoto no lado de fora. Maldita hora em que J. Neil Gibson inventou aquela expedição! O americano ficou milionário por descobrir ouro na Amazônia quando jovem. Mas ele queria mais. Usou dinheiro para convencer o aventureiro inglês a buscar novas riquezas debaixo da mata. O ambicioso escravista brasileiro fazia o mesmo, mas usando um facão de lâmina larga, chamado machete: obrigava o rapaz a lhe contar a localização de um veio de diamantes.

Como me meti naquilo? Por sorte ou azar, conheci Gibson duas décadas atrás. Eu tinha acabado de entrar para a polícia ferroviária brasileira e salvei a vida dele no Rio de Janeiro. Minha recompensa, tantos anos depois: fez questão que eu participasse daquela empreitada. Como ele é senador nos EUA, influente junto à corte do Império do Brasil, virei voluntário contra a vontade. Todos me chamam de João Fumaça. Não é meu nome verdadeiro: minha mãe me deu à luz em um trem a vapor na Inglaterra. Sou conterrâneo de Fawcett, mas eu vim de um vilarejo chamado Wold Newton, cujo único acontecimento memorável foi uma pedra que despencou dos céus lá, 45 anos antes de meu nascimento.

Lembrar do meteorito me deu uma ideia. Como eu disse, a explosão me desarmara, tirando o capacete de exploração subterrânea, só me restava uma picareta. Ela não seria suficiente para abrir caminho pelas pedras, mas tenho meus truques. Os engenheiros que projetaram o capacete instalaram um tanque de oxigênio para eu respirar em ambientes fechados. Não era o caso daquela galeria, mesmo assim o cilindro seria útil. Eu o tirei das costas, desatei da mangueira que o prendia à máscara e o posicionei no buraco.

Sem aquela abertura eu ficaria na escuridão não fosse outra engenhosidade, a vela elétrica embutida no capacete. Graças ao brilho artificial, pude erguer a picareta e golpear a válvula de segurança do cilindro. Não foi o bastante. Provoquei faíscas que, não fossem os óculos de proteção, teriam furado meus olhos. Torres certamente ouvira o badalo. Meu segundo golpe teria que ser certeiro.

E foi: abriu o lacre e libertou o oxigênio comprimido. O assobio lembrava um furacão, como se fosse um foguete chinês, o tubo alçou voo. Meu projétil improvisado só parou depois de quebrar a coluna do assassino. Foi assim que Percy Harrison Fawcett sobreviveu à sua primeira aventura amazônica.

3.6.09

And the winner is...

Saiu o resultado da competição que anunciei abaixo. Tom Banwell recebeu ao todo oito contos vindos de cinco países diferentes. O escolhido foi o texto do americano Terry Sofian que pode ser lido aqui.

Mas o organizador da disputa publicou também os demais escritos. Os sete autores mandaram textos do Reino Unido, Canadá, Cingapura e Brasil. Sim, nosso país esteve representado por mim, que enviei um conto que se passa no mesmo universo da noveleta "Cidade Phantástica" - e que contei com a tradução de Ludimila Hashimoto - e por Felipe Vasques, autor de "Eyes in the dark". O material pode ser conferido no blog de Banwell.

E no meu outro blog, o aniversariante Terroristas da Conspiração, os leitores podem conferir o conto "Amazônia underground" em protuguês e em inglês, além de conferir uma lista das referências que foram utilizadas nele.

Boa leitura!