13.2.12

Torre de Vigia 40

Quando comecei esta seção que monitora resenhas e matérias sobre a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário não imaginava que ela fosse chegar a tantos exemplos nem que ela continuaria em atividade, quase três anos depois do lançamento do livro da Tarja Editorial. Mas eis que o livro ainda gera repercussões que merecem o registro por aqui. Caso da lista que a equipe do blog da livraria Martins Fontes pediu para ser elaborada por um velho conhecido do Cidade Phantástica, Octavio Aragão. A proposta foi a que segue abaixo:

Convidamos o designer gráfico, professor universitário e escritor Octavio Aragão para fazer uma seleção de livros que representem o que existe de mais importante no Steampunk, um subgênero da ficção científica.
A literatura steampunk é construída através de narrativas que aconteceram no passado, ou em um mundo paralelo semelhante a algum período da nossa história, com alguns avanços tecnológicos semelhantes aos atuais, mas alcançados com tecnologia de época. Ou seja, computadores feitos de madeira e engrenagens, aviões a vapor, máquinas do tempo alquímicas etc.
Sendo assim, foi montada uma listagem com dez obras consideradas essenciais para entender o gênero, sendo que o livro a ocupar a sexta posição é o que segue:



6) Steampunk, vários
Antologia de contos brasileiros onde se pode ler, entre outras coisas, o que aconteceria se Brás Cubas tivesse comercializado seus famosos unguentos; se dois personagens de Júlio Verne tivessem se enfrentado, submarino contra aeróstato; ou como seria a história do mundo caso um contato imediato tivesse ocorrido no século XIX.
A lista completa pode ser conferida aqui, valendo lembrar que boa parte dos livros foram resenhados neste blog.

10.2.12

Nova resenha das Aventuras Secretas

A primeira coletânea nacional de contos baseados no mais famoso personagem de Arthur Conan Doyle ganhou nova avaliação crítica ontem, desta vez pelo jornalista e escritor Antonio Luiz M.C. Costa, em seu blog no site da revista CartaCapital. Seguindo a tradição desta página, reproduzo o início do texto, o trecho que se refere ao meu conto e deixo os leitores ao final com o link para o texto completo.

Desde o início, o detetive da Baker Street se fez notar como um personagem capaz de ganhar vida própria, para além da vontade do autor. Em 1893, quando Conan Doyle quis livrar-se dele para se concentrar em romances históricos mais sérios e o matou em O Problema Final, fãs e editores indignados o obrigaram a ressuscitá-lo e a continuar escrevendo suas histórias. Muitos acreditaram que seus personagens realmente existiam e escreveram cartas para o inexistente endereço da Baker Street 221B.
Escrever histórias apócrifas sobre Holmes é uma tradição inaugurada em 1907, vinte anos antes da morte de Conan Doyle. Os pioneiros foram um time de escritores alemães dentro de uma série chamada Arquivos secretos de Sherlock Holmes, traduzida em francês. E desde que Holmes caiu oficialmente em domínio público, a tentação de reinventar o personagem e suas histórias tornou-se irresistível para seus fãs em todo o mundo. Inclusive no Brasil, onde a Editora Draco acaba de lançar Sherlock Holmes – Aventuras Secretas (264 págs., R$ 46,90), organizada por Marcelo Galvão, cujos contos, na maioria, valem a leitura.
A introdução, de Carlos Orsi, lembra como, em 1911, o padre anglicano Ronald Knox fez uma palestra intitulada Um estudo da literatura de Sherlock Holmes, no qual aplicava aos romances e contos publicados até então por Conan Doyle os mesmos métodos aplicados pela Alta Crítica aos Evangelhos, tratando o detetive como realmente existente e procurando, pela primeira vez, atar as pontas soltas deixadas por Doyle.

Na verdade, como está bem sinalizado ao longo do livro, a coletânea foi organizada por Marcelo Augusto Galvão em parceria com Carlos Orsi. Segue abaixo a parte da resenha que registra opiniões e informações sobre meu conto:

O caso do desconhecido íntimo, de Romeu Martins, mantém Sherlock Holmes e John Watson, mas lhes dá destinos completamente diferentes. Em vez de ser um brilhante detetive, Holmes industrializa o reagente para hemoglobina cuja invenção anunciara no primeiro romance, Um estudo em vermelho e se torna um próspero empresário. Quanto a Watson, enlouquece logo depois de conhecê-lo, delira com aventuras detetivescas que imagina viver em sua companhia e escreve os romances e contos que conhecemos até que, indigente e agonizante, é recolhido a um hospital.
Ao ler seus escritos, o médico que o atende avisa Holmes – protagonista e narrador – que visita o Watson já inconsciente, mas nada compreende. Infelizmente, nem o leitor. Nenhuma revelação interessante sobre a causa dos delírios, nenhum lampejo de inspiração sobre o relacionamento da dupla ou a natureza da loucuraem geral. Este Holmes, talvez o mais obtuso já imaginado, vê Watson como uma monstruosidade incompreensível e sem sentido. Compara-o ao homem-elefante Joseph Merrick, atendido no mesmo hospital e não mostra nem sombra da perspicácia que o tornou célebre na pena de Conan Doyle e que retorna na maioria dos contos desta antologia.
Desajeitado na forma e prosaico no conteúdo, o conto trivializa seus personagens e lhes rouba o encanto sem nada ter para dar em troca. Notam-se também alguns anacronismos: Watson recebe medicação intravenosa, prática criada só nos anos 1930 e Holmes dirige uma grande empresa de pesquisa especializada, décadas a frente do tempo. Amostra:

O jovem médico se aproximou de mim e tocou em meu ombro, fazendo o mesmo rosto que, presumo, deveria dedicar àqueles a quem era obrigado a dar notícias sobre a proximidade da morte.
– Seria tão fácil quanto falso eu dizer que posso imaginar o que sentiu ao ler aqueles textos. Creio que ninguém poderia se pôr no lugar do senhor, para saber o que se passa em seu espírito com toda esta situação tão inusitada.
Não posso negar o quanto estava confuso desde que, em meu escritório, recebera o baú repleto de papéis escritos com uma caligrafia que ficava mais errática com o tempo. Desvendar a forma, no entanto, não era mais difícil do que aceitar o conteúdo, com tudo o que dizia respeito a mim. Ou, pelo menos, a uma versão possível de mim, da minha vida, do meu passado, e até mesmo, do meu futuro…
Por isso tudo, com tamanha confusão, não me sentia à vontade para desabafar a respeito com o médico, que conheci superficialmente anos antes e de quem não ouvira falar desde então. A única coisa que me ocorreu responder foi:
– Esta parte do hospital é bem mais tranquila que o ponto onde entrei, não?
Vale dizer que, quanto aos anacronismos notados pelo autor do texto, eles são elementos próprios da ficção especulativa que permite fazer avançar situações como a criação de uma empresa especializada na área de química ou as pesquisas em relação a tratamentos intravenosos da mesma forma que ocorre com a descoberta antecipada em mais de meio século de um equivalente do nosso Luminol ou ainda a construção de toda uma ala fictícia do bem real London Hospital, onde o Homem Elefante de fato esteve internado na década de 80 do século XIX. Por falar nisso, ao contrário do que diz a resenha, no conto não é Holmes quem compara Watson àquela figura histórica, mas sim outro personagem que faz essa relação reiteradamente.

A íntegra de "Sherlock Holmes em oito reencarnações" pode ser lida aqui.

7.2.12

Primeira resenha das Aventuras Secretas

Recebi ontem por email a primeira resenha dedicada à coletânea Sherlock Holmes - Aventuras Secretas, editada pela Draco. A autoria dos comentários é de Pedro Dobbin, resenhista regular deste blog e que me autorizou a postagem do texto a seguir, pelo qual já lhe deixo os meus agradecimentos e o convite a outros críticos para que também registrem suas opiniões:






Sherlock Holmes - Aventuras Secretas


Organizado por Carlos Orsi e Marcelo A. Galvão
Editora Draco, 2012, 264 páginas.

Uma coletânea de contos de Sherlock Holmes escrita por autores brasileiros. Com uma introdução ao que se chama de Grande Jogo escrita por Carlos Orsi, onde este explica de forma clara esse esporte intelectual que une pessoas do mundo inteiro na busca da “verdade” que se esconde em cada história do famoso detetive. Só essa introdução já vale a pena o livro e aqueles pouco familiarizados com a obra de Conan Doyle terão oportunidade de conhecê-la um pouco mais.

Ao final temos uma apresentação dos autores, com um desenho de cada um deles. Recomendo a leitura antes de iniciar o mergulho no restante, assim temos a oportunidade de saber um pouco sobre quem são e o que fazem cada um deles.

A aventura do americano audaz - um relato póstumo de John H. Watson, MD.
Octávio Aragão

A descoberta de documentos da família do autor trazem à luz uma história fascinante em que Watson narra uma aventura de Holmes desconhecida até o momento. Nesta aventura, Holmes tem a oportunidade de lidar com outra criação literária, dos clássicos da literatura de horror, e a forma com que a ação se desenrola é no mínimo surpreendente.

Destacam-se as referências ao cânone sherlockiano e o tom realista que o autor imprime à história. Embora pessoalmente eu tenha me surpreendido, pois os outros contos do autor que tive oportunidade de ler tinham uma ação vertiginosa e de tirar o folêgo, nesta história ele avança de outra forma, criando um clima de suspense e nos transportando ao ambiente sherlockiano com bastante realismo.

Excelente história, enredo bastante criativo e original.

Das reminiscências do Dr. Ormond Sacker, Clínico Geral
Marcelo A. Galvão

Numa realidade alternativa, Holmes irá investigar o assassinato de Watson junto com seu parceiro Sacker. Uma trama bem feita, com alguns toques de erotismo.

A aventura do falso Dr. Watson
Carlos Orsi


Para investigar a morte da esposa de Watson, Holmes se disfarça de...Watson!. Explorando a crença de Doyle no espiritismo o autor conseguiu montar uma trama envolvente e original. Excelente conto.

O caso do detetive morto
Cirilo S. Lemos


O Doutor Joseph Bell e Arthur Conan Doyle vão a Paris investigar a morte do famoso detetive Dupin. Para quem não sabe, o Doutor Joseph Bell foi professor de Doyle na vida real e muito se comenta sobre ter sido ele a inspiração para a criação de Sherlock Holmes. Quando ao detetive Dupin, trata-se da criação de Edgar Allan Poe. Muito boa história e o final é bastante surpreendente.

O caso do desconhecido íntimo
Romeu Martins

Um Holmes que não é um detetive famoso, mas um inventor, visita no sanatório ninguém menos que John Watson. Embora este não possa mais se comunicar, estando às portas da morte, a descoberta de escritos que mostram uma parceria entre os dois e sua pessoa como um famoso detetive deixam Holmes pensativo. Excelente conto, mostrando o que poderia ter acontecido se, por um motivo qualquer, a famosa dupla não tivesse tido oportunidade de se formar. Destaque para o momento em que Holmes tem uma intuição de que as histórias de Watson acontecem em outra realidade.

A aventura do penhasco dos suicidas
Alexandre Mandarino

Na primavera de 1944, ao investigar uma morte no Penhasco dos suicidas o inspetor Wells conta com a ajuda de um misterioso senhor que com seu método as vezes estranho acaba por elucidar o que de início parecia um suicídio. Destaque para as revelações ao final do conto.

Um estudo em Azul
Rosana Rios

Uma estagiária de uma delegacia paulista e seu colega de apartamento investigam uma ossada descoberta após a demolição de uma casa antiga. A estagiária parece-se, a cada parágrafo do conto, mais e mais com o nosso famoso detetive enquanto as investigações sobre a ossada levam a hipóteses que são no mínimo surpreendentes. A única participação feminina do livro é também um dos seus pontos altos. O conto é excelente e muito gostoso de ler.

O punhal adamantino do vazio
Lúcio Manfredi

Sherlock Holmes enfrenta seu pior inimigo numa aventura que parece de início ser um delírio a que foi levado nosso grande detetive, mas que acaba por mostrar algo totalmente inesperado. Nota-se a sequência de aparecimento de inimigos/amigos e a descrição dos raciocínios que, a meu ver, mais se aproxima do pensamento de Holmes no livro.

Conclusão


Oito contos, todos de excelente qualidade, os autores conhecem bem a obra do Conan Doyle e conseguiram criar histórias muito interessantes. Acredito que qualquer um que se interesse pelas histórias de Sherlock Holmes encontrará no livro uma fonte de entretenimento e prazer, os que não conhecem podem aproveitar para iniciar um primeiro contato. Não encontrei pontos negativos, exceto, uma falha de revisão na página 134 onde dois “que” aparentemente foram suprimidos.

3.2.12

Sherlock Holmes - Aventuras Secretas no Notícias do Dia

Nesta sexta-feira saiu uma matéria no jornal Notícias do Dia, ligado ao grupo RIC Record, divulgando a coletânea Sherlock Holmes - Aventuras Secretas, da editora Draco. O livro que terá lançamento oficial amanhã, em São Paulo, ganhou o destaque principal do caderno de cultura do jornal, o Plural. Devo esta postagem a um quarteto de queridas profissionais: Carol Macário, que me entrevistou; Débora Klempous, que cuidou das fotos; Dariene Pasternak, que edita o caderno e pautou a matéria; e Naiara Lima, a designer que gentilmente me escaneou a página do jornal para eu poder postar aqui a reportagem "Elementar, meu caro Watson". Beijão a todas!

É só clicar na imagem abaixo ou neste link para ler.

24.1.12

Resenha e sorteio de Deus Ex Machina

O blog Empório dos Livros está promovendo o sorteio de uma edição da coletânea steampunk Deus Ex Machina - Anjos e Demônios na Era do Vapor. A responsável pela página, Vivi Guarapari, fez uma resenha absolutamente honesta da obra, deixando claro que não sentiu afinidade pelo gênero, mas ressaltou a qualidade de alguns contos, entre eles o meu, como pode ser lido abaixo:

Os contos são muito bem escritos. Analisando puramente a história proposta (sem entrar no mérito de interagir intensamento com ela) eu gostei da forma como 'A Diabólica Comédia - A Conquista dos Mares' (Romeu Martins) foi contada, dando uma alternativa interessante numa batalha onde um anjo e um demônio se juntam para guerrear. A música 'The Battle of Everymore' foi uma ótima trilha sonora para início de capítulo. Feliz escolha do autor.
Para participar do sorteio e ler a resenha completa, é só clicar neste link.

Novos rascunhos de personagens

Há uma semana, no aniversário do blog, postei rascunhos de um projeto de quadrinhos que pretendo levar adiante este ano com o gaúcho radicado em São José Kayuá Waszak. Hoje tenho marcado um bate papo com ele e outro ilustrador muito talentoso que também está morando na minha cidade, o blumenauense  Denis Pacher. Com este último estou recomeçando uma antiga ideia de adaptação de um conto, para o qual ele também já elaborou os esboços a seguir:




Vamos ver se numa happy hour regada à comia árabe saem novas ideias e confirmações de projetos. Fiquem na torcida.

23.1.12

Elementar, não tem?!

O título acima, que mistura o bordão mais conhecido do Grande Detetive criado por Arthur Conan Doyle com o sotaque manezinho é o mesmo da principal nota de hoje na concorrida Contracapa do caderno de cultura do maior jornal do meu estado, o Diário Catarinense. Com ela, o jornalista Marcos Espíndola divulga a coletânea Sherlock Holmes - Aventuras Secretas, da editora Draco. Abaixo reproduzo na íntegra a nota que saiu com a ilustração dos contistas feita pelo editor Erick Sama.



A editora Draco encomendou a um grupo de oito notáveis autores nacionais, dentre eles o jornalista catarinense Romeu Martins, a primeira coletânea de contos brasileiros sobre o grande detetive inglês, intitulada Sherlock Holmes - Aventuras Secretas. O lançamento será no dia 4 de fevereiro, durante um balacobaco em São Paulo, mas a editora abriu pré-venda em seu site (www.editoradraco.com). A publicação coincide com a estreia nos cinemas da sequência do longa-metragem Sherlock Holmes, estrelado por Robert Downey Jr. e dirigido por Guy Ritchie. Mas qualquer semelhança com a adaptação cinematográfica do personagem de Arthur Conan Doyle para por aí. Romeu Martins colabora com o conto "O caso do Desconhecido Íntimo", sendo que a organização do volume foi de Carlos Orsi Martinho (ex-editor de Ciência e Tecnologia do Estadão) e Marcelo Augusto Galvão. A ilustração em destaque apresenta os cronistas convidados, no melhor estilo steampunk.

Underworld of Steampunk – Os contistas

No último post de 2011, anunciei uma novidade que estava sendo planejada em segredo de estado: a primeira coletânea de contos da Editora Underworld, a casa editorial que vai trazer ainda este ano o romance steamer Boneshaker e a obra de referência Steampunk Bible. Faltava ainda um detalhe muito importante: anunciar quem serão os contistas presentes neste livro, escolhidos pelos meus colegas de organização, Fabiana Andrade, proprietária da editora e Fábio Fernandes, meu mestre e parceiro de outras páginas e de palestras.



Sem maiores suspenses, vamos aos nomes, começando pelos convidados internacionais. Em Underworld of Steampunk teremos nada menos que a dupla de autores responsáveis pela Bíblia do Vapor. Selena Jo Chambers assinará a apresentação da obra, um prefácio exclusivo, e Jeff VanderMeer cederá um de seus melhores contos para compor o título, sendo esta a primeira vez em que uma de suas ficções curtas sairá no Brasil. A terceira presença é intercontinental, o israelense Lavie Tidhar, responsável por um dos blogs de divulgação de ficção científica mais prestigiados que existem, The World SF, e autor de uma trinca de romances steampunks, sendo o último, The Great Game, recentemente publicado nos EUA. Vai ser a primeira vez que ele é traduzido para nosso idioma e começará bem, pois Fábio é quem verterá seu conto para o português.

E Fábio Fernandes também encabeça o time nacional na coletânea, com texto inédito. Outro brasileiro presente é o pernambucano Jacques Barcia, um dos três escritores do Brasil citados nas sagradas escrituras da Bíblia do Steampunk (o terceiro é Romeu Martins, este blogueiro que vos posta e co-organizador da antologia, que também terá uma noveleta publicada neste esforço multinacional). Luiz Brás, pseudônimo para textos fantásticos do reconhecido escritor Nelson de Oliveira, é outra contribuição de peso para a obra, organizador da coletânea Cidades Indizíveis com Fábio entre outros projetos que unem a FC com a literatura mainstream do país.

A lista de escritores presentes se completa com a estréia no gênero steampunk de três autores que já faziam parte do catálogo da Underworld. Comecemos com Nazareth Fonseca, criadora de alguns dos livros mais bem sucedidos da preferência nacional brasileira em termos de literatura fantástica – os vampiros – e que assinou contrato há pouco com a editora para uma nova série. Os outros dois, apesar de serem estreantes na literatura a vapor, já contam com obras de sucesso lançadas com o selo da Underworld. Nanuka Andrade, de Camundo – O desenho e a sombra, e Luiza Salazar, de Os Sete Selos e Bios, completam a lista de convidados para esta compilação que pretende trazer aos leitores uma nova experiência, com características inéditas, em relação ao steampunk. Aguardem Underworld of Steampunk para o segundo semestre deste ano tão steamer.

20.1.12

Capa e trecho inicial de A Máquina Diferencial

Foi em 2009 pela primeira vez que a Editora Aleph anunciou que publicaria no Brasil o livro que é considerado o primeiro romance verdadeiramente planejado como uma obra steampunk. Depois do longo processo de preparação editorial e adaptação, finalmente a editora revelou como será a capa e deixou disponível 38 páginas do texto de A Máquina Diferencial, livro escrito a quatro mãos por William Gibson e Bruce Sterling, publicando originalmente em 1991. Abaixo, deixo registrada a capa que o livro terá no Brasil e o post do blog da editora que remete ao arquivo com as primeiras páginas desta obra fundamental para a cultura steamer.


Se você gosta de steampunk, com certeza já ouviu falar do clássico A Máquina Diferencial(The Difference Engine) escrito por dois grandes autores da ficção científica moderna – William Gibson e Bruce Sterling. O livro poderá ser encontrado nas livrarias na primeira semana de fevereiro. No site da Aleph, estará disponível no dia 31 deste mês.


A história - Graças ao gênio de Charles Babbage e à sua máquina diferencial — capaz de realizar avançados cálculos matemáticos com um simples girar de engrenagens —, a Inglaterra vitoriana consolida-se como potência mundial. Entretanto, uma sinistra conspiração ameaça as bases do governo, colocando em risco todas as conquistas do Partido Radical.
Às voltas com misteriosos cartões perfurados, envolvem-se na intriga a filha de um notório agitador ludita, um proeminente paleontólogo, a filha de Lorde Byron, então Primeiro-ministro, além de um jornalista misterioso. Unidos por elos invisíveis, estes e outros personagens lutarão por seus planos, suas carreiras e por suas próprias vidas contra inimigos ocultos e perigos assustadoramente reais.
A edição que será publicada pela Aleph conta com extenso material de apoio à leitura: umguia de personagens e glossário de termos específicos, arcaicos ou simplesmente inventados pelos autores, desenvolvidos especialmente para o público brasileiro, além de um posfácio escrito pelos autores vinte anos após a publicação original, oferecendo uma releitura interessante da obra.
*Se você não faz nem ideia do que seja steampunk, respira fundo e clica aqui.Enquanto o livro não chega, que tal ler um trecho?

A obra de Lovecraft como paródia do cristianismo

Para encerrar a série de posts sobre um dos maiores e mais influentes escritores de terror de todos os tempos, republico nesta página um artigo de autoria de Carlos Orsi Martinho que apareceu  on line pela primeira vez em outro blog que eu mantinha, o Terroristas da Conspiração.


Um ser dotado de poder ilimitado promete trazer a realidade como a conhecemos ao fim, em meio a uma série de pragas e sofrimentos, e criar outro mundo em seu lugar, onde esse ser reinará absoluto, e seus adoradores fiéis, principalmente os que sofreram agruras e perseguições em seu nome, terão uma vida eterna de delícias. Já seus adversários serão condenados a um sofrimento indescritível e infindável.

Responda rápido: estou falando de Jesus Cristo ou do Grande Cthulhu?

A vida e o trabalho do escritor americano H(oward) P(hilips) Lovecraft, criador do supracitado Cthulhu – monstro alienígena que dá nome ao conto O Chamado de Cthulhu – , foram analisados sob as mais diversas chaves, desde a psicanalítica (onde o desapreço do autor por frutos do mar, explícito na concepção de monstros sob a forma de lulas, peixes e crustáceos, já foi interpretada como sinal de repugnância pela genitália feminina) à política (onde os críticos costumam chamar atenção para o posicionamento racista e elitista que transparece em várias obras lovecraftianas). Menos conhecidas, no entanto, são as análises filosóficas e teológicas do trabalho de Lovecraft – e que, no entanto, existem.

As melhores dentre essas análises, principalmente por parte do biógrafo ST Joshi e do escritor, editor, crítico (e teólogo protestante!) Robert M. Price, apontam para um forte senso de humor subjacente ao trabalho desse escritor, que foi uma das vigas mestras da literatura de horror em língua inglesa no século passado.

Até hoje a indústria cultural, por meio de cinema, quadrinhos e livros, não se cansa de reciclar os temas e clichês que estabelecidos por ele, como a ideia de que a mitologia humana não passa de uma distorção da ciência de alienígenas que visitaram a Terra no passado distante (não, isso não foi invenção de Erich Von Däniken).

Esse senso de humor se faz presente, por exemplo, no jogo estabelecido entre Lovecraft e outros escritores do mesmo período, como Robert E. Howard (criador do bárbaro Conan), no qual um autor citava criações do outro – monstros, livros, personagens – dentro de sua obra, dando a impressão de que ambos estavam a se referir a uma fonte comum – uma mitologia obscura, ou algum tipo de iniciação mística.

O melhor exemplo desse jogo é o Necronomicon, livro fictício que conteria a verdadeira história do planeta Terra e de suas interações com raças de outros mundos e de outras dimensões.

Inventado por Lovecraft e logo adotado pelos demais autores de seu círculo – que submetiam a terríveis torturas personagens que ousassem ler o tomo proibido – o livro que nunca existiu acabou sendo levado a sério por ocultistas os mais diversos, e não são poucas as supostas “traduções” do original que circulam no mercado. Ateu, materialista e racionalista, Lovecraft certamente acharia graça disso.

A defesa de uma releitura ampla da obra lovecraftiana sob a chave da paródia não cabe aqui (e eu certamente não tenho a competência para fazê-la: quem se interessar em perseguir o assunto pode começar pelo volume The Weird Tale, de ST Joshi, e então partir para as edições da obra de Lovecraft anotadas pelo mesmo autor), mas o paralelo entre sua mitologia e o cristianismo é forte demais para não ser notado – embora, de fato, não tenha sido, durante muito tempo.

Isso talvez se deva à roupagem popularesca em que as histórias apareceram originalmente (impressas em pulp magazines) e à influência posterior de August Derleth. Principal popularizador da mitologia lovecraftiana, Derleth era católico e, talvez inconscientemente, retrabalhou muito do “mito artificial” deixado por Lovecraft num molde mais palatável de um duelo milenar entre anjos e demônios.

Mas, como escreve Robert M. Price, “os leitores de The Dunwich Horror não demoraram em notar a paródia da narrativa do Evangelho nesse conto”. Na história, uma virgem norte-americana é sexualmente possuída por uma “divindade” e dá à luz um filho que é morto pelas autoridades, depois de manifestar poderes sobrenaturais e pretensões “messiânicas”.

No conto, no entanto, os eventos são narrados fora da ordem clara apresentada nesta sinopse, e toda a trama aparece sob a forma da investigação do roubo de um exemplar do Necronomicon. Isso permite encarar a narrativa como uma simples aventura de terror e investigação, na linha que seria explorada, décadas depois, por séries como Arquivo X (ou, mais recentemente, Fringe).

Mas quando o mote principal da trama é explicitado, o paralelo com os Evangelhos é inegável, e a sugestão de que o “horror de Dunwich” representa a Segunda Vinda torna-se inescapável.

Já em O Chamado de Cthulhu, um monstro alienígena que dorme sob os oceanos reúne, por meio de mensagens telepáticas que surgem sob a forma de sonhos, um culto dedicado a adorá-lo e a preparar o mundo para o seu despertar – depois do qual a Terra será destruída e recriada.

O paralelo com a escatologia cristã – com as aparições do Cristo Ressuscitado, como a que animou Saulo de Tarso a vestir o manto do apostolado, substituídas pelos sonhos de Cthulhu, a igreja cristã pelo culto do monstro, a Nova Jerusalém do Apocalipse substituída pelo Reino de Cthulhu – também é claro.

Uma última curiosidade: The Dunwich Horror foi filmado em 1970, com o papel da virgem condenada a dar à luz o filho do alienígena a cargo de... Sandra Dee.

19.1.12

Providence, de H.P. Lovecraft

A seguir, nesta semana dedicada ao escritor americano, uma poesia de sua autoria que é parte integrante do livro divulgado aqui ontem, O Mundo Fantástico de Lovecraft. "Providence" leva o nome do lugar em que Howard Philips Lovecraft nasceu, em agosto de 1890, onde ele morou por praticamente toda sua vida e em cujo cemitério está enterrado. A cidade é capital do pequeno estado católico de Rhode Island, na Costa Leste dos Estados Unidos. A tradução dos versos é de Mário Jorge Lailla Vargas.





Providence

Onde a baía e o rio se misturam tranquilos,
Subindo as frondosas encostas,
Os pináculos de Providence
Ascendem contra o céu ancestral.

Neste lugar secular, cúpulas de ouro brilhante
Saúdam a alvorada,
Enquanto obliquas arestas, curiosas e antigas,
Dispersas aqui e ali.

E nos estreitos caminhos sinuosos
Que levam a outras encostas e picos,
A magia de dias esquecidos
Pode encontrar a quietude para descansar.

Um lampejo na claraboia, golpe no batente,
Um vislumbre de tijolo georgiano,
As visões e sons do passado,
Onde a fantasia se acumula e se adensa.

Um lance de ferrovia,
Um campanário assomando no alto,
Uma torre de igreja esculpida e desbotada,
Uma parede de jardim infestada de musgo.

O misterioso desabamento de um cemitério comprova
A mortalidade humana,
Um cais em ruínas onde telhados gambrel
Vigiavam o mar.

Praça e passeio dos quais as paredes sobressaíam
Completando quinze décadas
Nos paralelepípedos das alamedas cobertos por folhagens,
E desprezados pela multidão.

Pontes de pedra atravessando languidos riachos,
Casas empoleiradas na colina,
E pátios onde mistérios e sonhos
Completam o espírito meditativo.

Vielas íngremes ao lado de videiras escondidas,
Onde vidraças brilham nas janelas
No crepúsculo de algum momento no campo
Tudo passou.

Minha Providence! Que etéreos anfitriões
Ainda giram teus dourados cataventos;
Quais fôlegos de elfo que, com fantasmas cinzentos,
Povoam tuas antigas veredas!

Os carrilhões vespertinos, como antigamente
Soam sobre teus vales,
Enquanto teus austeros pais limpam o bolor
Abençoam tua terra sagrada.
Teus sonhos ao lado daquelas águas,
Não foram afetados pelos anos brutais;
Um estímulo a uma era melhor
Que brilha em nossas lágrimas.
Em cada noite vejo brilhar
Aquele instante no espaço e no tempo;
Pois tu, destreza de minha alma,
Estás sempre a meu lado!

18.1.12

Mundo fantástico de Lovecraft

Recebi por indicação de Carlos Orsi o material abaixo, que divulga um livro a respeito de um escritor americano fundamental para o gênero do terror. Ao longo desta semana outros posts serão dedicados a H.P. Lovecraft, incluindo uma poesia dele traduzida para o português e a republicação de um artigo do próprio Orsi, a respeito das possíveis leituras satíricas da obra do mestre.

O www.sitelovecraft.com é um site que há 8 anos divulga no Brasil a vida e obra do famoso escritor americano de contos de horror H.P. Lovecraft (1890-1937). Suas obras são marcadas pelo subconsciente e pelo simbolismo, nos seus livros há muito do sobrenatural e o foco é no terror psicológico, onde há ausência de sustos, longe da ficção barata de hoje em dia. Recomendamos a todos os amantes de ficção de horror ou simpatizantes do gênero que conheçam este sítio e seu mais novo projeto que é um livro com novas traduções da obra (hoje em domínio público), deste fantástico escritor que foi Lovecraft.

Este livro nasceu para ser um livro diferente, com o objetivo de dar ao leitor no momento de sua leitura a imersão adequada neste mundo de fantasia mitológica e mistério que Lovecraft criou. A obra terá entre outras coisas mais de 400 páginas – algo inédito num livro assim no Brasil, uma capa muito bem elaborada pensada para ser diferente das até então lançadas, fino acabamento e papel de primeira qualidade em formato grande, fotos, longa biografia do autor atingindo mais de 400% em informação do que qualquer outra já traduzida para nosso idioma, contos clássicos e outros inéditos e novas traduções muito bem revisadas além de notas que darão uma nova releitura, mesmo para quem já leu algum de seus escritos, assim foi pensado esta livro.



ABAIXO O SUMÁRIO DO LIVRO E EM SEGUIDA A FORMA DE ADQURIR O MESMO

Prefácio: O Início de Tudo
Introdução e Agradecimentos: A Nossa Ideia de um Livro
Biografia de H.P. Lovecraft: O Homem que Escrevia Sonhos

O Chamado de Cthulhu
O Festival
A História do Necronomicon
A Cor Vinda do Espaço
A Cidade sem Nome
O Descendente
A Rosa da Inglaterra
Sonhos na Casa da Bruxa
Desespero
O Horror de Dunwich
Nêmesis
A Busca de Iranon
Os Gatos
O Forasteiro
O Jardim
Celephaïs
Providence
Horror em Martin´s Beach
Uma Elegia ao Dr. Franklin Chase Clark
O Inominável
A Sombra sobre Innsmouth
O Sabujo
Um Sussurro na Escuridão
O Depoimento de Randolph Carter
A Armadilha
A Música de Erich Zann
O Assombro das Trevas
Os Fungos de Yuggoth

Apêndice

Notas sobre Escrever Ficção Fantástica
Carta de HPL a Reinhard Kleiner
Carta de HPL a Robert Bloch
Carta de HPL a Robert E. Howard
Pensamentos de HP Lovecraft

No momento o livro está em sua reta final de desenvolvimento, e ele depende de pré-venda para se tornar realidade uma vez que é baseado no trabalho voluntário e não temos condições financeiras para bancar o livro. Nossa garantia para tal é a credibilidade de 8 anos com o www.sitelovecraft.com além de lhes passar endereço e fone pessoal para sanar quaisquer dúvidas se desejarem. Caso o projeto não desse certo (possibilidade que já não existe) deixamos bem claro que todo valor seria devolvido em conta a sua escolha.

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OBS. 1: em caso de mais de um livro, apenas multiplique os R$66 pelo nº de livros que deseja e acrescentes os centavos a teu critério para identificação. Exs:

2 livros: $132 (66x2) + centavos ; 3 livros: $198 (66x3) + centavos

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CAIXA ECONÔMICA FEDERAL OU LOTÉRICAS

Agência: 2209
Código operação: 013 (poupança)
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Favorecido: Aparecida Rondina Carareto
CPF: 544.443.148-34

17.1.12

Este é o Barão Noir

No post 666 deste blog, publiquei um trecho inédito de um conto que pretendo ver ganhar forma de uma graphic novel (ou, quem sabe, de uma série delas) em parceria com meu brother Kayuá Waszak. Eis que, bem no dia do aniversário desta página, o cara que atende por @TheWiFi no twitter liberou duas imagens do protagonista da história, uma trama de fantasia hardboiled. Como vocês notarão, com visual inspirado no ator baiano Lázaro Ramos, apresento aos leitores do Cidade Phantástica os primeiros esboços do Barão Noir.