26.1.11

Uma década de malaquice

Uma rápida sessão nostalgia. Meus caros cúmplices no crime Gabriel Rocha e Fabrício Rodrigues criaram um Tumblr (como se pronuncia isso, eu me pergunto) para relembrar nossa primeira experiência internética em um mundo pré-blogs: o e-zine O Malaco! que estaria completando dez anos se vivo fosse. Hospedado na época em um condomínio virtual chamado HPg - cuja existência deve ter sido apagada da memória coletiva, sem deixar rastros na rede - aquela publicação pode ser considerada um antepassado de diversas iniciativas que seus criadores foram lançando por aí. Sim, isso certamente inclui este blog, se querem um exemplo, o nome daquela publicação era inspirada no zine criado por Legs McNeil e que serviu para batizar todo um movimento cultural: Punk!

Então, para comemorar a volta dos arquivos que pareciam condenados a uma existência off-line, deixo vocês com o link para o tumblr (não quero me imaginar falando isso com farofa na boca) e com o editorial escrito para marcar o retorno da malaquice antes da era do vapor:



Cem anos em dez

O Malaco! foi uma aberração. Primeiro, porque foi feito pra web mas era lançado como revista (ou zine) em formato de edição fechada. Segundo, porque só depois de criado notamos que poderia ser um trabalho de conclusão de curso. Terceiro, porque teimava em tratar de cinema, música e quadrinhos numa cidade que praticamente não tinha nada disso. E ainda por cima tinha uma exclamação no título.

Contra todos os prognósticos, O Malaco! durou. Em dois anos e meio de trabalho 100% no amor, foram 14 edições, muitos colaboradores e várias histórias bizarras – como a edição nº 7, que já podia ser lida quando acessada em São Paulo mas que, em vários computadores de Florianópolis, só aparecia a edição nº 6, o que mostra que até no acesso a protocolos de internet nossa sede estava ridiculamente atrasada.

O site se resumia na vontade de um grupo de meia dúzia de jornalistas (metade recém-formada outra metade na finaleira do curso), e vários amigos colaboradores, de criar um fanzine/revista udigrudi com base naquilo que formou nosso interesse por cultura pop (das revistas da Circo aos zines de colegas de curso que ousavam e avacalhavam com o jornalismo) adaptado às condições do ano 2000: formato impresso inviável e ultrapassado, web a custos ínfimos e com possibilidades mil de difusão, blá blá blá… O Malaco!, a aberração, foi também uma escola. Dava pra testar tudo aquilo que não tinha cabimento no dia a dia de nossos empregos formais, além de mandar às favas muito conceitinho idiota da ‘acadimia’.

Mas estes dez anos que marcam a estreia do site, em janeiro de 2001, hoje parecem cem, em termos de web. Os arquivos cabiam em um disquete, a atualização era feita em conexão discada, nossas fontes de informação eram revistas, livros ou geralmente a própria memória, ‘blog’ era só uma onomatopéia e sites de relacionamento eram coisa proibida para menores de idade – o que dirá You Tube, Twitter e o escambau. Naquele tempo, as pessoas até acreditavam naquilo que a gente escrevia.

E pra marcar o revival d’O Malaco!, ressuscitamos de nossos arquivos a resenha do cavalar show que Neil Young e o Crazy Horse fizeram no dia 20 de janeiro de 2001, no encerramento do penúltimo dia do Rock In Rio III. Porque o Véio personifica, e engrandece, o malaco way of life. Pegue sua naftalina e dê uma sacada no que vem por aí…



EQUIPE O MALACO!


Em 2001, a equipe grã-malaca irresponsável pelo site era: Fabrício Rodrigues, Frederico Carvalho, Gabriel Rocha, Giuliano Ventura, Ramiro Pissetti e Romeu Martins (mais um catatau de cúmplices e colaboradores…)

2 comentários:

Arthur disse...

Olha, bem legal essa relação punk/malaco. mas sabe, eu sempre achei que PUNK poderia ser muito bem traduzido como "marginal". exatamente pela dualidade do termo: punk como alguém a margem da sociedade ou como algum meliante mesmo, como já foi utilizado. Até para designar homoafetivos o termo já foi empregado, ou seja, mais um sujeito a margem.

Pra mim, deveria se chamar literatura Cibermarginal. tem lá seu charme.

Romeu Martins disse...

Opa, Arthur

Punk é mesmo uma palavra bem maleável. No conto homônimo ao blog eu acabei fazendo uma brincadeira com um grupo de meliantes e os batizei numa tradução bem livre de steampunk como Malta do Vapor.

E a revista on line do conselho steampunk vai mesmo seguir esse mesmo insight que você teve: ela vai se chamar Vapor Marginal.

Abraço.