17.11.09

Mon nom est Mouchez. Ernst Mouchez.

Espionagem em ritmo steampunk, com direito a conspiratas, traições, viradas de trama, tecnologias a vapor e brigas aéreas. Essa é a receita do conto "Ernst Amedée B. Mouchez, espião de Sua Majestade Imperial" que Ana Cristina Rodrigues acaba de postar em seu já citado blog: o Observatório a vapor. A escritora imprimiu no texto uma característica de sua profissão - além de ficcionista ela é historiadora e trabalha na Biblioteca Nacional, na Cidade Fantástica, digo, no Rio de Janeiro - a marca da pesquisa de época bem feita.

O protagonista da noveleta é uma prova disso. Ana escolheu um personagem da vida real, o astrônomo e hidrógrafo espanhol de nascimento, mas com carreira na França, Ernst Mouchez (1821-1892). Se, na história oficial, ele explorou com fins científicos as costas da Coreia, China e América do Sul, avançou pelo Rio Paraguai e mapeou a Argélia, na ficção se tornou um espião a serviço de Sua Majestade. À semelhança de James Bond? Sim, mas aqui o agente não serve a uma rainha, mas a um imperador. Napoleão III, no caso.

E se o personagem criado por Ian Fleming (1909-1964) cumpria ordens de M e contava com o auxílio dos inventos de Q, Mouchez é ainda mais bem servido. O ministro dos Assuntos Secretos aqui é um dos favoritos deste blog, monsieur Jules Verne (1828-1905), que aparentemente trocou sua carreira de escritor pela de político e inventor, sendo ao mesmo tempo, o M e o Q dessa realidade. São desse Verne fictício duas invejáveis inovações steamers apresentadas no texto: o casaco a vapor, que permite ao usuário obter uma impulsão de até 15 metros, e os óculos - ou seriam goggles? - de visão noturna, acionados por um engenhoso método de eletricidade estática. Tendo tais personagens e apetrechos no foco narrativo e com um pano de fundo envolvendo uma conspiração que ameça o trono de D. Pedro I no Brasil, a história de Ana Cristina é diversão garantida.

16.11.09

Mais steampunk no Overmundo

Acabo de publicar no Overmundo, conto com sua leitura e votos:

O que aconteceria se as tecnologias baseadas no vapor do século XIX tivessem sido ainda mais poderosas que em nossa realidade? E se, a exemplo do que podemos ver nos livros de Verne e Wells, os vitorianos tivessem conquistado o espaço, viajado no tempo? Essa pergunta está por trás de um subgênero da ficção científica chamado steampunk que já foi tema de um artigo aqui no Overmundo. No Brasil, a cultura steamer ganha cada vez mais força a ponto de, ainda este mês, acontecer em São Paulo um encontro que deve reunir fãs das diversas vertentes possíveis desse estilo em forma literária, cinematográfica, teatral, ligada a moda e acessórios, jogos e o que mais a imaginação permitir. O evento vai acontecer ao longo da madrugada de 27 de novembro, na Biblioteca Pública Viriato Corrêa, durante a III Fantástica Jornada Madrugada Adentro.

Graças aos esforços de um grupo de entusiastas, os steampunkers brasileiros contam com uma invejável estrutura virtual para trocar ideias, se manterem informados e organizar reuniões presenciais como essa. O Conselho Steampunk é uma organização de fãs sem fins lucrativos que se divide em iniciativas regionais – denominadas de Lojas – e que põe à disposição dos interessados uma variedade de projetos e ferramentas da web. O grau de profissionalismo é tão grande que chamou a atenção, entre outros, de Bruce Sterling, o escritor americano que, ao lado de William Gibson, criou as bases tanto do cyberpunk quanto do steampunk. Um empresário da área de informática morador do Rio de Janeiro está por trás de todo esse movimento nacional de cybervitorianismo: Bruno Accioly, um dos fundadores do Conselho Steampunk, que nos concedeu a entrevista a seguir.continua.


15.11.09

Boneca a vapor é gente

A obra de José Bento Renato Monteiro Lobato (1882-1948) está servindo de base para um artista e empresário paranaense recriá-la com conceitos assumidamente inspirados no steampunk. Arthur Moreno Milan Parreira concebeu a ideia como trabalho de conclusão do curso de Artes Visuais - Multimídia: a concept art de O Sítio do Picapau Amarelo a série de livros que o paulista de Taubaté escreveu a partir da década de 20 do século passado e que já recebeu variadas versões de seriados televisivos, música popular e histórias em quadrinhos.

Como além de estudante Parreira é dono de uma empresa que terceiriza arte para games, o objetivo do trabalho é relacionar a literatura com esta outra mídia, a dos jogos eletrônicos. Para dar forma ao projeto, ele se utilizou de softwares de código aberto, citando o Sistema Operacional Ubuntu 8.10, o GIMP e o Inkscape. Resultados preliminares do TCC podem ser vistos na página que o artista mantém no site deviantART. Lá podemos ver os conceitos para o humano Pedro Encerrabodes de Oliveira, o sabugo de milho Visconde de Sabugosa, o leitão Marquês de Rabicó e sua esposa, alter ego e criatura mais famosa de Monteiro Lobato, a boneca Emília, agora em uma versão metálica movida a vapor, não mais um brinquedo de pano animado, como podemos ver abaixo (clique na arte para ampliá-la).


Um detalhe curioso foi revelado pela matéria que o site do Conselho Steampunk dedicou ao TCC do artista paranaense. A Loja Rio de Janeiro do grupo também tem um projeto semelhante, de retrabalhar os personagens do Sítio em uma estética steamer. Ficamos sabendo que o nome da ideia é "Herdade" e que esta deve ser uma novidade cuja veiculação está prevista para o próximo ano. Como enfatiza o site, ambos os projetos são exercícios não comerciais de exploração do trabalho ficcional de Lobato, uma vez que a obra do autor só entrará em domínio público quando se completarem 70 anos de sua morte, ou seja, em 2018.

Mesmo assim, a matéria comemora a coincidência: "Isso significa que o gênero está de fato se popularizando e que, embora ainda haja muito chão a ser percorrido, o Zeitgeist aponta para o ano de 2010 como sendo 'O Ano do Vapor'!". Que as palavras se mostrem proféticas e a Cuca não atrapalhe. Parabéns ao artista do Paraná e à Loja do Rio de Janeiro por manter vivo o interesse na criação daquele paulista genial.

Fantástica Jornada a Vapor 2

Em um post de setembro, eu havia comentado sobre o maior evento dedicado à cultura steamer que já fora planejado em nosso país: a III Fantástica Jornada Noite Adentro dedicada ao gênero steampunk. Fruto de uma pareceria entre o sempre citado Conselho Steampunk, Sílvio Alexandre - organizador da Fantasticon -, Confraria das Ideias e Biblioteca Pública Viriato Corrêa - Temática de Literatura Fantástica, o encontro está agendado para toda a madrugada de 27 de novembro. Volto ao assunto sgora pois recebi por email a notícia de que dois membros da Loja São Paulo do Conselho Steampunk, Raul Cândido e Karl F. concederam uma entrevista em que dão vários detalhes sobre essa atividade imperdível para os interessados em todos os aspectos estéticos, culturais, literários, cinematográficos, fashionistas e afins ligados ao vaporpunk. Deixo vocês com o link para a entrevista.

14.11.09

Bruce Sterling rides again

Não é só no sistema elétrico brasileiro que os raios caem duas vezes (aliás, se tivessem ouvido Tesla não teríamos tais problemas com transmissão de energia por fio, mas isso é um assunto para outra hora). Em julho eu tinha feito um post sobre comentários que Bruce Sterling a respeito do Conselho Steampunk do Brasil, que ele descobriu em suas andanças pela Internet. Agora, no dia 11 de novembro, o homem que é fundamental para este subgênero voltou a tocar no assunto, publicando uma nova mensagem de um dos fundadores do Conselho, Bruno Accioly, para atualizar seus muitos leitores quanto às ultimas novidades por aqui.

"Those Irrepresible Brazilian Steampunks" é o título do novo post de Sterling em seu blog hospedado no site da Wired. Nele, o escritor americano publicou, com rapidíssimos comentários - um deles em português -, a mensagem de Accioly. Além de falar do lançamento do primeiro livro de contos do gênero em nosso país, a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, o brasileiro aproveitou para contar duas novidades criadas pelos membros do Conselho que passam a integrar minha lista de links aqui ao lado. A primeira é a Steampedia, que, como o nome sugere, é uma enciclopédia virtual dedicada a verbetes sobre o steampunk; e o Steambook, a primeira rede social dedicada a este gênero no Brasil, que permite a criação e a interação de perfis de usuários e toda uma estrutura para hospedagem de blogs temáticos. Accioly ainda anunciou dois projetos futuros, a serem implementados em breve, o primeiro um podcast dedicado à cultura steamer e o segundo uma série de parcerias que eles pretendem firmar com escritores de FC do Brasil para fomentar a atividade no país. Que os raios voltem a cair!

10.11.09

Steampunk na rádio

Está no ar um verdadeiro crossover de podcasts tratando integralmente de cultura steamer. Rod Reis, do Papo de Artista, recebeu a equipe do Papo na Estante para falar sobre várias manifestações steampunk. Durante mais de uma hora, Thiago Cabello, Ana Cristina Rodrigues, Ana Carolina Silveira e Eric Novello fazem um levantamento de obras literárias, cinematográficas e dos quadrinhos dentro do gênero. Alguns dos contos presentes na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário são comentados. Para ouvir o programa este é o endereço.

Torre de Vigia 6

Nova resenha da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Quem assina o texto, desta vez, é, na própria definição, o ogremista, gaúcho, professor de História, RPGista, HQéfilo, gamemaníaco, anarquista desencantado, guitarrista frustrado, blueseiro apaixonado, leitor obsessivo, pseudo-escritor amador e outras coisas menos interessantes Bruno Schlatter. Vou deixá-los abaixo com o início do texto e o link para a leitura da crítica completa no blog Rodapé do Horizonte.

Há quem diga por aí que estamos vivendo um princípio de começo de uma pequena onda de literatura steampunk no Brasil. Claro, isso não significa que tenhamos grandes autores consagrados subitamente interessados no assunto, ou que qualquer lançamento do gênero rivalize em atenção com o último livro de Crepúsculo ou do Paulo Coelho, mas apenas que, dentro do público ativo de certos nichos literários, tem havido um interese crescente no tema. Honestamente falando, não me considero informado ou envolvido o suficiente para confirmar ou negar essa afirmação; mesmo assim, é sempre interessante ver bons lançamentos nacionais, independente do gênero, como é o caso da coletânea Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário. Continua.

9.11.09

O homem pode voar

Existem vários problemas no mercado brasileiro de ficção científica, vários. Mas entre eles, podemos destacar o atraso com que obras internacionais – leia-se americanas, no mais das vezes – costumam chegar por aqui. Quando chegam. Não raro, a demora pode chegar ao espaço de uma geração ou mais e, quase sempre, acabam impressas por editoras pequenas. Exceções que comprovam a regra são lançamentos de best sellers garantidos ou, pelo menos, de autores de muito prestígio literário, caso, respectivamente, dos livros de Dan Brow e de Michael Chabon que, de novo respectivamente, a Sextante e a Cia. das Letras lançam no Brasil sem muita distância em relação aos originais ianques (vale ressaltar que não é exatamente um consenso que esses dois autores produzam FC, mas eu sou do time que acha que sim). Então, por isso mesmo, não foi sem surpresa que recebi a notícia de que um livro deste gênero tão problemático publicado ano passado por um autor de fora dos EUA já tenha chegado às nossas livrarias e ainda por cima com o selo de uma das grandes editoras do país. E o melhor, para quem se interessa pelo subgênero tratado neste blog, além de FC a obra em questão é um legítimo romance steampunk – apesar de as chamadas editoriais preferirem omitir isso, classificando o livro apenas como ficção histórica.

Estou falando de Aviador do irlandês Eoin Colfer, lançamento do selo Galera Record, tradução de Alves Calado. O autor chega aqui, como é destacado na capa, com o respaldo de uma série muito prestigiada de fantasia: Artemis Fowl, muitas vezes comparada com a protagonizada por Harry Potter. Mas nem vou entrar nessa polêmica, até porque, nas já citadas chamadas editoriais, o romance deixa claro que sua seara é outra: “Nenhuma fada foi necessária para o desenvolvimento deste livro”. E é verdade, na meia dúzia de vezes que são citadas naquelas páginas o objetivo claramente é o de ressaltar que as criaturas míticas não existem. O que move o universo de Aviador é a ciência, é a obstinação de seu personagem principal, Conor Broekhart, em conseguir encontrar meios para voar. Nada de pós mágicos, vassouras encantadas ou mandingas assemelhadas. As tentativas do rapaz se limitam aos artefatos que funcionaram no mundo real: balões, planadores, veículos a motor. Alguns dos pioneiros que construíram tal história foram nominalmente citados na página 58 – mas não adianta procurar por Santos Dumont. O que torna a obra um legítimo exemplar steamer é que o jovem protagonista, nascido - atenção para o detalhe - em um balão, no ano de 1878, consegue seus feitos décadas antes do que tivemos justamente nesta história oficial, garantindo o toque de retrofuturismo que marca o gênero.


E a trama criada por Colfer garante bastante ação para fixar o interesse dos leitores – cujo público alvo é o juvenil, mas há potencial para agradar de verdade também aos mais velhos que gostem de boas histórias de aventuras. Grande parte da charada já foi desvendada por Ana Cristina Rodrigues que resenhou a edição britânica original, Airman, em seu recém-inaugurado blog Observatório a Vapor: o livro presta uma grande homenagem, quase uma releitura, de O conde de Monte Cristo, clássico de Alexandre Dumas, com fortes pitadas da presença do Batman de Bob Kane. Toda a parte da prisão de Conor, que consome cerca de um terço das páginas do romance, remetem diretamente ao autor francês, como observou a resenhista: “Não só o tema da vingança dá o mote da ação do protagonista, como há vários elementos reforçando a sensação, como a prisão, mortes que não são verdadeiras, uma identidade falsa… Registro que isso não é um ponto negativo. Muito pelo contrário. Refrescar temas clássicos da literatura e homenagear livros como esse, que formam o verdadeiro cânone literário mundial, só pode ser bom”. Assino integralmente.

Da mesma forma, num momento posterior, o desenrolar da aventura vai evocando características do herói dos quadrinhos. Com algumas pequenas modificações pontuais, não é difícil reimaginar o conteúdo de Airman à moda de Batman. Substitua Conor Broekhart por Bruce Wayne; o mentor do rapaz, Victor Vigny, pelo Comissário Gordon; a prisão da ilha Pequena Salgada pelo Asilo Arkham; seu colega de cela, Linus Wynter, pelo mordomo Alfred; e o antagonista Hugo Bonvilain poderia ser um Ra´s Al Ghul ou ainda Harvey “Duas Caras” Dent. Pronto! Teríamos a receita para uma ótima revista na linha Elseworld da DC Comics, na qual alguns dos personagens tradicionais da editora americana são retirados de seus cenários costumeiros para viverem aventuras em outros mundos ou outras épocas. O Homem-Morcego já conta com algumas versões do século XIX, eu mesmo resenhei uma delas antes. Da mesma forma como concordo que é interessante homenagear obras que fazem parte do cânone também acredito que é muito bem-vindo esse olhar da literatura para meios tão pop quanto quadrinhos de super-heróis.

O diálogo feito por Eoin Colfer atravessa séculos e promove essa harmonia de nichos culturais de forma bastante agradável. Seu texto é claro e objetivo, sem muitas inovações e estilismos – o detalhe mais interessante, mas nada inédito, é misturar a narração em terceira pessoa com alguns lampejos dos pensamentos dos personagens, destacados em itálico para não provocar confusão. Mas é uma escrita eficiente e segura. Há alguns deslizes, como uma série de coincidências tão fortuitas para a trama – típicas do folhetim mas que poderiam ser retrabalhadas em uma produção contemporânea – e, como apontou Ana Cristina, uma subutilização das representantes femininas – e olhe que a própria rainha Vitória faz uma ponta no livro, que poderia ter rendido muito mais se o autor assim o quisesse. Detalhes pequenos que não tiram o brilho deste lançamento obrigatório para os steampunkers do Brasil.

6.11.09

Twitteresenha da coletânea

O texto a seguir foi escrito em tópicos do microblog Twitter por Edgard Refinetti através de seu perfil naquele site que permite notas de no máximo 140 caracteres por vez. Apelidei o modelo de twitteresenha e de twittereview quando o texto é escrito em inglês, o que o próprio autor também faz, em sua outra identidade por lá. Com a autorização do resenhista, compilei os posts para republicar aqui, um para cada conto da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, na ordem em que eles foram organizados no livro. Notem que sempre que um autor do conto resenhado possuísse um perfil no Twitter, Refinetti o citava pelo nick. Boa leitura!

Começando 'Steampunk - Histórias de um Passado Extraordinário' (Steampunk http://bit.ly/Yi21s), coletânea brasileira publicada pela 'Tarja'.

"O Assalto ao Trem Pagador" de Gianpaolo Celli. Conspiração steampunk. Aventura interessante num aerostato na Inglaterra.

"Uma Breve História da Maquinidade" de @fabiofernandes.Viktor Frankenstein não desistiu. História alternativa intrigante.

 "A Flor do Estrume" de Antonio Luiz M. C. Costa. Medicina com abordagem steampunk. História e universo bem alinhavados. Leia!

 "A Música das Esferas" de @alex_lancaster. Astronomia e morte. História boa mas que não é completamente convincente.

"O Plano de Robida" de Roberto de Sousa Causo. Piratas aéreos no Brasil. Boas ideias costuradas de modo pouco crível.

"O Dobrão de Prata" de Cláudio Villa. Buscando um tesouro no oceano. Hábil reprodução do estilo literário do século XIX. Leia!

"Uma Vida Possível Atrás das Barricadas" de @jacquesbarcia. Casal buscando liberdade. Steampunk & weird fiction. Mandatório!

"Cidade Phantástica" de @Romeumartins Maior arranha-céu do mundo, por volta de 1866. História pulp com vilão grotesco. Legal!

"Por um Fio" de Flávio Medeiros. Grandes homens em tempos de guerra. Evoca Verne otimamente, dark e esperançoso. Obrigatório!

13.10.09

Engrenagens aparentes

Este é o centésimo post do blog. Para comemorar o feito, resolvi republicar - com algumas atualizações - este artigo escrito originalmente para o portal de cultura Overmundo.



Uma espécie de nova Revolução Industrial chega ao Brasil e atrai interesse internacional. Chamada ao gosto do freguês de modismo, tendência, hype, cultura, manifesto, tribo urbana, estilo entre outras classificações a verdade é que o steampunk conquista adeptos, ganha forças na Internet, em eventos públicos e até na literatura e nos quadrinhos, como uma vertente da ficção científica. Pelo nome e pelo parentesco com a FC mesmo quem nunca ouviu falar – ou que não tenha ligado o termo à realidade prática – deve imaginar que exista semelhança estética ou filosófica com o cyberpunk, tão popular que praticamente é sinônimo do gênero como um todo para muita gente que consumiu livros, filmes, HQs e jogos de RPG nos últimos vinte anos. De fato, a semelhança é real, se o foco de uma é especular sobre a cibernética em um futuro próximo, a da outra é imaginar tecnologias possíveis, geralmente movidas a vapor (steam, em inglês), com direito a molas, engrenagens e alavancas, no século retrasado, uma espécie de retrofuturismo. Mas vamos por partes.

Para começar, um bom ponto para conhecer este mundo é o site do Conselho Steampunk, endereço que tem o objetivo manifesto de divulgar, explicar, inspirar, homenagear e produzir cultura dentro deste gênero na forma que for: nas artes, nas vestimentas, em joias, na tecnologia. “Para tanto os idealizadores lançaram mão de conceitos sofisticados que garantissem a possibilidade de qualquer um, em qualquer lugar, independente do poder aquisitivo, idade ou qualquer outro entrave costumeiro, se visse impossibilitado de fruir a cultura Steampunk do seu jeito e sem a necessidade de aderir a qualquer organização burocrática ou centralizadora”, garante o texto de apresentação do projeto criado pelo empresário Bruno Accioly. O conceito que tem apenas dois anos já se difundiu por quatro estados que também criaram suas representações regionais – São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais – denominadas no jargão do Conselho de Lojas, em uma citação explícita a certa Sociedade Secreta, algo que chamou a atenção de um visitante ilustre.

“Lojas. Como lojas maçônicas? Rapaz, isto é terrivelmente século XIX.” Quem fez o comentário foi um escritor fundamental para se entender tanto o punk cibernético quanto o a vapor: Bruce Sterling, autor do romance Piratas de dados e organizador da coletânea Mirrorshades, o homem que ao lado de Willian Gibson – de Neuromancer – criou os paradigmas do cyberpunk em meados dos anos 80. O comentário saiu no dia 20 de julho, no blog que o autor americano mantém no site da Wired, a revista mais respeitada em termos de cultura tecnológica. Foi, na verdade, o segundo post em que ele falou sobre a iniciativa brasileira. Dois dias antes ele havia descoberto a página do Conselho Steampunk e brincara com a ideia, batizando o conceito de “bossa steampunk”. Na outra oportunidade, Sterling divulgou uma mensagem enviada por Bruno Accioly, dando conta das atividades do grupo no Brasil, que não se restringem a discussões virtuais, pois a Loja São Paulo, por exemplo, já organizou dois encontros em que os participantes, vestidos como nossos antepassados do século retrasado, passearam em trens a vapor naquele estado. Esta postagem, o blogueiro encerrou com a frase: “O mundo é um lugar vasto e maravilhoso, damas e cavalheiros.”

Não é um apoio qualquer que as damas e os cavalheiros do Conselho Steampunk atraíram. Como já disse, Bruce Sterling é um dos criadores da parte literária do movimento cyberpunk, mas ele e seu parceiro Willian Gibson também têm muito a ver com o steampunk como subgênero da FC. Ambos, a quatro mãos, escreveram em 1990 a obra mais representativa do início desta nova vertente. É bem verdade que já existiam livros anteriores apontando para algumas das características que seriam aprofundadas mais tarde, escritos por autores como Tim Powers e K. W. Jeter – que, aliás, foi quem cunhou o termo, três anos antes, em uma troca de cartas – mas é praticamente um consenso por parte da crítica que The Difference Engine foi o marco inicial do estilo steamer. No romance, a hipótese de partida é que o cientista e matemático inglês Charles Babbage (1791-1871) teria construído uma máquina (que chegou mesmo a projetar): o primeiro computador do mundo, baseado apenas em peças mecânicas. A invenção dá um impulso muito maior ao Império Britânico, que vivia o auge do período Vitoriano, ou seja, o tempo em que a Rainha Vitória esteve no poder, de 1837 a 1901.

Muitas das convenções do gênero estavam ali, reunidas. O período histórico definido, a tecnologia capaz de mudar tudo o que conhecemos, e até mesmo a utilização de figuras reais e apropriações de criações literárias estão presentes naquele livro. Este último item é uma tentação e tanto a todos os que se aventuram a seguir os passos de Sterling e Gibson, pois as obras escritas naqueles tempos, como os romances e os personagens mais famosos dos pais da Ficção Científica, Jules Verne, H. G. Wells, por exemplo, estão em domínio público, disponíveis para quem desejar reinterpretá-los. O uso mais radical desta característica steampunk foi feito não na literatura, mas nos quadrinhos, com a série de álbuns de A Liga Extraordinária (iniciada em 1999), do inglês Alan Moore, uma combinação de praticamente tudo o que o século XIX tem a oferecer em termos de ficção fantástica ou aventureira. Boa parte do fascínio que o gênero evoca atualmente tem como origem tais HQs escritas por Moore e ilustradas por Kevin O’Neill, que podem ter dado origem a um filme desastroso, mas continuam sendo fonte inesgotável de ideias a cada novo lançamento no papel.

Porém, quando eu escrevi que o assunto tomou a Internet não me referia apenas ao diálogo entre o Conselho Steampunk e o blog de Bruce Sterling. O tema também ganhou outros espaços na rede recentemente. Um bom exemplo é o post que a escritora e historiadora Ana Cristina Rodrigues publicou em um de seus blogs no dia 16 de julho. “Ficção a vapor” é o que chamei de verdadeira aula sobre steampunk. Com muito mais propriedade que eu neste espaço e com uma riqueza de detalhes bem maior, ela analisou todo o contexto sobre o qual acabo de escrever e teceu algumas considerações sobre o cenário nacional nesta área. Cito trechos:

Agora, é de se admirar que um país que nos deu o Barão de Mauá, Augusto Zaluar, D. Pedro II, Santos Dummont… não tenha produzido obras a vapor suficientemente interessantes. Poxa, nosso imperador provavelmente foi o governante mais steampunk de sua época. Seu interesse por gadgets, ciências e novidades era/é notório.

Até esse ano, aconteceram algumas tateadas. Gerson Lodi-Ribeiro, Carlos Orsi Martinho e Octavio Aragão tangenciaram o gênero – os dois primeiros em contos, o último em seu romance, A mão que cria. Mas talvez a primeira obra consciente e declaradamente steampunk do Brasil sejam os quadrinhos de Expresso! de Alexandre Lancaster. O piloto da série foi publicado em um projeto online de curta duração, mas a saga continua, já que novas HQ’s estão previstas e um conto sobre o protagonista vai entrar na primeira coletânea nacional do gênero.


Outro escritor e crítico de Ficção Científica também tratou desta pauta foi Antonio Luiz M. C. Costa. Ele publicou um longo artigo na coluna que mantém no site da revista em que trabalha a CartaCapital. Datada do dia 11 de agosto, “Steampunk, saudade ou rebeldia?” é outra contribuição para o debate, que igualmente detalhou o histórico do gênero e ponderou sobre a situação em nosso país. Citando novamente:

É sempre bom fugir um pouco do famoso slogan de Margaret Thatcher e Francis Fukuyama, o TINA, There Is No Alternative – “Não há alternativa (ao status quo neoliberal dos anos 80 e 90)” e considerar como as coisas poderiam ser diferentes. O curioso é que, neste caso, trata-se geralmente de uma alternativa, em muitos aspectos, bem semelhante à realidade atual, com o Império Britânico e os financistas da City no papel dos EUA e de Wall Street.

Pode reforçar a ideia de que as roupas e maneiras podem mudar, mas a essência da sociedade foi e sempre será a mesma. Como também pode funcionar como alegoria ou caricatura de problemas atuais e mostrar o que têm de histórico e contingente, como dependem de desenvolvimentos específicos e podem vir a ser superados. É um campo no qual concepções opostas podem se expressar em um ambiente fantástico e de sabor nostálgico, mas ainda assim com uma relação bem clara com a realidade social, política e ambiental do século XXI.

O pleno desenvolvimento dessas possibilidades no Brasil depende, porém, de que o Steampunk não seja apenas consumido como moda ou como decoração de animês e aventuras hollywoodianas. Para ser criativo, precisa ser produzido e discutido como um subgênero literário e associado ao ponto de vista brasileiro ou à história (real e imaginada) de nosso país. Por enquanto, conta-se apenas com a recém-lançada antologia de contos Steampunk, da Tarja (R$ 39, 184 páginas), que inclui uma colaboração do autor desta coluna. Uma segunda antologia, a ser intitulada Vaporpunk, está sendo organizada pelo escritor Gerson Lodi-Ribeiro e é esperada para breve. Teremos então uma boa ideia de como se imagina, em terras tropicais, essa história paralela.


Os dois fizeram referência ao mesmo livro ao final de seus textos, uma coletânea chamada Steampunk – Histórias de um passado extraordinário. O livro foi lançado em São Paulo no último final de semana de julho e também participo dele com um dos nove textos. Curiosamente, apesar de não ter sido um pedido expresso da editora, a maioria dos contos longos publicados no livro tratam, sim, de aspectos históricos do Brasil e usam personagens locais entre os principais destaques de suas tramas, alguns deles citados por Ana Cristina. Neste blog, em um mesmo post podemos ler duas resenhas da obra que também ganhou destaque em um respeitado blog português dedicado ao autor Jules Verne, e ainda no endereço de um dos maiores resenhistas de literatura fantástica, Larry Nolen, entre outros endereços da rede que repercutiram o lançamento. Alguns desses endereços foram reunidos por mim em um blog que criei para me ajudar a planejar a noveleta escrita para a coletânea.

E de fato ainda há mais por vir. Uma coletânea binacional, com escritores brasileiros e portugueses, está sendo organizada neste momento, com uma visão bem menos purista do gênero mas que pretende ser ainda mais focada na história destes dois países. Um romance também pode ser lançado em breve, chamado de Baronato de Shoah, de autoria de José Roberto Vieira. Fora do terreno da literatura, os quadrinhos também devem apresentar novidades com influência steampunk. Outro romance está em andamento, escrito por Pablo Frazão, e publicado aos poucos em seu site, O Chapeleiro Louco. O trabalho de Alexandre Lancaster com Expresso!, sua série inspirada nos mangás, pode ser acompanhado na página que o autor mantém no site DeviantART. Também inspirados nos quadrinhos japoneses, Douglas MCT e Ulisses Perez lançarão pela editora NewPop uma série com o nome Hansel&Gretel. O escritor Tibor Moricz já anunciou seu terceiro livro, chamado O Peregrino, que contém muitos elementos do gênero. Por último, mas não menos importante, no site dedicado a webcomics da DC, o Zuda Comics, é um brasileiro, Igor Noronha, quem desenha a HQ Sidewise que mostra as aventuras de um adolescente deslocado no tempo para um período vitoriano alternativo. Certamente, essas e outras manifestações do steampunk serão tema de um evento que vai ocorrer no fim de novembro em São Paulo, a Fantástica Jornada Noite Adentro, que será dedicada ao gênero e que deve ser o maior ponto de encontro dos aficionados brasileiros.

Como se vê, a agitação em torno da cultura steampunk no Brasil é grande, a ponto de chamar a atenção em outros países e dar ao leitor várias opções para participar ou ao menos experimentar esta nova versão da Revolução Industrial. O carvão queima e as engrenagens se movimentam. Boa viagem.

8.10.09

Sociedade X

A dica de que o material saiu no Brasil veio de um dos escritores presentes na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, o quadrinófilo Flávio Medeiros Jr. Em X-Men Extra 93, a Panini acaba de lançar por aqui um flash do que seria uma versão steamer dos famosos e populares anti-heróis mutantes da editora Marvel. Originalmente publicada em dezembro do ano passado, no primeiro número da minissérie Astonishing X-Men: Ghost Boxes, a HQ mostra quatro personagens numa ambientação típica do gênero: vemos abaixo, na arte de Adi Granov, da esquerda para a direita, Fera, Rainha Branca, Ciclope e o onipresente Wolverine.



O roteiro ficou por conta de um autor que é recalcitrante no steampunk: Warren Ellis. Em sua inconclusa série Planetary, o quadrinista já havia feito uma versão alternativa para o mesmo livro que é uma das inspirações de "Cidade Phantástica" o Da Terra à Lua, de Jules Verne, história publicada no Brasil pela finada revista Pixel Magazine. Uma outra emersão do britânico se deu em uma segunda série, esta veiculada pela internet, chamada FreakAngels.

Com os X-Men, Ellis foi bem econômico, infelizmente. Em apenas oito páginas, o escritor nos apresentou a Sociedade X, o grupo de aventureiros comandado pela nobre Emma Frost, sediado na Baía New Portsmouth, Estado de Nova Albion, que às vezes presta ajuda ao inspetor Slipper da Western Yard. Tudo isso de um universo alternativo, uma terra com cultura pré-digital, chamada de 889 (o mundo oficial, dos heróis que conhecemos, não custa lembrar, é o da Terra 616, conforme foi batizada em uma antiga história do Capitão Bretanha por outro escritor britânico, ninguém menos que Alan Moore). Com texto e desenhos ótimos, o defeito - ou trunfo - desta aventura é o tamanho. Como bem disse Flávio Medeiros: "Olha, até deu vontade de ver esse universo melhor explorado... "

4.10.09

Atlas alternativo



Você já ouviu falar do Seleuquistão? Ou do Grão-Sultanato de Saladina? Quem sabe do Domínion da Coréia Alemã? Nem mesmo da Província de São Mateus da Nova China?

Todos esses países e outras 27 [atualizando, 28, agora] criações de um total de 15 participantes é o resultado até o momento de um tópico da comunidade Ucronia e História Alternativa do Orkut. "Explique nomes de países ucrônicos" começou como uma proposta de jogo feita por Leonardo Antonini no dia 8 de agosto e aos poucos está se tornando um ótimo levantamento para um verdadeiro atlas alternativo, que cobre praticamento todo o globo e passa pelos mais diferentes períodos históricos, do auge do Império Romano à queda do Império Soviético; da nossa última ditadura ao período dos Descobrimentos.

O objetivo é um jogador sugerir o nome de uma nação fictícia para que algum outro membro da comunidade ofereça uma breve explicação sobre como aquele país surgiu. Assim que faz isso, cada novo participante deixa um outro desafio para o seguinte. O resultado está ficando tão interessante que o conteúdo do tópico não ficaria mal se fosse editado em forma de um e-book.

Explicando o nome da comunidade e o do tópico: ucronia é uma expressão inspirada no termo utopia. Se este último significa, literalmente, "lugar algum", aquele é o "tempo algum," uma linha cronológica fictícia criada para justificar uma história alternativa, subgênero da ficção científica da qual minha noveleta também faz parte - entre tantos outros, como steampunk, pulp fiction, ficção alternativa, faroeste.

Desta forma, aproveitei a deixa do jogador Mushishi Ginko e no dia 9 de agosto dei uma explicação para sua proposta de um Grande Império do Paraguai do Sul que casa com o conceito de "Cidade Phantástica":

Não ocorre aquela que ficou conhecida em NLT [nossa linha temporal, ou seja, a história que conhecemos] como a Guerra do Paraguai. Ao invés disso, D. Pedro II e Carlos Lopes selam acordos que trazem benefícios mútuos aos dois países. O Brasil cede terras do Sul para o vizinho, que ganha com isso uma saída para o mar; o Paraguai torna-se o maior aliado do Império no continente. Solano acaba por desposar uma das filhas do brasileiro e é nomeado imperador.


Para o participante seguinte, deixei a sugestão de uma região que surgiu em outro conto meu, "Apagão no tempo", a URSA - União das Repúblicas Socialistas das Américas. Voltei ao tópico no dia 3 de outubro para tentar explicar a proposta do advogado, com formação em História, Roberval Barcellos: a República Parlamentarista Alemã do Volga. O que saiu foi:

Virada da década de 80 para a de 90 do século passado. Com o fim da União Soviética, várias pequenas repúblicas passam a reivindicar independência e lutam para se separar do antigo império comunista. Uma dessas localidades conta com o apoio explícito da recém-unificada Alemanha.

Trata-se dos descendentes dos cerca de 30 mil alemães que foram atraídos para viver na Rússia em 1763 pela imperatriz Catarina II. Incentivada e armada pelo chanceler Helmut Kohl, essa região de Saratov, próxima ao rio Volga, trava uma luta com a Rússia desmembrada e consegue, por fim, ser reconhecida como um entrave germânico no antigo território soviético.

Como contrapartida, coloquei em discussão não o nome de um país, mas logo de uma vez o de três continentes: Caesaria Borealis, Caesaria Centralis e Caesaria Australis. A ideia era repercutir uma sugestão que havia me ocorrido em outra comunidade, no ano de 2007, a de Ficção Alternativa, quando falei da hipótese de uma certa Cesária.

Mas este post é para chamar a atenção dos interessados neste fascinante mundo da História Alternativa. Mesmo quem não quiser participar do jogo, pode passar alguns momentos se divertindo com a especulação alheia, que não para. De verdade, enquanto redigia este post, surgiu o trigésimo-segundo país, o primeiro a se localizar fora do globo terrestre: Colônia da Nova Terra, localizada em Marte onde estranhas criaturas esperavam pelos colonizadores...

1.10.09

Torre de Vigia 5

O escritor José Roberto Vieira, que está produzindo o romance steamer Baronato de Shoah, colaborou com o site do Conselho Steampunk - Loja São Paulo dando dicas para quem pretender ingressar neste gênero literário. Em seu texto, Vieira fez referência tanto à coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário quanto à mesa redonda que lançou o livro e que foi assunto do post anterior. Vou reproduzir abaixo a parte final do artigo que pode ser lido na íntegra aqui.

Só muito recentemente os autores, desenhistas e artistas brasileiros começaram a influenciar nossos camaradas estrangeiros ( principalmente os “Deuses Americanos”, fazendo uma referência dupla a Gailman e a Palestra na Fantasticon sobre Steam). Nós finalmente provamos que nosso material de ficção é tão bom quanto o deles e que nossos desenhistas, escritores, poetas, músicos e afins são tão bons ou até melhores que eles.

Uma das primeiras referências Steam que temos aqui no Brasil é a coletânea da Tarja “Steampunk: histórias de um passado extraordinário”. Fica a í a dica, porque a partir dela você pode encontrar muitos outros autores brasileiros, de Steam ou não, que podem lhe servir de referência.

Fica aí a dica: não se prenda a rótulos, não se deixe vencer pelas dificuldades de escrever e escrever Steampunk. Nós, brasileiros temos tanta habilidade quanto qualquer estrangeiro, nossos personagens históricos são tão bizarros quanto os outros e nossa história é tão maluca quanto as outras.

O que nos limita, é só nossa própria imaginação