17.7.09

Coletânea lusobrasileira: Vaporpunk

Como soube da notícia já bem atrasado - graças à versão twitter da Loja São Paulo do Conselho Steampunk - vou reproduzir na íntegra o chamado de submissão de textos publicado originalmente aqui torcendo para ler material brasileiro nesta coletânea binacional:

A antologia Vaporpunk pretende reunir noveletas de história alternativa do subgênero steampunk escritas por autores brasileiros e portugueses, com fins de publicação em mercados de ambos os lados do Atlântico, em mídia convencional e/ou e-book.
Por considerarmos que a dimensão ideal precípua para expressar um enredo de história alternativa é a noveleta e não o conto, como no caso da ficção científica, gostaríamos de fixar os limites dos trabalhos que aceitaremos entre 8.000 e 18.000 palavras. Isto não quer dizer, em absoluto, que trabalhos fora deste padrão serão sumariamente rejeitados. Se vossos escritos forem realmente bons, a qualidade decerto pesará, ainda que eles sejam menores ou maiores do que o limite proposto. No entanto, convém deixar claro que olharemos com mais simpatia trabalhos dentro do intervalo citado.
Analogamente, gostaríamos de receber trabalhos steampunks cujos enredos dissessem respeito, direta ou indiretamente, às culturas brasileira e/ou portuguesa, mostrando o impacto social do avanço tecnológico precoce na história dessa(s) cultura(s).
Vaporpunks, por assim dizer.
Não se trata de uma exigência estrita. Trabalhos steampunks que nada tenham a ver com o Brasil ou com Portugal serão apreciados com a atenção devida e também poderão ser eventualmente aceitos. Porém é honesto frisar aqui nossa predileção por vaporpunks que sejam lusófonos não só de corpo (i.e, escritos por autores portugueses e brasileiros), como também em espírito (enredo, personagens, ambientação lusófonos).
A deadline proposta é 31 de julho de 2009.
O mais importante é que não nos prendemos à definição castiça de steampunk / vaporpunk.
Isto quer dizer que a ação de vossas noveletas não precisa necessariamente transcorrer na Londres Vitoriana da segunda metade do século XIX. Afinal, As Loucas Aventuras de James West é considerado steampunk e se passa no Velho Oeste, certo?
Da mesma forma, consideramos vaporpunk o romance de Paul McAuley, Pasquale’s Angel (publicado em português sob o título de A Invenção de Leonardo, Saída de Emergência, 2005), onde os inventos de Da Vinci são concretizados e a Revolução Industrial começa com três séculos de antecedência.
Não se faz necessário que o vapor seja a única tecnologia precoce presente em vossos enredos.
Em resumo, estamos interessados em enredos que mostrem o impacto social do emprego amplo e precoce de avanços tecnológicos nas culturas portuguesa e/ou brasileira. Tais enredos podem se constituir em passados alternativos ou em presentes alternativos.
Nos passados alternativos, a ação transcorre numa época bastante anterior ao presente, como por exemplo, na noveleta “Custer’s Last Jump”, de Steven Utley & Howard Waldrop, em que o advento da aviação em meados do século XIX modifica a história da Guerra de Secessão e das Guerras Índias que se seguiram.
Nos presentes alternativos, a ação se passa mais ou menos em nossa época, só que numa linha histórica alternativa, modificada pelo advento precoce de uma tecnologia.
Quando principiamos a cogitar essas guidelines, pensamos em conceituar steampunk aqui.
Contudo, descobrimos uma definição castiça adequada na Wikipedia. Os conceitos ali expressos são mais restritivos do que aqueles que lhes estamos propondo, mas já dá para ter uma idéia geral. Portanto, usem e abusem: http://en.wikipedia.org/wiki/Steampunk
Se possível, dêem preferência ao verbete da Wikipedia em inglês, visto que sua tradução na Wikipedia em português encontra-se incompleta e, em alguns trechos, errada.
Se quiserem, sintam-se à vontade para consultar o ensaio “Steampunks!” constante na coletânea em e-book Ensaios de História Alternativa , cujo download é gratuito no site:
No que se pese que se trata de um texto escrito em 1998, é mais atualizado do que o verbete da Encyclopedia of Science Fiction, escrito pelo Peter Nicholls.
Contamos com a submissão da sua noveleta.
A submissão deve ser mandada somente em versão eletrônica, formato universal de texto (.txt) ou rich text file (.rtf), para os emails glodir@centroin.com.br e
antologia@tecnofantasia.com (enviem para ambos de forma a que não se perca nenhuma submissão. Por favor, solicitem confirmação de recepção). Indicando na folha de rosto o nome de nascimento do autor, o nome literário (se diferir deste), o título da obra, a dimensão (número de palavras) e um meio de contacto (endereço, email). Se tiver de enviar mapas ou gráficos, por favor envie em ficheiro separado e faça a devida nota no corpo do texto.
Mãos à obra!
Gerson Lodi-Ribeiro & Luís Filipe Silva
Fevereiro de 2009

14 comentários:

Tibor Moricz disse...

Por onde andava este chamado de submissão, que nada vi e nada soube até agora? Onde foi postado? Brincadeira...

Romeu Martins disse...

Pois é, também não entendi a falta de divulgação. Fiquei sabendo via Conselho Steampunk - SP que por sua vez achou o a viso em um blog português. Pelo que sei, os organizadores não fizeram uma chamada pública no Brasil.

É mesmo uma pena.

Giseli Ramos disse...

Essa coletânea tem todo o jeito de ser interessante. Só achei estranho não terem divulgado bem antes, a deadline é meio apertada, hein?
Bom, estou na torcida para que essa seja tão interessante quanto a coletânea steam brazuca!

Giseli Ramos disse...

Ah, só vi o motivo da pouca divulgação depois de postar o comentário rs.

Romeu Martins disse...

Pois é, Gi. Pena que só algumas pessoas estavam sabendo deste projeto.

Pelo menos, termos avisado por aqui já garantiu ao menos um texto a mais concorrendo a uma vaga, uma noveleta do Douglas MCT.

Tomara que dê tempo de mais pessoas aprontarem seus textos, pois assim, quem tem a ganhar somos nós, os leitores.

Richard Diegues disse...

Realmente será bacana se sair em papel. Novelas em e-book é de doer pra ler na tela. Que venham os e-bookreaders portáteis!!! E barato, pelamordedeus!

Ps.: Eu também gostaria muito de saber o porque da coletânea ter sido mal divulgada... pô Gerson, olha que abri o convite pra você antes de todo mundo para participar da coletânea da Tarja. Tsk, tsk...Mantenha o povo do meio informado...

Tibor Moricz disse...

Um organizador pátrio e só divulgaram isso lá em Portugal???? Que mancada feia...

Romeu Martins disse...

Entrei em contato com o Gerson para garantir o espaço a ele caso queira esclarecer qualquer dúvida a respeito do projeto Vaporpunk.

Anônimo disse...

Se não, vejamos...
A história desde o início.
Gerson.

Anônimo disse...

Será um pouco longa...

Anônimo disse...

A ideia de fazer uma antologia temática de história alternativa dentro do subgênero steampunk surgiu de um papo com o Gian Celli da Tarja no ambiente alegre e barulhento de uma danceteria em outubro de 2008, por ocasião do lançamento nacional do Taikodom em São Paulo.

Nas semanas que se seguiram, ao longo das discussões para decidirmos como seria nossa antologia steampunk, eu, o Gian e o Richard Diegues acabamos percebendo que tínhamos concepções divergentes e irreconciliáveis quanto à melhor estratégia para organizar e montar a obra. Daí, a separação amigável com um bônus adicional para os leitores lusófonos: em vez de uma, teremos duas antologias steampunks, cada qual com sua filosofia de trabalho.

Parte do meu plano consistia em montar uma antologia luso-brasileira, pois esse caminho multiplicaria por dois as chances de publicação em papel. Para tanto, convidei para me ajudar na tarefa árdua de edição o amigo de longa data Luís Filipe Silva, autor e editor de ficção científica português, cuja obra e reputação dispensam maiores apresentações.

Anônimo disse...

O plano inicial da Vaporpunk é reunir de dez a catorze noveletas (cinco a sete trabalhos de autores brasileiros e outro tanto de autores portugueses). Um livro com algo em torno de 80.000 a 100.000 palavras.

Dividimos nossa labuta de editores por nacionalidade: o Luís cuida das submissões dos autores portugueses e eu cuido das submissões dos autores brasileiros. No entanto, cada trabalho precisará do aval de ambos para ser incluído na Vaporpunk.

Dentro dessa divisão, cada co-editor é livre para estabelecer seus próprios critérios para a seleção do material a ser submetido.

Deste lado do Atlântico, enviei nossas guidelines para alguns autores com os quais já trabalhei antes como editor. Autores que, tanto pela análise do conjunto de suas obras anteriores quanto pela confiança mútua no trato pessoal, julgo capazes de produzir noveletas efetivas dentro do subgênero steampunk. Deste modo, a submissão dos autores brasileiros deu-se por convite.

Em Portugal, o Luís adotou estratégia diversa. Após avaliar que não conseguiria obter as cinco ou sete submissões com o padrão de qualidade almejado através do simples convite, ele decidiu publicar nossas guidelines sob forma de um edital lato sensu, solicitando submissões de autores portugueses.

Anônimo disse...

Naturalmente, em virtude dessa divergência de critérios, vários autores brasileiros só acabaram sabendo da existência do esforço para produzir a Vaporpunk a partir de sites e fóruns portugueses.

A partir do conhecimento da existência de uma antologia temática com submissões tecnicamente em aberto, passamos a receber submissões não solicitadas de autores brasileiros.

Como iremos proceder a partir do imbróglio resumido acima?

É simples.

Todos os autores brasileiros que, convidados ou não, submeterem seus trabalhos até a deadline proposta (31 de julho de 2009), sob os ditames das guidelines estabelecidas, terão suas noveletas avaliadas em primeira instância por mim e, se aprovadas, também e obrigatoriamente, pelo Luís Filipe Silva.

Autores brasileiros que receberam convites no início de 2009 e que já vêm trabalhando em suas noveletas desde então também deverão se ater em princípio à deadline referida. Contudo, a meu critério, na dependência do andamento dos trabalhos desses autores convidados e de entendimentos prévios entre autores e editor, poderei estender um pouco esse prazo.

Não se justificam as queixas por parte dos autores brasileiros de que não foram avisados das guidelines e do edital da Vaporpunk, ou que apenas souberam dos mesmos em cima da hora, tendo em vista que os critérios de seleção deste lado do Atlântico não envolveram solicitação pública de submissão de trabalhos.

Espero ter esclarecido os colegas e amigos acima.

Gerson Lodi-Ribeiro, editor brasileiro da VAPORPUNK.

Romeu Martins disse...

Obrigado pelos esclarecimentos, Gerson.

Farei um post para dar mais visibilidade a suas informações, como fiz com esta chamada para a coletânea.

Abraço