17.11.09

Mon nom est Mouchez. Ernst Mouchez.

Espionagem em ritmo steampunk, com direito a conspiratas, traições, viradas de trama, tecnologias a vapor e brigas aéreas. Essa é a receita do conto "Ernst Amedée B. Mouchez, espião de Sua Majestade Imperial" que Ana Cristina Rodrigues acaba de postar em seu já citado blog: o Observatório a vapor. A escritora imprimiu no texto uma característica de sua profissão - além de ficcionista ela é historiadora e trabalha na Biblioteca Nacional, na Cidade Fantástica, digo, no Rio de Janeiro - a marca da pesquisa de época bem feita.

O protagonista da noveleta é uma prova disso. Ana escolheu um personagem da vida real, o astrônomo e hidrógrafo espanhol de nascimento, mas com carreira na França, Ernst Mouchez (1821-1892). Se, na história oficial, ele explorou com fins científicos as costas da Coreia, China e América do Sul, avançou pelo Rio Paraguai e mapeou a Argélia, na ficção se tornou um espião a serviço de Sua Majestade. À semelhança de James Bond? Sim, mas aqui o agente não serve a uma rainha, mas a um imperador. Napoleão III, no caso.

E se o personagem criado por Ian Fleming (1909-1964) cumpria ordens de M e contava com o auxílio dos inventos de Q, Mouchez é ainda mais bem servido. O ministro dos Assuntos Secretos aqui é um dos favoritos deste blog, monsieur Jules Verne (1828-1905), que aparentemente trocou sua carreira de escritor pela de político e inventor, sendo ao mesmo tempo, o M e o Q dessa realidade. São desse Verne fictício duas invejáveis inovações steamers apresentadas no texto: o casaco a vapor, que permite ao usuário obter uma impulsão de até 15 metros, e os óculos - ou seriam goggles? - de visão noturna, acionados por um engenhoso método de eletricidade estática. Tendo tais personagens e apetrechos no foco narrativo e com um pano de fundo envolvendo uma conspiração que ameça o trono de D. Pedro I no Brasil, a história de Ana Cristina é diversão garantida.

2 comentários:

Octavio Aragão disse...

Já conhecia esse conto e acho o máximo que todo mundo tenha acesso a ele agora.

Parabéns, Ana!

Romeu Martins disse...

Também gosto muito desse conto e das retrotecnologias dele. Aquele sistema de visão noturna eletrostático é exatamente o tipo de coisa de que gosto de ler em um texto steampunk.