30.3.09
Resenha de Paradigmas - Vol I
Não é porque o filho também é meu, mas essa é uma das coletâneas mais bem organizadas da cena literária atual. São 13 contos de 13 autores bastante diversificados em temáticas e estilos, todos eles se encaixam de algum modo nas designações da literatura fantástica, mas aqui não existem fronteiras claras de gênero e vanguarda, a proposta é justamente gerar uma quebradeira de rótulos. Creio que a maioria dos contos conseguiu cumprir com a missão.
Reparei que muitos autores investiram na quebra dos paradigmas por meio da reinvenção mitológica e, em alguns casos, com o tempero do erotismo.
+ Jacques Barcia em O Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração operou a transfiguração da mitologia indiana em uma vertiginosa epopéia onírica.
+ Roberta Nunes em Una deu vidas passadas e ares de ficção científica à saga de Lilith. Belíssimo!
+ Já Fogo de Artifício, do Eric Novello, é um inusitado conto policial onde os bandidos são personagens de contos de fadas e a loura Alice com seu coelho inseparável não é mais uma menininha…
+ Em Aqui Há Monstros, Camila Fernandes praticamente inventa um novo mito grego, um jovem náufrago vai parar em uma ilha desconhecida onde é salvo por uma misteriosa mulher cuja beleza ele jamais pode olhar.
+ E quem disse que dragões não têm nada a ver com favela e tráfico de drogas? Essa conexão inusitadíssima é mérito do Bruno Cobbi, com O Mendigo e o Dragão.
+ Um Forte Desejo, de MD Amado, conta as aventuras sexuais de uma mulher independente com uma bizarra criatura.
+ Tem ainda uma escritora chamada Cris Lasaitis com sua alegoria moderna sobre um maestro narcisista e uma melodia mágica (Sinfonia Para Narciso).
+ Leonardo Pezzella com A Lenda do Homem de Palha praticamente inventou uma lenda popular tão pictórica quanto as que povoam o imaginário da cultura brasileira.
+ O conto da Ana Cristina Rodrigues, O Templo do Amor, traz um interessante duelo entre as duas maiores forças que norteiam a nossa existência: o amor e a morte.
+ A Teoria na Prática (excelente título) é uma grande sacada do Romeu Martins ao dar sentido e quintas intenções à cultura da pasmaceira que chamamos de teoria da conspiração. Ou você não percebeu que tem alguém interessado em fazer você acreditar que camisinha dá câncer?
+ O conto do Richard Diegues, MAI-NI Expressas é uma viagem alucinante num mundo ciber-futurista-distópico onde motoboys rompem fronteiras a mil e seiscentos quilômetros por hora para entregar o seu pacote antes que a guerra comece.
+ O Combate de Maria Helena Bandeira é um altar de sacríficios ao deus Xanam, o deus do acaso e também das roletas russas.
+ E Madalena, de Osíris Reis, é um conto de terror situado entre o grotesco e o escatológico, onde não há fronteira entre os pesadelos e a realidade para uma menina de nove anos aterrorizada e violada pelos seus monstros pessoais e pela religião. Lembra um pouco um caso que aconteceu no Pernambuco outro dia…
Acho que não deixei faltar ninguém. É isso aí, criançada, parabéns! E que venha o volume 2!
22.3.09
Paradigmáticos

Da esquerda para a direita: Leonardo Vieira, M.D.Amado, Bruno Cobbi, Eric Novello e Cristina Lasaitis. Logo abaixo: Camila Fernandes, Roberta Nunes e Richard Diegues.
Que seja o primeiro número de uma série para fazer a história da literatura fantástica em nosso país. Parabéns a todos, autores, leitores e equipe da Tarja.
9.3.09
Ainda sobre Farmer
O parceiro de Phillip José Farmer em diversos projetos, incluindo um último livro escrito a quatro mãos, Win Scott Eckert deu uma ótima entrevista ao site Comic Book Resources na qual fala de seu velho mestre, falecido no dia 27 de fevereiro. Ele explora bastante o tema dos crossovers entre personagens de diferentes autores, definindo bem o conceito tanto da Wold Newton Family criada por Farmer quanto de sua ampliação fruto de inúmeras colaborações, o Wold Newton Universe. Na imagem ao lado, vemos o monumento que lembra a queda do meteorito (ou, uma pedra extraordinária, conforme documentaram naquele memorial) na cidade inglesa que batiza tais conceitos, no século XVIII.A entrevista já estava pronta para ser publicada uma semana antes, mas o responsável pela coluna semanal, Greg Hatcher, segurou o material e só o publicou na última sexta, acrescido de um novo depoimento de Eckert a respeito da inspiração que os livros de Farmer representaram para sua própria carreira de novelista. Uma bela homenagem ao rei dos crossovers. O texto pode ser lido aqui.
7.3.09
Os contos e os autores da coletânea

MAI-NI Expressas » Richard Diegues » autor dos livros Tempos de AlgóriA (2009), Sob A Luz do Abajur (2007), Magia – Tomo I (1997), além de organizador e co-autor do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006), co-autor dos livros Histórias do Tarô (2008), Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006) e Necrópole – Histórias de Vampiros (2005). Trabalha com eventos e palestras na área literária, atuando também como editor pela Tarja Editorial. Paga as contas como programador de computadores, consultor editorial para autores, rastreando hackers, e jogando bilhar. É o idealizador do projeto Paradigmas.
Vento, Seu Fôlego. O Mundo, Seu Coração » Jacques Barcia » é um escritor azul de ficção estranha. Tem contos publicados no Brasil e Romênia, em papel e prana. É editor da revista online Terra Incógnita junto com o rishi Fábio Fernandes, com quem também divide o blogue Post-Weird Thoughts. Quando não escreve, berra mantras e dança com duas belas apsarases.
Um Forte Desejo » M. D. Amado » analista de sistemas, mineiro de Belo Horizonte, e participou do livro Necrópole - Histórias de Fantasmas (2006) com o conto O Fotógrafo. Possui contos publicados em vários sites revistas eletrônicas. Desde 1996 mantém o site Estronho e Esquésito, que, entre outras coisas, disponibiliza gratuitamente um espaço para que autores de literatura fantástica divulguem seus trabalhos. Na atualidade desenvolve dois projetos literários solo, que em breve se tornarão livros.
O Mendigo e o Dragão » Bruno Cobbi » é tradutor, designer multimídia e escritor estreante. Descobriu seu talento para contar histórias através do RPG e atualmente é aluno da primeira turma do Curso de Pós Graduação em Formação de Escritores, em São Paulo. Fã de videogames, cinema e quadrinhos, é dono do blog Aprendiz de Escritor e editor do blog d3system.
Una » Roberta Nunes » gosta tanto de literatura que não suporta quem a maltrata. Publicou alguns textos em listas de discussão de literatura e blogs literários, tendo um trabalho publicado o livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Atualmente tenta, com afinco, se dedicar aos blogs pessoais Profana?Eu?, onde escreve suas desventuras e ao Estilhaços de Alma, dedicado a críticas de livros, peças teatrais, filmes, eventos e de bares onde a cerveja teima em não gelar.
Fogo de Artifício » Eric Novello » autor dos romances Dante – o Guardião da Morte (2004) e Histórias da Noite Carioca (2005). Participou do livro Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008) com o conto De Fumaça e Sombras, possui mais de 60 contos e crônicas online e mantém atualmente o site Fantastik de divulgação de literatura fantástica nacional. É tradutor e trabalha como crítico literário e de cinema para o portal de arte Aguarrás. Está trabalhando em um romance de Fantasia Urbana com o mesmo protagonista de Fogo de Artifício.
Aqui Há Monstros » Camila Fernandes » alter ego de Mila F. Enquanto Camila Fernandes assina contos e revisões, Mila F, é ilustradora especializada em pintura digital e capista desta edição. Lançou seus primeiros contos no NecroZine, depois, participou dos livros Necrópole – Histórias de Vampiros (2005), Necrópole – Histórias de Fantasmas (2006), Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006) e Necrópole – Histórias de Bruxaria (2008). No momento, tem desenhado muito, feito revisão de textos para editoras e autores independentes e reparado seu livro solo.
Sinfonia Para Narciso » Cristina Lasaitis » Não sabe dizer se é uma cientista que se apaixonou pela ficção ou se é uma escritora que se apaixonou pela ciência. Autora da coletânea de contos de ficção científica e fantasia Fábulas do Tempo e da Eternidade (2008) e participante do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Sua imaginação vive uma constante viagem, e ela sonha com o dia em que poderá viver de contar histórias. Atualmente mora com seus pais e vive catando as traças da sua biblioteca de estimação.
A Lenda do Homem de Palha » Leonardo Pezzella Vieira » engenheiro que escrevia poesias. Dono de um forte hábito de leitura, participou de grupos de escritores e trocou as poesias pelos contos e pequenos romances de terror e ficção. Publicou no Jornal da Praça e em diversos sites de contos e crônicas. Participou do livro Visões de São Paulo – Ensaios Urbanos (2006). Seus textos podem ser encontrados em seu blog pessoal, o Monologando.
A Teoria na Prática » Romeu Martins » jornalista especializado na área de divulgação científica, com ênfase em inovação tecnológica, é co-autor do livro Conhecimento & Riqueza (2007), o que o torna, na maioria das vezes, bastante cético quanto a avanços radicais em um futuro próximo. Resenhista e entrevistador, do site Overmundo, também é o criador do blog Terroristas da Conspiração.
O Combate » Maria Helena Bandeira » formada em jornalismo, artista plástica. Menção Especial do Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores. Conto Brasileiro do Mês da Isaac Asimov Magazine, indicada pra o Prêmio Argos em 2002, colaboradora do fanzine Somnium, da revista Scarium e do site português E-nigma. Participou das antologias Anjos de Prata (2001-2007), Antoloblogue (2007) e FC do B – panorama 2006/2007 (2007) e GRAGEAS - 100 cuentos breves de todo el mundo (2007), na Argentina.
O Templo do Amor » Ana Cristina Rodrigues » escritora, historiadora, funcionária pública, professora, editora, agitadora cultural, roteirista e mãe. Balzaquiana, escreve para tentar calar as vozes (sem sucesso). Já apareceu com contos em diversos sites brasileiros e internacionais. Está escrevendo um romance de fantasia histórica alternativa.
6.3.09
Mais informações sobre Paradigmas
Essa coleção terá seu primeiro volume lançado no dia 20 de março, o segundo volume preparado para maio e o terceiro com previsão para julho. Não há uma quantidade final de volumes estipulada.
Cada edição apresentará 13 dos escritores que têm se sobressaído dentro do gênero. Segundo Richard Diegues, escritor e organizador da coleção, “os livros reunirão autores que realmente estão fazendo a diferença na atualidade, formando dessa maneira um retrato de alta qualidade da produção contemporânea”.
“Cada detalhe da obra foi pensado para romper Paradigmas já consagrados. Toda a concepção é inovadora. A Espiral Áurea (na capa) foi adotada como arquétipo maior de um paradigma. Fixamos referência a descobertas diferentes em cada volume – Abra a porta! Abra a cabeça! Abra as asas!... –, o tratamento do miolo do livro não possui as amarras gráficas convencionais, permitindo um contato mais similar do leitor com uma revista de entretenimento do que com um livro acadêmico”, completa Diegues.
A palavra paradigma se origina do grego parádeigma, que em seu sentido literal quer dizer modelo, um padrão a ser seguido. Na literatura seria algo partilhado por diversos autores, como um fluxo de pensamentos que culmina em idéias semelhantes. É um termo complexo que aponta algo simples: os limites de uma idéia, o molde para se manter dentro dessas balizas. A proposta da coleção é apresentar contos incomuns, mesmo que baseados em paradigmas consagrados. A arte de capa deste volume apresenta trancas e fechaduras, remetendo à clausura que o próprio tempo impôs à liberdade de criação. Tudo possui um padrão, como indica a espiral áurea. Estética, métrica e simétrica a serviço do bom senso, da unicidade de estilos. Mas mesmo na natureza existe o caos. Na beleza das formas assimétricas e, ainda assim, surpreendentes em sua perfeição. A concepção não deve ser encarcerada. Abra as portas. Quebre os paradigmas!
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Os autores que participam deste primeiro volume da coleção são: Ana Cristina Rodrigues (RJ), Bruno Cobbi (SP), Camila Fernandes (SP), Cristina Lasaitis (SP), Eric Novello (SP), Jacques Barcia (PE), Leonardo Pezzella Vieira (SP), M. D. Amado (MG), Maria Helena Bandeira (RJ), Osíris Reis (DF), Richard Diegues (SP), Roberta Nunes (SP) e Romeu Martins (SC).
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A Editora: A Tarja Editorial é a maior editora exclusiva de Ficção Brasileira, e para este ano irá lançar no mercado doze novos títulos dentro dessa linha editorial, sempre apostando em novos nomes da literatura fantástica brasileira.
O livro pode ser encontrado hoje, em pré-venda, no site da Tarja Livros e nas livrarias físicas e virtuais à partir do lançamento.
Lançamento:
Dia 20 de março de 2009, a partir das 18h30
Local: Bardo Batata – gastronomia e cultura
Rua Bela Cintra, 1.333 – Jardins – São Paulo
C o n t a t o s (imagens, textos e entrevistas):
T a r j a E d i t o r i a l
imprensa@tarjaeditorial.com.br
contato do organizador: Richard Diegues – 11 9547-2520
Título: Paradigmas
Volume 1 .
Autoria: 13 autores
Organizador: Richard Diegues
Número de Páginas: 120
Formato: 14 x 21 cm
ISBN: 978-85-61541-09-5
Valor sugerido: R$ 13,00
1.3.09
Manuscrito entregue
Ou melhor, arquivo .doc enviado. Mandei para os organizadores da antologia Steampunk que está em curso o texto do "Cidade Phantástica" mais um guia de referências das personagens históricas e fictícias relacionadas na noveleta. Agora é com a equipe que avalia o material, decidir se nossa história de um mundo sem a Guerra do Paraguai entra na coletânea.Quero deixar um muitíssimo obrigado aos beta readers que tiveram a paciência de ler versões inacabadas da noveleta e dar seu precioso retorno para aparar arestas e minimizar os erros. Se a desventura narrada tiver algum acerto, muito se deve a este pessoal; os erros que certamente continuaram são culpa minha.
Nomeando a digníssima equipe:
Giseli Ramos
Maria Helena Bandeira
Alexandre Soares
Fábio Fernandes
Lúcio Manfredi
Tibor Moricz
Clinton Davisson
Fica meu agradecimento sincero a todos. Foi um prazer receber os comentários, notas e impressões de cada um de vocês.
Qualquer novidade sobre esta antologia ou sobre o lançamento da Paradigmas eu comento por aqui e no meu outro blog.
Abraço a todos. Valeu pela leitura!
26.2.09
Por falar em crossover...

Dá para imaginar Mark Twain e Jules Verne se encontrando nos EUA com versões vitorianas dos Transformers?! Sim, os dois escritores do século XIX e outros vultos históricos da época foram os convidados de uma recente minissérie daqueles robôs multimídia chamada Hearts of Steel. A aventura faz parte de uma linha de histórias que leva o nome de Transformers Evolution, um conceito semelhante ao dos Elseworlds (conhecidos como Túnel do Tempo, no Brasil) da DC Comics, no qual personagens são deslocados no espaço e no tempo.
O atrativo aqui, além dos encontros inusitados de personalidades reais e fictícias, é ter a chance de conferir os robozões se transformando em objetos diferentes dos costumeiros automóveis e jatos de guerra da cronologia oficial. No gibi em questão, como seria de se esperar, as camuflagens adotadas são de locomotivas, dirigíveis e biplanos. O excelente blog do Conselho SteamPunk de São Paulo resenhou essa história em quadrinhos e ainda trouxe um extra: a imagem não aproveitada do líder Decepticon Megatron que iria adotar o visual de um canhão gigante, ao estilo do Columbiad de Verne.
O outro diário de Farmer
Em um de seus livros, Farmer dedicou-se exclusivamente a trabalhar com uma obra de Jules Verne. The other log of Phileas Fogg (de 1973, publicado no Brasil pela Francisco Alves em 1987 como O diário de bordo de Phileas Fogg) descreve os bastidores de Le tour du monde en quatre-vingts jours, criada exatamente um século antes pelo pai da Ficção Científica. Focando o protagonista daquela aventura e seu ajudante, Passepartout, Farmer buscou uma explicação alienígena para os propósitos daquele tour pelo mundo e para o comportamento exótico dos personagens originais, agora metidos em uma trama de rivalidade ancestral entre duas espécies extraterrestres.Está longe de ser um dos melhores momentos de Farmer, mas enquanto nenhuma editora nacional se dispõe a publicar por aqui as biografias do Homem-Macaco e do Homem de Bronze esta é a opção mais disponível para os brasileiros interessados nos crossover malucos do autor americano.
Morre o rei dos crossovers
Pioneiro em acrescentar descrições sexuais a uma FC quase sempre marcada pela aura de puritanismo juvenil, Farmer foi ainda um precursor de um subgênero muito importante para a noveleta que dá título a este blog. Foi ele o criador do conceito de Wold Newton Family: partindo de um evento real, a queda de um meteorito em uma cidadezinha da Inglaterra, em 1795, o escritor explicou a origem dos dotes fantásticos de vários personagens da literatura popular e aventurescas, entre eles alguns criados pelo nosso inspirador em comum, Jules Verne.
Heróis, antiheróis e vilões como Sherlock Holmes, Moriarty, Capitão Nemo, Doc Savage, Tarzan, Fu Manchu, Pimpinela Escarlate, entre outros, seriam descendentes diretos de pessoas que foram afetadas pela radiação alienígena daquela pedra espacial. Essa seria a origem secreta por trás de tantos supergênios e superatletas que surgiram na literatura entre o século XIX e XX.
A ideia foi trabalhada por Farmer basicamente em dois livros, nos quais ele biografou personagens como se fossem pessoas reais: Tarzan alive, de 1972, e Doc Savage: his apocalyptic life, lançado no ano seguinte. Mais tarde, o conceito foi ampliado por uma legião de fãs e admiradores de sua obra, atingindo o status de Wold Newton Universe por abranger uma gama impressionante de criações não mais apenas literárias (há personagens de inúmeras mídias, como cinema, TV, quadrinhos, teatro até música) de todas as partes do mundo. Eles coexistem em intercruzamentos jamais imaginados por seus criadores originais.
Não haveria "Cidade Phantástica" se não fosse Philip José Farmer. Assim como talvez não houvesse a Liga Extraordinária de Alan Moore e o Planetary de Warren Ellis. Um muito obrigado por tudo.
25.2.09
Carnaval: Verne na Sapucaí 5
Por uma diferença de mísero 0,7 ponto, a escola de samba União da Ilha do Governador que escolheu a obra de Jules Verne para o desfile deste ano foi considerada a campeã do Grupo de Acesso A do Carnaval carioca. Isso quer dizer que em 2010, após passar oito anos longe do grupo especial, ela volta à elite da Marquês de Sapucaí.Uma bela notícia para os fãs do escritor mais traduzido do mundo, que acaba de ganhar uma divulgação em escala planetária com mais esta homenagem. Fica a torcida para que toda essa agitação em torno do seu nome e dos seus livros acabe incentivando o surgimento de novos leitores. Abaixo, o resultado da apuração:
2 – Renascer de Jacarepaguá (239,2 pontos)
3 – Acadêmicos da Rocinha (239 pontos)
4 – São Clemente (238,5 pontos)
5 – Estácio de Sá (238,1 pontos)
6 – Santa Cruz (237,8 pontos)
7 – Paraíso do Tuiuti (236,8 pontos)
8 – Império da Tijuca (236,3 pontos)
24.2.09
Steampunk made in Brazil (in English)
No último dia 23 de fevereiro, em pleno feriado de Carnaval, este carioca residente em São Paulo, que já havia sido lido em Portugal e na Romênia, publicou seu primeiro conto no mais que concorrido e exigente mercado americano. Para ser exato, ele emplacou a flash fiction do dia (categoria de textos com até mil palavras) no site Everyday Weirdness. O conto foi batizado The Boulton-Watt-Frankenstein Company, mesmo nome da empresa que, ao reunir em uma parceria os empresários reais Mattew Boulton (1728–1809) e James Watt (1736-1819) - sócios de fato no "nosso mundo" - com o fictício Viktor Frankenstein (publicado originalmente em 1818), deu origem ao ponto de divergência de um novo universo.
Sem entregar spoilers e atrapalhar o prazer da leitura, Fernandes introduz uma inovação no ano da graça de 1822 que aos poucos vai modificando a história conhecida e as relações trabalhistas, até chegar a um final apoteótico na virada do século XIX para o XX. Uma autêntica Vitoriana Alternativa movida a vapor que mistura história alternativa e ficção alternativa, portanto.Não é a primeira vez que o autor se inspira na obra de Mary Shelley (1797-1851), a mãe da Ficção Científica, e deriva uma bifurcação para Frankenstein, ou o moderno Prometeu. Nos anos 90, para a revista especializada em RPG Dragão Brasil, ele já havia escrito um impressionante conto chamado "Para nunca mais ter medo" que republiquei com a autorização dele em meu outro blog. Em seu novo trabalho, agora escrito diretamente em inglês, Fábio Fernandes mostrou que aquela história de quase 200 anos ainda tem vitalidade o suficiente para novas interpretações. Com isso, ele ainda mostrou o caminho das pedras para que outros escritores brasileiros também se aventurem em novas praças.
22.2.09
Pausa para o reclame
Nesta primeira edição, estarei acompanhado de uma dúzia de outros escritores, alguns deles já publicados naquele meu blog, como os leitores podem conferir na lista abaixo (nos nomes em negrito):
Bruno Cobbi
Camila Fernandes
Cristina Lasaitis
Eric Novello
Jacques Barcia
Leonardo Pezzella
M. D. Amado
Maria Helena Bandeira
Osiris Reis
Richard Diegues
Roberta Nunes
A capa reproduzida acima é de autoria de uma destas escritoras, que também assina a revisão dos textos e é beta reader do "Cidade Phantástica", Camila Fernandes, aka Mila F.
Falta apenas definir a data e o local do lançamento. Assim que tiver os detalhes, eu conto.