A título de curiosidade, um flagrante do setor de literatura estrangeira da estante de Larry Nolen, destacado do blog dele por um dos autores da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, Antonio Luiz M. C. Costa.
Podemos ver que a antologia brasileira está em boa companhia (é o décimo-segundo livro, da direita pra esquerda) : José Saramago, Luís de Camões, Jorge Luis Borges, Fernando Pessoa, Gabriel García Márquez, Jorge Amado. Notem também que o americano parece ter uma coleção de diversas edições do livro favorito das misses, O pequeno príncipe, do francês Antoine de Saint-Exupéry. Citando o filme Quanto mais quente, melhor, do grande Billy Wilder, "nobody is perfect".
9.12.09
Entre os melhores do mundo
Esta me surpreendeu de verdade! Eu já havia falado do trabalho de um dos maiores - provavelmente O maior - resenhistas de ficcão científica do mundo neste blog. Foi no dia 21 de setembro, quando abri desta forma um post sobre ele:
Bem, passados menos de três meses e com praticamente 500 obras lidas por ele este ano, Larry Nolen publicou em sua página uma lista com os 51 livros que ele considerou como sendo os melhores lançados em 2009. Entre todo o material selecionado, quase tudo tem copyright americano, com poucas exceções de livros do Reino Unido e do... Brasil. Sim, entre os exemplares da lista está lá a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário!
Esta é ou não é uma excelente notícia para a literatura nacional, acima de tudo, e para a de gênero em particular?
Deixo a resposta com vocês e reproduzo aqui a lista de Mr. Nolen e, mais uma vez, a capa da coletânea que está entre as melhores obras de FC e Fantasia do mundo.
Jeff Lemire, The Nobody (graphic novel)
Jonathan Rosenberg, Goats: Infinite Typewriters (graphic novel)
Peter Straub (ed.), American Fantastic Tales (two volume reprint anthology)
Gail Carringer, Soulless (debut novel)
Kristin Cashore, Fire (YA)
Dave Eggers, The Wild Things (YAish?)
Jeff VanderMeer, Finch (fantasy); Booklife (non-fiction)
Otsuichi, ZOO (translated fiction; collection)
Caitlín R. Kiernan, A is for Alien (collection); The Red Tree (fantasy)
David Mazzucchelli, Asterios Polyp (graphic novel)
Kazuo Ishiguro, Nocturnes (collection)
Zoran Živković, Impossible Stories II (collection); The Bridge (novella)
Nick Tapalansky and Alex Eckman-Lawn, Awakening: Volume I (graphic novel)
Dave Eggers, Zeitoun (non-fiction)
Gianpaolo Celli, Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário (foreign language fiction; anthology)
David Anthony Durham, The Other Lands (fantasy)
Lavie Tidhar, The Apex Book of World SF (translated fiction; anthology)
Julio Cortázar, Papeles inesperados (foreign language fiction; collection; non-fiction; criticism)
David Petersen, Mouse Guard: Winter 1152 (graphic novel)
Jesse Bullington, The Sad Tale of the Brothers Grossbart (debut novel; fantasy)
Robert Holdstock, Avilion (fantasy)
Dean Francis Alfar and Nikki Alfar, Philippine Speculative Fiction IV (anthology)
Daniel Abraham, The Price of Spring (fantasy)
Issui Ogawa, The Lord of the Sands of Time (translated fiction)
Terrence Holt, In the Valley of the Kings (collection)
Lev Grossman, The Magicians (fantasy)
Sang Pak, Wait Until Twilight (debut novel)
Ildefonso Falcones, La mano de Fátima (historical novel; foreign language fiction)
Laura Restrepo, Demasiados héroes (foreign language fiction)
Rafael Ábalos, Grimpow y la bruja de la estirpe (foreign language fiction; YA)
Brian Evenson, Fugue State (collection); Last Days (fantasy)
Thomas Pynchon, Inherent Vice (mystery/everything else under the sun)
J.R.R. Tolkien, The Legend of Sigurd and Gudrún (epic poetry)
Bradford Morrow (ed.); Conjunctions 52: Betwixt the Between; Conjunctions 53: Hybrid Histories (magazine/anthology)
Tamar Yellin, Tales of the Ten Lost Tribes (collection)
Tobias Buckell, Tides from the New Worlds (collection)
Peter Beagle, We Never Talk About My Brother (collection)
Jonathan Littell, The Kindly Ones (semi-historical novel; translated fiction)
Yuri Andrukhovych, The Moscoviad (translated fiction)
Sarah Monette, Corambis (fantasy)
Mark Newton, Nights of Villjamur (debut novel)
Nick Gevers and Jay Lake (eds.), Other Earths (anthology)
Patrick Ness, The Ask and the Answer (YA)
Kay Kenyon, City Without End (SF)
Dan Simmons, Drood (horror; historical novel)
Ann and Jeff VanderMeer (eds.), Best American Fantasy 2 (anthology)
Jonathan Strahan (ed.), Eclipse Three (anthology)
James Morrow, Shambling Towards Hiroshima (novella)
Felix Gilman, Gears of the City (fantasy)
Peter Brett, The Warded Man (fantasy)
Richard Morgan, The Steel Remains (fantasy)
Uma apreciação internacional da primeira coletânea dedicada ao gênero steampunk do Brasil. O infatigável Larry Nolen, leitor compulsivo e responsável por um dos blogs mais completos de resenhas e comentários sobre literatura especulativa do planeta, o Of Blog of the Fallen, dedicou parte de sua concorrida agenda do mês de setembro a Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Mesmo não sendo um especialista na língua portuguesa, ele usou seus conhecimentos de espanhol para vencer as nove histórias do livro. No espaço dos comentários, Mr. Nolen promete voltar à obra até o final do ano, quando deve elaborar sua lista de edições lançadas no mundo não-anglófono.
Bem, passados menos de três meses e com praticamente 500 obras lidas por ele este ano, Larry Nolen publicou em sua página uma lista com os 51 livros que ele considerou como sendo os melhores lançados em 2009. Entre todo o material selecionado, quase tudo tem copyright americano, com poucas exceções de livros do Reino Unido e do... Brasil. Sim, entre os exemplares da lista está lá a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário!Esta é ou não é uma excelente notícia para a literatura nacional, acima de tudo, e para a de gênero em particular?
Deixo a resposta com vocês e reproduzo aqui a lista de Mr. Nolen e, mais uma vez, a capa da coletânea que está entre as melhores obras de FC e Fantasia do mundo.
Jeff Lemire, The Nobody (graphic novel)
Jonathan Rosenberg, Goats: Infinite Typewriters (graphic novel)
Peter Straub (ed.), American Fantastic Tales (two volume reprint anthology)
Gail Carringer, Soulless (debut novel)
Kristin Cashore, Fire (YA)
Dave Eggers, The Wild Things (YAish?)
Jeff VanderMeer, Finch (fantasy); Booklife (non-fiction)
Otsuichi, ZOO (translated fiction; collection)
Caitlín R. Kiernan, A is for Alien (collection); The Red Tree (fantasy)
David Mazzucchelli, Asterios Polyp (graphic novel)
Kazuo Ishiguro, Nocturnes (collection)
Zoran Živković, Impossible Stories II (collection); The Bridge (novella)
Nick Tapalansky and Alex Eckman-Lawn, Awakening: Volume I (graphic novel)
Dave Eggers, Zeitoun (non-fiction)
Gianpaolo Celli, Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário (foreign language fiction; anthology)
David Anthony Durham, The Other Lands (fantasy)
Lavie Tidhar, The Apex Book of World SF (translated fiction; anthology)
Julio Cortázar, Papeles inesperados (foreign language fiction; collection; non-fiction; criticism)
David Petersen, Mouse Guard: Winter 1152 (graphic novel)
Jesse Bullington, The Sad Tale of the Brothers Grossbart (debut novel; fantasy)
Robert Holdstock, Avilion (fantasy)
Dean Francis Alfar and Nikki Alfar, Philippine Speculative Fiction IV (anthology)
Daniel Abraham, The Price of Spring (fantasy)
Issui Ogawa, The Lord of the Sands of Time (translated fiction)
Terrence Holt, In the Valley of the Kings (collection)
Lev Grossman, The Magicians (fantasy)
Sang Pak, Wait Until Twilight (debut novel)
Ildefonso Falcones, La mano de Fátima (historical novel; foreign language fiction)
Laura Restrepo, Demasiados héroes (foreign language fiction)
Rafael Ábalos, Grimpow y la bruja de la estirpe (foreign language fiction; YA)
Brian Evenson, Fugue State (collection); Last Days (fantasy)
Thomas Pynchon, Inherent Vice (mystery/everything else under the sun)
J.R.R. Tolkien, The Legend of Sigurd and Gudrún (epic poetry)
Bradford Morrow (ed.); Conjunctions 52: Betwixt the Between; Conjunctions 53: Hybrid Histories (magazine/anthology)
Tamar Yellin, Tales of the Ten Lost Tribes (collection)
Tobias Buckell, Tides from the New Worlds (collection)
Peter Beagle, We Never Talk About My Brother (collection)
Jonathan Littell, The Kindly Ones (semi-historical novel; translated fiction)
Yuri Andrukhovych, The Moscoviad (translated fiction)
Sarah Monette, Corambis (fantasy)
Mark Newton, Nights of Villjamur (debut novel)
Nick Gevers and Jay Lake (eds.), Other Earths (anthology)
Patrick Ness, The Ask and the Answer (YA)
Kay Kenyon, City Without End (SF)
Dan Simmons, Drood (horror; historical novel)
Ann and Jeff VanderMeer (eds.), Best American Fantasy 2 (anthology)
Jonathan Strahan (ed.), Eclipse Three (anthology)
James Morrow, Shambling Towards Hiroshima (novella)
Felix Gilman, Gears of the City (fantasy)
Peter Brett, The Warded Man (fantasy)
Richard Morgan, The Steel Remains (fantasy)
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Entrevista: Bruno Accioly 2
E o interesse despertado no exterior pela produção steampunk nacional é mesmo intenso, mais uma vez demonstrando que existe uma ressonância crescente entre o que se faz aqui e o que é visto lá fora. Um outro exemplo prático disso, além das citações à coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, é a entrevista que um dos fundadores do Conselho Steampunk, Bruno Accioly (que por sinal, também já falou a este blog) concedeu à coluna Beyond Victoriana, de Ay-leen, the Peacemaker, no final de novembro. Como eu estava viajando para São Paulo nesta ocasião, só pude ler agora o material, mas deixo o registro de uma conversa que vale muito a pena ser conhecida por todos os entusiastas brasileiros do steampunk.
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Torre de Vigia 10
E não é só entre os anglófonos que repercute a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. O blog lusitano Correio Fantástico, fruto da parceria entre Roberto Mendes e Pedro Ventura, abriu espaço para falar da primeira antologia brazuca dedicada ao tema. Fiquem abaixo com um trecho do post "Steampunk brasileiro":
Primeiro livro nacional de contos com temática Steampunk chega às livrarias o STEAMPUNK é um gênero extremamente visual da literatura fantástica e nos últimos anos vem conquistando milhares de leitores. Observando esse mercado emergente e a carência de obras na linha, a Tarja Editorial lançou o livro “Steampunk – Histórias de Um Passado Extraordinário”, trazendo 9 autores com contos inusitados e muito criativos dentro da narrativa Steampunk.
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8.12.09
Torre de Vigia 9
Mais notícias internacionais. Fiquei sabendo pelo blog de Fábio Fernandes, um dos autores da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, que o livro foi citado novamente no exterior. É ele quem faz a apresentação do material:
E o texto de Mr. Tidhar diz o seguinte sobre a coletânea:
E, via Lavie Tidhar, escritor israelense (e editor da excelente coletânea Apex Book of World SF - mais informações aqui), publicou hoje um highlight sobre a coletânea no The World SF News Blog, especializado em publicar notícias sobre FC mundial. Carvão na caldeira, rapaziada, porque público (tanto aqui quanto lá fora) tem!
E o texto de Mr. Tidhar diz o seguinte sobre a coletânea:
Sim, você ouviu aqui primeiro (ou possivelmente não): a primeira antologia de steampunk brasileira foi lançada! Steampunk: Histórias de Um Passado Extraordinário, editada por Gianpaolo Celli, contém nove histórias de escritores brasileiros, incluindo aqueles nossos dois camaradas ocupados Fábio Fernandes e Jacques Barcia.
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Vem ai um paper sobre steampunk
Há muitas hipóteses para o crescimento da cultura steamer, justamente devido ao seu formato DYI que retoma a questão da customização e da disseminação dessas informações de garagem através da articulação dos fandoms via redes. Ainda estou "ruminando" a vapor algumas informações e teorias para poder explorá-las em um paper mais adiante.
Torre de Vigia 8
A coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário foi catalogada no site que faz o mais completo levantamento de obras lançadas com temática steamer e dieselpunk. O livro aparece com sua capa reproduzida, juntamente com a HQ Time Lincoln, de Fred Perry, e a logomarca do RPG Tekronicum. Outro trabalho nacional listado pelo site é o vindouro O Baronato de Shoah, de José Roberto Vieira. Para conferir a lista completa, é só acessar a Steampunkopedia.
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7.12.09
Deu na Time
Neste blog costumo abordar apenas material steampunk que tenha sido produzido no Brasil ou que esteja disponível em versão nacional. Não é o caso deste post em que vou falar de uma matéria veiculada em inglês no site da revista Time. O motivo é que gostei muito da abordagem do texto que levou o título "Steampunk: Reclaiming Tech for the Masses" (algo como Recuperando a tecnologia para as massas), ele sintetiza vários dos elementos que, na minha opinião, tornam este gênero da ficção fantástica tão atrativo em termos estéticos-formais e de conteúdo.Demonstra também que, como mui raramente acontece na literatura de gênero no Brasil, estamos vivendo uma onda que ocorre simultaneamente aqui e lá fora. No exterior, está se vendo uma renovação no interesse pela cultura steamer e em nosso país surgem os primeiros sinais de que este segmento pode mesmo vir a se consolidar como mais que apenas um modismo passageiro.
O texto de Lev Grossman começa por relembrar um acontecimento histórico citado neste blog desde suas primeiras postagens: o projeto de um protocomputador projetado, mas não confeccionado, pelo matemático inglês Charles Babbage (1791-1871). A matéria passa a especular o que teria ocorrido caso tal máquina tivesse mesmo sido construída:
Bifurca-se o espaço temporal. Imagine se a tecnologia da computação tivesse se desenvolvido em torno da visão de Babbage: bronze e aço em vez do silicone e do plástico; maquinário de relojoaria em vez da eletrônica. De fato, imagine se todas as grandes revoluções tecnológicas dos últimos 100 anos não tivessem ocorrido. Nosso mundo funcionaria com tecnologia vitoriana - seria um mundo feito a mão, movido a vapor, com acabamento em couro e mogno. É uma visão elegante, romântica. E tem um nome: steampunk.
A partir deste ponto, a matéria passa a citar obras que tenham explorado tal conceito, desde o romance Morlock Night (1979), de K.W. Jeter - inspirado na obra A máquina do tempo, de H. G. Wells - até The Difference Engine (1990), de William Gibson e Bruce Sterling, cujo ponto de partida é justamente o sucesso daquele citado projeto de Babbage. Outras mídias também são citadas, como os games, a exemplo de Myst; quadrinhos, como A Liga Extraordinária, de Alan Moore; e o cinema, na adaptação do seriado televisivo Wild Wild West, protagonizada por Will Smith.
Mas não é só da revisão do passado que a Time se valeu. Para demonstrar a vitalidade do steampunk hoje, "cada vez mais intenso e relevante" o texto cita, entre outros exemplos, que existem 27 aplicativos com o tema para iPhone disponíveis; informa que um museu de Oxford, na Inglaterra, abre espaço para uma exposição artística com esta mesma inspiração; comenta o sucesso do gênero na última Comic-Con, de San Diego, nos EUA, a maior convenção dedicada às HQs no mundo (de onde foi tirada a foto que ilustra a matéria e este post); e ainda menciona que, no mesmo país, em Seattle, ocorreu a primeira convenção anual dedicada ao Steampunk. No campo literário, Grossman ainda entrevistou o escritor Scott Westerfeld que lançou em outubro Leviathan, mais uma obra assumidamente focada neste gênero.
Nas suas conclusões, o artigo volta a tentar definir o efeito que o steampunk causa em seus entusiastas e, pelo menos no que me diz respeito, acerta no alvo:
Do mesmo modo que o punk fez com a música, o steampunk recuperou a tecnologia para as massas. Ele sustitui por engrenagens de metal o silicone, por tubos pneumáticos o 3G e o wi-fi. Maximiza o que foi miniaturizado e faz visível o que foi oculto. Onde o iPhone é todo aço inoxidável e plástico, o steampunk é de bronze e de madeira e de couro. Steampunk não é produzido em massa; é único e original, e se você não gostar, pode fazer do seu jeito.
5.12.09
A festa do vapor
Já era para eu ter feito um post sobre como foi a Fantástica Jornada Noite Adentro dedicada ao Steampunk. Só que o trabalho acumulado e um frila daqueles, típicos de final de ano, me deixaram fora da órbita da blogosfera nesta última semana. Posso então, pelo menos, dizer que valeu muito a pena reencontrar pessoas e conhecer outras tantas neste que foi o maior evento dedicado à cultura steamer já realizado no Brasil.
Na foto acima, dá para se ter uma ideia do clima da festa. Da esquerda para a direita, Cristina Lasaitis, Camila Fernandes, Giseli Ramos, Ludimila Hashimoto e este blogueiro. O autor da foto foi o escritor Gerson Lodi-Ribeiro que, em seu recém-inaugurado blog Crônicas da FC Brasileira, contou vários detalhes dessa maratona steampunk, como ele mesmo a definiu.
Um vídeo produzido pelo Conselho Steampunk também registrou aquela madrugada. Ele pode ser visto no canal do YouTube do grupo ou ainda nesta página do flickr, acompanhado de várias outras fotos.
26.11.09
É neste final de semana
Hoje eu encaro mais de 700 quilômetros rumo ao século XIX. Começa nesta sexta, em São Paulo, a partir das 22h, o maior evento já dedicado ao steampunk em terras brasileiras. Vou deixá-los abaixo com o convite e a programação da terceira edição da Fantástica Jornada Noite Adentro. Até a volta!
Local: R. Sena Madureira, 298. Vila Mariana, zona sul.
Telefone: (11) 5573-4017
Data: Sexta-Feira, dia 27 de Novembro de 2009, com início às 22h
Entrada Franca
Desfile performático (Dia 27, às 22h)
Um desfile de moda Steampunk composto por modelos feitos a partir de tecidos antigos que quase não se usam mais como o morin, cambraia de linho, juta, fibras vegetais, sendo alguns de seda misturados com alguns elementos feitos artesanalmente como luvas e chapéus.
A estilista Lili Angelika busca a união do romantismo com elementos de uma realidade pós-apocalíptica, inspirado em filmes Cyberpunks, Steampunks e de Fantasia como “Van Helsing”, “Blade Runner”, “Cavaleiro sem Cabeça”, “Stardust”, “A Liga Extraordinária”, entre outros.
Apresentação Teatral (Dia 27, às 22h30)
A atriz Cristiana Gimenes, da Cia Em Cena Ser, apresenta textos Steampunk, selecionados por Karl F.
Bate-papo: Saiba tudo sobre Steampunk (Dia 27, às 23h)
Gerson Lodi-Ribeiro, Bruno Accioly e Karl F. falam sobre os princípios, e o que é Steampunk, sua presença na literatura, no cinema e como sub-cultura. A mediação será de Silvio Alexandre.
Exibição de filmes (dia 27, às 24h; dia 28, às 2h e 4h)
RPG live-action: “Steam-live” (dia 27, a partir da meia-noite)
Durante a madrugada acontecerá o RPG live-action, “Steam-live”. Em breve, mais informações sobre a história e cenário. Coord.: Confraria das Idéias.
Obs.: Para as atividades do teatro é necessário retirar ingresso, sujeito à lotação da sala (101 lugares), no dia 27, a partir das 21h. Durante os intervalos das projeções, ocorrem esquetes teatrais. Após a meia-noite, você pode assistir aos filmes no auditório ou acompanhar o jogo de RPG /Live-action no andar térreo. Para participar do jogo é preciso se inscrever antecipadamente.
Serviço
Biblioteca Pública Viriato CorrêaLocal: R. Sena Madureira, 298. Vila Mariana, zona sul.
Telefone: (11) 5573-4017
Data: Sexta-Feira, dia 27 de Novembro de 2009, com início às 22h
Entrada Franca
Desfile performático (Dia 27, às 22h)
Um desfile de moda Steampunk composto por modelos feitos a partir de tecidos antigos que quase não se usam mais como o morin, cambraia de linho, juta, fibras vegetais, sendo alguns de seda misturados com alguns elementos feitos artesanalmente como luvas e chapéus.
A estilista Lili Angelika busca a união do romantismo com elementos de uma realidade pós-apocalíptica, inspirado em filmes Cyberpunks, Steampunks e de Fantasia como “Van Helsing”, “Blade Runner”, “Cavaleiro sem Cabeça”, “Stardust”, “A Liga Extraordinária”, entre outros.
Apresentação Teatral (Dia 27, às 22h30)
A atriz Cristiana Gimenes, da Cia Em Cena Ser, apresenta textos Steampunk, selecionados por Karl F.
Bate-papo: Saiba tudo sobre Steampunk (Dia 27, às 23h)
Gerson Lodi-Ribeiro, Bruno Accioly e Karl F. falam sobre os princípios, e o que é Steampunk, sua presença na literatura, no cinema e como sub-cultura. A mediação será de Silvio Alexandre.
Exibição de filmes (dia 27, às 24h; dia 28, às 2h e 4h)
RPG live-action: “Steam-live” (dia 27, a partir da meia-noite)
Durante a madrugada acontecerá o RPG live-action, “Steam-live”. Em breve, mais informações sobre a história e cenário. Coord.: Confraria das Idéias.
Obs.: Para as atividades do teatro é necessário retirar ingresso, sujeito à lotação da sala (101 lugares), no dia 27, a partir das 21h. Durante os intervalos das projeções, ocorrem esquetes teatrais. Após a meia-noite, você pode assistir aos filmes no auditório ou acompanhar o jogo de RPG /Live-action no andar térreo. Para participar do jogo é preciso se inscrever antecipadamente.
24.11.09
Vampiros entre o vapor
Já mencionei este livro aqui em duas oportunidades. A primeira, no dia 11 de junho, ao comentar uma matéria publicada no Conselho Steampunk de São Paulo a respeito do quadrinista Alan Moore e de sua criação A Liga Extraordinária:
Pena que o artigo original não tocou em um tema delicado: as semelhanças entre os quadrinhos de Moore com os livros do seu conterrâneo Kim Newman, a série Anno Dracula, que alguns anos antes do lançamento de A Liga já trabalhava com ideias muito parecidas. A editora paulista Aleph anunciou que em breve vai lançar a edição nacional do primeiro livro da série, publicado originalmente em 1992, dando a oportunidade para que brasileiros façam esta comparação. Mesmo assim, a leitura do depoimento de Alan Moore é mais que recomendável.A segunda foi um citação de Gerson Lodi-Ribeiro, em 9 de agosto, quando resenhei a noveleta "Não Mais" de Carlos Orsi Martinho.
Qualquer fã que tenha tido o privilégio de ler o magnífico Anno Dracula (1992) não deixará de notar um certo paralelismo temático entre a noveleta de Martinho e o romance alternativo do inglês Kim Newman. Passado na Inglaterra Vitoriana do final do século XIX, o romance mostra o que teria acontecido se Drácula houvesse vencido o confronto contra o grupo liderado por Van Helsing e Jonathan Harker. O Império Britânico, de longe a potência mais poderosa da Terra, é dominado por uma estirpe de imortais, no caso a nobreza inglesa vampirizada por um Drácula que desposou a Rainha Vitória e tornou-se Lord Protector do Império.Agora, os fãs brasileiros podem fazer suas devidas comparações, pois a Aleph já marcou data para o lançamento de Anno Dracula versão nacional: vai ser durante a sempre citada por aqui Fantástica Jornada Noite Adentro, na madrugada de 27 de novembro. Para dar o gosto do sangue, a editora deixou disponível em pdf o primeiro capítulo da obra.
Torre de Vigia 7
Um artigo do site Outra Coisa divulga a Fantástica Jornada Noite Adentro dedicada ao Steampunk, o maior evento já planejado no Brasil para este gênero, e destaca entre outras iniciativas este blog e a entrevista que fiz com Bruno Accioly para o Overmundo. Abaixo, publico alguns trechos do texto assinado por Carol Fortuna que pode ser lido na íntegra aqui:
A repercussão do evento não é pequena no meio blogueiro e sites como o Cidade Phantástica - de Romeu Martins; o Fale RPG; a RedeRPG; o site da Confraria das Idéias; estão há mais de um mês divulgando o evento para seu público. (...)
Conforme citado pelo Overmundo, em recente entrevista com um dos fundadores do Conselho SteamPunk, o trabalho da organização foi mencionado na Wired.com mais de uma vez pelo próprio Bruce Sterling, o autor do primeiro romance do gênero.
Entrevista: Bruno Accioly
Republico aqui a entrevista com um dos fundadores do Conselho Steampunk originalmente feita para o portal Overmundo.
De onde veio seu interesse pessoal na cultura steamer? Que obras steampunk, seja no cinema, na literatura, nos quadrinhos, nos games o atraíram para esse subgênero?
Uma coisa curiosa acerca do SteamPunk é que ele ganhou nome muito tarde. Muita gente já era fascinada, como eu, pelos livros e versões cinematográficas das obras de HG Wells e, particularmente, de Julio Verne. Posso dizer que foram estes dois autores que mais me chamaram a atenção - como referência de extrapolação e exagero da tecnologia e da sociedade da Era Vitoriana.
Havia contudo uma pletora de outras obras, como filmes antigos de Sherlock Holmes - e mesmo O Enigma da Pirâmide - a série As Aventuras de James West e a animação Viagem ao Centro da Terra, por exemplo, que estavam carregadas de elementos SteamPunk.
Creio que a primeira vez que tomei conhecimento do termo foi em fins da década de 1980, quando me chegou às mãos o Gurps SteamPunk e o Gurps Steam-Tech. Imediatamente me senti à vontade com o termo e... "entendi a piada".
Escrever obras no estilo de Verne, no Século XX e XXI é obviamente anacrônico, mas exerce um fascínio inegável sobre muita gente. É bom lembrar que apesar de A Máquina Diferencial [de Bruce Sterling e William Gibson] ser o primeiro romance consagrado do gênero, foi com K.W.Jeter, tentando descrever sua obra e as de Blaylock e Powers que surgiu pela primeira vez o termo.
Como exatamente surgiu a ideia para o Conselho Steampunk? De que forma aconteceram os primeiros contatos e a formatação dos diversos grupos abrigados nele?
Em meados de 2007 eu comecei a desenvolver um blog para falar de SteamPunk e, como queria fazer algo um pouco mais profissional para homenagear o gênero - que era muito menos conhecido no país - acabei adquirindo o domínio www.steampunk.com.br
Quando descobri o blog do Raul Cândido sobre o assunto, entrei em contato com ele assim que pude. O Conselho SteamPunk nasceu por telefone, quando percebemos que tanto o meu interesse quanto o dele eram grandes o suficiente para fazer algo pelo gênero e para começar a engendrar um movimento entorno dele.
A quantidade de pessoas e os grupos que se formaram ao redor do Conselho SteamPunk é uma função do conceito por trás da organização. Sabíamos que não seria possível tentar centralizar tudo e, portanto, resolvemos criar uma estrutura colaborativa, na qual qualquer pessoa, em qualquer estado, poderia criar sua Loja do Conselho SteamPunk e, com isso, poderia fazer uso da infraestrutura de Internet que elaboramos sem custo algum.
Quando uma Loja é formada ela é responsável pela promoção do gênero e pelo arrebanhar de mais entusiastas. No caso de um outro grupo na mesma região aparecer este passa a ser mais um núcleo daquela mesma Loja, o que aconteceu, por exemplo, com o núcleo SteamPunk de Bragança Paulista, que agregou-se a Loja São Paulo, e que é cheia de gente talentosa e interessada no futuro do movimento no país.
As representações regionais do Conselho são chamadas de Lojas a exemplo do que é feito na mais famosa das sociedades secretas. Essa terminologia chamou a atenção e arrancou elogios de ninguém menos que Bruce Sterling, um dos principais criadores da vertente literária Steampunk. Como surgiram os conceitos que batizam as várias iniciativas do Conselho? Foram ideias suas ou propostas do grupo?
Não foi nada difícil, na verdade. Acontece que tanto eu quanto o Raul, o Karl e tantos outros entusiastas que fazem parte do Conselho SteamPunk estamos imersos em vários aspectos da cultura Vitoriana e do gênero SteamPunk, e sempre que precisamos trabalhar algum conceito para uma nova iniciativa, acaba que alguém tem uma ideia interessante.
O espírito por trás da ideia do Conselho é de colaboração e generosidade e, portanto, não há muito espaço para líderes ou algo assim. Todos nutrimos profunda admiração uns pelos outros e pelos talentos e conhecimentos de cada um.
Acreditamos que a capacidade de cada Loja seja uma consequência direta do talento de cada um dos envolvidos no Conselho e estamos sempre buscando pessoas disponíveis, diligentes e interessadas em fazer mais pelo gênero e pelo movimento.
Atualmente quantas pessoas estão ligadas direta ou indiretamente ao Conselho Nacional e às lojas regionais? Entre membros que participam ativamente e pessoas que acompanham os diversos sites, blogs e dos eventos já organizados qual é o público estimado hoje do Conselho Steampunk?
Está aí algo difícil de dizer. O que se pode dizer é que existem quase 400 pessoas na comunidade do Orkut do Conselho, cerca de 250 pessoas na comunidade da Loja São Paulo e mais umas 100 pessoas nas comunidades das demais Lojas. Há ainda, claro, quase 800 pessoas na comunidade SteamPunk do Fábio Ori, que surgiu antes mesmo do Conselho SteamPunk existir.
Muitos entusiastas presentes nestas comunidades se repetem, logicamente, mas considerando-se as 200 pessoas cadastradas no Registro SteamPunk (precursor do SteamBook) - e as mais de 100 pessoas que entraram no SteamBook, a Rede Social SteamPunk, nas primeiras 3 semanas, nos parece possível que haja cerca de 1000 entusiastas declarados e muitos outros simpatizantes por aí.
Você poderia enumerar quais iniciativas existem atualmente com a chancela do Conselho, deixar os endereços e comentar brevemente cada uma?
Não são poucas... Como sou empresário e minha firma trabalha com Comunicação Digital e Mídias Sociais, acaba que boa parte destas iniciativas tem uma manifestação bem clara na Internet.
SteamPunk.com.br
Este é o site do Conselho SteamPunk, que costuma falar do gênero e do movimento em nível nacional.
Cada Loja tem seu próprio site:
- http://rj.steampunk.com.br/
- http://rs.steampunk.com.br/
- http://sp.steampunk.com.br/
- http://mg.steampunk.com.br/
E 3 outros estão para ser colocados no ar - quando da conclusão das Lojas:
- http://pa.steampunk.com.br/
- http://pr.steampunk.com.br/
- http://df.steampunk.com.br/
SteamCon - www.steamcon.com.br
Site dedicado a avisar os entusiastas dos eventos SteamPunk no país. O site é alimentado por cada uma das lojas e é também o lar da Virtual SteamCon, um evento de nível nacional que acontece via Internet.
SteamGirls - www.steamgirls.com.br
Site que dá lugar a sessões de fotos femininas de praticantes de SteamPlay e que divulga o trabalho de quem faz acessórios e trajes SteamPunk/Vitorianos.
SteamPedia - www.steampedia.com.br
A proposta da SteamPedia é ser como a WikiPedia, um enciclopédia alimentada por quem se interessa pelo assunto. Trata-se de uma iniciativa nova e poucos já se inscreveram de fato, mas qualquer um pode participar.
SteamBook - www.steambook.com.br
Rede Social SteamPunk, a melhor forma de participar do movimento e fazer diferença nele sem fazer parte efetivamente do Conselho SteamPunk. É possível construir ali seu blog a respeito do gênero e do movimento.
RetroFuturista - www.retrofuturista.com.br
Este site é uma proposta experimental de produção não-linear de ficção SteamPunk. A idéia é produzir um universo SteamPunk com licença Creative Commons que possa ser usado por outros autores como base para suas narrativas.
Temos ainda perfis nas seguintes mídias sociais:
Facebook - http://www.facebook.com/group.php?gid=38039372045
Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=fpp&uid=2382475252867688827
Comunidade no Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=72139589
Twitter - http://twitter.com/consteampunk
SteamFeed - http://feeds.feedburner.com/steamfeed
Sobre o SteamFeed - http://www.steampunk.com.br/o-que-e-o-steamfeed/
E para o futuro próximo, quais são as expectativas de novos projetos e de criação de novas Lojas ligadas a seu grupo?
O grupo não é exatamente meu. Digo... ele foi fundado de forma a, se algo acontecer com qualquer um de nós, ele continue existindo. Na verdade, uma vez que a infraestrutura de hospedagem, messenger, e-mails e sites é montada pela minha empresa eu tomei o cuidado de deixar tudo esquematizado e pago por alguns anos, deixando o Conselho SteamPunk sadio mesmo no advento de batermos em um iceberg.
O futuro nos reserva algumas coisas interessantes, dentre elas a Liga de Artífices SteamPunk - que vai se manifestar no SteamCon.com.br como uma galeria de artistas e produtos; um PodCast convencional sobre o tema; um VidCast bem diferente do que já se viu; um RPG que lançará as bases para um trabalho de LARP (Live Action Role Playing) no Brasil; alguns SteamCamps - reuniões de pauta para colher os interesses dos entusiastas em cada estado; e uma SteamCon presencial, que deve acontecer em São Paulo, pelo que estamos vendo.
Na estreia da edição on line da RPG Magazine havia um conto seu chamado “Rota de fuga”. Foi seu primeiro conto steampunk? Vamos ver mais produção literária sua e de outros membros do Conselho?
Não foi meu primeiro conto SteamPunk. O primeiro foi sobre uma sociedade marciana baseada em vapor, que se passa antes do nascimento da raça humana e o segundo foi uma experiência literária pessoal na qual o vapor e a eletricidade eram entidades escravizadas pela raça humana no século XIX.
Estou trabalhando há alguns anos em duas histórias com temática SteamPunk e me preparando para lançar mais alguns contos.
Eu e alguns outros membros do Conselho estamos preparando algumas surpresas para os entusiastas, no sentido de produção literária SteamPunk e, creio, todos vão gostar muito do resultado.
Sempre fui um apaixonado pela ficção científica de um modo geral, independente do SteamPunk, e sou um fã incondicional de Arthur C.Clarke, ávido leitor de Isaac Asimov e admirador do trabalho de Carl Sagan, o que me levou a escrever muitos outros contos.
Tenho conhecido muita gente interessante e importante no meio, o que me fez perceber que o Conselho SteamPunk pode retribuir o carinho da comunidade de produção literária de Ficção Científica através das ferramentas que vem desenvolvendo para promoção do sub-gênero que tanto estimamos.
A nova iniciativa do Conselho SteamPunk, como resultado, não será endereçada a entusiastas de nicho, mas a toda comunidade de escritores e leitores de literatura fantástica.
O que ninguém ouviu até agora é o nome desta iniciativa, que foi batizada por nós de: aoLimiar.
Se o leitor tiver alguma dúvida, interesse em estreitar relações com o Conselho SteamPunk ou colaborar de alguma forma, basta enviar um e-mail para conselho@steampunk.com.br
De onde veio seu interesse pessoal na cultura steamer? Que obras steampunk, seja no cinema, na literatura, nos quadrinhos, nos games o atraíram para esse subgênero?
Uma coisa curiosa acerca do SteamPunk é que ele ganhou nome muito tarde. Muita gente já era fascinada, como eu, pelos livros e versões cinematográficas das obras de HG Wells e, particularmente, de Julio Verne. Posso dizer que foram estes dois autores que mais me chamaram a atenção - como referência de extrapolação e exagero da tecnologia e da sociedade da Era Vitoriana.
Havia contudo uma pletora de outras obras, como filmes antigos de Sherlock Holmes - e mesmo O Enigma da Pirâmide - a série As Aventuras de James West e a animação Viagem ao Centro da Terra, por exemplo, que estavam carregadas de elementos SteamPunk.
Creio que a primeira vez que tomei conhecimento do termo foi em fins da década de 1980, quando me chegou às mãos o Gurps SteamPunk e o Gurps Steam-Tech. Imediatamente me senti à vontade com o termo e... "entendi a piada".
Escrever obras no estilo de Verne, no Século XX e XXI é obviamente anacrônico, mas exerce um fascínio inegável sobre muita gente. É bom lembrar que apesar de A Máquina Diferencial [de Bruce Sterling e William Gibson] ser o primeiro romance consagrado do gênero, foi com K.W.Jeter, tentando descrever sua obra e as de Blaylock e Powers que surgiu pela primeira vez o termo.
Como exatamente surgiu a ideia para o Conselho Steampunk? De que forma aconteceram os primeiros contatos e a formatação dos diversos grupos abrigados nele?
Em meados de 2007 eu comecei a desenvolver um blog para falar de SteamPunk e, como queria fazer algo um pouco mais profissional para homenagear o gênero - que era muito menos conhecido no país - acabei adquirindo o domínio www.steampunk.com.br
Quando descobri o blog do Raul Cândido sobre o assunto, entrei em contato com ele assim que pude. O Conselho SteamPunk nasceu por telefone, quando percebemos que tanto o meu interesse quanto o dele eram grandes o suficiente para fazer algo pelo gênero e para começar a engendrar um movimento entorno dele.
A quantidade de pessoas e os grupos que se formaram ao redor do Conselho SteamPunk é uma função do conceito por trás da organização. Sabíamos que não seria possível tentar centralizar tudo e, portanto, resolvemos criar uma estrutura colaborativa, na qual qualquer pessoa, em qualquer estado, poderia criar sua Loja do Conselho SteamPunk e, com isso, poderia fazer uso da infraestrutura de Internet que elaboramos sem custo algum.
Quando uma Loja é formada ela é responsável pela promoção do gênero e pelo arrebanhar de mais entusiastas. No caso de um outro grupo na mesma região aparecer este passa a ser mais um núcleo daquela mesma Loja, o que aconteceu, por exemplo, com o núcleo SteamPunk de Bragança Paulista, que agregou-se a Loja São Paulo, e que é cheia de gente talentosa e interessada no futuro do movimento no país.
As representações regionais do Conselho são chamadas de Lojas a exemplo do que é feito na mais famosa das sociedades secretas. Essa terminologia chamou a atenção e arrancou elogios de ninguém menos que Bruce Sterling, um dos principais criadores da vertente literária Steampunk. Como surgiram os conceitos que batizam as várias iniciativas do Conselho? Foram ideias suas ou propostas do grupo?
Não foi nada difícil, na verdade. Acontece que tanto eu quanto o Raul, o Karl e tantos outros entusiastas que fazem parte do Conselho SteamPunk estamos imersos em vários aspectos da cultura Vitoriana e do gênero SteamPunk, e sempre que precisamos trabalhar algum conceito para uma nova iniciativa, acaba que alguém tem uma ideia interessante.
O espírito por trás da ideia do Conselho é de colaboração e generosidade e, portanto, não há muito espaço para líderes ou algo assim. Todos nutrimos profunda admiração uns pelos outros e pelos talentos e conhecimentos de cada um.
Acreditamos que a capacidade de cada Loja seja uma consequência direta do talento de cada um dos envolvidos no Conselho e estamos sempre buscando pessoas disponíveis, diligentes e interessadas em fazer mais pelo gênero e pelo movimento.
Atualmente quantas pessoas estão ligadas direta ou indiretamente ao Conselho Nacional e às lojas regionais? Entre membros que participam ativamente e pessoas que acompanham os diversos sites, blogs e dos eventos já organizados qual é o público estimado hoje do Conselho Steampunk?
Está aí algo difícil de dizer. O que se pode dizer é que existem quase 400 pessoas na comunidade do Orkut do Conselho, cerca de 250 pessoas na comunidade da Loja São Paulo e mais umas 100 pessoas nas comunidades das demais Lojas. Há ainda, claro, quase 800 pessoas na comunidade SteamPunk do Fábio Ori, que surgiu antes mesmo do Conselho SteamPunk existir.
Muitos entusiastas presentes nestas comunidades se repetem, logicamente, mas considerando-se as 200 pessoas cadastradas no Registro SteamPunk (precursor do SteamBook) - e as mais de 100 pessoas que entraram no SteamBook, a Rede Social SteamPunk, nas primeiras 3 semanas, nos parece possível que haja cerca de 1000 entusiastas declarados e muitos outros simpatizantes por aí.
Você poderia enumerar quais iniciativas existem atualmente com a chancela do Conselho, deixar os endereços e comentar brevemente cada uma?
Não são poucas... Como sou empresário e minha firma trabalha com Comunicação Digital e Mídias Sociais, acaba que boa parte destas iniciativas tem uma manifestação bem clara na Internet.
SteamPunk.com.br
Este é o site do Conselho SteamPunk, que costuma falar do gênero e do movimento em nível nacional.
Cada Loja tem seu próprio site:
- http://rj.steampunk.com.br/
- http://rs.steampunk.com.br/
- http://sp.steampunk.com.br/
- http://mg.steampunk.com.br/
E 3 outros estão para ser colocados no ar - quando da conclusão das Lojas:
- http://pa.steampunk.com.br/
- http://pr.steampunk.com.br/
- http://df.steampunk.com.br/
SteamCon - www.steamcon.com.br
Site dedicado a avisar os entusiastas dos eventos SteamPunk no país. O site é alimentado por cada uma das lojas e é também o lar da Virtual SteamCon, um evento de nível nacional que acontece via Internet.
SteamGirls - www.steamgirls.com.br
Site que dá lugar a sessões de fotos femininas de praticantes de SteamPlay e que divulga o trabalho de quem faz acessórios e trajes SteamPunk/Vitorianos.
SteamPedia - www.steampedia.com.br
A proposta da SteamPedia é ser como a WikiPedia, um enciclopédia alimentada por quem se interessa pelo assunto. Trata-se de uma iniciativa nova e poucos já se inscreveram de fato, mas qualquer um pode participar.
SteamBook - www.steambook.com.br
Rede Social SteamPunk, a melhor forma de participar do movimento e fazer diferença nele sem fazer parte efetivamente do Conselho SteamPunk. É possível construir ali seu blog a respeito do gênero e do movimento.
RetroFuturista - www.retrofuturista.com.br
Este site é uma proposta experimental de produção não-linear de ficção SteamPunk. A idéia é produzir um universo SteamPunk com licença Creative Commons que possa ser usado por outros autores como base para suas narrativas.
Temos ainda perfis nas seguintes mídias sociais:
Facebook - http://www.facebook.com/group.php?gid=38039372045
Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=fpp&uid=2382475252867688827
Comunidade no Orkut - http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=72139589
Twitter - http://twitter.com/consteampunk
SteamFeed - http://feeds.feedburner.com/steamfeed
Sobre o SteamFeed - http://www.steampunk.com.br/o-que-e-o-steamfeed/
E para o futuro próximo, quais são as expectativas de novos projetos e de criação de novas Lojas ligadas a seu grupo?
O grupo não é exatamente meu. Digo... ele foi fundado de forma a, se algo acontecer com qualquer um de nós, ele continue existindo. Na verdade, uma vez que a infraestrutura de hospedagem, messenger, e-mails e sites é montada pela minha empresa eu tomei o cuidado de deixar tudo esquematizado e pago por alguns anos, deixando o Conselho SteamPunk sadio mesmo no advento de batermos em um iceberg.
O futuro nos reserva algumas coisas interessantes, dentre elas a Liga de Artífices SteamPunk - que vai se manifestar no SteamCon.com.br como uma galeria de artistas e produtos; um PodCast convencional sobre o tema; um VidCast bem diferente do que já se viu; um RPG que lançará as bases para um trabalho de LARP (Live Action Role Playing) no Brasil; alguns SteamCamps - reuniões de pauta para colher os interesses dos entusiastas em cada estado; e uma SteamCon presencial, que deve acontecer em São Paulo, pelo que estamos vendo.
Na estreia da edição on line da RPG Magazine havia um conto seu chamado “Rota de fuga”. Foi seu primeiro conto steampunk? Vamos ver mais produção literária sua e de outros membros do Conselho?
Não foi meu primeiro conto SteamPunk. O primeiro foi sobre uma sociedade marciana baseada em vapor, que se passa antes do nascimento da raça humana e o segundo foi uma experiência literária pessoal na qual o vapor e a eletricidade eram entidades escravizadas pela raça humana no século XIX.
Estou trabalhando há alguns anos em duas histórias com temática SteamPunk e me preparando para lançar mais alguns contos.
Eu e alguns outros membros do Conselho estamos preparando algumas surpresas para os entusiastas, no sentido de produção literária SteamPunk e, creio, todos vão gostar muito do resultado.
Sempre fui um apaixonado pela ficção científica de um modo geral, independente do SteamPunk, e sou um fã incondicional de Arthur C.Clarke, ávido leitor de Isaac Asimov e admirador do trabalho de Carl Sagan, o que me levou a escrever muitos outros contos.
Tenho conhecido muita gente interessante e importante no meio, o que me fez perceber que o Conselho SteamPunk pode retribuir o carinho da comunidade de produção literária de Ficção Científica através das ferramentas que vem desenvolvendo para promoção do sub-gênero que tanto estimamos.
A nova iniciativa do Conselho SteamPunk, como resultado, não será endereçada a entusiastas de nicho, mas a toda comunidade de escritores e leitores de literatura fantástica.
O que ninguém ouviu até agora é o nome desta iniciativa, que foi batizada por nós de: aoLimiar.
Se o leitor tiver alguma dúvida, interesse em estreitar relações com o Conselho SteamPunk ou colaborar de alguma forma, basta enviar um e-mail para conselho@steampunk.com.br
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