19.1.12

Providence, de H.P. Lovecraft

A seguir, nesta semana dedicada ao escritor americano, uma poesia de sua autoria que é parte integrante do livro divulgado aqui ontem, O Mundo Fantástico de Lovecraft. "Providence" leva o nome do lugar em que Howard Philips Lovecraft nasceu, em agosto de 1890, onde ele morou por praticamente toda sua vida e em cujo cemitério está enterrado. A cidade é capital do pequeno estado católico de Rhode Island, na Costa Leste dos Estados Unidos. A tradução dos versos é de Mário Jorge Lailla Vargas.





Providence

Onde a baía e o rio se misturam tranquilos,
Subindo as frondosas encostas,
Os pináculos de Providence
Ascendem contra o céu ancestral.

Neste lugar secular, cúpulas de ouro brilhante
Saúdam a alvorada,
Enquanto obliquas arestas, curiosas e antigas,
Dispersas aqui e ali.

E nos estreitos caminhos sinuosos
Que levam a outras encostas e picos,
A magia de dias esquecidos
Pode encontrar a quietude para descansar.

Um lampejo na claraboia, golpe no batente,
Um vislumbre de tijolo georgiano,
As visões e sons do passado,
Onde a fantasia se acumula e se adensa.

Um lance de ferrovia,
Um campanário assomando no alto,
Uma torre de igreja esculpida e desbotada,
Uma parede de jardim infestada de musgo.

O misterioso desabamento de um cemitério comprova
A mortalidade humana,
Um cais em ruínas onde telhados gambrel
Vigiavam o mar.

Praça e passeio dos quais as paredes sobressaíam
Completando quinze décadas
Nos paralelepípedos das alamedas cobertos por folhagens,
E desprezados pela multidão.

Pontes de pedra atravessando languidos riachos,
Casas empoleiradas na colina,
E pátios onde mistérios e sonhos
Completam o espírito meditativo.

Vielas íngremes ao lado de videiras escondidas,
Onde vidraças brilham nas janelas
No crepúsculo de algum momento no campo
Tudo passou.

Minha Providence! Que etéreos anfitriões
Ainda giram teus dourados cataventos;
Quais fôlegos de elfo que, com fantasmas cinzentos,
Povoam tuas antigas veredas!

Os carrilhões vespertinos, como antigamente
Soam sobre teus vales,
Enquanto teus austeros pais limpam o bolor
Abençoam tua terra sagrada.
Teus sonhos ao lado daquelas águas,
Não foram afetados pelos anos brutais;
Um estímulo a uma era melhor
Que brilha em nossas lágrimas.
Em cada noite vejo brilhar
Aquele instante no espaço e no tempo;
Pois tu, destreza de minha alma,
Estás sempre a meu lado!

Um comentário:

Anônimo disse...

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