4.12.10

Torre de Vigia 38

Mais de um ano depois do lançamento, surgem novas resenhas da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. O comentarista da vez é o quadrinista e escritor Mushi-san que escreveu a respeito do livro em seu blog. Para manter a tradição desta seção do Cidade Phantástica, irei postar abaixo a introdução do texto e a parte em que o resenhista se refere a meu conto, deixando o link para a íntegra aqui.


*Para mim*, steampunk é aquele gênero de histórias de ficção científica que tenta resgatar o clima das primeiras histórias do gênero: são passadas numa Era Vitoriana imaginária, com maquinários fantásticos (de computadores à maquinas voadoras, utensílios domésticos e tudo o mais) movidos à vapor cheias de engrenagens e rebites, a ciência vista como benéfica e progressista... É comum dizerem que são histórias ambientadas em universos similares aos criadores da FC como a conhecemos: Verne, Wells e cia.

(Falei em Ficção Científica, mas algumas vezes o gênero cai em História Alternativa, o que não deixa de ser interessante. Nesse volume, várias histórias poderiam ter como chamada "o que aconteceria se... a República não tivesse sido proclamada" ...deve ser nossa ucrônia favorita^^)

Eu sei que não é essa exatamente a explicação oficial pro termo, mas é quase (pros detalhistas, a wikipédia tá aqui, a um clique de distância) e foi com esse conceito em mente que peguei Steampunk – histórias de um passado extraordinário, lançado ano passado pela Tarja Editorial, uma das poucas no Brasil a investir de verdade em textos nacionais de Ficção Científica e Fantasia, pra ler :) O livro é uma onde autores nacionais escrevem nove histórias steampunk...

...ou quase isso. (...)


• "Cidade Phantástica" do Romeu Martins é o outro conto do livro que não me apateceu. Não sei se foi ter enredos demais num só conto (começa uma coisa, vira outra e termina como outra, como já me apontaram) ou se alguns personagens ficaram caricatos demais, ou se simplesmente não tem "novidades" na história. Não curti.

De repente, mui provável, eu que seja chato mesmo^^

29.11.10

Um passado fantástico para o Brasil

Caros amigos da malta do vapor, antes de começar o post em si, tenho que dizer que esta semana que marca o fim de novembro e o início de dezembro vai ser punk. Acabo de ser chamado para escrever um novo livro sobre inovação tecnológica, um trabalho que começa com a fase de cobertura de um evento internacional nesta quarta e que depois vai seguir avante com a redação do texto. Para quem se interessar, aqui vai o link para baixar meu livro anterior editado (há um outro, ainda inédito), escrito em parceria com o pesquisador Roberto Pacheco principal desenvolvedor da Plataforma Lattes: Conhecimento & Riqueza.

Isso quer dizer que vou dar uma sumida do blog e do twitter pelos próximos dias e que provavelmente diminuirei o ritmo das postagens nas próximas semanas. Agora há pouco, me dei conta também de que isso quase que certamente vai me impedir também de ao menos começar a escrever a noveleta dieselpunk que estava em fase de pesquisa e planejamento aqui, na minha cabeça... Veremos.

Mas o post em si não é para falar sobre isso, mas para anunciar novas iniciativas da editora Estronho, a qual já comentei aqui e aqui. Desta vez são duas novidades de uma vez, ambas relacionadas a eventos históricos brasileiros. Uma coleção chamada História Fantástica do Brasil. Segue a apresentação e as capas dos dois primeiros livros tiradas deste endereço:


Que tal se pudéssemos voltar no tempo e apimentar um pouco mais a história do nosso país? E se povoássemos as linhas de nossos livros didáticos, com lobisomens, vampiros, fantasmas, feras e criaturas vindas das florestas e dos cantos mais obscuros do Brasil?

A Editora Estronho convida você a soltar suas insanidades, misturá-las com a nossa história e brincar com nosso passado. E para começar nossos estudos, vamos dar uma volta pela Guerra dos Farrapos e Inconfidência Mineira. Escritores de todo o Brasil podem participar. Não são antologias essencialmente regionais. E como se trata de um trabalho que exigirá muita pesquisa por parte dos autores, o prazo de encerramento será bem extenso. Aos poucos também iremos liberar mais fatos históricos a serem trabalhados.

Até a volta, assim que possível.

25.11.10

Infiltração de vapor

Antes de mais nada, devo dizer que já estava querendo ler e resenhar esta coletânea desde que anunciei por aqui que haveria pelo menos um texto steampunk nela . Isso só não havia sido feito ainda porque a Saraiva, rede na qual encomendei o livro muitos meses atrás, vinha sem grandes justificativas adiando a data da entrega, até que minha paciência se esgotou e eles perderam de vez um cliente. Felizmente, o editor e organizador da obra, Erick Santos, acabou resolvendo o impasse, enviando-me um exemplar do terceiro volume da coleção de antologias mistas e sem temática fixa da Editora Draco: a Imaginários. Mesmo já sabendo do fato pelas resenhas que li, foi muito interessante encontrar não apenas uma, mas três histórias retrofuturistas naquelas páginas, exatamente 30% dos dez contos da publicação.

Outra coisa que quero dizer antes de comentar sobre esses textos é o quanto acho positivo que o steampunk e derivados se infiltrem dessa forma em obras que, à primeira vista, não são destinadas apenas aos entusiastas do subgênero. Mesmo com duas coletâneas steamers já lançadas e alguns romances anunciados (fora uma novidade que espero poder contar em breve), acredito que a presença do retrofuturismo em tomos mistos é um sintoma muito mais claro da aceitação dessa forma de contar ficção científica no país. Seria na prática um processo de naturalização do tema por parte dos escritores, leitores e editores, que passam a encarar o futuro do passado em pé de igualdade com o cyberpunk, a space opera, a fantasia histórica, o terror psicológico, para citar temáticas exploradas neste mesmo livro. Mas chega de nariz de cera e vamos falar da trinca de contos que são o foco deste blog.



O primeiro deles é justamente o que havia sido anunciado naquele post que citei antes, “Bonifrate”, do escritor e quadrinista Douglas MCT. Mesmo tendo sido antecipado neste blog e em outras resenhas que li, não deixou de ser uma surpresa. O próprio autor deixou registrado por aqui que buscaria a estranheza e inspiração em Watchmen e em Matrix para fazer uma espécie de releitura de Pinóquio. O resultado me lembrou bastante uma outra obra, mais recente, mais ligada ao gênero e que foi comentada em postagem anterior: Whitechapel Gods, de S. M. Peters. Há muito do romance daquele canadense neste conto do brasileiro, mesmo que as coincidências sejam apenas isso, coincidências. Reconheci bastante dos mecanizados Boiler Men nos dilemas do protagonista da história de Douglas, e algo do Grandfather Clock na passagem final. O conto é muito interessante, uma narrativa steampunk inusitada, contada de um modo como poucas vezes eu havia visto ser feito em português.

Já que falei em Whitechapel Gods, o conto seguinte é do escritor e advogado que justamente me presenteou com aquele livro (que ainda vai ser resenhado por aqui). Marcelo Galvão escreveu o único texto que eu já havia lido antes de ter em mãos o Imaginários 3: “Vida e morte do último astro pornô da Terra”. Aliás, mais do que ler, votei nele quando este conto concorreu em um concurso literário promovido na maior comunidade em português dedicada à FC do orkut, ocasião em que o autor concorreu com o pseudônimo XXX.  Então, me sinto à vontade para elogiar esse conto e afirmar que, se fosse o caso, levaria meu voto novamente como o melhor do livro. A ideia é a de que, nos anos 70, no auge da popularidade do mercado de cinema pornográfico, robôs inventados no Japão passaram a substituir com muitas vantagens os atores humanos em tais produções, o que leva a crise enfrentada, já na década seguinte, por nosso herói, Nick Dick. Uma excelente mistura de boa trama, ação de primeira, diálogos inspirados e especulação histórica, este conto poderia ser classificado como um exemplar de transistorpunk, conforme artigo que traduzi e comentei por aqui

O conto que fecha a trinca de retrofuturismo do livro é de um velho conhecido deste blog, Fábio Fernandes. “O primmeiro contacto”, como o próprio título já entrega, oferece a seus leitores uma viagem temporal e ortográfica ao início do século XX. Há algum tempo eu estava especulando no twitter o que teria acontecido se, ao invés de ter usado o cyberpunk como referencial na hora de batizar o gênero steamer, K. W. Jeter tivesse se inspirado na space opera. Isso provavelmente nos levaria a chamar tais histórias de steam opera, deixando de lado o polêmico sufixo punk. E o conto de FF é exatamente o que mereceria ser conhecido pelo termo hipotético: usando como subterfúgio narrativo um texto que ele teria encontrado em uma antiga revista literária de 1929, o carioca nos mergulha no clima da época, em um mundo no qual a tecnologia de aviação avançou tanto e tão mais rápido que ocorre o tal “primmeiro contacto” com seres alienígenas e hostis. Um extra muito bem-vindo é identificar as várias referências a personagens históricos no texto, como nesta passagem: “A frota da Terra seria enviada para duas frentes: a primeira, em órbita geo-estacionária (calculada por um jovem scientista britannico que fazia parte da Equipe de Deffesa, um rapaz tímido de óculos chamado Clarke), formando hum annel de protecção ao longo da linha do Equador”.

Esses três contos fazem valer, sem dúvida, a compra de Imaginários volume 3 por qualquer um que tenha o steampunk e afins entre suas predileções na literatura fantástica. Porém, não podemos deixar de comentar que há outros sete contos naquelas 130 páginas. Falando rapidamente de cada um pela ordem do índice:

“A Torre das Almas”, de Eduardo Spohr, o novo best seller da fantasia brasileira, autor do romance A batalha do Apocalipse. O conto é justamente um spin-off daquele livro e é muito bem escrito, mas seus personagens parecem ter saído diretamente de uma partida de RPG.

“Breve relato da ascensão do Papa Alexandre IX”, de Marcelo Ferlin Assami, é o conto mais experimental do livro, muitos passos além do que fez Fábio Fernandes, por exemplo. E, na minha opinião, passou do ponto.

“As noivas brancas”, de Rober Pinheiro, por outro lado, é uma space opera bem tradicional. A inovação ocorre em alguns pontos da personalidade e nos hábitos de consumo do protagonista da história.

“Dies Irae”, de Lídia Zuin, também aposta num cenário muito reconhecível pelos fãs do gênero, no caso, o cyberpunk. Na verdade, é reconhecível a ponto de, acredito, ser mais bem classificado como nowpunk, tamanha é a sensação de contemporaneidade do texto (muito bem escrito).

“Corre, João, corre”, de Cirilo Lemos, para voltar a arriscar classificações, eu chamaria de fantasia suburbana. Uma história muito bem contada – entre minhas três favoritas do livro – sobre o sujeito pacato até demais que se vê obrigado a agir para tentar salvar corpo e alma do filho recém-nascido.

“Uma segunda opinião”, de Fernando Santos Oliveira, é um conto bem simples e que seria bem mais eficiente se fosse mais sucinto. Com menos páginas e mais objetividade, daria menos tempo para o leitor deduzir o final, por exemplo.

“Maria e a fada”, de Ana Cristina Rodrigues, foi o conto que gerou um artigo sobre fantasia histórica comentado por aqui. Misturando dados históricos com uma lenda a respeito de seres mitológicos, o resultado é uma narrativa com jeito de crônica de época. Um belo conto.

23.11.10

Novidades à vista em aoLimiar

O empresário Bruno Accioly, um dos fundadores do Conselho Steampunk, anunciou em seu site pessoal novidades relacionadas à principal rede social dirigida aos produtores e consumidores de ficção fantástica no Brasil. Reproduzo abaixo a íntegra da nota postada no dia 21 de novembro.




aoLimiar . Público, Profissionais e Canais



Quando o aoLimiar foi concebido como Rede Social de Editoras, Escritores e Leitores de Literatura Fantástica, e após a iniciativa do Conselho SteamPunk, sabíamos que apoio tecnológico da dotweb não seria suficiente para manter o interesse de leitores, escritores e editoras no projeto.

Uma iniciativa sem fins lucrativos tem suas limitações no sentido de veicular a si mesma pelos meios de comunicação e tem de contar com a criatividade e com meios mais democráticos como a Internet e o boca a boca.

Os colaboradores, hoje cadastrados no aoLimiar, são uma fração do que comunidades com fins lucrativos conseguem arrebanhar graças ao seu acesso a meios de comunicação, muitos dos quais são os próprios fundadores de tais iniciativas.

Acreditamos que toda e qualquer iniciativas hoje presentes na Internet são esforços importantes para promover a cultura literária no país, seja lá qual for o modelo de negócios, o tamanho da operação ou as boas intenções por detrás destes projetos.

O aoLimiar foi projetado com um Primeiro Movimento composto de três fases iniciais que, dentro de suas limitações, acreditamos, atingiram seus objetivos:

Primeiro Movimento

Primeira Fase

Fornecer um serviço gratuito de publicação de Livros Virtuais dedicados a Literatura Fantástica, oferecendo um espaço onde a comunidade poderia publicar amostras, teasers e trabalhos inteiros para a comunidade editorial, leitores em potencial e outros autores.

Segunda Fase

Fornecer um serviço gratuito de publicação de Portais de Conteúdo dedicados a Literatura Fantástica, como o Omega Point Universo Alternativo e o Ficção Científica e Afins, todos produzindo conteúdo relevante e diversificado sobre Literatura Fantástica.

Terceira Fase

Fornecer Ferramentas de Comunicação gratuitas para Editoras, Autores e Leitores poderem estabelecer relações de forma facilitada com o objetivo de permitir às Editoras identificar novos talentos, veicular concursos literários e perceber os interesses dos leitores.

Sistemas de Mensagens Privadas, Mural de Atividades, Comunidades, Fóruns, Salas de Bate-Papo e até mesmo um mecanismo de Mensagens Instantâneas foram implementados ou adquiridos para benefício da comunidade literária.

A Próxima Etapa

É chegada a hora de darmos mais um passo na direção da comunidade nacional de Literatura Fantástica e empreender um novo movimento… um Segundo Movimento.

No mês de Dezembro estarei, com ajuda do Conselho SteamPunk e apoio da dotweb, divulgando o Segundo Movimento do aoLimiar.

Para esclarecer de ante-mão quais os alvos deste novo movimento sem estragar surpresas ou interferir no andamento de negociações e parcerias, pode-se dizer que este Segundo Movimento endereça: (1) a opinião do público sobre a produção editorial do cenário literário em questão; (2) aos demais envolvidos nos processos produtivos literários da comunidade de Literatura Fantástica; e (3) a real necessidade de criação de canais de publicação independentes e mais devotados a produção, divulgação cultural e nos benefícios sociais deste substrato que em qualquer outra coisa.

A iniciativa aoLimiar ainda é profundamente dependente da propaganda boca-a-boca e, por isso, contamos com cada um dos leitores, escritores e editoras envolvidos e não envolvidos, para divulgar para outros leitores, escritores e editoras ligadas a Literatura Fantástica, para propalar o trabalho que vem sendo desenvolvido até agora e o constante interesse do aoLimiar em oferecer um melhor serviço para promover a cultura literaria nacional.

Existem algumas formas de dar apoio a esta iniciativa efetuar seu cadastro no aoLimiar.com.br, sugerir que leitores, autores e editoras efetuem seu cadastro e divulgar através de meios eletrônicos como o Twitter, o Orkut, o Facebook e pelo seu website.

Peço, portanto, que divulguem como puderem esta carta de intenções em meu nome, em nome do Conselho SteamPunk e em nome da dotweb.

Muito Obrigado,
Bruno Accioly

22.11.10

Torre de Vigia 37

Nova resenha da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Desta vez, a avaliação foi feita por Fernando Salvaterra em seu blog Contorno. Como de hábito, vou republicar aqui o início do texto e a parte em que o resenhista se refere ao meu conto, deixando com os leitores o link para o material completo:


Steampunk, Histórias de um Passado Extraordinário brilha nas estantes como a primeira incursão brasileira publicada no gênero. Por economia de tempo e espaço, meu e do eventual leitor, essa entrada fica sem uma introdução satisfatória ao gênero. Creio que todos já toparam com essa estética que por aí abunda, em filmes e peças de arte. Qualquer curioso já foi verificar a fonte de inspiração desse movimento. Basta dizer (perdão se é a milésima vez que lê isso) que se trata de um ramo da ficção científica que lida com um passado hipotético onde a tecnologia do século XIX, alimentada por máquinas a vapor, é mais fantástica do que foi. É comum o uso de personagens clássicos da literatura daquele tempo, que já estão em domínio público. (...)

“Cidade Phantástica”, de Romeu Martins utiliza personagens de diversos autores, como Julio Verne, Sir Arthur Conan Doyle e Bernardo Guimarães. O enredo, envolvendo um prédio gigantesco, um canhão igualmente grande e uma cidade submersa na fuligem é bastante interessante. O início cheio de ação é ótimo. Só não gostei muito dos diálogos expositivos, meio artificiais, que decorrem depois.

Entrevista para a Cásper Líbero

Conforme comentei no post anterior, vou publicar aqui a íntegra da entrevista que fizeram comigo para a revista Esquinas, do curso de Jornalismo da Cásper Líbero. As perguntas foram feitas por Roberto Francisco Causo.




Como você começou a fazer parte do movimento steampunk no Brasil?


Comecei a me interessar pela produção brasileira de ficção científica em geral em 2007, quando conheci o site de fanfics www.hyperfan.com.br e descobri que entre os autores havia contistas, romancistas e dramaturgos do porte de Fábio Fernandes, Octavio Aragão, Carlos Orsi, entre outros. Até então, eu já apreciava bastante FC estrangeira, porém o que eu conhecia do gênero no país se restringia aos textos de escritores de gerações anteriores, como JJ Veiga e Ignácio de Loyola Brandão. Então fui procurar o que esse pessoal totalmente novo para mim estava produzindo, além dos contos disponíveis naquela página, e vim a encontrar as comunidades do Orkut em que eles se reuniam. Logo, passei a ler e a resenhar as obras desse pessoal para o portal www.overmundo.com.br, o que fiz durante todo o ano de 2008. No finalzinho daquele mesmo ano, entrei em outras comunidades, justamente as que faziam parte da iniciativa de divulgação da cultura steamer do Conselho Steampunk.


Como foi fazer parte da coletânea Steampunk? O que lhe fez começar a escrever steampunk?


FC tem uma capacidade de contaminação terrível, é um típico vírus memético: quem começa a ler muito, acaba querendo escrever também. Eu já havia escrito sobre FC, naquela série de resenhas que foram republicadas em meu blog www.romeumartins.blogspot.com, mas acabei também escrevendo FC de fato em algumas experiências com contos feitos despretensiosamente para outra página minha, a www.terrorcon.blogspot.com. O primeiro desses contos acabou sendo publicado na edição de estreia de um projeto de coletâneas sem temática fixa da Tarja Editorial, a coleção Paradigmas. Foi minha introdução formal nesse mundo dos escritores de ficção científica, com um conto que pode ser classificado como nowpunk, “A teoria na prática”, em 2009, menos de um semestre depois de eu ter começado a escrever ficção.

Acabou que um dos sócios daquela mesma editora, Gianpaolo Celli, entrou numa daquelas comunidades steampunk e perguntou quem ali escrevia algo do gênero. Fui dos que respondeu dizendo ter algumas ideias a respeito, apesar de não ter escrito na época ainda nada formalmente dentro do estilo. Mesmo assim, ele me convidou poucas semanas depois, bem no finalzinho de 2008, para fazer parte daquela que veio a ser coletânea pioneira do país: Steampunk – Histórias de um passado extraordinário. Receber esse convite foi uma surpresa e tanto, sem dúvida um desafio para um cara que mal tinha começado a se dar conta de que estava escrevendo textos ficcionais ter a possibilidade de ser publicado ao lado de gente consagrada, incluindo um daqueles autores que descobri via Hyperfan, o Fábio Fernandes. Para minha sorte, o processo inteiro foi muito profissional por parte da editora e do organizador e pude ainda contar com beta readers que me ajudaram bastante nesse desafio. Terminei o texto em fevereiro e em julho de 2009 o livro já estava sendo lançado.

Como entrou em contato pela primeira vez, com o steampunk?

Foi pelos quadrinhos. A primeira vez que tive a sensação de uau lendo algo a respeito foi pelas páginas da primeira edição da Liga Extraordinária, de Alan Moore e Kevin O’Neill, quando eles mostram sua versão de uma Londres Vitoriana retrofuturista. Isso foi pelas edições importadas, via Amazon, em 1999, quando havia uma saudável paridade do real com o dólar facilitando aquisições de material importado. Aquilo mexeu muito comigo, a ponto de até hoje a Liga Extraordinária estar entre os trabalhos do Moore dos quais mais gosto. E em termos nacionais, a primeira obra do tipo que li foi uma descoberta que fiz naquele citado site de fanfics, o Hypefan, e que acabou virando um romance: A mão que cria, de Octavio Aragão. Livro com fortes elementos steampunk, ele foi o primeiro da FC nacional que resenhei, na época para o site www.omelete.com.br. 

Quais você acha, que são as maiores dificuldades que tal movimento enfrenta no Brasil, atualmente, especialmente em termos de distribuição, etc?

Bem, acho que comparativamente com outros subgêneros ligados à FC o steampunk até que está bem no contexto geral. Afinal, aquela primeira coletânea não só é relativamente fácil de se encontrar em boa parte do país, pela rede de livrarias Cultura e Saraiva, incluindo suas lojas on-line, como esgotou a primeira edição em menos de um ano. Na minha opinião, a maior dificuldade está em alcançar um público ainda maior por sofrer da mesma falta de divulgação entre grandes veículos de imprensa nacionais, jornais, revistas, programas de TV, e mesmo de portais voltados ao entretenimento, como o já mencionado Omelete, que qualquer outro tipo de ficção científica feita por brasileiros.

A coletânea Steampunk recebeu uma divulgação imensa entre seus leitores que procurei registrar em um blog que tem o mesmo título de minha noveleta publicada naquele livro o www.cidadephantastica.blogspot.com. Foram dezenas de citações que saíram em páginas pessoais, redes sociais e podcasts, de forma espontânea, e resenhas feitas no exterior, por críticos do porte do americano Larry Nolen e da portuguesa Cristina Alves; além de menções no blog do escritor americano Bruce Sterling - no portal da Wired - e no blog e na versão impresa da Locus Magazine. Foi um autêntico fenômeno, comparado a qualquer outro livro de FC publicado recentemente no país. Mesmo assim, não houve espaço similar em jornais e em revistas nacionais. Em relação à TV, quando surgem matérias em programas de auditório, estão mais interessados em discutir o tipo de roupa que os fãs do gênero costumam usar em encontros do que a literatura envolvida. Acho que virar pauta na imprensa é uma das maiores dificuldades não só do steampunk, mas da literatura de ficção científica em geral. Talvez isso ocorra quando novas gerações de jornalistas, que hoje estão cursando a faculdade, cheguarem às redações.


Em contraponto, à pergunta anterior, por que acha que o movimento Steampunk está indo tão bem no Brasil e no mundo atualmente?

Naquele meu blog, eu também costumo publicar reflexões de pessoas que procuram entender esse fato. Em geral, concordo com a abordagem que no mundo hipertecnológico em que vivemos é irresistível reimaginar um tempo em que os apetrechos eram mais compreensíveis aos mortais comuns, quando engrenagens aparentes faziam acontecer a mágica que hoje se dá de modo invisível em chips. Além do que, há um charme todo especial na estética do gênero que pode ser apreciado mesmo por quem nem mesmo faz ideia de que há literatura por trás daquilo.

No mundo e em termos literários, a atual onda começou com uma coletânea organizada por Jeff VanderMeer chamada apenas de Steampunk, e foi reconquistando um espaço que parecia ter perdido entre os fãs. Isso deu fôlego para novos livros, novos filmes. No Brasil, a onda finalmente chegou para valer e encontrou uma diversidade de escritores interessados no gênero, como os reunidos na coletânea Steampunk, na mais recente Vaporpunk – da editora Draco, que traz também portugueses – e vários outros que preparam seus projetos para os próximos meses. Aconteceu então um fato muito raro: algo produzido por aqui em termos de FC encontrou ressonância com o que estava sendo consumido lá fora.

Tanto isso é verdade que as duas ondas acabaram se topando e nos dois próximos projetos de VanderMeer ligados ao gênero vai haver a presença de brasileiros que foram publicados na Histórias de um passado extraordinário. Na nova coletânea Steampunk Reloaded, ele vai apresentar aos leitores anglófonos trechos em inglês das noveletas “Breve história da Maquinidade”, do carioca radicado em São Paulo Fábio Fernandes, e “Uma vida possível atrás das barricadas”, do pernambucano Jacques Barcia. E no segundo projeto – um livro de arte que deve ser referência sobre o assunto quando for publicado em maio de 2011, a Steampunk Bible – além de entrevistas com esses dois, haverá um trecho da noveleta deste catarinense rebatizada como “Phantastic City”, em uma tradução de primeira providenciada por Fábio Fernandes. Uma honra mais do que inesperada, devo dizer.

Quais são suas maiores influências Steampunk?

Como não poderia deixa de ser, Alan Moore, em primeiro lugar. Fora do mundo das HQs, a influência vem dos diversos escritores que cito explicitamente na noveleta “Cidade Phantástica”, ou seja, o francês Jules Verne, o inglês Conan Doyle, o americano Philip José Farmer e os cariocas Octavio Aragão e Gerson Lodi-Ribeiro.

Planos para o futuro? Quais?

Tenho algumas outras histórias escritas naquele mesmo universo. O miniconto “Uderground Amazon” já foi publicado no blog de um artista plástico steamer californiano e deve ser republicado, em nova versão, em um zine. Um conto ilustrado chamado “Modelo B” deve sair numa revista on-line que está sendo preparada pelo Conselho Steampunk. E uma segunda noveleta, “Tridente de Cristo”, foi encomendada para uma nova coletânea que deve sair em 2011. Ainda no gênero, estou tentando viabilizar uma versão em quadrinhos da história que deu origem a isso tudo, a noveleta “Cidade Phantástica”, também para o próximo ano. Recebi, mais recentemente, um convite inusitado para mais uma coletânea que deve misturar steampunk com elementos de fantasia e estou, neste momento, trabalhando no texto. Fora desse mundo a vapor, há alguns outros texto ficcionais que estão sendo avaliados para outras duas coletâneas, de gêneros distintos, além de um novo livro de não-ficção sobre inovação tecnológica. 

Por favor, um pequeno currículo com seu nome completo, idade, formação, profissão e se possível, uma foto em alta resolução, por favor.

Meu nome é Romeu Manoel Coelho Martins, tenho 34 anos, sou jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Minha especialidade é a área de ciência e tecnologia sobre a qual já publiquei um livro chamado Conhecimento & Riqueza, em coautoria com Roberto Pacheco, principal desenvolvedor da Plataforma Lattes, pela editora Instituto Stela. Na ficção, tenho contos publicados nos livros Paradigmas 1, Steampunk – Histórias de um passado extraordinário, da Tarja Editorial, e vou ser um dos brasileiros presentes na Steampunk Bible da Abrams Image.

20.11.10

Torre de Vigia 36

Está no ar uma nova matéria sobre a cultura steamer que cita a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Desta vez, a referência é na revista laboratório do curso de Jornalismo da Cásper Líbero, Esquinas. A edição número 48 dessa publicação semestral tem como tema "Arte", analisado em várias vertentes, e a atual onda steampunk acabou sendo lembrada por sua produção literária, cinematográfica e quadrinística. Neste endereço, a revista pode ser lida na íntegra, incluindo a matéria "De volta para o passado", na página 56. O artigo foi feito em parceria por Lídia Zuin, já chamada de musa do steampunk por este blog, e por Roberto Francisco Causo, filho de Roberto de Sousa Causo, um dos contistas daquela coletânea. Entre os entrevistados, estão membros do Conselho Steampunk, como Bruno Aciolly e Cândido Ruiz, o escritor americano Bruce Sterling e eu. Num próximo post devo publicar a íntegra da entrevista que enviei por email para a revista.

Tietagem a distância 2

A prova do crime, com direito ao contorno da mão do escritor e tudo. Ana Carol publicou em seu twitpic a foto abaixo, do autógrafo que Bruce Sterling deu em meu exemplar de Piratas de dados:




Além de me sacanear graças ao meu xará shakesperiano, o texano ainda deixou o contorno de sua mão junto com a assinatura no livro. Cool, man!

19.11.10

Tietagem a distância

Bruce Sterling, o homem, o mito, esteve hoje em Belo Horizonte, dando uma palestra em um evento de artes digitais. Um dos meus escritores favoritos - e não falo apenas de FC - ele, ao lado de Wiliam Gibson, é uma referência do steampunk, como tantas vezes já escrevi por aqui, por terem escrito a quatro mãos The difference engine. É também autor do meu livro cyberpunk favorito, Piratas de dados (Islands in the net), obra publicada no Brasil em uma encarnação anterior da editora Aleph.

Não resisti em tietar o cara mesmo a distância. Gostaria de ter em mãos aquele romance steampunk para lhe pedir um autógrafo, mas a mesma Aleph avisa que a produção da versão nacional está atrasada e o lançamento foi adiado para fevereiro ou março de 2011. Assim sendo, me restava tentar conseguir a assinatura dele naquele outro livro. E graças a escritora e advogada mineira Ana Carolina Silveira,  eu consegui! Ela gentilmente me conseguiu o autógrafo, como comentou em seu blog - no qual também fez um resumo da palestra, recomendo a leitura completa aqui:

Com muita vergonha (e quando eu fico envergonhada nem português consigo falar direito, quanto mais inglês) fui pedir autógrafos para meu livro e para o livro do Romeu Martins.

Expliquei para ele que tinha um amigo que morava em Florianópolis que mandou o livro para ser autografado e coisital. Ele achou interessante, autografou e dei o meu (que era um Pirata de Dados que o Romeu me presenteou pela gentileza). Ele autografou o livro e me entregou. No autógrafo, literalmente: “Might even be readable!” – Ou que faça algum sentido hoje. Eu disse que gostava mais de steampunk do que de cyberpunk, ele respondeu que o cyber tem um viés mais político. Disse ainda que a protagonista é uma mulher e que talvez eu goste por isso e que é para eu mandar um e-mail depois dizendo o que eu achei do livro :P Achei bem legal!

É bom ver que o artista não precisa prender-se à arte, pode pesquisar e desenvolver muito além dela.



Brigadão, Ana Carol! Fico te devendo essa e, assim como Mr. Sterling, espero que você aprecie o livro - que, sim, considero ainda fazer bastante sentido e talvez ainda mais depois do 11 de Setembro - tanto quanto eu.

Vapor com aroma de café 2

O primeiro evento eu anunciei aqui. Agora, meu vizinhos paranaenses realizam o segundo, no dia 11 de dezembro, dedicado ao aniversário de uma personalidade histórica muito importante para a noveleta que inspirou este blog. Vejam o cartaz, acessem o site:

18.11.10

Origami 3 - Medalhas

Vamos a mais um exemplo de dobraduras japas enviado pela Gi. Desta vez, um bom acessórios para os steamers mais militaristas. Tiradas deste site, primeiro temos uma foto do origami pronto:



E em seguida do diagrama com as dobras certas para se conseguir o efeito:



E este, também:

17.11.10

Origami 2 - Botas

Adoro quando os leitores do blog participam. No post anterior, comentei que seria legal ver mais exemplos de origami com atmosfera steamer, certo? Pois minha querida Giseli Ramos, a Cyberdecker no Twitter, outra entusiasta das dobraduras orientais, me mandou vários exemplos, que pretendo publicar aos poucos. O primeiro deles, é uma bota que serve perfeitamente para acompanhar os corset de papel de ontem. Seguem as imagens tiradas desta página.





E o diagrama:

16.11.10

Corset de origami

A dica de hoje foi capturada do twitter de Débora Aquino - quem eu conheci quando ela usava um hipnótico corset preto, aliás. Sabem aquelas dobraduras de papel, os origamis? Pois aquela técnica pode ser empregada para se fazer belezuras como as que vão abaixo:






Olívia Wolff, a dona do blog de onde tirei essas amostras de espartilhos de papel, sugeriu que eles seriam ótimos para se produzir convites de um chá de lingerie. Sem dúvida, mas conconcordam comigo que essas dobraduras também são perfeitas para um evento steampunk? Não importado o uso que se queira dar a elas, segue o diagrama postado por Olívia com o passo a passo do origami.



Alguém tem mais alguma dica legal de origami com essa mesma atmosfera steamer? Vamos ver se emplaca uma nova tag no blog sobre esse assunto.