31.7.10

Ficção Científica, o curso

Agora é oficial, Fábio Fernandes, que é doutor em Comunicação e Semiótica, vai se tornar literalmente um mestre da Ficção Científica. Ele acaba de noticiar a criação do curso "A História da Literatura de FC" que será ministrado na capital paulista. Segue a apresentação da iniciativa na qual a vertente steampunk surge como um dos destaques:


O que é Ficção Científica? O que há nessa expressão que provoca tanto interesse e fascínio em uns, e ao mesmo tempo mexe com o imaginário popular por meio de toda uma simbologia muito específica veiculada principalmente pelo cinema, como robôs, espaçonaves e alienígenas? O que nem todo mundo sabe é que a Ficção Científica começou como um gênero literário e sua manifestação como tal foi e continua sendo uma verdadeira revolução que move a cultura, mais até que o cinema. As três leis da robótica, o ciberespaço, o Second Life, tudo isso existe no mundo real hoje, mas foi criado pelas mentes de escritores de ficção científica. O curso apresentará um panorama da literatura do gênero desde sua criação “explícita” por Hugo Gernsback em 1926, com um passeio pelos antecessores diretos (Jules Verne, Edgar Allan Poe e H.G.Wells) até os dias de hoje, com autores pós-modernos que advogam uma repaginação da Ficção Científica como um gênero híbrido, como Jeff VanderMeer e China Miéville, que trabalham com vertentes como o Steampunk e o New Weird.

Para mais detalhes, acesse o site do curso, no qual pode ser baixado o plano de aula completo.

Venezianos no Império do Meio

Resenhei por aqui, no início de julho, uma obra que conta a história de um homem que viaja para um reino distante e, ao longo dos muitos anos de sua estada por lá, ele descobre povos exóticos que dominavam tecnologias avançadas, guerreavam usando animais enormes e armas explosivas, se alimentam de produtos nunca vistos e, por fim, ainda conhece uma princesa local por quem se apaixona. Esse é um resumo rápido de Uma princesa de Marte, mas também poderia ser uma descrição das aventuras de um aventureiro da vida real, o veneziano Marco Polo (1254-1324), que, no ano de 1271, partiu com seu pai e com um tio para uma longuíssima expedição à Ásia Central. Durante os 24 anos de duração de suas andanças, calcula-se que o trio percorreu algo em torno de 24 mil quilômetros, travou contato com o então imperador da China, Kublai Khan (1215-1294) -  neto do conquistador mongol Genghis Khan (1162-1227) - e com as maravilhas daquele reino, como os elefantes de guerra, a pólvora, a bússola e o macarrão. A façanha dos Polo, ainda que muito contestada por historiadores, rendeu diversas interpretações ficcionais: filmes, séries de TV, livros e, no caso em questão, uma história em quadrinhos que acabei de reler depois de passado um tempo ainda maior que o daquela jornada oriental. Sim, pois foi em 1984, há 26 anos portanto, que tive esse material em mãos pela primeira vez.


"As viagens de Marco Polo" é o sexto volume da coleção Clássicos da Literatura Disney, a forma de a editora Abril comemorar os 60 anos da publicação de o Pato Donald no Brasil. A edição atual compila HQs que saíram originalmente na Itália em 1982 na revista Topolino - o nome do Mickey naquele país - do número 1409 ao 1412. Por aqui, as histórias foram publicadas dois anos depois nas edições 229 e 230 de Tio Patinhas, em Almanaque Disney 157 e no Mickey 382. Esta manhã, pude constatar que eu tinha todos esses gibis, que sabe-se lá onde foram parar. Pois, mesmo tendo passado tanto tempo, me peguei relembrando vários detalhes da trama escrita e desenhada pelo conterrâneo de Marco Polo, Romano Scarpa (1927-2005), um mestre europeu dos quadrinhos Disney, com uma carreira de meio século dedicada àqueles personagens. Impressionante como várias passagens dessa minissérie, protagonizada por Donald e seus parentes, ainda estavam impregnadas na minha memória; desde falas até expressões faciais daqueles desenhos.



A desculpa para o fumetto se desenvolver é o fato de o Tio Patinhas ter comprado uma rede de TV e pedir para Mickey escrever um roteiro adaptando a obra que registrou as memórias de Polo: O livro das Maravilhas - A descrição do mundo. Dessa forma, com os patos representando os papeis dos personagens históricos, vemos uma versão bastante romanceada daquela jornada de décadas. O terceiro capítulo é o que chama mais atenção para quem aprecia retrotecnologia. "Missão em Saiangfu" mostra os avanços tecnológicos criados na China, o Império do Meio, até então isolado dos olhos da maioria dos europeus. Além daquelas já mencionadas, há uma aparição robótica: uma galinha de ouro capaz de botar ovos do mesmo metal precioso. Um toque interessante, misturado a várias citações de outros feitos mais ligados à magia. No capítulo final, "A princesa Kokacin", vemos Donald/Polo em sua última missão antes de voltar para Veneza: escoltar a nobre, sobrinha de Kublai Khan, até a Pérsia, atual Irã.

"As viagens de Marco Polo" é uma aventura de ótima qualidade, perfeita para quem sente saudade dos antigos gibis Disney dos tempos da infância, como eu. Ou ainda para quem quer conhecer o que de melhor se produziu com esses personagens ao longo de sua longa história. O volume completa 130 páginas com uma HQ bem inferior em termos de roteiro e, principalmente, de arte: "O tesouro de Marco Polo", de Carl Fallberg e Tony Strobl. Suas 16 páginas estão lá mais para tapar buraco que, neste caso, foram muito mais bem preenchido pela matéria de seis páginas que abre a revista, contextualizando as HQs da edição e apresentando material sobre os dados históricos. Vale a pena, mesmo para quem não esteja colecionando Clássicos da Literatura Disney. E para estas pessoas, vale lembrar que edições futuras prometem adaptar material bem interessante, como a de número 12, "20.000 léguas submarinas", a 14, "Guerra dos mundos", e a 15, "Viagem ao centro da Terra", que será complementada ainda por adaptações de "A volta ao mundo em oitenta dias" e, como extra, "O diário de Júlio Verne". Veremos o que nos espera nessas próximas aventuras. Se tiverem metade da qualidade do material produzido por Scarpa, valerão a pena.

30.7.10

Machado Reloaded

Outra grande sacada da Tarja Editorial também com um pé no século XIX: Memórias desmortas de Brás Cubas, de Pedro Vieira. Dentro da onda de mashup literários, o livro mistura personagens de Machado de Assis (1839-1908) com zumbis, caos e carnificina. Já está em pré-venda no site da editora.

29.7.10

Depois do passado, o futuro extraordinário

E foi anunciada a coletânea-irmã da Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. No site da Tarja Editorial acaba de entrar em pré-venda Cyberpunk - Histórias de um futuro extraordinário. 



26.7.10

Um ano de histórias de um passado extraordinário

Como lembrei ontem, comemorou-se tanto o Dia do Escritor, como o primeiro aniversário do lançamento da coletânea na qual foi publicada a noveleta que emprestou seu nome a este blog. Ao longo deste tempo, vim registrando a repercussão que o livro alcançou tanto dentro quanto fora do país além de acompanhar o que mais se veio a produzir em relação à cultura steampunk no Brasil. Para encerrar este primeiro ciclo da publicação, a melhor maneira que encontrei de celebrar o feito foi convidar a dupla responsável pela obra para uma entrevista em que pudéssemos saber um pouco mais sobre seus bastidores.


Entrei em contato com os dois sócios da Tarja Editorial, Gianpaolo Celli, organizador e contista de Steampunk - Histórias de um passado extraordinário - em uma foto abaixo, ele aparece a meu lado durante um lançamento literário em São Paulo - e Richard Diegues, que acaba de lançar um romance cyberpunk. Na conversa a seguir, eles refletem a respeito do impacto gerado com a primeira coletânea do gênero publicada em nosso país e comentam um pouco a respeito do que ainda se pode esperar dela futuramente.



A coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário está completando um ano de lançamento desde que veio ao público pela primeira vez, durante o Fantasticon de 2009. Vocês poderiam falar um pouco sobre como foi a ideia de por no mercado o primeiro livro do tipo, dedicado a um subgênero então bem pouco conhecido entre os brasileiros?

GIAN: Bom, Romeu, primeiro tem que eu pessoalmente sempre gostei do estilo. Depois, nós percebemos que existia um mercado para o mesmo aqui dentro, o qual era órfão, pois não existia nada no estilo publicado em português. E finalmente, acompanhando notícias de eventos lá fora, percebemos que o momento para o lançamento era exatamente aquele, sim...


E como foi o processo de escolha dos nove contos presentes na coletânea? Quantas pessoas estiveram envolvidas? Ao todo, quantas contribuições a editora recebeu para compor àquelas páginas?

GIAN: Olha, a coletânea foi 'semi-aberta', ou seja, foram convidados autores conhecidos da editora, com convite aberto a outros escritores que eles conhecessem e que dominassem o estilo. Ao todo recebemos treze originais, dos quais nove foram escolhidos. No processo, os originais passaram nas mãos de dois leitores beta, que após analisar nos passaram os textos, para que eu mesmo e o Richard fizéssemos as leituras críticas.



O livro acabou chamando a atenção de vários críticos, recebendo resenhas em dezenas de blogs pelo Brasil e mesmo fora do país, como o de Larry Nolen nos EUA e o de Cristina Alves em Portugal, além de citações ligadas a revista Locus e na página que Bruce Sterling mantém no site da Wired, ambos de suma importância para o steampunk como o conhecemos. Como vocês avaliam a repercussão que o material teve, mesmo saindo em um ano em que se bateu o recorde de lançamento de obras de ficção científica e fantasia?

RICHARD: O Steampunk é um gênero que vinha aumentando sua produção no exterior, mas de forma vagarosa. Dessa forma, quando lançamos nosso livro aqui no Brasil acabamos agregando volume a essa produção e conquistamos um público que estava ávido por novidades. Quando resolvemos que a Tarja deveria levantar esse gênero aqui no país, já estávamos realmente de olho no mercado internacional. Não foi tão estranho assim vermos que a coisa repercutiu de forma positiva. A coletânea tem qualidade e diversidade, além de ter sido escrita com nossas características literárias, o que acabou cativando o público do exterior, que viu que é possível escrever de diversas outras formas, e principalmente inovando as receitas. Apesar de termos tido diversos lançamentos no ano, nossa obra se destacou por dois pontos: inovação de mercado e qualidade literária. Foram esses dois fatores que levaram a repercussão da coletânea tão longe. E isso foi bom, pois basta ver as promessas de próximos lançamentos no gênero para saber que botamos muita lenha na caldeira.



Por falar na reação dos leitores estrangeiros, e lembrando que a Tarja vai lançar em breve suas primeiras iniciativas de tradução de obras internacionais, com livros de Jeff VanderMeer e de China Miéville: há algum plano por parte da editora de lançar uma versão da coletânea no exterior? Já se chegou a pensar nisso, foi feito algum contato a respeito?

GIAN: Evidentemente que, tendo em vista o retorno internacional que tivemos, que estamos com planos, sim, de verter o livro e tentar a sorte lá fora. A questão da tradução do português para o inglês, no entanto, complica um pouco. Em especial porque publicar lá fora não é o foco principal da editora.

Há sucessos de crítica, há sucessos de público e há as raras obras que conseguem conjugar esse dois pólos. Steampunk - Histórias de um passado extraordinário se saiu bem entre a crítica, pois a média dos comentários publicados a respeito do livro é bem positiva, e a coletânea chegou a receber o prêmio de melhor do ano em sua categoria numa escolha determinada pelo voto do público. Mas em termos de vendagem, ela está dentro das expectativas da editora? Superou, ficou aquém?

RICHARD: Graças ao público fiel que lê os livros da Tarja, independentemente do tema, por conhecer nossa qualidade, somando com os inúmeros fãs do gênero Steampunk, a coletânea superou bem nossas expectativas. A primeira edição se esgotou e fizemos uma segunda tiragem para suprir a demanda ainda existente pela obra. Dentro dos livros nacionais do nicho de FC, é um fato a ser comemorado. Obviamente os comentários positivos a respeito da obra também tiveram grande influência nessa vendagem, mas tenho certo que isso se deve à qualidade dos autores integrantes e à dedicação que tiveram para caracterizar suas obras dentro do gênero.

Desde o lançamento da coletânea, em julho passado, começaram a surgir outros anúncios de livros e quadrinhos nacionais no mesmo gênero ou mesmo de traduções de obras estrangeiras steampunk. Como os editores da Tarja avaliam esse nicho que parece ter sido aberto pela coletânea? Ainda há planos de novos lançamentos pela editora para atender a tal demanda? Vai haver mais histórias de um passado extraordinário com o selo da Tarja?

RICHARD: A Tarja sempre teve esse foco de pioneirismo em suas publicações. Durante todas nossas reuniões tentamos pensar no seguinte: “o que podemos apresentar ao público brasileiro, dentro da Literatura Fantástica, que ainda não tenha sido devidamente apresentado?”. Iniciamos com o Steampunk, publicando a primeira coletânea do gênero e puxando a fila de publicações. Durante um evento que participei em uma universidade em São Paulo, soltei as próximas tendências que exploraríamos, como o Cyberpunk e a New Weird, que estamos lançando não somente com autores nacionais, mas com internacionais, como você bem o citou antes. Tenho certo que isso trará muitos frutos aos leitores de FC, pois ficou claro que os editores que me ouviram durante o evento já começaram a maquinar e apontar seus canhões nesse rumo que apontamos. E isso é bom. Deve surgir muita coisa boa nesse rastro. E o leitor é o maior beneficiado com isso. Quanto ao Steampunk mesmo, confesso que estamos aguardando as publicações de outras editoras que vêm sendo alardeadas, pois não temos a intenção de afogar o nicho, mas sim de suprir uma demanda por trabalhos de qualidade. Após essa primeira onda passar e enxergarmos atentamente para onde o mercado foi arrastado, é muito provável que publiquemos mais algo dentro do gênero, pois temos sempre que pensar em atender ao público no momento em que ele mais precisa. Se o mercado der ares de que está deixando o leitor na mão, vamos sim dar essa força para o gênero.

GIAN: Complementando o que o Richard colocou. Eu estou, sim, dando continuidade ao meu conto (parte de um romance, na realidade), o qual pretendo lançar se possível ainda em 2010.

25.7.10

Torre de Vigia 29

Que ótimo! Antes de eu publicar a entrevista com os dois editores da Tarja - para comemorar o primeiro aniversário da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário - tive o prazer de ler uma nova análise do material. Desta vez, quem assina a resenha do livro é Ana Cristina Rodrigues, a partir de seu blog FC e Afins. Como de hábito nesses casos, irei reproduzir o trecho inicial do texto da Ana e a parte em que ela se refere à noveleta homônima deste blog. Recomendo a leitura completa neste endereço. Seguem os recortes de "O futuro do pretérito a vapor, um ano depois" no qual a resenhista ainda fez um apanhado do material crítico já escrito sobre a obra:


Hoje, o escritor e jornalista Romeu Martins lembrou que é o aniversário da coletânea Steampunk. Um momento mais do que adequado para registrar minhas opiniões sobre a obra e refletir sobre sua repercussão.

Acima de qualquer coisa, temos que reiterar algo: foi a coletânea brasileira de contos de ficção fantástica que mais repercutiu no fandom, nacional e internacional. (Sim, fandom. Infelizmente, não foi este livrinho o Santo Graal que os escritores brasileiros de ficção especulativa esperam há anos. Um dia, ele chega, junto com Papai Noel e D. Sebastião, e a Academia Brasileira de Letras vai nos chamar a todos para tomar chá de fardão).

Toda a regra tem exceção; no caso daquela velha máxima do Nelson Rodrigues (não somos parentes, apesar da acidez semelhante) ‘Toda a unanimidade é burra’, a exceção é a coletânea da Tarja. Não houve comentários negativos, apesar de alguns resenhistas terem dado destaques positivos e negativos. A lista bem extensa de resenhas é esta:

Comentário no Correio Fantástico
Comentário no World SF
Comentário no Mensagens do Hiperespaço
Resenha de Larry Nolen (em inglês)
comentada no Cidade Phantastica
Twitterresenha de Edgar Refinetti no Cidade Phantastica
Resenha de Ricardo França no Cidade Phantastica
Resenha de Pedro Vieira
Resenha de Giseli Ramos
Resenha na revista online RRAULR
Resenha na Paragons
Resenha de Bruno Schlater
Comentário de Roberto de Sousa Causo
Resenha de Cristina Alves em duas partes I e II
Ana Carolina Silveira

‘Ok, Ana, nós sabemos o que estes resenhistas acharam. Queremos saber a SUA opinião ou não estaríamos aqui.’

É nessas horas que eu não gosto de ser amiga de outros escritores. Afinal, considero 89% dos autores presentes na coletânea como amigos. Bom, eles sabem que eu sou sincera (...)

Gosto muito do cenário do ‘Cidade Phantástica’, de Romeu Martins, e do uso que faz de personagens tão diferentes. Porém, a trama me pareceu muito rocambolesca, ao contrário de ‘Por um fio’, de Flávio Medeiros, que poderia ter ousado mais nas máquinas vernianas e ficou tímido.

Feliz Dia do Escritor

Uma bela coincidência da qual não havia me tocado. Hoje, dia 25 de julho, é o Dia do Escritor e, também, o aniversário de um ano do lançamento da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Foi durante o Fantasticon, realizado em julho em 2009 e que acontecerá em agosto este ano, que o primeiro livro a reunir contos e noveletas do gênero no Brasil foi lançado, conforme anunciei por aqui:


A coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário será lançada neste final de semana, durante o Fantasticon - III Simpósio de Literatura Fantástica, que acontece nos dias 25 e 26 de julho, na Biblioteca Viriato Corrêa, Vila Mariana, na capital de São Paulo.

No domingo, para celebrar o feito, vai haver ainda um evento na programação daquele encontro especialmente voltado ao gênero steampunk. Segue abaixo:

11 às 12 horas
Bate-papo: “STEAMPUNK E OS NOVOS RUMOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA”
Criativos, retrofuturistas no estilo e no comportamento. Esses são alguns dos conceitos do Steampunk, um gênero de ficção que explora um “mundo alternativo” movido a vapor (”steam”). Assim, temos uma fusão de “era vitoriana” com “futuro pós-apocaliptico” ou “punk” no sentido de transgredir o hoje e o passado. Algo com muitas engrenagens, com grandes zepelins voando pelos céus e seus respectivos piratas, um misto de roupas vitorianas com tecnologias que parecem do nosso tempo. Mais do que nunca, surgem novos e talentosos autores na atual Ficção Científica que expandem as barreiras do gênero. E os editores fazem a sua parte: buscam rótulos para categorizá-los. No meio de tantos rótulos e inovações, o que exatamente eles representam?

Para discutir o tema, três convidados: Gian Celli, organizador da coletânea; Fábio Fernandes, um dos autores; e Bruno Accioly, cofundador do Conselho Steampunk.

Não poderei ir, mas por ótimas razões e estarei ocupado ao longo da próxima semana. De qualquer forma, para marcar a data publiquei em meu outro blog o início da minha noveleta que participa desta obra pioneira no Brasil.

Quando eu voltar das minhas férias da frente do computador, volto a acompanhar a repercussão do lançamento e qualquer outra notícia que eu venha a saber sobre material steampunk nacional ou que venha a ser veiculado no Brasil.

Até a volta, boa festa a quem vai participar, ótima leitura a todos que nos derem o prazer de acompanhar nossos textos.
Para comemorar a data, amanhã publicarei uma entrevista com a dupla de editores à frente da Tarja: Gian Celli e Richard Diegues. Por hora, neste domingão, deixo meus parabéns a todos os escritores e desejo um bom dia à aniversariante.

21.7.10

Conselheiro honorário 3

Como eu prefiro trilogias a histórias em duas partes, procurei o pessoal da Loja São Paulo do Conselho Steampunk para concluir uma série de resenhas que comecei aqui e continuei aqui sobre super-heróis deslocados no tempo para algum cenário ligado à Guerra Civil Americana (1861-1865). Depois dos maiores ícones da DC, desta vez o protagonista é um personagem da Marvel Comics. “O que aconteceria se o Capitão América tivesse lutado na Guerra da Secessão” não é uma história tão conhecida quanto as outras duas, tanto que foi a que mais me deu trabalho para localizar em uma versão publicada no Brasil, na última edição da revista Wizard antes de mudar seu nome para Wizmania. Fiquem abaixo com um trecho desta resenha que só pode ser lida na íntegra no site dos meus camaradas paulistas.



Em 1941, Joe Simon e Jack Kirby criaram um personagem que, mais do que um novo super-herói, era a verdadeira encarnação policrômica de um conceito: os Estados Unidos lutando na Segunda Guerra Mundial. O conflito durou oficialmente de 1939 a 1945, mas para aquele país, ele começou de fato naquele mesmo ano em que Captain America #1 chegou às bancas. Essa ligação entre personagem e fato histórico era tão grande que ele desapareceu dos planos da editora – então chamada Timely Comics –  com o fim das movimentações das tropas na Europa e na Ásia e só voltou décadas mais tarde, quando a renovada Marvel Comics resolveu dar uma segunda chance aos super-heróis, que na década de 60 passaram a ser escritos por um tal de Stan Lee.

Mas e se ao invés de ser o representante ficcional de seu país no maior dos eventos bélicos o personagem tivesse surgido bem antes, durante outra guerra, aquela que forjou a identidade do país cujas cores enfeitam seu uniforme? Essa foi a proposta por trás da revista What if featuring Captain America #1, de 2005, na qual o escritor Tony Bedard e o desenhista Carmine Digiandomenico retiraram o protagonista de seu contexto para jogá-lo ao combate durante a Guerra da Secessão (1861-1865). Com isso, temos aqui um outro caso de anacronismo em cenário típico de histórias steampunk, a exemplo de quadrinhos feitos pela DC com as estrelas da casa Superman e Batman, já resenhados por aqui

16.7.10

Sandalpunk no Conselho

Uma matéria publicada hoje no site da Loja São Paulo do Conselho Steampunk esclarece aos leitores mais detalhes a respeito do maior ícone histórico por trás do subgênero retrofuturista conhecido como sandalpunk. Vou citar a seguir o começo do texto, chamando a atenção para o detalhe que o autor da matéria, Ace, fez referência a um post aqui do Cidade Phantástica:




Estava eu assistindo o history channel, e me deparei com um documentário sobre ele que por pouco não desencadeou uma revolução industrial, quase 1500 anos antes da mesma tomar forma, um dos maiores gênios da antiguidade, e também um dos menos lembrados, Heron de Alexandria. Aproveitando o lançamento em breve da coletânea “Brinquedos Mortais”, e o conto “Festa de Todos os Deuses” que se encaixa no sub-gênero Sandalpunk que trata de tecnologias avançadas no perído da Antiguidade clássica, ali entre o século VIII a.C. e a queda do Império Romano em V d.C, escrito por Carlos Orsi, que estárá na coletânea. Então resolvi falar um pouco mais sobre este grande mestre contemporâneo de Jesus Cristo.  Afinal, um artigo sobre o inventor do primeiro autômato da história, não poderia ficar em branco. Continua.

Um fórum para discutir o Oitocento

Uma outra iniciativa da organizadora do primeiro encontro vitoriano de Florianópolis que merece destaque é o fórum de discussão da Sociedade Histórica Desterrense. Homenageando a antiga denominação da capital catarinense, que até 1893 chamava-se Nossa Senhora do Desterro, o fórum também faz parte da proposta de Pauline Kisner, a Mme. Mean, de resgatar o imaginário do século XIX. "A ideia da SHD é ainda mais antiga que o picnic", foi o que ela me disse na comunidade criada para divulgar o convescote vitoriano. "Pode-se dizer que o picnic seja uma consequência do meu desejo de reviver a beleza do Oitocento".


Naquele espaço, Pauline está reunindo uma fonte variada de informações sobre o período, em temas tão variados quanto gastronomia, sexualidade, etiqueta, literatura, espiritualidade, entre outros. Vou reproduzir aqui um texto dela escrito à guisa de manifesto da Sociedade:

Um povo sem memória - que não cultua seus heróis e ignora seu próprio passado - está fadado a sofrer a dominação de conquistadores e aventureiros. Na pós-modernidade, isso se traduz na aniquilação de sentimentos, costumes e tradições. Aquele, pois, que voluntariamente ignora seu passado, torna-se escravo dos interesses de outros - como tantos que são diariamente tragados por uma (anti)cultura de massa, sob medida para o consumismo e para o caráter cada vez mais descartável que as relações humanas têm assumido.

Como alternativa, propomos um resgate do passado histórico; não como uma forma de escapismo, mas de modo tal que, ao reviver os usos e costumes de outro tempo, possamos questionar os nossos próprios. Para isso, elegemos aquele que o período áureo das revoluções políticas, sociais e econômicas - mas também da construção de uma sensibilidade artística e humana sem precedentes: o século XIX.

Através do estímulo à pesquisa e à vivência deste período, desejamos fomentar toda e qualquer manifestação artística que se aproprie da sensibilidade oitocentista. A longo prazo, é também de nossa vontade promover eventos que facilitem o intercâmbio de idéias e pessoas.

14.7.10

Vapor com aroma de café

Evento steampunk no Paraná, promovido pela Loja local do Conselho. Abaixo, o belo cartaz que pode ser ampliado com um clique:



Para mais detalhes, confiram o site.

13.7.10

Passarinhos vaporosos adiados

Nem sempre é possível dar boas notícias por aqui e é o caso desta nota. Estevão Ribeiro, quadrinista criador da tira Os Passarinhos, anunciou em seu blog o adiamento de um projeto steampunk ligado àqueles personagens emplumados. Eu havia comentado sobre a graphic novel A peça que move o mundo por aqui, mas o autor decidiu deixar o conceito em hibernação, conforme explicou neste post:




Caros piantes, infelizmente devo abortar o projeto steampunk “A Peça que Move o Mundo”, pelo menos por enquanto.

Tenho recebido visitas no blog de pessoas num post específico, exatamente do que falo de valores, isso porque uma ilustradora resolveu repostar o texto publicado em meu blog numa comunidade de ilustradores, não sei por qual motivo.

O fato de eu investir meu tempo livre nos Passarinhos enquanto me dedico a outros tantos projetos, roteiros de cartilhas para empresas e 10 horas de jornal me impedem de aplicar todas as energias neste projeto específico, mas a pessoa em questão não gostou de eu tirar do meu bolso R$ 30,00 por página + 30% de direito autoral do que eu receber. Lembrando que este projeto não tem editora, não é encomendado e eu não mandei este post para lista alguma, não fiz proposta indecente para ninguém. Ofereci o que posso pagar, mas é claro que, se houver(sse) uma remuneração pelo projeto, eu pagaria o que é justo. Continua.

Felizmente, há esperança de vermos o trabalho ser retomado, talvez com texto e arte do próprio criador da série. E ele ainda tem outras ótimas notícias, como a confirmação de que um álbum escrito por ele e ilustrado por um excelente time de desenhistas será publicado em breve pela editora Devir. Ou ainda um outro blog, dedicado ao romance de terror que escreveu e que em breve chegará às livrarias com o selo da Draco. No mais, fica minha torcida para que A peça que move o mundo logo também venha para o papel.

12.7.10

Um certo monarca do século XIX 2

Relembrando o que escrevi neste blog no dia 19 de abril:


Tiburcio, quadrinista e ilustrador conhecido dos leitores por seu trabalho publicado na revista Mad, está desenvolvendo desde o início deste ano uma tirinha na rede com uma ambientação muito próxima aos trabalhos da cultura steampunk. Claramente inspirada nos últimos dias do Império do Brasil, Meu Monarca Favorito narra as desventuras de um rei fictício, de um país fictício, em pleno século XIX, cercado de ameaças à sua coroa.

Agora, graças ao desenhista e escritor Alexande Nagado, que mantém o blog SushiPOP temos a oportunidade de saber mais sobre os bastidores daquela webtira e sobre seu criador. Nagado publicou nesta segunda-feira uma entrevista com o ilustrador responsável pelo cabeçalho deste blog com muitas informações sobre o processo criativo de Meu Monarca Favorito e sobre a visão de mundo de Tiburcio. Seleciono duas perguntas e respostas que têm bastante a ver com o espírito retrô do steampunk. A íntegra pode ser lida aqui.

Quando e como surgiu a ideia da série Meu Monarca Favorito?

Olha, foi no Twitter. Como disse, já ilustrei diversos livros infantojuvenis e um deles, que acredito não chegou a ser publicado, tratava da proclamação da república. Na época – e isso tem tempo – a pesquisa feita para compor as ilustrações foi muito interessante. Deu para perceber uma série de nuances do episódio que não são muito claras nos livros escolares.

Bem, um dia estou ali, tweetando, e o Laudo comunica que trabalhava em um quadrinho sobre a proclamação. Eu fiquei entusiasmadíssimo, enviei a ele até meus desenhos, pois conhecia o tema, e eis que ele me diz que sua história se passava toda na cidade de São Paulo. E eu entendi que ela era contada do prisma paulista. Entendi isso. E fiquei a pensar se poderia fazer diferente disso.


Na minha opinião, a figura de D. Pedro II é muito pouco reverenciada, aliás todo o II reinado assim o é. Ele é vinculado à escravatura,  à Guerra do Paraguai, ao atraso e “n” qualidades pouco lisonjeiras. Mas não é só isso. Eu moro no RJ e passei toda a minha infância e adolescência passando em frente ao Paço Imperial, que fica na Praça XV aqui no Rio, e só vim a saber que aquele prédio que abrigava uma agência dos Correios era o palácio do Imperador quando foi reformado e transformado em Centro Cultural nos anos 80.

Pouco se falava do II Reinado na escola e isso vim a perceber – coloco isso como uma opinião minha – porque desde a proclamação da República não havia o interesse de se falar bem do antigo regime. Isso se cristalizou em atitudes que nunca procuravam ver o lado bom desse período.
Daí que resolvi aproveitar que detinha algum conhecimento histórico e apreciava a figura e criar o Monarca, que é D. Pedro II sem ser D. Pedro II, pois ele é ficcional – de outra forma eu não poderia tomar as liberdades que tomo, como inventar a Liga Imperial de Football - mas é positivo e friso que nessa webcomic o Monarca é o herói. Os vilões são os conspiradores.  E sob essa ótica e salientando que é uma ficção, eu vou tocando a HQ, e procuro sempre dar uma pincelada em temas relevantes da nossa sociedade.  

Além do resgate histórico da figura de D. Pedro II, você também pretende mostrar com sua série uma visão positiva da monarquia enquanto sistema de governo? Como você se define politicamente? 

Eu não sou monarquista. Se o fosse faria uma HQ sobre D. Pedro II mesmo, à vera. O que eu entendo é que tivemos um Imperador super gente boa e que ninguém sabe disso por causa de anos de abandono desse tema. Acredito que o Monarca possa gerar um debate e suscitar ao brasileiro à pesquisa sobre esse passado recente – a meu ver – e o esclarecimento, a dualidade de opiniões, ah!, ele era bom por causa disso, mas tem isso, nisso ele não era bom, mas todos os presidentes não foram assim?

Não compreendo por que parecemos não ter no nosso passado nada que não seja vergonhoso ou criticável. Só o futebol escapa disso, mas nós somos mais do que isso, senão não estaríamos aqui. O Brasil não seria um país continental se tivéssemos tido governos tão ruins como se tenta passar historicamente. O monarca visa uma reflexão e um olhar positivo sobre a nossa história, sobre a nossa sociedade, sobre o que fomos e podemos ser. Não se trata de uma visão positiva do sistema monárquico, mas sim de uma visão positiva do passado monárquico que todos temos. Não são os argentinos que vão valorizar nosso passado monárquico, isso tem de partir de nós mesmos. Auto Estima Histórica.