3.7.10

Steampunk e história alternativa

Alguns posts atrás, utilizei um texto de Ana Cristina Rodrigues para fazer a associação entre Steampunk e fantasia histórica, defendendo que o subgênero pode ser combinado a outros elementos da literatura fantástica além da ficção científica. Neste sábado, em sua coluna no site Terra Magazine, Roberto de Sousa Causo faz uma referência a outro subgênero da FC como sendo uma das possibilidades ligadas à cultura literária steamer. O colunista e escritor estava se referindo à história alternativa uma vez que a pauta da coluna era a crítica a um dos clássicos absolutos da área: Complô contra a América, do americano Philip Roth. À certa altura, Causo se refere a primeira coletânea steamer brasileira, da qual é um dos contistas:

História alternativa é o subgênero da ficção científica que imagina o que aconteceria se a História como a conhecemos tivesse tomado um caminho diferente. Esse subgênero primeiro aparece no Brasil em 1989, com a novela de José J. Veiga, A Casca da Serpente, que trata de uma segunda comunidade fundada por Antonio Conselheiro, depois do Massacre de Canudos. Mas é com o escritor carioca Gerson Lodi-Ribeiro, cuja noveleta "A Ética da Traição" (1993) é considerada um clássico da história alternativa nacional, que esse enfoque passa a criar raízes mais fortes.


Em fins de 2009, Lodi-Ribeiro publicou o seu primeiro romance dentro dessa linha: Xochiquetzal: Uma Princesa Asteca entre os Incas, lançado pela Editora Draco e resenhado aqui em 13 de fevereiro de 2010. Esse parece ser apenas o título brasileiro mais visível de um novo momento da história alternativa no Brasil. A onda steampunk - iniciada com a antologia Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário (Tarja Editorial) ano passado - também se comunica com a história alternativa, e há uma nova antologia steampunk prometida para breve, Vaporpunk, organizada pelo próprio Lodi-Ribeiro para a Draco. Além disso, a Tarja também está produzindo aquela que deverá ser a primeira antologia dedicada ao subgênero. E eu incluo o meu Selva Brasil, lançado este ano pela Draco, neste momento da história alternativa brasileira.

Em termos de traduções, tivemos os recentes Associação Judaica de Polícia, de Michael Chabon, resenhado aqui em 28 de fevereiro de 2009 - e até mesmo Anno Dracula, de Kim Newman, livro lançado pela Aleph em que narra como o vampiro Drácula teria ascendido ao poder no Reino Unido. A Aleph também relançou em 2006 o clássico de Philip K. Dick O Homem do Castelo Alto (1962), com tradução de Fábio Fernandes (que também resenhamos aqui, em 16 de dezembro de 2006)

Nesse quadro de crescimento da história alternativa no país, seria interessante dar uma olhada num dos seus melhores exemplos dos últimos anos: Complô contra a América, de Philip Roth, vencedor do Prêmio Sidewise para melhor romance de história alternativa. Continua.
Os interessados em aprofundar o debate sobre as ligações entre steampunk e história alternativa contam com uma obra de referência em português e ao alcance de um clique do seu mouse. Ensaios de história alternativa  é o nome do livro, ou melhor, do ebook, de autoria de um dos escritores citados naquela coluna: Gerson Lodi-Ribeiro. Compilação de textos escritos pelo carioca para o fanzine Megalon, o material é o mais completo disponível no Brasil a respeio de HA e conta com um capítulo dedicado ao subgênero steampunk. Nele, Ribeiro se vale dos verbetes da Encyclopedia of Science Fiction, de John Clute e Peter Nicholls para estabelecer as ligações possíveis entre as duas vertentes da literatura fantástica e, como bônus, ainda analisa algumas obras steamers que, de fato, também podem ser consideradas histórias alternativas. Uma delas que deve ser lançada ainda este ano no Brasil.

O melhor de tudo é que tal obra pode ser lida por todos gratuitamente. Ensaios de história alternativa está disponível para ser baixado gratuitamente e de modo legal pelo site da Scarium neste endereço. É a minha dica de leitura para este final de semana pós-Copa do Mundo.

2.7.10

Mais espaço para a literatura steampunk

 Já está virando uma autêntica chuva no molhado elogiar o pessoal da Loja da Paraíba do Conselho Steampunk neste blog, mas existem motivos para tanto. Depois da criação de uma comunidade steamer no Skoob e da divulgação do prêmio Locus para três obras do gênero, os paraibanos inauguram uma nova seção em seu site para dar ainda mais destaque à parte literária desta cultura. "Literatura a vapor" é o nome do espaço que pretende resenhar periodicamente obras steampunk, ou ao menos com influência no estilo, sejam nacionais ou estrangeiras. Em sua primeira edição, os títulos escolhidos foram The alchemy of stone, de Ekaterina Sedia, e o clássico Vinte mil léguas submarinas, de Jules Verne. As resenhas podem ser lidas aqui e estou conversando com Bruno Carvalho Melo para republicar por lá críticas feitas para este blog.

27.6.10

Mangá australiano é publicado no Brasil

Entre um gol hermano e outro, da partida entre México e Argentina, fiquei sabendo desta interessante novidade pelo blog de Alexandre Lancaster, um dos contistas de Steampunk - Histórias de um passado extraordinário e um dos maiores especialistas brasileiros nos quadrinhos à moda japonesa. A NewPop vai publicar no Brasil Hollow Fields, um mangá feito por uma autora australiana e com influência steampunk - entre elas, de um livro já resenhado por aqui - como podemos ver nos trechos abaixo:



Mas a chegada de Hollow Fields, da australiana Madeleine Rosca (publicada originalmente pela editora americana Seven Seas), por mais modesta que possa parecer, é importante. Estamos falando da chegada do primeiro time do mangá não-japonês no Brasil – e de uma obra premiada com o reconhecimento do Ministério do Exterior Japonês, através do prêmio Shorei de Excelência para os melhores mangás ao redor do mundo. A série, visualmente influenciada pelo subgênero Steampunk da Ficção Científica, se passa em época e lugar indistintos e conta a história de uma menina chamada Lucy Snow, que por mero acidente, acaba se matriculando na escola que batiza a série – um colégio de cientistas loucos (ou, mais formalmente, "Academia para os Academicamente Superdotados e Eticamente Ilimitados!"), no qual você não apenas pode acabar sendo morto pelo próprio trabalho de aula, mas é sujeito a uma regra cruel: uma vez a cada semana, o aluno com desempenho mais baixo é enviado para detenção em um local conhecido como "o moinho" – de onde ninguém voltou.

É importante apontar que Rosca toma menos como referência outros mangás do que a literatura infanto-juvenil de autores como Lemony Snicket (Desventuras em Série) e Eoin Colfer (Artemis Fowl, Aviador) – e talvez tenha sido este o seu maior trunfo. Ele não é um material de nicho, pelo contrário: é um vislumbre do que o mangá feito fora do Japão pode oferecer no futuro – não a autofagia referencial nem a nostalgia por um Japão aonde o autor jamais viveu, mas um diálogo com as referências próprias da cultura pop que o autor vive (podemos dizer o mesmo de um produto completamente diferente: o Scott Pilgrim de Brian Lee O'Malley). E é esse tipo de abordagem que tem mais chance de ganhar mundo ao longo do tempo. Não foi a toa que no fim das contas, Hollow Fields teve o reconhecimento oficial dos Japoneses. Continua.

Locus premia obras steamers

A Locus Magazine dispensa apresentações, por ser talvez a mais importante revista sobre ficção científica do mundo. Foi nela também que, no final da década de 80, surgiu pela primeira vez o próprio termo steampunk, o que a liga d emodo especial a esse subgênero. A revista também deu origem a uma premiação muito importante para a FC mundial e, este ano, boa parte dos agraciados com o Locus Award são legitimamente produtos steampunkers. Quem chamou a atenção para o fato foi novamente uma das Lojas mais ativas do Conselho Steampunk, a da Paraíba.

Gabriela Barbosa, a bib's, e Bruno Melo, fizeram um post a respeito da premiação concedida aos romances Boneshaker (Melhor Obra de Ficção Científica), Leviathan (Melhor Obra de Ficção Infanto-Juvenil) e The Windup Girl (Melhor Obra de Estreia). Lembrando que o primeiro livro já foi citado neste blog, em uma chamada sobre a resenha feita por Cristina Alves, vou deixá-los abaixo com o início do texto sobre o Locus Award e a tradução feita pela dupla brasileira para a sinopse do romance premiado, torcendo para que as editoras brasileiras apostem na publicação de material como esse em nosso país.


O Locus Award é um prêmio voltado para os gêneros de ficção científica e fantasia. Oriundo da Locus Magazine, revista estadunidense publicada mensalmente desde 1968, foi a partir de 1971 que possibilitou aos seus leitores que votassem nas publicações que considerassem as melhores do ano. A priori surgiu como um vislumbre do Hugo Award*, tomando proporções para que se constituísse como um prêmio em si, ganhando força suficiente para continuar até hoje.

O Locus Award premia pelas seguintes categorias: romance (comumente dividida em ficção científica, fantasia, infanto-juvenil e obra de estréia), contos, antologia, não-ficção, livro de arte, editor, revista, artista.

Atualmente, os vencedores são anunciados num banquete anual que oficializa a entrega dos certificados.

Já foi anunciado o resultado deste ano de 2010, com a presença de obras do gênero steampunk. Como não podia deixar de ser, traremos aqui breves sinopses das obras vencedoras, que mostram que não é só aqui que 2010 será o Ano do Vapor.


Boneshaker
(Lançado em Outubro de 2009 pela editora Tor Books, vencedor do Locus para Melhor Obra de Ficção Científica)


Sinopse: Durante os primórdios da Guerra Civil Americana, rumores sobre a existência de filões de ouro nos vales congelados do Klondike levou hordas de interesseiros ao Noroeste Americano, dando início à corrida do ouro. Ansiosos por tirar proveito das riquezas do lugar, exploradores Russos financiaram o cientista Leviticus Blue, para que ele criasse uma supermáquina capaz de garimpar através das grossas camadas de gelo do Alaska. E assim nasceu o Incredible Bone-Shaking Drill Engine do Dr. Blue, máquina que dá nome ao livro.

Porém, algo saiu terrivelmente errado durante o primeiro teste do Boneshaker, que destruiu vários quarteirões do centro de Seattle e escavou uma veia subterrânea do gás Blight, transformando qualquer um que o inalasse em um morto-vivo sedento por carne humana.

A história se passa dezesseis anos depois, e um enorme muro de concreto foi construído nos arredores para aprisionar o gás e os escombros de uma cidade devastada. Do lado de fora do muro vive a viúva do Dr. Blue, Briar Wilkes. A vida tem sido bastante difícil com uma reputação arruinada e um filho adolescente para criar, mas ela e Ezekiel têm levado como podem. Até que Ezekiel embarca em uma crusada secreta para reescrever a história.

Sua aventura o levará além do muro e dentro de uma cidade burbulhando com mortos-vivos vorazes, piratas dos céus, governantes criminosos e refugiados altamente armados. Apenas Briar pode trazer seu filho de volta com vida. Continua.

Steampunk e fantasia histórica

Na maioria das vezes, steampunk é descrito sucintamente como um subgênero da ficção científica. Porém, como tentei esclarecer na entrevista que dei ao site Contos Fantásticos outros elementos podem entrar em jogo:

Steampunk não necessariamente tem que ser uma história alternativa, nem tem que ser FC. O subgênero parte da premissa de que haja uma tecnologia retrofuturista, que pode ou não ser movida a vapor, em uma ambientação que seja inspirada no século XIX de nosso mundo. Mas não tem que ser necessariamente o nosso mundo, o século XIX, ou FC. Vou dar um exemplo: a animação Avatar que logo deve chegar ao cinema dirigida por M. Night Shyamalan com o nome de Last airbender, para não se confundir com o Titanic 2, do James Cameron. Aquela é uma obra de fantasia de segundo mundo – ou seja, que se passa em um lugar que não é o nosso planeta, apesar de muito inspirado nele, no lado oriental, para ser preciso. No desenho e provavelmente no filme veremos tecnologia retrofuturista da Nação do Fogo que, em minha opinião, é claramente um elemento steampunk. Mesmo assim, não se pode dizer que seja história alternativa, nem FC, certo?

Então, steampunk é um ingrediente, um modelo de ambientação, mas que pode ser usado em outros gêneros do fantástico que não seja a ficção científica, nem que tenha a ver com uma alteração na história real de nosso mundo, caracterizando uma HA. Você pode ter uma história de horror ambientada em outra dimensão e ela ser, mesmo assim, steampunk, desde que haja nela esse elemento de um futuro do pretérito contido na narrativa. Claro que, outros autores, críticos e afins, podem dar uma visão diferente, fazendo questão que a trama seja ambientada em cenário vitoriano legítimo, para merecer o carimbo steamer. Não é meu caso, mas respeito quem pense assim.

Um outro exemplo, além do que citei, de obras que misturam fantasia com ambientação steamer pode ser o da trilogia Fronteiras do Universo, de Philip Pullman, cujo primeiro livro, A Bússola Dourada, foi adaptado para o cinema. Sendo assim, a mistura do elemento fantástico com a estética típica steampunk tornaria a obra em questão um exemplar da chamada fantasia histórica. E eu chamo a atenção para um texto de Ana Cristina Rodrigues que levanta importantes questões e dá dicas de como se escrever dentro de tal gênero.

Tendo formação em História e sendo um dos nomes mais conhecidos da ficção especulativa brasileira, ela é a pessoa mais indicada para falar sobre o tema. O gancho para aquele texto foi a apresentação de um conto seu chamado "Maria e a fada" para uma coletânea já comentada aqui, o terceiro volume da Imaginários, que, como vimos, também vai trazer uma história steampunk, de Douglas MCT. Não é o caso do de Ana Cristina, ambientado na Idade Média, sua especialidade como pesquisadora, contudo as dicas certamente podem ser muito úteis a quem queira se aventurar a misturar magia e vapor. Seguem as quatro primeiras dicas da escritora e historiadora, abaixo da capa do livro, a ser lançado em breve, pela editora Draco:


1- Escolha bem o seu plot para evitar anacronismos. É muito comum, por exemplo, ao querer trabalhar com bruxaria escolher falar da Inquisição na Idade Média. A Inquisição Medieval é muito mais preocupada com a caça aos hereges como os albigenses do que com bruxas e feiticeiras.

2- Após definir o periodo e o local em que sua história vai se passar, é hora de aprofundar a pesquisa. Você pode pensar que jogar no google e ler a wikipedia por alto pode ser suficiente, porém o diabo mora nos detalhes e em ficção histórica os detalhes são os que dão a atmosfera. Caça às bruxas, por exemplo, é muito mais forte nos países protestantes do que nos católicos.

3- Essa questão dos detalhes é importantíssima ao se escrever ficção histórica, sendo fantasia ou não. Mais do que veracidade, o ponto é a verossimilhança – o seu leitor tem que identificar o período histórico sendo retratado.

4- Equilibre as informações que você está compartilhando, sabe como é chato ler ‘Senhor dos Aneis’ quando o Tolkien começa a despejar nomes de reis, batalhas e etc.? Não é por serem reis, batalhas e etc. reais que fica legal. Se duvidar é até mais chato, fica com cara de livro paradidático oficial. Continua

24.6.10

Mais carvão na caldeira

Um novo espaço para os fãs do steampunk: por inciativa de um membro da Loja da Paraíba foi criada uma comunidade na rede social literária Skoob dedicada ao subgênero. Um post de nossa comentarista mais frequente, a bib's, deu a notícia por lá:

O Skoob é uma rede social que vem crescendo muito nos últimos meses. Uma espécie de orkut literário, o Skoob oferece um espaço para você dizer o que está lendo, o que leu e o que quer ler, assim como os livros que possui, os que deseja e os que quer trocar.

E como toda rede social que se preze, no Skoob você pode fazer novos amigos, que tenham um gosto por livros semelhante com o seu. Além disso, você ainda tem a possibilidade de fazer resenhas sobre os livros, e cadastrá-los, caso não os encontre já registrados no Skoob.

Semelhante às comunidades no orkut, no Skoob os usuários podem fazer grupos dos mais variados possíveis. E um de nossos confrades, o Bruno Melo, recém chegado à Loja PB, providenciou um grupo específico para Steampunk. Já estamos cadastrando livros e autores. Não obstante, também é possível criar tópicos de discussão no grupo.


E entre os livros já presentes naquela comunidade, está a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário com duas resenhas já feitas.

22.6.10

Sobre o RPGCON 2010

Fico sabendo pelo site da Loja São Paulo do Conselho Steampunk que o subgênero movido a vapor vai ter bastante gente envolvida no maior evento nacional dedicado aos jogos de representação. Em 2009, membros do Conselho foram convidados a participar da primeira edição do encontro, que reuniu em torno de 2.800 pessoas na capital paulista para jogar, conhecer e debater o universo do RPG e dos cardgames. Para este ano, a previsão é que o segundo RPGCON, que está marcado para os dias 3 e 4 de julho, no Colégio Notre Dame, no bairro do Sumaré, tenha um público até 40% maior. A programação ligada ao steampunk promete responder à altura, com vários convidados de peso, todos já citados por aqui ao menos uma vez, como podemos ver abaixo:


13h00 às 14h00 – Sábado – Mini auditório – debate aberto:
Literatura Fantástica e Ficção Científica, com enfoque no Gênero Steampunk.

Estarão presentes:

Cristina Lasaitis – Autora do livro Fabulas do Tempo e da Eternidade, e co-autora nas coletâneas Visões de São Paulo, FC do B, Scarium, e Paradigmas.

Douglas MCT - Autor do livro Necropolis e roteirista do Mangá Steampunk Hansel & Gretel (que sairá em breve)

Eric Novello – Autor dos romances Dante, o Guardião, e Histórias da Noite Carioca, e participante da antologia Luso-Brasileira Vaporpunk.

Gianpaolo Celli - Editor da Tarja, co-autor e organizador das coletâneas Histórias de Vampiros, Histórias de Fantasmas, Histórias de Bruxaria e da coletânea Steampunk – Histórias de um passado extraordinário.

José Roberto Vieira – Co-Autor na coletânea Anno Domini, criador dos cenários de RPG Éride e Taenarum, e autor do Romance de Fantasia Steampunk O Baronato de Shoah.

Richard Diegues - Editor da Tarja, e co-autor/organizador das coletâneas Histórias de Vampiros, Histórias de Fantasmas, e Histórias de Bruxaria.

16h00 às 17h30 – Sábado – Sala de Atividade 1 – Mesa de RPG com Castelo Falkenstein.

10h00 às 11h00 – Domingo – Sala de Atividades - Workshop de customização de itens SteamPunks utilizando material reciclado como restos de couro e sucata em geral.

10h00 às 12h30 – Domingo – Sala de Live A- Live Action Steampunk com o grupo MegaCorp.
O Principe Albert é um visionário de sua época. Casado com a Rainha Vitória, ele usa de seu tempo livre em prol da tecnologia. Porém algo terrível esta por acontecer que pode desequilibrar a balança do mundo. Venha participar do mais recente live-action da MegaCorp em parceria com o Conselho Steampunk. Aceita iniciantes: sim. Sistema próprio (Sigrel). 30 vagas

Data e Local

* Dias 3 e 4 de julho de 2010
* Colégio Notre Dame; Rua Alegrete, 168 (próximo ao Metrô Sumaré)

Ingressos:

* Venda Promocional Antecipada na d3store: R$ 10,00 cada ingresso online, até 29/06/2010
* Venda Antecipada: Consulte os pontos de venda em rpgcon.com.br
* Bilheteria (no dia do evento): Inteira R$ 20,00; Estudante R$ 10,00
Para mais detalhes, leia aqui.

21.6.10

A Melhor Coletânea do ano

Foi divulgado ontem com exclusividade pelo blog Criando Testrálios em seu perfil no Twitter o resultado do Prêmio Melhores do Ano, organizado por Ana Cristina Rodrigues. Havia anunciado o início da premiação neste blog no dia primeiro de março. Depois de completada a apuração, numa complexa avaliação que previa a contagem de votos dados por uma comunidade no orkut, nos comentários de um blog e por email, o livro Steampunk - Histórias de um passado extraordinário foi escolhido como a Melhor Coletânea do ano. Outra premiação ligada à obra foi na categoria Melhor Conto, na qual "Uma vida possível atrás das barricadas", de Jacques Barcia, empatou com "O mapa para a terra das fadas", de Ana Cristina Rodrigues.

Muito orgulhoso de ter participado desse livro duplamente premiado, reproduzo a seguir a lista completa dos agraciados, conforme apurada pelo CT neste post:



Romance: Kaori, de Giulia Moon
Antologia: Anacrônicas, de Ana Cristina Rodrigues
Coletânea: Steampunk - Histórias de um passado extraordinário
Conto: "O mapa para a terra das fadas", de Ana Cristina Rodrigues e "Uma vida possível atrás das barricadas", de Jacques Barcia
Não-Ficção: Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica de 2008
Revista: Scarium
E-book: Empadas e morte, de M. D. Amado
E-zine: Black Rocket
Site de Contos: Estronho e Esquésito
Site Informativo: Fantastik e Homem Nerd
Colunista/Resenhista: Eric Novello
Editor: Ademir Pascale
Editora: Draco
Capa: Metamorfose

Encerro o post com as mesmas palavras daquele onde falei do início da premiação: "Parabenizar a incansável Ana Cristina por mais essa iniciativa para fomentar a literatura de gênero brasileira". E agradeço a todos os que votaram na coletânea Steampunk e em mim nas categorias em que concorri.

Upgrade: E o resultado repercutiu internacionalmente. Larry Nollen reproduziu a lista acima em seu blog, lembrando que resenhou a coletânea Steampunk anteriormente.

20.6.10

Football no Império

Já que o Brasil resolveu finalmente estrear em seu segundo jogo na Copa do Mundo, podemos falar um pouco de futebol por aqui? Ou melhor, "football". Tiburcio começou uma nova fase em sua webtira Meu Monarca Favorito em que o Império enfrentará em breve uma disputa do esporte bretão com um país vizinho e rival histórico: a República da Esborávia.


(Fiquei curioso em relação àquela outra república vizinha, a que leva o nome de Verne).

Além das tiras e do mapa acima, o ilustrador já fez posts extras com as bandeiras e os hinos nacionais dos dois contendores. Deverá ser uma partida épica esta que vem se anunciando, talvez ainda mais interessante que a final da Copa real.



Tudo muito a ver com o clima que vivemos nos últimos dias, com três partidas diárias transmitidas lá da África. E vale lembrar que o futebol chegou ao Brasil no século XIX mesmo, pelos pés de Charles Miller (1874 -1953), no ano de 1895, quando se disputou o primeiro jogo no país, no bairro paulistano do Brás - não à toa, um dos homenageados naquele mapa lá de cima. Fica a dica das atualizações semanais no blog do Monarca.

Aproveitando a deixa, já que estou falando do trabalho de Tiburcio: recebi dele uma segunda ilustração para aquele conto steampunk parcialmente publicado neste blog. Já encaminhei o texto e os dois desenhos para a publicação em um novo espaço dedicado à cultura steamer brasileira. Assim que tiver mais detalhes, aviso por aqui. Bom futebol para todo mundo!

Tarja Editorial Mais Cultura

A editora da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário fechou uma parceria com a rede de livrarias Cultura. Vários dos livros do catálogo da Tarja Editorial agora fazem parte do programa Mais Cultura o que garante duas vantagens aos leitores: um preço mais baixo para cada uma das obras e a entrega mais rápida dos produtos comprados. No caso da coletânea steamer, por exemplo, o preço baixou de R$ 39 para R$ 31,20 e a livraria garante o envio de um volume em até um dia útil, para quem usar cartão de crédito. Seguem o link para a promoção e algumas das obras que fazem parte dessa parceria. Boas compras!

Steampunk  2009
VARIOS AUTORES /
TARJA EDITORIAL

LITERATURA BRASILEIRA - FICÇÃO CIENTÍFICA


Preço R$ 39,00
+cultura R$ 31,20   • participe        





Dias Da Peste, Os   2009
FERNANDES, FABIO
TARJA EDITORIAL

LITERATURA BRASILEIRA - FICÇÃO CIENTÍFICA

Preço R$ 32,00  
+cultura R$ 25,60   • participe    
            


Fabulas Do Tempo E Da Eternidade 2010
LASAITIS, CRISTINA
TARJA EDITORIAL

LITERATURA BRASILEIRA - CONTOS E CRÔNICAS

Preço R$ 32,00 
+cultura R$ 25,60   • participe

Fc Do B - Ficçao Cientifica Brasileira 2009
VARIOS AUTORES
TARJA EDITORIAL

LITERATURA BRASILEIRA - FICÇÃO CIENTÍFICA


Preço R$ 32,00  
+cultura R$ 25,60   • participe   

 


19.6.10

Sobre piqueniques vitorianos

Quem está se mobilizando para organizar o encontro vitoriano de Florianópolis, comentado no post de ontem, é Mme. Mean, que também mantem um blog chamado Sombria Elegância. Simpatizei com o espaço logo pela proposta que aparece abaixo do título: "Moda & Cultura Alternativa. Sem frescura". Nobilíssima proposta.

E é daquele endereço que eu tirei duas amostras para publicar por aqui. A primeira, logo abaixo, é a linda imagem do convite para o evento de 7 de agosto. A segunda, que vem a seguir, é uma pesquisa a respeito da história e da etiqueta dos convescotes da Era Vitoriana. Publico os dois primeiros parágrafos, a íntegra do material pode ser lida .



O que hoje o imaginário coletivo tem com idéia de piquenique é um conceito que evoluiu no Ocidente desde a Idade Média. Podemos encontrar a origem dele nos banquetes que se organizavam em torno das grandes caçadas da nobreza feudal. Nesses eventos serviam-se apresuntados, carnes de vários preparos (lembrando que a carne, especialmente de caça, era por si só um “artigo de luxo alimentar” na Europa Medieval) e várias iguarias à base de massa recheada e frita, doces e salgadas, chamadas genericamente de pastéis. Em sua essência, a idéia de piequenic se resume a uma refeição ao ar livre, geralmente no campo ou em alguma paisagem agradável que lembre o campo, em que se desfruta de boa companhia, boa comida e divertimentos variados. Podemos encontrar traços disso ao longo do Renascimento e me arrisco e dizer que até mesmo nas tradicionais garden parties (festas de jardim) do século XVIII. Mas foi no século XIX mesmo que a coisa tomou a proporção que povoa o nosso imaginário. E agradeçam àquela senhora rechonchuda que todos nós conhecemos: se os piqueniques já eram comuns na Inglaterra, tornaram-se um verdadeira febre durante a Era Vitoriana graças à predileção da Rainha por eles.


Há uma segunda teoria que diz que, a exemplo do que acontecera durante o reinado de Luis XIV na França (1643-1715), as regras de etiqueta para jantares, chás e banquetes haviam se tornado tão complicadas e extenuantes que os piqueniques eram uma espécie de “quebra” ou de “alívio”, uma válvula de escape mesmo. Uma outra leitura pode ver nos piqueniques, geralmente realizados em alguma propriedade rural ou em um parque bem arborizado, uma tendência escapista. Lembremos que a Era Vitoriana corresponde ao boom da Revolução Industrial, do crescimento urbano acelerado e sem planejamento e do êxodo rural, o que resultava basicamente em cidades caóticas (mas não tanto quanto as nossas) e com uma profunda desigualdade social. As descrições de Londres no período não são nada lisonjeiras… Desse modo, podemos tentar compreender este boom dos piqueniques como uma forma de relaxar longe dessa loucura toda. Eles tinham piqueniques – nós temos shoppings e hotéis fazendas como “oásis” no meio do caos. Continua.

18.6.10

Encontro vitoriano em Florianópolis

Neste blog já tive a oportunidade de comentar convescotes inspirados na Era Vitoriana que mobilizaram fãs do steampunk em Curitiba e em São Paulo. Agora, tenho o prazer de anunciar um encontro do gênero que vai acontecer aqui, em Florianópolis. Está marcado para o dia 7 de agosto, a partir das 14h. O local dificilmente poderia ser mais adequado: o Horto Florestal do Córrego Grande, essa beleza que pode ser vista abaixo e que fica bem próxima da Universidade Federal de Santa Catarina. O período histórico que vai inspirar o encontro será o da Restauração à Primeira Guerra Mundial (1815-1914) e iniciativa conta com uma comunidade no Orkut para os interessados tirarem dúvidas e confirmarem a presença.

17.6.10

Vai ter sandalpunk em Brinquedos Mortais

Falei sobre uma coletânea chamada Brinquedos Mortais no dia 7 de janeiro neste blog, como podemos relembrar abaixo:

Quando anunciaram, no início de dezembro, a chamada para a próxima coletânea temática da editora Draco, aparentemente os organizadores iriam deixar de fora o subgênero steampunk, pois estava estabelecido: "O tema será 'Brinquedos do futuro' e o título do livro Brinquedos mortais".

Porém, no fórum do orkut da editora, Tibor Moricz, que escolherá o material com Saint-Clair Stockler, deu mais detalhes, esclarecendo que os autores podem mirar também no passado e não apenas no porvir: "Excessão feita a quem quiser escrever uma história no subgênero Steampunk ou dieselpunk. Nesse caso, aceitaremos qualquer coisa passada em época vitoriana".

Portanto, oficialmente, há mais uma oportunidade aberta para quem desejar escrever algo nesse estilo. Boa sorte aos vitorianos alternativos.



Nem steampunk, nem dieselpunk, mas haverá pelo menos um conto sandalpunk. Explicando: se o steampunk mira o período Vitoriano e o dieselpunk a primeira metade do século XX; o sandalpunk pensa em tecnologias avançadas no período da Antiguidade Clássica, ali entre o século VIII a.C. e a queda do Império Romano em V d.C. Já mencionei o termo por aqui ao apresentar uma versão em inglês para o meu conto "A diabólica comédia", que, na verdade, não chega a ser sandalpunk pela falta de uma retrotecnologia, está mais para... hmmm, sandal & sorcery. Mas, para a coletânea que deverá ser lançada em breve, o escritor Carlos Orsi preparou um material que aparentemente é um exemplar legítimo dessa derivação do subgênero steampunk. Uma das bases para o conto é um personagem real, Heron de Alexandria (10 d.C. - 70 d.C.), um sábio grego que chegou perto de provocar uma revolução em seu tempo. Vou deixá-los com as palavras do próprio escritor, que apresenta uma sinopse de seu trabalho.

O título é "Festa de Todos os Deuses", e gira em torno do funcionamento de um panteão ao estilo dos que havia no Período Helenístico e inspirado nos templos de Alexandria que, segundo a tradição, Heron "envenenava" mecanicamente, com portas que se abriam sozinhas quando as pessoas pisavam na soleira, etc.

O protagonista, Hieron de Zenária, é um personagem que criei muitos anos atrás para protagonizar uma série mezzo fantasia/mezzo sandalpunk. Seria um tipo de "Conan, o Cientista", um filósofo/mago/engenheiro viajando pela minha versão particular de mundo de fantasia -- mais puxado pra Era Hiboriana que pra Terra Média -- e vendendo seus serviços.

A série, claro, nunca se materializou -- creio que cheguei a produzir duas histórias com ele; uma delas, a novela "Flores no Jardim de Balaur", saiu numa edição especial do fanzine Juvenatrix e também ficou um bom tempo online numa das antigas versões do sitre do CLFC, mas acho que hoje em dia não dá mais para encontrá-la em parte alguma.