4.5.10

O lado fashion do gênero

Acabo de perceber o destaque que um blog ligado a moda e a novas mídias deu para as tendências steampunk no mundo das grifes. Publicada pelo editor do Bling Media, Mario Lima Cavalcanti, a matéria dá uma boa contextualizada no tema, chamando a atenção para que se trata de uma vertente da ficção científica, e ainda remete a outros links interessantes para quem quiser se aprofundar no assunto. Abaixo, vou transcrever o trecho final de "A estética do steampunk presente na moda" que pode ser lida integralmente por quem clicar aqui.

Chegamos na moda. A estética do steampunk já vem há um bom tempo influenciando e sendo explorada por diversos segmentos, entre eles o techie e o fashion (não só em termos de vestimentas, como também de joias e demais acessórios). A Fantasy Magazine montou um Top 10 de dispositivos steampunk, que inclui um laptop de madeira com aparência clássica, e o site Gizmodo possui uma lista de posts sobre o assunto. No caso da moda, é comum a combinação de vestimentas retrô, inspiradas na Era Vitoriana, com elementos visuais de hoje em dia, como piercings, tatuagens, correntes, tinturas capilares de cores chamativas e peças de roupas contemporâneas (jeans, padronagens de bolinhas etc.), criando um, digamos, visual punk bem antigo, podendo também beirar o terror, o andrógino e o gótico. Alguns looks steampunk podem ser vistos aqui. O Flickr possui um grupo que reúne fotos de pessoas com trajes steampunk.


Reprodução / Steampunk-pics.com

Para quem gosta de estética e ambientações, tenham em mente que entre os elementos que mais se destacam no universo visual e conceitual do steampunk estão madeira, metal, força vapor, engrenagens, eletricidade, pressurizadores e mecânica. Por fim, para mais informações, vale visitar o site Steampunk-Pics.

3.5.10

O último grande aventureiro

Os posts recentes sobre o artista plástico Sillof, este e aquele, fizeram com que eu me lembrasse de qual foi a primeira vez que o citei por aqui: foi na minha gigantesca – eu assumo – resenha de Gotham by Gaslight. A citação se deu porque ele criou uma série de bonecos articulados da Liga da Justiça baseados naquele álbum ilustrado por Mike Mignola. E por sua vez, isso me recordou também de algo que deixei escrito naquela crítica, ao comentar justamente o trabalho do desenhista americano. Escrevi o seguinte, na ocasião:

Seria fácil dizer que seu estilo é único e inimitável, mas a verdade é que desde a primeira vez que o percebi, passada aquela fase nada chamativa de Tropa Alfa, eu o comparo com um quadrinista nacional, mas isso fica para uma próxima resenha.

Como eu não gosto de deixar pontas soltas, mesmo sabendo que ninguém ia se dar conta disso e com uns três meses de atraso, deixem-me dizer sobre o que eu me referia. Ou melhor, sobre quem: Flavio Barbosa Mavignier Colin (1930-2002), um dos maiores artistas que os quadrinhos e a publicidade brasileira, para dizer o mínimo, já conheceram. Tudo aquilo que elogiei em Mignola posso repetir em relação a esse carioca. “Esteta da arte gráfica”? Sim, sem dúvida. “Traço marcante, sólido, conciso, minimalista”? Podem apostar. “Tão minimalista que imaginar um painel seu subtraído de uma única linha é imaginar um desenho incompleto”, foi o que eu escrevi sobre o criador de Hellboy, é o que afirmo também a respeito do homem que quadrinizou a primeira série da TV brasileira, “O Vigilante Rodoviário”. “Hoje, a arte de Mignola dispensa assinatura, um leitor habitual do gênero reconhece sua composição sóbria, a estilizacão dos personagens, a arquitetura urbana bem delineada, o traço firme e sem meios tons que cria uma atmosfera entre o suspense e o horror seja lá onde ela aparecer”. Vale o mesmo para a arte de Flavio Colin.

É possível exemplificar o trabalho desse mestre com seu último quadrinho publicado e premiado em vida: Fawcett, uma graphic novel dedicada ao homem que pode ser considerado o último dos vitorianos. Roteirizada pelo então novato André Diniz – outro carioca que começou logo com editora própria, a Nona Arte, pela qual lançou aquele álbum e outros trabalhos memoráveis, como 31 de Fevereiro –, a HQ rendeu a Colin o troféu Angelo Agostini de melhor desenhista de 2001, ano anterior ao de sua morte. A história conta uma versão ficcional da última grande aventura de Percy Harrison Fawcett (1867-1925), na sua segunda exploração pela floresta Amazônica. Diniz fez um roteiro enxuto, quase tão econômico quanto a arte de seu ilustrador convidado, focado nos últimos momentos do Coronel Fawcett, imaginando o encontro dele com índios amazônicos. O trabalho lembra bastante o fumetto Martin Mystèry, não apenas pela temática arqueológica, mas também por um elemento fantástico. O roteirista inclui em sua trama um objeto mítico: a estatueta de basalto que o explorador teria ganho de presente de um conterrâneo, o escritor H. Rider Haggard (1856-1925), autor de As minas do rei Salomão. Vou citar um trecho do material de apoio presente no álbum com palavras do próprio coronel:

Existe uma propriedade particular nessa imagem de pedra, e todos podem senti-la ao tocar a mão. Estranhamente, uma corrente elétrica atravessa o braço da gente, causando um choque tão forte que muitas pessoas a largam de imediato. Acredito sinceramente que ela veio de uma das cidade perdidas. Quando descobrir os significados existentes nela, descobrirei também o caminho para chegar no lugar de onde se originou.

Quem conhece o personagem dos quadrinhos italianos pode concordar comigo na semelhança entre tal objeto, supostamente real, e a arma de raios paralisantes da ficção. André Diniz usou bem esse elemento e todo o mistério que cerca o desaparecimento de seu protagonista e com isso abriu espaço para Flavio Colin fazer o que sabia tão bem. Neste derradeiro trabalho, a estilização dele estava apuradíssima. A arte bem delineada, com poucos e precisos riscos; a técnica de sombreamento com picotes, tão característica do artista, funciona como assinatura; o cenário consegue ser exuberante e simples ao mesmo tempo, bem como os personagens, que parecem ter saído de um software de vetorização. Ou, para ser justo, os softwares de vetorização é que parecem ter sido inspirados no tipo de ilustração que esse carioca fazia décadas antes de eles terem sido desenvolvidos. Naquela que deve ter sido sua última entrevista, logo após ter ganho o troféu por Fawcett, Colin falou ao Universo HQ sobre sua carreira e comentou o estilo aprimorado em décadas de prancheta:

Eu não rabisco muitas coisas. Uso muito contraste, mas procuro sintetizar, fazer a coisa simples. Talvez seja por isso que dizem que eu sou moderno, eu estilizo, às vezes meio caricato. Por exemplo, eu acho que se você for desenhar um bandidão, ele tem que ter no traço, na figura, alguma coisa truculenta, que o leitor olhe e diga 'Esse aí é o bandido; e não o mocinho'.

Mas a simplicidade é muito difícil, porque é muito mais fácil colocar do que tirar. Agora, eu digo o seguinte, a base tem que ter estudo, tem que ser acadêmica. Meu esboço é quase acadêmico, a estilização é feita depois. Você não pode partir direto para o cartum, e eu vejo muito disso, principalmente, em fanzines. Mas o cartunista sabe que tem que ter essa base de anatomia. Estilizar direto é muito difícil e o desenho não fica completo.
No mesmo site, podemos encontrar um depoimento do roteirista André Diniz sobre aquela premiada parceria que houve entre os dois. O texto se encerra assim:

Costumo dizer, meio amargamente, que esta é a vantagem de fazer parte de um meio tão desprestigiado quanto os quadrinhos: é como se eu estreasse a minha primeira peça de teatro tendo Paulo Autran como protagonista. E, falando francamente, justo seria se Colin simplesmente não tivesse tempo para desenhar Fawcett, devido a compromissos com outras editoras brasileiras e estrangeiras.

Mas as editoras nacionais não o procuravam, pois faltava ainda um ingrediente para que suas histórias fossem vendáveis: ele estar morto. Agora, vão pipocar lançamentos com o nome de Colin.

Por tudo isso eu identifico tanto a obra de Flavio Colin com o trabalho de Mike Mignola. E o álbum Fawcett, com suas 50 páginas, é um ótimo ponto de partida para estabelecer as comparações e conhecer, ou rever, o traço desse artista, exarcebadamente nacionalista, que dizia detestar o Batman, entre outros super-heróis importados dos EUA. Mas, contraditório, apontava entre suas maiores influências americanos como Alex Raymond (1909-1956), o criador de Flash Gordon, e Chester Gould, de Dick Tracy.Vale ainda mais por ter sido um dos últimos trabalhos lançados com a assinatura dele – que teve material publicado postumamente, obras que não conseguiu ver editadas em vida, exatamente como previu Diniz no texto citado acima –, pela proximidade da temática com o assunto deste blog e ainda por ser possível encontrá-lo para baixar gratuitamente, e com a autorização de André Diniz, na internet. Neste endereço, por exemplo. Para quem ainda não teve o prazer, é uma chance de ser apresentado a um grande quadrinista que o mundo perdeu em 2002 e que o Brasil não soube valorizar o tanto que merecia, com todas as suas idiossincrasias. Assim como o P. H. Fawcett retratado por ele, Colin foi um dos últimos grandes aventureiros, no caso, um explorador dessa selva que são os quadrinhos nacionais.

2.5.10

Man of Iron: Stark movido a vapor

 Ainda não fui ver o segundo filme da cinessérie Homem de Ferro, se tudo der certo, devo fazer isso só na quarta-feira. Mas para não deixar de falar do personagem do momento, vou relembrar aqui uma postagem antiga do já citado - quando comentei sobre aquela versão nipônica de Star Wars - e sempre recomendado Blog de Brinquedo. Em 2008, no post "Iron Man em versão steampunk", Dado Ellis apresentou outra das criações de um grande artista da customização de bonecos:



Sillof faz incríveis versões Steampunk customizadas de super-heróis e personagens de filmes, como as figuras Star Wars Steampunk que já mostramos aqui no Blog de Brinquedo.

Entre suas criações está a linha The Victorian Avengers, incluindo toques do Oeste Americano em 1800, com uma versão Steampunk muito maneira do Homem de Ferro!

A história do “Man of Iron“ segundo Sillof é: “O imperialista e barão do aço, Anthony Edward Stark, foi feito prisioneiro durante a “Mexican American War” (guerra entre o México e os Estados Unidos). Instruído a construir uma arma à vapor para seus captores, ele constrói na verdade uma armadura e escapa. A armadura tem um visual industrial com lançador de chamas e detalhes rebitados”.
Pronto, não deixei passar o hype do momento e ainda tive o prazer de rever essa maravilha esculpida por Sillof. Vejam, abaixo, mais detalhes da armadura movida a vapor do Man of Iron (basta clicar na imagem para ampliá-la):


Uma última dica: vale muito a pena conferir outras matérias do Blog de Brinquedo com produtos de inspiração steampunk. Além de outras genialidades de Sillof - como o restante dos Victorian Avengers, ou as versões dele para a Liga Extraordinária, de Alan Moore, e para os personagens de Duna, de Frank Herbert - há muita coisa da Lego e ainda um tabuleiro de xadrez cujas peças foram feitas artesanalmente com partes recicladas de carros. Um belo passeio para o domingão pós-feriado.

1.5.10

Destaque no Beyond Victoriana

Aquela nova postagem de Bruce Sterling sobre o Brazilian Steampunk, noticiada por aqui, repercutiu na página Beyond Victoriana, um site dedicado a oferecer "Uma perspectiva multicultural sobre o steampunk". A hostess da casa já havia sido citada neste blog, em dezembro passado, quando publiquei a nota abaixo:

E o interesse despertado no exterior pela produção steampunk nacional é mesmo intenso, mais uma vez demonstrando que existe uma ressonância crescente entre o que se faz aqui e o que é visto lá fora. Um outro exemplo prático disso, além das citações à coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, é a entrevista que um dos fundadores do Conselho Steampunk, Bruno Accioly (que por sinal, também já falou a este blog) concedeu à coluna Beyond Victoriana, de Ay-leen, the Peacemaker, no final de novembro. Como eu estava viajando para São Paulo nesta ocasião, só pude ler agora o material, mas deixo o registro de uma conversa que vale muito a pena ser conhecida por todos os entusiastas brasileiros do steampunk. 
Agora, Ay-leen voltou ao tema para comentar a nova mensagem enviada por Bruno Accioly a Mr. Sterling e relembrar a entrevista que fez com o brasileiro. Neste endereço vocês podem ler seu comentário - assim como outros sobre o mundo steam existente além do universo vitoriano - e ainda conferir a foto abaixo, uma pose de membros do Conselho Steampunk para a posteridade. 

30.4.10

Imagem: psicologia e design

Outro cúmplice dos tempos de O Malaco e Marca Diabo entrou em contato comigo: Ramiro Pissetti, que agora virou um sujeito sério e é professor da Faculdade da Serra Gaúcha. Como tal, ele é editor de uma revista acadêmica chamada Imagem. No blog da publicação ela é definida assim:


Revista Imagem é um projeto multimídia desenvolvido de forma transdiciplinar pelos cursos de Design e Psicologia da Faculdade da Serra Gaúcha. Produzida por professores, estudantes e colaboradores, a publicação é direcionada a teóricos, pesquisadores e interessados pelos conhecimentos difundidos no universo do ensino superior de graduação e pós-graduação.

Como o próprio título indica, a proposta central do projeto é debater os mais amplos sentidos do termo, bem como suas distintas abordagens em diferentes campos do saber. Para tanto, não serão desconsideradas perspectivas por vezes conflitantes, como a representação pelo desenho manual, a captura por dispositivos digitais, a edição eletrônica, a transmissão via satélite, a projeção na retina e a recriação pela mente humana, a transformação em reflexo, símbolo ou mito. A discussão está aberta.

A primeira edição pode ser acessada aqui tanto para leitura on-line quanto para baixá-la em pdf. Mas para este blog, o que interessa é que na próxima edição de Imagem haverá um artigo sobre steampunk de minha autoria. Na verdade, será a versão atualizada de um texto que já publiquei no Cidade Phantástica e no Overmundo. Portanto, se alguém souber de algum projeto ligado ao gênero em produção, que eu ainda não tenha noticiado por aqui, deixe um comentário neste post que tentarei incluir no texto final.

29.4.10

Tempo e eternidade

Se lançar um livro no Brasil já é um feito, alcançar uma segunda edição é algo ainda maior. E se a obra em questão é ligada à ficção científica, então, isso já é quase um milagre. Este é o caso da antologia de contos Fábulas do tempo e eternidade, da paulistana Cristina Lasaitis, título lançado em meados de 2008 pela Tarja Editorial e que agora vai ganhar sua segunda tiragem. E com um belo banho de loja, já que a nova capa é bem mais bonita que a primeira e a editora garante que a encadernação também é superior - este foi o grande problema da edição original, assim como ocorreu com outros livros de formato de bolso daquela casa editorial que também é responsável pela coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário.

Como o livro em questão é muito bom mas não é ligado ao gênero tratado aqui, precisei de alguma desculpa para poder tocar no assunto. Consegui isso ao relembrar de um texto antigo da escritora para seu blog no qual ele apresentava a seus leitores os vários subgêneros da FC. Como o steampunk está entre eles, esta abertura fica a título de introdução aos trechos que reproduzo abaixo.

E o que é ficção científica, afinal?
É um gênero muito rico, que engloba vários subgêneros, comportando obras tão diferentes entre si que muita gente nem suspeita se tratar de FC. Costumam designa-la também como ficção especulativa, porque sua função é especular sobre realidades diferentes e explorar novos universos de possibilidades. É a ficção do: “como seria se…?”, e sobre essa pergunta, os autores constroem universos inteiros dentro de uma complexidade própria, abordando aspectos científicos, políticos, tecnológicos e culturais; partindo de premissas que nos conduzem a reflexões por horizontes além dos limites do convencional. E é aí que reside o grande valor da ficção científica: ela exercita a criatividade, a imaginação, o raciocínio, o poder de abstração e a flexibilidade de pensamento. São habilidades exploradas pela literatura como um todo, mas que florescem de forma especial quando a ficção extrapola as fronteiras do cotidiano.

A ficção científica pode ser fatiada em vários subgêneros, que não são absolutos. Muitas obras não podem ser classificadas dentro de uma vertente ou outra, por reunirem características de vários subgêneros. Farei um resumo das principais vanguardas da FC, mas entenda que as fronteiras que separam uma e outra são tênues, algumas fizeram sentido em momentos específicos da literatura, outras são divisões tão virtuais quanto as dos times de futebol. (...)


Steampunk
Amostra de um futuro que jamais houve

Um dia William Gibson (o mesmo autor de Neuromancer) acordou com um bug nas idéias, se reuniu com Bruce Sterling e juntos eles decidiram desenterrar o projeto da máquina diferencial de Charles Babbage (que se tivesse funcionado teria se tornado o primeiro computador da história, isso em… 1822!), puseram-na para funcionar sob forças fictícias e criaram um desvio na história, situando a revolução da informática um século antes que ela realmente acontecesse. O resultado foi The Difference Engine, outro romance que chegou para abalar a FC com estilo.

Imagine você que maravilha o mundo computadorizado batendo cartões em máquinas a vapor, os céus tomados por zeppelins movidos por piloto automático e a Rainha Vitória atravessando os oceanos com os submarinos da Nautilus Rapinante Ltda. Sim, isso mais parece Júlio Verne recauchutado, com engrenagens de ouro e rococós barrocos. O steampunk – punk a vapor – é a tendência que veio explorar o progresso científico que o passado poderia ter vivido e que jamais aconteceu. A premissa sempre é fundamentada em um ponto crítico da história, gerando um desvio para uma revolução tecnológica bem-sucedida.

Nos quadrinhos, o gênero foi muito bem explorado por Alan Moore em A Liga Extraordinária (cuja adaptação cinematográfica deixa a desejar). E mais recentemente, o filme A Bússola de Ouro traz uma linda amostra dos devaneios estéticos do steampunk.

Na verdade, o punk a vapor é um gênero pouco ou nada funcional, mas com um apelo estético fortíssimo, retro-futurista e quase parnasiano. Em outras palavras: “essa engenhoca do vovô não serve pra nada, mas é tão bonitinha, tão legal, tão bacana…!!”

Competicão de design steampunk

Estão lembrados daquele computador vitoriano que postei por aqui recentemente? O responsável por aquele projeto, Bruce Rosenbaum, e outros fomentadores da cultura steamer estão promovendo um concurso para escolher e premiar os melhores projetos de design steampunk, do qual artistas brasileiros podem participar. Promovido por Charles River Museum of Industry & Innovation, ModVic, LLCSteampuffin e Brute Force Studios, a primeira competição anual Steampunk Form & Function Design aceita trabalhos entregues até o dia 5 de setembro deste ano. A premiação prevê US$ 1.000 para o primeiro lugar, US$ 500 para o segundo, US$ 250 para o terceiro e US$ 100 para a menção honrosa e a escolha do público, além da exibição dos produtos em um museu americano. As regras do concurso podem ser lidas neste endereço. Fica a torcida deste blog pela participação de algum conterrâneo nosso neste evento.

28.4.10

Vai ter vapor na Virada

Assunto deste milissegundo no Twitter, a Virada Cultural de 2010 vai acontecer por toda São Paulo entre os dias 15 e 16 de maio. A programação prevê um espaço privilegiado para a cultura nerd, concentrada na Praça Roosevelt. Como pode ser visto abaixo, os steampunkers estarão presentes. Para mais detalhes, o site do evento.


Grande encontro do cenário multi-facetado de infinitas dimensões e tendencias do universo nerd. Uma vez o mundo dominado, é hora de festejar.
Independance Day – Editores Independentes de Hqs.
Pintura e Exposição de Toy Art
Parada Estelar
Parada dos Universos Mágicos
Parada dos Monstros
Parada Cosplay
Praça Pentagonal

18h00 - Animação do Palco Cosplay
18h30 - Banda Olam Ein Sof
19h00 - Mesas de Rpg e Jogos de Tabuleiro
20h00 - Apresentação Livre Medieval
21h00 - Apresentação Livre Cosplay
21h45 - Ecos do Silêncio – Instituto Lohan
22h00 - Batalha de Sabres de Luz: Equipe Blades
00h00 - Live Action de Vampiro: a Máscara
07h00 - Palco Cosplay Brasil
10h00 - Apresentação Conselho Steampunk
11h00 - Teatro Cosplay
12h00 - Apresentação Livre Cosplay
13h00 - Apresentação Livre Medieval
14h00 - Banda Olam Ein Sof
15h00 - Teatro Cosplay
16h00 - Banda Agente Smith
17h00 - Banda Gaijin Sentai
18h00 - Encerramento da Dimensão Nerd
Vão da Praça Roosevelt

18h00 - Abertura dos Stands Tematicos
Chegada das Paradas Cosplay, Monstros, Universos Mágicos e Estelar
19h30 - Jam Session com a Banda Gaijin Sentai
22h00 - Inicio das Atividades dos Fãs Clubes
22h30 - Maratona Sci-Fi na Virada
23h00 - Apresentação do Conselho Branco
00h00 - Desfile de Fantasias
01h00 - Apresentação Grupo Hednir
02h00 - Apresentação do Grupo Graal
03h00 - Batalha Campal: Grupo Alliance e Grupo EBM
04h00 - Batalha de Sabres de Luz: Equipe Blades
05h00 - Apresentação Grupo Hednir
06h00 - Batalha Campal Geral de Eva
07h00 - Mesas de Rpg e Jogos de Tabuleiro
08h00 - Batalha Campal: Grupo Alliance e Grupo EBM
09h00 – Apresentação Grupo Hednir
10h00 - Atividade Jornada Nas Estrelas
11h00 - Desfile Star Wars
13h00 - Batalha Campal Geral de Eva
14h00 - Desfile de Fantasias
15h00 - Apresentação Confraria das Ideias
Estacionamento

18h00 - Abertura das Exposições 24H – Estudio Melies – Estúdio Hard Replics – Mythos Editora – Devir Livraria – Editora JBC
18h00 - Demonstração de Jogos de Tabuleiro
18h00 - Abertura da Arena de Games
23h00 - Discotecagem Sci-Fi, Cartoon e Anime
08h00 - Exibição de Filmes Medievais

O Santo Guerreiro e o Dragão Steampunk

Uma conversa no Twitter entre vários escritores rendeu um insight e tanto a Eric Novello. Mais que isso, talvez tenha nascido daquele papo uma proposta de padroeiro para a literatura fantástica. Ele fez um resumo da situação em seu bem nutrido site.


São Jorge é um dos poucos santos que consegue conquistar a simpatia de um público mais amplo, indo além das fronteiras da igreja. É padroeiro de Portugal, Inglaterra, Catalunha (Corinthians não vale!), e tem um séquito considerável de devotos no Brasil, com direito a sincretismo Afro-católico que o associa a Ogum.  Superação de santo de lado, o encanto desse legionário romano no imaginário coletivo se deve mesmo à história romântica em que ele salva uma princesa das garras de um dragão (e faz o reino inteiro se converter ao cristianismo depois, é verdade, mas vamos liberá-lo dessa parte). Foi assim que ele foi parar em quadros e esculturas do mundo inteiro. São Jorge não quer saber de conversa. Pega sua armadura, cavalo e lança, fere o dragão e se manda com a princesa. Não me cabe aqui discutir a origem da história. Tem gente com mais conhecimento e mais Wikipedia do que eu para isso, mas arrasto minha asa para o mito do herói grego Belerofonte. Mais estiloso do que São Jorge, Belerofonte montou em um Pégaso. Em compensação, matou uma Quimera e não um dragão, então considero empate técnico.

Isso tudo para dizer que no dia 23 de abril, dia de São Jorge, rolou um papo entre autores de literatura fantástica no twitter e não teve como não fazer a associação. Um paladino que vai de cavalo até a lua para matar um dragão? Só pode ser o padroeiro da literatura fantástica. Como choveu bastante, também chegamos a conclusão de que São Pedro é o padroeiro da literatura do cotidiano (mainstream). É claro que foi uma escolha informal, feita por um grupo de amigos, mas… por que não? Dia 23 de abril passa a ser o dia da literatura fantástica e de seu padroeiro matador de dragões.

Com a nova onda da literatura steampunk lá fora e bons autores se aproximando do gênero também no Brasil, imaginei logo um dragão steampunk,  cuspindo fogo e deixando escapar vapor pelas narinas de metal. Não consigo pensar em criaturas mais steam do que  os dragões. Esse aí do lado, super atual, é do Kerem Beyit, um artista turco igual a São Jorge (se você se lembra da música de Jorge Ben, Jorge é da Capadócia, hoje parte da Turquia) que conta com vários desenhos de fantasia no currículo e mais uma penca de prêmios. O site oficial faz a alegria de qualquer jogador de RPG, mas enlouquece qualquer um com uma conexão mais lenta, então aconselho uma visita direta ao devianART dele.
Continue a leitura e confira a imagem que Novello escolheu para representar o padroeiro da literatura fantástica e do steampunk.

Aula de História 2

Em julho do ano passado, logo após o lançamento da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, fiz uma chamada aqui para um texto que chamei de verdadeira aula sobre o gênero, ou, mais precisamente, escrevi isso:

Ana Cristina Rodrigues, historiadora, escritora e fomentadora cultural da literatura fantástica nacional, deu uma verdadeira aula sobre o que chamou - com razão - de "novo hype da Ficção Especulativa brasileira", no caso o gênero abordado nesta casa, o Steampunk. No blog Ficção Científica e Afins, que vem a ser uma versão Wordpress da maior comunidade em português de FC, da qual ela é a atual dona e há tempos moderadora, Ana destrinchou o contexto por trás desta "novidade", que já tem um quarto de século se considerarmos apenas sua vertente mais bem acabada, apontou várias obras em diferentes mídias que seguem o estilo steamer e relacionou tudo com a realidade do Brasil.

 Volto a chamar a atenção para outro texto da moça, desta vez sobre o subgênero da FC - ou um gênero à parte, a depender do analista - chamado História Alternativa. É uma aula magna sobre o assunto. Ela volta a tocar no steampunk em certa altura, mas mesmo se não o fizesse, indicaria o artigo aqui. Abaixo segue o tal trecho, mas a íntegra deve ser lida aqui:

O movimento steampunk em várias obras se aproxima da História Alternativa, como no livro seminal do gênero The difference engine de Bruce Sterling e William Gibson. Porém, de modo geral podemos dizer que nesse movimento a estética do vapor é mais importante do que estabelecer as mudanças a partir de um ponto de convergência em relação a nossa Linha Temporal.

27.4.10

Há muito tempo, numa ilha muito distante...

 Vocês já ouviram falar em Sillof? O homem é um artista, um mestre na customização de bonecos. Ou seja, ele pega aquelas action figures industrializadas de personagens de filmes, quadrinhos ou animações e as recria, dando uma especial atenção a transportá-las no espaço e no tempo, dando origem a novas criações com alma steampunk. Graças a uma matéria no excelente Blog de Brinquedo fiquei sabendo que ele atacou novamente. Desta vez, o artista apresentou uma versão de Star Wars em pleno Japão feudal. Leiam abaixo trechos do texto de Dado Ellis e vejam como ficou a transformação de algumas das criaturas de George Lucas:

Como seriam as personagens de Star Wars se o filme fosse passado no tempo dos Samurais?


Sillof, o mestre da customização steampunk, responde essa pergunta com uma coleção de action figures inspiradas no filme Sutâ wôzu: Aratanaru kibou (Star Wars: A New Hope), com as principais personagens da saga no Japão feudal, como Samurais.

Sillof teceu uma história por trás das figuras, envolvendo fotografias de um filme antigo achadas em Yokahama. As fotos, de 1955, são do início das filmagens de Sutâ wôzu: Aratanaru kibou (Star Wars: A New Hope), um filme dirigido por Akira Kurosawa com grande elenco, que acabou cancelado devido a um acidente no set.

26.4.10

Steampunkers em evento de RPG

Realizado em Curitiba no último final de semana, o World RPG reuniu fãs desses jogos de interpretação e, entre eles, parece ter chamado a atenção a presença de representantes locais do Conselho Steampunk. No blog do evento, um post apresentou aos participantes as diretrizes da Loja Paraná:

O Conselho SteamPunk PR objetiva discutir, escrever, inspirar, valorizar e divulgar informações a respeito do movimento Steampunk que vem crescendo no Mundo e também no Brasil.

A inspiração para isso tudo veio da imaginação humana, possivelmente influenciada pelos contos de Julio Verne e H. G. Wells. Obras inspiradas em universos paralelos onde a tecnologia mecânica a vapor desenvolveu-se levando a humanidade a outros caminhos, alguns inclusive singrando sistemas estelares longínquos.

O estilo vitoriano ou Western lembrando tecnologia a vapor como em um mundo paralelo é uma nova forma de escrever ficção científica. Como se não bastassem os contos cibervaporianos agora está surgindo a moda Steampunk.
Outro flagrante, este com direito a fotos, se deu no site Liga Nerd que fez a pergunta: "Você sabe o que é steampunk?" As respostas da colaboradora que assina como Beatrix Kiddo está parcialmente abaixo:

Rodando pelo World RPG Fest as lentes da minha câmera encontraram o pessoal do movimento Steampunk no Paraná. O figurino, muito peculiar, remonta há muito tempo, mas nesse planetinha aqui mesmo. Carlos Machado, conhecido como Capitão Escarlate, me contou que a idéia do steam é despertar valores antigos, como o apreço da leitura e o hábito de visitar museus. "Queremos ser uma lembrança de coisas esquecidas porque, se uma sociedade quer ter um futuro bacana, tem que valorizar seu passado e seu presente também", disse.



O Steampunk é um subgênero da ficção científica que define um universo paralelo, onde a humanidade teria evoluido antes, mas com os recursos disponíveis a época. Ou seja, seria mais ou menos como se a literatura de Julio Verne tivesse acordado um dia e, com preguiça de andar pelas prateleiras da imaginação explodisse sobre a realidade. Um mundo onde carros, aviões, robôs, armas e outras engenhocas seriam desenvolividos com a tecnologia mecânica a vapor depois de terem enchido ela de espinafre do Popeye. Surgido do cyberpunk ,o steampunk flertou com as distopias, principalmente dos gêneros noir e ficção pulp onde as histórias eram ambientadas em épocas passadas mas mantinham a tradição da atitude punk. Com o tempo o steam se aproximou das utopias dos romances de ficção científica do século XIX.

Damas do Vapor 2

Vejamos agora algumas das participantes que já estão concorrendo ao concurso SteamGirls promovido pelo Conselho Steampunk em parceria com OutraCoisa e dotWeb. As fotos e as informações sobre as candidatas estão disponíveis no site criado especialmente para divulgar o projeto.


Lady Jesse é SteamPlayer, faz parte da Sociedade Lewis Carroll do Brasil e é membro do Conselho SteamPunk.


Jezebelly Trenare é praticante de SteamPlay e enfeita os eventos do Conselho SteamPunk sempre que pode com seus trajes ricamente trabalhados e cheios de detalhes.


Joanna Oliveira tem 22 anos, é Steamer, SteamPlayer, dona de um blog sobre Teoria Musical e responsável pela Loja Rio Grande do Sul do Conselho SteamPunk.