30.4.10

Imagem: psicologia e design

Outro cúmplice dos tempos de O Malaco e Marca Diabo entrou em contato comigo: Ramiro Pissetti, que agora virou um sujeito sério e é professor da Faculdade da Serra Gaúcha. Como tal, ele é editor de uma revista acadêmica chamada Imagem. No blog da publicação ela é definida assim:


Revista Imagem é um projeto multimídia desenvolvido de forma transdiciplinar pelos cursos de Design e Psicologia da Faculdade da Serra Gaúcha. Produzida por professores, estudantes e colaboradores, a publicação é direcionada a teóricos, pesquisadores e interessados pelos conhecimentos difundidos no universo do ensino superior de graduação e pós-graduação.

Como o próprio título indica, a proposta central do projeto é debater os mais amplos sentidos do termo, bem como suas distintas abordagens em diferentes campos do saber. Para tanto, não serão desconsideradas perspectivas por vezes conflitantes, como a representação pelo desenho manual, a captura por dispositivos digitais, a edição eletrônica, a transmissão via satélite, a projeção na retina e a recriação pela mente humana, a transformação em reflexo, símbolo ou mito. A discussão está aberta.

A primeira edição pode ser acessada aqui tanto para leitura on-line quanto para baixá-la em pdf. Mas para este blog, o que interessa é que na próxima edição de Imagem haverá um artigo sobre steampunk de minha autoria. Na verdade, será a versão atualizada de um texto que já publiquei no Cidade Phantástica e no Overmundo. Portanto, se alguém souber de algum projeto ligado ao gênero em produção, que eu ainda não tenha noticiado por aqui, deixe um comentário neste post que tentarei incluir no texto final.

29.4.10

Tempo e eternidade

Se lançar um livro no Brasil já é um feito, alcançar uma segunda edição é algo ainda maior. E se a obra em questão é ligada à ficção científica, então, isso já é quase um milagre. Este é o caso da antologia de contos Fábulas do tempo e eternidade, da paulistana Cristina Lasaitis, título lançado em meados de 2008 pela Tarja Editorial e que agora vai ganhar sua segunda tiragem. E com um belo banho de loja, já que a nova capa é bem mais bonita que a primeira e a editora garante que a encadernação também é superior - este foi o grande problema da edição original, assim como ocorreu com outros livros de formato de bolso daquela casa editorial que também é responsável pela coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário.

Como o livro em questão é muito bom mas não é ligado ao gênero tratado aqui, precisei de alguma desculpa para poder tocar no assunto. Consegui isso ao relembrar de um texto antigo da escritora para seu blog no qual ele apresentava a seus leitores os vários subgêneros da FC. Como o steampunk está entre eles, esta abertura fica a título de introdução aos trechos que reproduzo abaixo.

E o que é ficção científica, afinal?
É um gênero muito rico, que engloba vários subgêneros, comportando obras tão diferentes entre si que muita gente nem suspeita se tratar de FC. Costumam designa-la também como ficção especulativa, porque sua função é especular sobre realidades diferentes e explorar novos universos de possibilidades. É a ficção do: “como seria se…?”, e sobre essa pergunta, os autores constroem universos inteiros dentro de uma complexidade própria, abordando aspectos científicos, políticos, tecnológicos e culturais; partindo de premissas que nos conduzem a reflexões por horizontes além dos limites do convencional. E é aí que reside o grande valor da ficção científica: ela exercita a criatividade, a imaginação, o raciocínio, o poder de abstração e a flexibilidade de pensamento. São habilidades exploradas pela literatura como um todo, mas que florescem de forma especial quando a ficção extrapola as fronteiras do cotidiano.

A ficção científica pode ser fatiada em vários subgêneros, que não são absolutos. Muitas obras não podem ser classificadas dentro de uma vertente ou outra, por reunirem características de vários subgêneros. Farei um resumo das principais vanguardas da FC, mas entenda que as fronteiras que separam uma e outra são tênues, algumas fizeram sentido em momentos específicos da literatura, outras são divisões tão virtuais quanto as dos times de futebol. (...)


Steampunk
Amostra de um futuro que jamais houve

Um dia William Gibson (o mesmo autor de Neuromancer) acordou com um bug nas idéias, se reuniu com Bruce Sterling e juntos eles decidiram desenterrar o projeto da máquina diferencial de Charles Babbage (que se tivesse funcionado teria se tornado o primeiro computador da história, isso em… 1822!), puseram-na para funcionar sob forças fictícias e criaram um desvio na história, situando a revolução da informática um século antes que ela realmente acontecesse. O resultado foi The Difference Engine, outro romance que chegou para abalar a FC com estilo.

Imagine você que maravilha o mundo computadorizado batendo cartões em máquinas a vapor, os céus tomados por zeppelins movidos por piloto automático e a Rainha Vitória atravessando os oceanos com os submarinos da Nautilus Rapinante Ltda. Sim, isso mais parece Júlio Verne recauchutado, com engrenagens de ouro e rococós barrocos. O steampunk – punk a vapor – é a tendência que veio explorar o progresso científico que o passado poderia ter vivido e que jamais aconteceu. A premissa sempre é fundamentada em um ponto crítico da história, gerando um desvio para uma revolução tecnológica bem-sucedida.

Nos quadrinhos, o gênero foi muito bem explorado por Alan Moore em A Liga Extraordinária (cuja adaptação cinematográfica deixa a desejar). E mais recentemente, o filme A Bússola de Ouro traz uma linda amostra dos devaneios estéticos do steampunk.

Na verdade, o punk a vapor é um gênero pouco ou nada funcional, mas com um apelo estético fortíssimo, retro-futurista e quase parnasiano. Em outras palavras: “essa engenhoca do vovô não serve pra nada, mas é tão bonitinha, tão legal, tão bacana…!!”

Competicão de design steampunk

Estão lembrados daquele computador vitoriano que postei por aqui recentemente? O responsável por aquele projeto, Bruce Rosenbaum, e outros fomentadores da cultura steamer estão promovendo um concurso para escolher e premiar os melhores projetos de design steampunk, do qual artistas brasileiros podem participar. Promovido por Charles River Museum of Industry & Innovation, ModVic, LLCSteampuffin e Brute Force Studios, a primeira competição anual Steampunk Form & Function Design aceita trabalhos entregues até o dia 5 de setembro deste ano. A premiação prevê US$ 1.000 para o primeiro lugar, US$ 500 para o segundo, US$ 250 para o terceiro e US$ 100 para a menção honrosa e a escolha do público, além da exibição dos produtos em um museu americano. As regras do concurso podem ser lidas neste endereço. Fica a torcida deste blog pela participação de algum conterrâneo nosso neste evento.

28.4.10

Vai ter vapor na Virada

Assunto deste milissegundo no Twitter, a Virada Cultural de 2010 vai acontecer por toda São Paulo entre os dias 15 e 16 de maio. A programação prevê um espaço privilegiado para a cultura nerd, concentrada na Praça Roosevelt. Como pode ser visto abaixo, os steampunkers estarão presentes. Para mais detalhes, o site do evento.


Grande encontro do cenário multi-facetado de infinitas dimensões e tendencias do universo nerd. Uma vez o mundo dominado, é hora de festejar.
Independance Day – Editores Independentes de Hqs.
Pintura e Exposição de Toy Art
Parada Estelar
Parada dos Universos Mágicos
Parada dos Monstros
Parada Cosplay
Praça Pentagonal

18h00 - Animação do Palco Cosplay
18h30 - Banda Olam Ein Sof
19h00 - Mesas de Rpg e Jogos de Tabuleiro
20h00 - Apresentação Livre Medieval
21h00 - Apresentação Livre Cosplay
21h45 - Ecos do Silêncio – Instituto Lohan
22h00 - Batalha de Sabres de Luz: Equipe Blades
00h00 - Live Action de Vampiro: a Máscara
07h00 - Palco Cosplay Brasil
10h00 - Apresentação Conselho Steampunk
11h00 - Teatro Cosplay
12h00 - Apresentação Livre Cosplay
13h00 - Apresentação Livre Medieval
14h00 - Banda Olam Ein Sof
15h00 - Teatro Cosplay
16h00 - Banda Agente Smith
17h00 - Banda Gaijin Sentai
18h00 - Encerramento da Dimensão Nerd
Vão da Praça Roosevelt

18h00 - Abertura dos Stands Tematicos
Chegada das Paradas Cosplay, Monstros, Universos Mágicos e Estelar
19h30 - Jam Session com a Banda Gaijin Sentai
22h00 - Inicio das Atividades dos Fãs Clubes
22h30 - Maratona Sci-Fi na Virada
23h00 - Apresentação do Conselho Branco
00h00 - Desfile de Fantasias
01h00 - Apresentação Grupo Hednir
02h00 - Apresentação do Grupo Graal
03h00 - Batalha Campal: Grupo Alliance e Grupo EBM
04h00 - Batalha de Sabres de Luz: Equipe Blades
05h00 - Apresentação Grupo Hednir
06h00 - Batalha Campal Geral de Eva
07h00 - Mesas de Rpg e Jogos de Tabuleiro
08h00 - Batalha Campal: Grupo Alliance e Grupo EBM
09h00 – Apresentação Grupo Hednir
10h00 - Atividade Jornada Nas Estrelas
11h00 - Desfile Star Wars
13h00 - Batalha Campal Geral de Eva
14h00 - Desfile de Fantasias
15h00 - Apresentação Confraria das Ideias
Estacionamento

18h00 - Abertura das Exposições 24H – Estudio Melies – Estúdio Hard Replics – Mythos Editora – Devir Livraria – Editora JBC
18h00 - Demonstração de Jogos de Tabuleiro
18h00 - Abertura da Arena de Games
23h00 - Discotecagem Sci-Fi, Cartoon e Anime
08h00 - Exibição de Filmes Medievais

O Santo Guerreiro e o Dragão Steampunk

Uma conversa no Twitter entre vários escritores rendeu um insight e tanto a Eric Novello. Mais que isso, talvez tenha nascido daquele papo uma proposta de padroeiro para a literatura fantástica. Ele fez um resumo da situação em seu bem nutrido site.


São Jorge é um dos poucos santos que consegue conquistar a simpatia de um público mais amplo, indo além das fronteiras da igreja. É padroeiro de Portugal, Inglaterra, Catalunha (Corinthians não vale!), e tem um séquito considerável de devotos no Brasil, com direito a sincretismo Afro-católico que o associa a Ogum.  Superação de santo de lado, o encanto desse legionário romano no imaginário coletivo se deve mesmo à história romântica em que ele salva uma princesa das garras de um dragão (e faz o reino inteiro se converter ao cristianismo depois, é verdade, mas vamos liberá-lo dessa parte). Foi assim que ele foi parar em quadros e esculturas do mundo inteiro. São Jorge não quer saber de conversa. Pega sua armadura, cavalo e lança, fere o dragão e se manda com a princesa. Não me cabe aqui discutir a origem da história. Tem gente com mais conhecimento e mais Wikipedia do que eu para isso, mas arrasto minha asa para o mito do herói grego Belerofonte. Mais estiloso do que São Jorge, Belerofonte montou em um Pégaso. Em compensação, matou uma Quimera e não um dragão, então considero empate técnico.

Isso tudo para dizer que no dia 23 de abril, dia de São Jorge, rolou um papo entre autores de literatura fantástica no twitter e não teve como não fazer a associação. Um paladino que vai de cavalo até a lua para matar um dragão? Só pode ser o padroeiro da literatura fantástica. Como choveu bastante, também chegamos a conclusão de que São Pedro é o padroeiro da literatura do cotidiano (mainstream). É claro que foi uma escolha informal, feita por um grupo de amigos, mas… por que não? Dia 23 de abril passa a ser o dia da literatura fantástica e de seu padroeiro matador de dragões.

Com a nova onda da literatura steampunk lá fora e bons autores se aproximando do gênero também no Brasil, imaginei logo um dragão steampunk,  cuspindo fogo e deixando escapar vapor pelas narinas de metal. Não consigo pensar em criaturas mais steam do que  os dragões. Esse aí do lado, super atual, é do Kerem Beyit, um artista turco igual a São Jorge (se você se lembra da música de Jorge Ben, Jorge é da Capadócia, hoje parte da Turquia) que conta com vários desenhos de fantasia no currículo e mais uma penca de prêmios. O site oficial faz a alegria de qualquer jogador de RPG, mas enlouquece qualquer um com uma conexão mais lenta, então aconselho uma visita direta ao devianART dele.
Continue a leitura e confira a imagem que Novello escolheu para representar o padroeiro da literatura fantástica e do steampunk.

Aula de História 2

Em julho do ano passado, logo após o lançamento da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, fiz uma chamada aqui para um texto que chamei de verdadeira aula sobre o gênero, ou, mais precisamente, escrevi isso:

Ana Cristina Rodrigues, historiadora, escritora e fomentadora cultural da literatura fantástica nacional, deu uma verdadeira aula sobre o que chamou - com razão - de "novo hype da Ficção Especulativa brasileira", no caso o gênero abordado nesta casa, o Steampunk. No blog Ficção Científica e Afins, que vem a ser uma versão Wordpress da maior comunidade em português de FC, da qual ela é a atual dona e há tempos moderadora, Ana destrinchou o contexto por trás desta "novidade", que já tem um quarto de século se considerarmos apenas sua vertente mais bem acabada, apontou várias obras em diferentes mídias que seguem o estilo steamer e relacionou tudo com a realidade do Brasil.

 Volto a chamar a atenção para outro texto da moça, desta vez sobre o subgênero da FC - ou um gênero à parte, a depender do analista - chamado História Alternativa. É uma aula magna sobre o assunto. Ela volta a tocar no steampunk em certa altura, mas mesmo se não o fizesse, indicaria o artigo aqui. Abaixo segue o tal trecho, mas a íntegra deve ser lida aqui:

O movimento steampunk em várias obras se aproxima da História Alternativa, como no livro seminal do gênero The difference engine de Bruce Sterling e William Gibson. Porém, de modo geral podemos dizer que nesse movimento a estética do vapor é mais importante do que estabelecer as mudanças a partir de um ponto de convergência em relação a nossa Linha Temporal.

27.4.10

Há muito tempo, numa ilha muito distante...

 Vocês já ouviram falar em Sillof? O homem é um artista, um mestre na customização de bonecos. Ou seja, ele pega aquelas action figures industrializadas de personagens de filmes, quadrinhos ou animações e as recria, dando uma especial atenção a transportá-las no espaço e no tempo, dando origem a novas criações com alma steampunk. Graças a uma matéria no excelente Blog de Brinquedo fiquei sabendo que ele atacou novamente. Desta vez, o artista apresentou uma versão de Star Wars em pleno Japão feudal. Leiam abaixo trechos do texto de Dado Ellis e vejam como ficou a transformação de algumas das criaturas de George Lucas:

Como seriam as personagens de Star Wars se o filme fosse passado no tempo dos Samurais?


Sillof, o mestre da customização steampunk, responde essa pergunta com uma coleção de action figures inspiradas no filme Sutâ wôzu: Aratanaru kibou (Star Wars: A New Hope), com as principais personagens da saga no Japão feudal, como Samurais.

Sillof teceu uma história por trás das figuras, envolvendo fotografias de um filme antigo achadas em Yokahama. As fotos, de 1955, são do início das filmagens de Sutâ wôzu: Aratanaru kibou (Star Wars: A New Hope), um filme dirigido por Akira Kurosawa com grande elenco, que acabou cancelado devido a um acidente no set.

26.4.10

Steampunkers em evento de RPG

Realizado em Curitiba no último final de semana, o World RPG reuniu fãs desses jogos de interpretação e, entre eles, parece ter chamado a atenção a presença de representantes locais do Conselho Steampunk. No blog do evento, um post apresentou aos participantes as diretrizes da Loja Paraná:

O Conselho SteamPunk PR objetiva discutir, escrever, inspirar, valorizar e divulgar informações a respeito do movimento Steampunk que vem crescendo no Mundo e também no Brasil.

A inspiração para isso tudo veio da imaginação humana, possivelmente influenciada pelos contos de Julio Verne e H. G. Wells. Obras inspiradas em universos paralelos onde a tecnologia mecânica a vapor desenvolveu-se levando a humanidade a outros caminhos, alguns inclusive singrando sistemas estelares longínquos.

O estilo vitoriano ou Western lembrando tecnologia a vapor como em um mundo paralelo é uma nova forma de escrever ficção científica. Como se não bastassem os contos cibervaporianos agora está surgindo a moda Steampunk.
Outro flagrante, este com direito a fotos, se deu no site Liga Nerd que fez a pergunta: "Você sabe o que é steampunk?" As respostas da colaboradora que assina como Beatrix Kiddo está parcialmente abaixo:

Rodando pelo World RPG Fest as lentes da minha câmera encontraram o pessoal do movimento Steampunk no Paraná. O figurino, muito peculiar, remonta há muito tempo, mas nesse planetinha aqui mesmo. Carlos Machado, conhecido como Capitão Escarlate, me contou que a idéia do steam é despertar valores antigos, como o apreço da leitura e o hábito de visitar museus. "Queremos ser uma lembrança de coisas esquecidas porque, se uma sociedade quer ter um futuro bacana, tem que valorizar seu passado e seu presente também", disse.



O Steampunk é um subgênero da ficção científica que define um universo paralelo, onde a humanidade teria evoluido antes, mas com os recursos disponíveis a época. Ou seja, seria mais ou menos como se a literatura de Julio Verne tivesse acordado um dia e, com preguiça de andar pelas prateleiras da imaginação explodisse sobre a realidade. Um mundo onde carros, aviões, robôs, armas e outras engenhocas seriam desenvolividos com a tecnologia mecânica a vapor depois de terem enchido ela de espinafre do Popeye. Surgido do cyberpunk ,o steampunk flertou com as distopias, principalmente dos gêneros noir e ficção pulp onde as histórias eram ambientadas em épocas passadas mas mantinham a tradição da atitude punk. Com o tempo o steam se aproximou das utopias dos romances de ficção científica do século XIX.

Damas do Vapor 2

Vejamos agora algumas das participantes que já estão concorrendo ao concurso SteamGirls promovido pelo Conselho Steampunk em parceria com OutraCoisa e dotWeb. As fotos e as informações sobre as candidatas estão disponíveis no site criado especialmente para divulgar o projeto.


Lady Jesse é SteamPlayer, faz parte da Sociedade Lewis Carroll do Brasil e é membro do Conselho SteamPunk.


Jezebelly Trenare é praticante de SteamPlay e enfeita os eventos do Conselho SteamPunk sempre que pode com seus trajes ricamente trabalhados e cheios de detalhes.


Joanna Oliveira tem 22 anos, é Steamer, SteamPlayer, dona de um blog sobre Teoria Musical e responsável pela Loja Rio Grande do Sul do Conselho SteamPunk.

Damas do Vapor

Nem bem comentei o fato de ele ter sido considerado o "porta-voz da subcultura steampunk brasileira" pela Steampunk Magazine, e já encontrei na rede outra entrevista de Bruno Accioly divulgando mais projetos de divulgação da cultura steamer. Desta vez foi uma entrevista que o empresário carioca concedeu ao site Cosplayers Net, dedicado às pessoas que se fantasiam de seus personagens favoritos dos quadrinhos, cinema, animações, games ou literatura. O tema da conversa conduzida por Ricardo Iagi foi o concurso promovido por Accioly e seus associados do Conselho Steampunk para incentivar uma maior participação feminina neste universo que recria o século XIX com tons fantásticos.

O projeto em pauta é o concurso SteamGirls, aberto a todas as interessadas em mostrar ao público seus trajes inspirados naquele período da História, com algum toque retrofuturista. Abaixo, segue um trecho da entrevista que levou o título "Cosplay com um toque histórico" e, no post seguinte, algumas das fotos já enviadas e publicadas no site criado para o concurso.

CN: Como surgiu a idéia para o concurso SteamGirls?
BA: A idéia surgiu do fato de que boa parte do Conselho SteamPunk regularmente se veste em trajes vitorianos e cultiva hábitos que alardeiam as virtudes atribuídas à época sem se permitir abraçar tudo aquilo em que a época falhava. Sob este aspecto o concurso é ao mesmo tempo uma homenagem a mulher, ao gênero e a uma visão utópica e nostálgica da Era Vitoriana. A iniciativa e patrocínio, contudo, vem do OutraCoisa.com.br e da dotWeb.com.br.

CN: Vocês esperam por um bom número de cosplayers desse estilo? Já estão recebendo fotos?
BA: O que ocorre é que o SteamPunk não é tão reconhecido como estilo no Brasil quanto é, digamos, na Alemanhã -, informação que temos por conta da parceria do Conselho com o www.ClockWorker.de, que já veio ao País duas vezes, representado por Johanna Sievers. Hoje temos oito candidatas inscritas e uma dezena de outras que vêm nos perguntando detalhes de como participar e como se vestir.

steampunk2.jpgCN: Vocês participam de eventos de animê e mangá?
BA: Estamos começando a estabelecer algumas parcerias e a aparecer nos lugares, seja a paisana seja em trajes vitorianos, mas ainda não participamos. Há interesse, sem dúvida, de nos aproximarmos da comunidade de cosplay, sobretudo por conta de haver já esta tradição, no Conselho SteamPunk, de aparecer por aí em roupas tão peculiares.

CN: Vocês realizam eventos próprios? Há datas específicas que possam ser divulgadas?
BA: Até por conta de ser mais conhecido em São Paulo, o movimento por aqui tem sido muito mais forte. Já houve dois eventos desde o início do ano e a Loja São Paulo vem divulgando-os em seus sites. Um evento está previsto para o dia 26 de julho e maiores detalhes vão poder ser encontrados nos sites do Conselho.

25.4.10

Por falar em Verne...

Octavio Aragão acaba de publicar em seu blog uma entrevista com um historiador português, aficcionado por ficção científica, que traçou um rápido panorama da situação daquele gênero literário no país onde reside há 36 anos e onde a FC nasceu, por mérito do sempre citado por aqui Jules Verne (1828-1905). Pedro Mota, criador do site La Porte des Mondes, deu especial atenção a certo subgênero, como Aragão destacou no título do seu post - "Steampunk em Paris: entrevista com Pedro Mota". Abaixo, seguem a abertura da entrevista e o trecho da conversa em que o especialista lusitano toca no assunto:


Pedro Mota é um historiador português que atualmente reside na França.

Graças a seus projetos editoriais e admiração pela Ficção Científica – especialmente o subgênero chamado “História Alternativa” – vem promovendo um intercâmbio bastante salutar e inédito entre autores de língua portuguesa e de origem francesa. (...)

O AVocê acredita que há a possibilidade do desenvolvimento de um mercado de literatura de FC de cunho mundial, fora do universo editorial anglófono?

P M – Sinceramente, creio que sim. Porque penso que pode haver outros modos de escrever FC, outras sensibilidades além daquela dos anglo-saxônicos. A pouco, tive uma conversa com a Sylvie Miller, onde ela me disse que a FC americana é, por vezes, demasiado maniqueísta e um tanto redutora. Enquanto que a FC espanhola ou lusófona aparece mais colorida e mais diversa.

Na França, os leitores puderam descobrir nestes últimos anos, autores alemães, espanhóis, italianos, cubanos, jamaicanos. Todos eles propõem visões e alternativas diferentes da FC anglo-saxônica. Não quero dizer que a FC não-anglosaxônica seja melhor, mas é diferente, e desenvolve outras maneiras de escrever temas clássicos como space-opera, hard-science, cyberpunk, steampunk e outros.

Pegamos, por exemplo, o steampunk, que conheço bem: a princípio, trata-se de uma nova corrente que se iniciou nos EUA e na Inglaterra, com os livros de Powers, Blaylock, Gibson e demais. Mas, por volta de 1995, reparamos que vários autores francos souberam recuperar esse tema e adaptá-lo ao público francês. Em vez de situar a ação em Londres dos finais do século XIX, transpuseram as suas historias à Paris, mas na mesma época, com personagens (verdadeiros ou imaginarios) bem conhecidos, como Arsène Lupin, Jules Verne, Vidocq etc... Acho que o steampunk “à francesa” não deve nada ao anglófono, e até pode interessar o público português, espanhol ou brasileiro. Mas será que esses públicos alguma vez ouviram falar desses livros? Julgo que não, e acho uma pena.

Ademais, a FC estrangeira pode contar histórias com temas bem diferentes dos habituais, temas usados na França, tal como "Eu matei Paolo Rossi", de Octavio Aragão. Nesse conto, um dos pontos focais é a paixão pelo futebol que existe no Brasil, o que soa um pouco "exótico" na França.

É preciso saber se as editoras portuguesas, brasileiras e as outras, podem ter vontade de buscar e traduzir contos franceses, e realizar um trabalho similar ao de alguns editores franceses.

Se ninguém der o primeiro passo, todo o trabalho realizado por várias pessoas para tentar descobrir essa "outra" FC pode não ser mais do que "un coup d'épée dans l'eau" (un golpe de espada na água) e as várias FC existentes no resto do mundo continuarão a ignorar-se, medindo forças com a FC anglófona.

24.4.10

Mais Verne no Terra Magazine

No final de janeiro, noticiei aqui que o colunista e escritor Roberto de Sousa Causo havia feito um especial sobre ficção científica e o século XIX em seu espaço no site Terra Magazine. Naquela ocasião, ele havia escrito a resenha "Atirando para a Lua"  sobre o livro Da Terra à Lua, de 1865. Agora, ele acabou de voltar ao tema para escrever sua análise da continuação daquela obra de Jules Verne (1828-1905): Autour de la Lune, de 1870, que, assim como o primeiro romance, serviu de base para a minha noveleta na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, da qual Causo também participou.

Em "Cápsula Lunar", o resenhista compara as duas obras, separadas por meia década entre a publicação de uma e outra, atualizando alguns pontos do que atualmente se sabe em termos de viagens espaciais e que era assunto apenas de especulação na época em que o escritor francês imaginou suas aventuras extraordinárias. Abaixo, um trecho da crítica e a capa do livro, que ganhou uma edição em português pela espanhola RBA Coleccionables, disponível em bancas do Brasil, mas, infelizmente, ausente do território catarinense.


Se Da Terra à Lua é um romance cômico pela gozação de tipos humanos e nacionalidades, À Roda da Lua apóia seu humor quase que exclusivamente no tripulante Michel Ardan (aportuguesado para "Miguel", nesta edição traduzida para o português europeu), cujo romantismo contrasta com a personalidade pragmática dos outros dois, Barbicane e Nicholl. Nessa oposição, ocorre também o choque entre a cultura literária e a científica, e Verne tem a oportunidade de dar as explicações didáticas que o caracterizavam, conforme os americanos vão explicando ao francês como funciona a mecânica celeste ou o que se sabe sobre a geografia da Lua.

Há uma incrível presciência em alguns dos detalhes. A cápsula com três homens - como aquelas do Programa Apollo da NASA -, a descrição desoladora da Lua, assim como a amerissagem no Oceano Pacífico, com o projétil-cápsula sendo resgatado por um navio da marinha americana.

Mas como não poderia deixar de ser, Verne nos apresenta uma infinidade de hipóteses e especulações científicas que transitavam na época, mas que não foram confirmadas pela ciência do século 20. Entre elas, a existência de um segundo satélite da Terra, um asteróide que orbitaria o nosso planeta entre a Terra e a Lua - e que, tendo quase se chocado com a cápsula dos heróis, interfere com sua trajetória, impedindo-a de tocar a superfície da Lua. E Verne aposta na origem vulcânica das crateras lunares, resumida em uma citação do astrônomo franco-catalão François Jean Dominique Arago (1786-1853): "Para a produção do relevo lunar não contribuiu ação alguma exterior à Lua." Não deixa de ser irônico que os dois especialistas em balística, Barbicane e Nicholl, não tenham apreciado as crateras como resultantes do impacto de projéteis espaciais - ainda mais considerando que o próprio Verne dramatiza dois quase-encontros fatais com bólidos viajando no espaço.

Victorian Organ Command Desk

 A dica veio do meu chapa Gabriel Rocha, colega de Gárgula, O Malaco e Marca Diabo: o verborrágico jornalista Alexandre Matias havia postado material sobre steampunk em seu blog Trabalho Sujo, que faz parte do coletivo O Esquema.  Primeiro ele fez um comentário rápido e exibiu um trailer de um filme que está prestes a ser lançado. Com o título "Se a volta de Indiana Jones não valeu...", Matias complementou: "Tentemos a adaptação do quadrinho proto-steampunk Les Aventures Extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec, de Jacques Tardi, para o cinema. Cortesia de Luc Besson". Mas o que chamou a atenção do Gabriel foi o post seguinte, no qual o blogueiro publicava fotos impressionantes como a que segue:



Este é o Victorian Organ Command Desk, um projeto de computador em estilo vitoriano totalmente funcional de autoria de Bruce Rosenbaum. Alexandre Matias pescou as imagens no site The Steampunk Workshop, de alguém já citado por aqui, na ocasião em que traduzi uma reportagem do jornal El País: o americano Jake Von Slatt. Nos endereços linkados neste texto, os leitores poderão ver mais detalhes dessa maravilha steamer. Deixo vocês com o detalhe que achei o mais bem sacado dessa criação de Mr. Rosenbaum.



 A webcam. Sorri. Estás sendo cinedaguerreotipado.