Como seriam as personagens de Star Wars se o filme fosse passado no tempo dos Samurais?
Sillof, o mestre da customização steampunk, responde essa pergunta com uma coleção de action figures inspiradas no filme Sutâ wôzu: Aratanaru kibou (Star Wars: A New Hope), com as principais personagens da saga no Japão feudal, como Samurais.
Sillof teceu uma história por trás das figuras, envolvendo fotografias de um filme antigo achadas em Yokahama. As fotos, de 1955, são do início das filmagens de Sutâ wôzu: Aratanaru kibou (Star Wars: A New Hope), um filme dirigido por Akira Kurosawa com grande elenco, que acabou cancelado devido a um acidente no set.
27.4.10
Há muito tempo, numa ilha muito distante...
Vocês já ouviram falar em Sillof? O homem é um artista, um mestre na customização de bonecos. Ou seja, ele pega aquelas action figures industrializadas de personagens de filmes, quadrinhos ou animações e as recria, dando uma especial atenção a transportá-las no espaço e no tempo, dando origem a novas criações com alma steampunk. Graças a uma matéria no excelente Blog de Brinquedo fiquei sabendo que ele atacou novamente. Desta vez, o artista apresentou uma versão de Star Wars em pleno Japão feudal. Leiam abaixo trechos do texto de Dado Ellis e vejam como ficou a transformação de algumas das criaturas de George Lucas:
26.4.10
Steampunkers em evento de RPG
Realizado em Curitiba no último final de semana, o World RPG reuniu fãs desses jogos de interpretação e, entre eles, parece ter chamado a atenção a presença de representantes locais do Conselho Steampunk. No blog do evento, um post apresentou aos participantes as diretrizes da Loja Paraná:
O Conselho SteamPunk PR objetiva discutir, escrever, inspirar, valorizar e divulgar informações a respeito do movimento Steampunk que vem crescendo no Mundo e também no Brasil.Outro flagrante, este com direito a fotos, se deu no site Liga Nerd que fez a pergunta: "Você sabe o que é steampunk?" As respostas da colaboradora que assina como Beatrix Kiddo está parcialmente abaixo:
A inspiração para isso tudo veio da imaginação humana, possivelmente influenciada pelos contos de Julio Verne e H. G. Wells. Obras inspiradas em universos paralelos onde a tecnologia mecânica a vapor desenvolveu-se levando a humanidade a outros caminhos, alguns inclusive singrando sistemas estelares longínquos.
O estilo vitoriano ou Western lembrando tecnologia a vapor como em um mundo paralelo é uma nova forma de escrever ficção científica. Como se não bastassem os contos cibervaporianos agora está surgindo a moda Steampunk.
Rodando pelo World RPG Fest as lentes da minha câmera encontraram o pessoal do movimento Steampunk no Paraná. O figurino, muito peculiar, remonta há muito tempo, mas nesse planetinha aqui mesmo. Carlos Machado, conhecido como Capitão Escarlate, me contou que a idéia do steam é despertar valores antigos, como o apreço da leitura e o hábito de visitar museus. "Queremos ser uma lembrança de coisas esquecidas porque, se uma sociedade quer ter um futuro bacana, tem que valorizar seu passado e seu presente também", disse.
O Steampunk é um subgênero da ficção científica que define um universo paralelo, onde a humanidade teria evoluido antes, mas com os recursos disponíveis a época. Ou seja, seria mais ou menos como se a literatura de Julio Verne tivesse acordado um dia e, com preguiça de andar pelas prateleiras da imaginação explodisse sobre a realidade. Um mundo onde carros, aviões, robôs, armas e outras engenhocas seriam desenvolividos com a tecnologia mecânica a vapor depois de terem enchido ela de espinafre do Popeye. Surgido do cyberpunk ,o steampunk flertou com as distopias, principalmente dos gêneros noir e ficção pulp onde as histórias eram ambientadas em épocas passadas mas mantinham a tradição da atitude punk. Com o tempo o steam se aproximou das utopias dos romances de ficção científica do século XIX.
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Damas do Vapor 2
Vejamos agora algumas das participantes que já estão concorrendo ao concurso SteamGirls promovido pelo Conselho Steampunk em parceria com OutraCoisa e dotWeb. As fotos e as informações sobre as candidatas estão disponíveis no site criado especialmente para divulgar o projeto.
Lady Jesse é SteamPlayer, faz parte da Sociedade Lewis Carroll do Brasil e é membro do Conselho SteamPunk.
Jezebelly Trenare é praticante de SteamPlay e enfeita os eventos do Conselho SteamPunk sempre que pode com seus trajes ricamente trabalhados e cheios de detalhes.
Joanna Oliveira tem 22 anos, é Steamer, SteamPlayer, dona de um blog sobre Teoria Musical e responsável pela Loja Rio Grande do Sul do Conselho SteamPunk.
Lady Jesse é SteamPlayer, faz parte da Sociedade Lewis Carroll do Brasil e é membro do Conselho SteamPunk.
Jezebelly Trenare é praticante de SteamPlay e enfeita os eventos do Conselho SteamPunk sempre que pode com seus trajes ricamente trabalhados e cheios de detalhes.
Joanna Oliveira tem 22 anos, é Steamer, SteamPlayer, dona de um blog sobre Teoria Musical e responsável pela Loja Rio Grande do Sul do Conselho SteamPunk.
Damas do Vapor
Nem bem comentei o fato de ele ter sido considerado o "porta-voz da subcultura steampunk brasileira" pela Steampunk Magazine, e já encontrei na rede outra entrevista de Bruno Accioly divulgando mais projetos de divulgação da cultura steamer. Desta vez foi uma entrevista que o empresário carioca concedeu ao site Cosplayers Net, dedicado às pessoas que se fantasiam de seus personagens favoritos dos quadrinhos, cinema, animações, games ou literatura. O tema da conversa conduzida por Ricardo Iagi foi o concurso promovido por Accioly e seus associados do Conselho Steampunk para incentivar uma maior participação feminina neste universo que recria o século XIX com tons fantásticos.
O projeto em pauta é o concurso SteamGirls, aberto a todas as interessadas em mostrar ao público seus trajes inspirados naquele período da História, com algum toque retrofuturista. Abaixo, segue um trecho da entrevista que levou o título "Cosplay com um toque histórico" e, no post seguinte, algumas das fotos já enviadas e publicadas no site criado para o concurso.
O projeto em pauta é o concurso SteamGirls, aberto a todas as interessadas em mostrar ao público seus trajes inspirados naquele período da História, com algum toque retrofuturista. Abaixo, segue um trecho da entrevista que levou o título "Cosplay com um toque histórico" e, no post seguinte, algumas das fotos já enviadas e publicadas no site criado para o concurso.
CN: Como surgiu a idéia para o concurso SteamGirls?
BA: A idéia surgiu do fato de que boa parte do Conselho SteamPunk regularmente se veste em trajes vitorianos e cultiva hábitos que alardeiam as virtudes atribuídas à época sem se permitir abraçar tudo aquilo em que a época falhava. Sob este aspecto o concurso é ao mesmo tempo uma homenagem a mulher, ao gênero e a uma visão utópica e nostálgica da Era Vitoriana. A iniciativa e patrocínio, contudo, vem do OutraCoisa.com.br e da dotWeb.com.br.
CN: Vocês esperam por um bom número de cosplayers desse estilo? Já estão recebendo fotos?
BA: O que ocorre é que o SteamPunk não é tão reconhecido como estilo no Brasil quanto é, digamos, na Alemanhã -, informação que temos por conta da parceria do Conselho com o www.ClockWorker.de, que já veio ao País duas vezes, representado por Johanna Sievers. Hoje temos oito candidatas inscritas e uma dezena de outras que vêm nos perguntando detalhes de como participar e como se vestir.
CN: Vocês participam de eventos de animê e mangá?
BA: Estamos começando a estabelecer algumas parcerias e a aparecer nos lugares, seja a paisana seja em trajes vitorianos, mas ainda não participamos. Há interesse, sem dúvida, de nos aproximarmos da comunidade de cosplay, sobretudo por conta de haver já esta tradição, no Conselho SteamPunk, de aparecer por aí em roupas tão peculiares.
CN: Vocês realizam eventos próprios? Há datas específicas que possam ser divulgadas?
BA: Até por conta de ser mais conhecido em São Paulo, o movimento por aqui tem sido muito mais forte. Já houve dois eventos desde o início do ano e a Loja São Paulo vem divulgando-os em seus sites. Um evento está previsto para o dia 26 de julho e maiores detalhes vão poder ser encontrados nos sites do Conselho.
25.4.10
Por falar em Verne...
Octavio Aragão acaba de publicar em seu blog uma entrevista com um historiador português, aficcionado por ficção científica, que traçou um rápido panorama da situação daquele gênero literário no país onde reside há 36 anos e onde a FC nasceu, por mérito do sempre citado por aqui Jules Verne (1828-1905). Pedro Mota, criador do site La Porte des Mondes, deu especial atenção a certo subgênero, como Aragão destacou no título do seu post - "Steampunk em Paris: entrevista com Pedro Mota". Abaixo, seguem a abertura da entrevista e o trecho da conversa em que o especialista lusitano toca no assunto:
Pedro Mota é um historiador português que atualmente reside na França.
Graças a seus projetos editoriais e admiração pela Ficção Científica – especialmente o subgênero chamado “História Alternativa” – vem promovendo um intercâmbio bastante salutar e inédito entre autores de língua portuguesa e de origem francesa. (...)
O A – Você acredita que há a possibilidade do desenvolvimento de um mercado de literatura de FC de cunho mundial, fora do universo editorial anglófono?
P M – Sinceramente, creio que sim. Porque penso que pode haver outros modos de escrever FC, outras sensibilidades além daquela dos anglo-saxônicos. A pouco, tive uma conversa com a Sylvie Miller, onde ela me disse que a FC americana é, por vezes, demasiado maniqueísta e um tanto redutora. Enquanto que a FC espanhola ou lusófona aparece mais colorida e mais diversa.
Na França, os leitores puderam descobrir nestes últimos anos, autores alemães, espanhóis, italianos, cubanos, jamaicanos. Todos eles propõem visões e alternativas diferentes da FC anglo-saxônica. Não quero dizer que a FC não-anglosaxônica seja melhor, mas é diferente, e desenvolve outras maneiras de escrever temas clássicos como space-opera, hard-science, cyberpunk, steampunk e outros.
Pegamos, por exemplo, o steampunk, que conheço bem: a princípio, trata-se de uma nova corrente que se iniciou nos EUA e na Inglaterra, com os livros de Powers, Blaylock, Gibson e demais. Mas, por volta de 1995, reparamos que vários autores francos souberam recuperar esse tema e adaptá-lo ao público francês. Em vez de situar a ação em Londres dos finais do século XIX, transpuseram as suas historias à Paris, mas na mesma época, com personagens (verdadeiros ou imaginarios) bem conhecidos, como Arsène Lupin, Jules Verne, Vidocq etc... Acho que o steampunk “à francesa” não deve nada ao anglófono, e até pode interessar o público português, espanhol ou brasileiro. Mas será que esses públicos alguma vez ouviram falar desses livros? Julgo que não, e acho uma pena.
Ademais, a FC estrangeira pode contar histórias com temas bem diferentes dos habituais, temas usados na França, tal como "Eu matei Paolo Rossi", de Octavio Aragão. Nesse conto, um dos pontos focais é a paixão pelo futebol que existe no Brasil, o que soa um pouco "exótico" na França.
É preciso saber se as editoras portuguesas, brasileiras e as outras, podem ter vontade de buscar e traduzir contos franceses, e realizar um trabalho similar ao de alguns editores franceses.
Se ninguém der o primeiro passo, todo o trabalho realizado por várias pessoas para tentar descobrir essa "outra" FC pode não ser mais do que "un coup d'épée dans l'eau" (un golpe de espada na água) e as várias FC existentes no resto do mundo continuarão a ignorar-se, medindo forças com a FC anglófona.
24.4.10
Mais Verne no Terra Magazine
No final de janeiro, noticiei aqui que o colunista e escritor Roberto de Sousa Causo havia feito um especial sobre ficção científica e o século XIX em seu espaço no site Terra Magazine. Naquela ocasião, ele havia escrito a resenha "Atirando para a Lua" sobre o livro Da Terra à Lua, de 1865. Agora, ele acabou de voltar ao tema para escrever sua análise da continuação daquela obra de Jules Verne (1828-1905): Autour de la Lune, de 1870, que, assim como o primeiro romance, serviu de base para a minha noveleta na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, da qual Causo também participou.
Em "Cápsula Lunar", o resenhista compara as duas obras, separadas por meia década entre a publicação de uma e outra, atualizando alguns pontos do que atualmente se sabe em termos de viagens espaciais e que era assunto apenas de especulação na época em que o escritor francês imaginou suas aventuras extraordinárias. Abaixo, um trecho da crítica e a capa do livro, que ganhou uma edição em português pela espanhola RBA Coleccionables, disponível em bancas do Brasil, mas, infelizmente, ausente do território catarinense.
Em "Cápsula Lunar", o resenhista compara as duas obras, separadas por meia década entre a publicação de uma e outra, atualizando alguns pontos do que atualmente se sabe em termos de viagens espaciais e que era assunto apenas de especulação na época em que o escritor francês imaginou suas aventuras extraordinárias. Abaixo, um trecho da crítica e a capa do livro, que ganhou uma edição em português pela espanhola RBA Coleccionables, disponível em bancas do Brasil, mas, infelizmente, ausente do território catarinense.
Se Da Terra à Lua é um romance cômico pela gozação de tipos humanos e nacionalidades, À Roda da Lua apóia seu humor quase que exclusivamente no tripulante Michel Ardan (aportuguesado para "Miguel", nesta edição traduzida para o português europeu), cujo romantismo contrasta com a personalidade pragmática dos outros dois, Barbicane e Nicholl. Nessa oposição, ocorre também o choque entre a cultura literária e a científica, e Verne tem a oportunidade de dar as explicações didáticas que o caracterizavam, conforme os americanos vão explicando ao francês como funciona a mecânica celeste ou o que se sabe sobre a geografia da Lua.
Há uma incrível presciência em alguns dos detalhes. A cápsula com três homens - como aquelas do Programa Apollo da NASA -, a descrição desoladora da Lua, assim como a amerissagem no Oceano Pacífico, com o projétil-cápsula sendo resgatado por um navio da marinha americana.
Mas como não poderia deixar de ser, Verne nos apresenta uma infinidade de hipóteses e especulações científicas que transitavam na época, mas que não foram confirmadas pela ciência do século 20. Entre elas, a existência de um segundo satélite da Terra, um asteróide que orbitaria o nosso planeta entre a Terra e a Lua - e que, tendo quase se chocado com a cápsula dos heróis, interfere com sua trajetória, impedindo-a de tocar a superfície da Lua. E Verne aposta na origem vulcânica das crateras lunares, resumida em uma citação do astrônomo franco-catalão François Jean Dominique Arago (1786-1853): "Para a produção do relevo lunar não contribuiu ação alguma exterior à Lua." Não deixa de ser irônico que os dois especialistas em balística, Barbicane e Nicholl, não tenham apreciado as crateras como resultantes do impacto de projéteis espaciais - ainda mais considerando que o próprio Verne dramatiza dois quase-encontros fatais com bólidos viajando no espaço.
Victorian Organ Command Desk
A dica veio do meu chapa Gabriel Rocha, colega de Gárgula, O Malaco e Marca Diabo: o verborrágico jornalista Alexandre Matias havia postado material sobre steampunk em seu blog Trabalho Sujo, que faz parte do coletivo O Esquema. Primeiro ele fez um comentário rápido e exibiu um trailer de um filme que está prestes a ser lançado. Com o título "Se a volta de Indiana Jones não valeu...", Matias complementou: "Tentemos a adaptação do quadrinho proto-steampunk Les Aventures Extraordinaires d’Adèle Blanc-Sec, de Jacques Tardi, para o cinema. Cortesia de Luc Besson". Mas o que chamou a atenção do Gabriel foi o post seguinte, no qual o blogueiro publicava fotos impressionantes como a que segue:
Este é o Victorian Organ Command Desk, um projeto de computador em estilo vitoriano totalmente funcional de autoria de Bruce Rosenbaum. Alexandre Matias pescou as imagens no site The Steampunk Workshop, de alguém já citado por aqui, na ocasião em que traduzi uma reportagem do jornal El País: o americano Jake Von Slatt. Nos endereços linkados neste texto, os leitores poderão ver mais detalhes dessa maravilha steamer. Deixo vocês com o detalhe que achei o mais bem sacado dessa criação de Mr. Rosenbaum.
A webcam. Sorri. Estás sendo cinedaguerreotipado.
Este é o Victorian Organ Command Desk, um projeto de computador em estilo vitoriano totalmente funcional de autoria de Bruce Rosenbaum. Alexandre Matias pescou as imagens no site The Steampunk Workshop, de alguém já citado por aqui, na ocasião em que traduzi uma reportagem do jornal El País: o americano Jake Von Slatt. Nos endereços linkados neste texto, os leitores poderão ver mais detalhes dessa maravilha steamer. Deixo vocês com o detalhe que achei o mais bem sacado dessa criação de Mr. Rosenbaum.
A webcam. Sorri. Estás sendo cinedaguerreotipado.
23.4.10
Uma melhorada no visual
O Cidade Phantástica deu uma renovada na aparência. A partir de hoje, este blog conta com uma nova cabeça de página e com um banner assinados por um profissional do qual falei neste post. Tiburcio, quadrinista e ilustrador experiente, colaborador da Mad e autor da webtira Meu Monarca Favorito, que se passa no século XIX, em um país fictício mas muito inspirado no Brasil do Segundo Império. Estou muito feliz em poder contar com a arte desse confrade talentoso que vai passar a valorizar minha página toda vez que algum leitor olhar para a parte de cima e para o lado esquerdo do meu blog. E, para ilustrar esse post, segue abaixo mais uma arte de Tiburcio, tirada diretamente daqui.
Update: Vale lembrar que tanto na cabeça quanto no banner, Tiburcio fez uma colagem com ilustrações de outros artistas. O dirigível faz parte da capa da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, de Marcelo Tonidandel. Já os desenhos em preto e branco são criação de Henri Montaut (1825-1890) para um dos livros que mais contribuíram para a noveleta "Cidade Phantástica", De la Terre à la Lune do também francês Jules Verne (1828-1905). Agora sim, vamos ao desenho de Tiburcio:
Update: Vale lembrar que tanto na cabeça quanto no banner, Tiburcio fez uma colagem com ilustrações de outros artistas. O dirigível faz parte da capa da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, de Marcelo Tonidandel. Já os desenhos em preto e branco são criação de Henri Montaut (1825-1890) para um dos livros que mais contribuíram para a noveleta "Cidade Phantástica", De la Terre à la Lune do também francês Jules Verne (1828-1905). Agora sim, vamos ao desenho de Tiburcio:
Ela não mora mais aqui
Quando foi convidado para interpretar James Mathew Barrie (1860-1937) no filme Em busca da Terra do Nunca, de 2004, Johnny Depp praticamente obrigou a equipe do diretor Marc Foster a realizar um levantamento completo na vida daquele homem. O objetivo do ator era se certificar de que não estaria emprestando o rosto a um pedófilo, como sinalizavam boatos em relação ao dramaturgo escocês por conta da relação dele com as crianças que lhe inspiraram em seu trabalho mais famoso, a peça teatral Peter Pan, que ganharia fama mundial e chegou a virar desenho da Disney. Agora, Depp atua em um filme da Disney que adapta uma obra também do século XIX cercada de ainda mais suspeitas quanto ao interesse de seu autor original em relação à fonte de inspiração: Alice no País das Maravilhas.
O clássico Aventuras de Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do espelho, foram obras escritas pelo professor de matemática Charles Dogson (1832-1898), mais conhecido pelo pseudônimo literário Lewis Carrol. A musa de ambos os livros foi uma menina que tinha quatro anos incompletos quando ele a conheceu, em 1856, cujo nome não por acaso é o mesmo da protagonista dos romances e do filme que acaba de estrear no Brasil fazendo uma fusão daqueles dois trabalhos. Johnny Depp está no longa e em várias imagens relacionadas a ele dando forma ao Chapeleiro Maluco. Sendo que o diretor desta vez é Tim Burton, não é supresa alguma que o ator tenha feito parte do projeto - mesmo que ainda guarde reservas pessoais quanto a trabalhar com obras ligadas a suspeitas de pedofilia em sua origem - pois a parceria dos dois é muito bem estabelecida há duas décadas, desde Edward Mãos de Tesoura, de 1990.
Curioso é que a Alice criança originalmente escrita por Carrol tenha sumido. Ao contrário da primeira vez que os estúdios Disney adaptaram aquele material, em uma animação de 1951, a opção aqui foi a de dobrar a idade da personagem-título. Ela aparece como uma mulher às vésperas de completar 20 anos, vivida pela atriz australiana Mia Wasikowska, e de ser pedida em casamento por um nobre longe de se encaixar no perfil de príncipe encantado. Seja para se livrar de qualquer insinuação mais polêmica ou por escolha puramente artística, esse envelhecimento forçado foi uma decisão arriscada e que deixou marcas na obra. Num primeiro momento, poderia ser somente estranhamento, como ocorreu quando a Globo optou por usar uma atriz mirim para viver a personagem Emília - na ocasião em que a emissora brasileira resolveu voltar a adaptar o Sítio do Picapau Amarelo - depois de uma longa tradição em que a boneca de pano era interpretada por mulheres adultas na tela da TV. Mas é bem mais complicado que isso.
Independentemente das motivações por trás de sua criação, é inegável que Lewis Carrol produziu uma obra-prima da literatura infantil. Ao mesmo tempo em que contestou os rigores da sociedade da Era Vitoriana e apresentou brincadeiras com lógica e matemática, sua obra vem divertindo gerações de crianças há quase um século e meio e fascinando adultos com a riqueza de sua imaginação e apuro técnico. O efeito se perde muito, quase por completo, quando ao invés de uma criança entediada se deslumbrando e sendo desafiada por aquele mundo de maravilhas vemos uma pessoa adulta fugindo de suas responsabilidades interagindo com aquela sucessão de personagens enigmáticos. Mesmo que essa pessoa seja bem menos adulta em termos de personalidade do que seria de se esperar de uma mulher de sua idade naqueles tempos. O sense of wonder - sem trocadilhos com o nome do filme - acaba prejudicado com isso. Muito de Alice se perdeu no processo.
Mas ainda pior são os rumos do roteiro que troca aquela contestação um tanto anárquica da fonte primária por uma história que tenta agradar a mais parcelas do público, incluindo o masculino e adolescente, com toques épicos. Quase ao final do filme, ao ver a Alice adulta de armadura e espada na mão, enfrentando criaturas geradas por computador, tive a impressão de que alguma interferência estava acontecendo. Parecia que cenas de O senhor dos anéis, de Crônicas de Nárnia ou mesmo de Aragorn haviam sido infiltradas naquele universo meio que sem contexto, à força. E dali segue um final que, bem, é muito mais Disney que Burton, procurando amarrar tudo de um jeito tão explicadinho, tão didático que sobram sorrisos amarelos, maiores que o do famoso gato, tão pouco explorado no filme, infelizmente. Parece que o diretor acabou sendo apressado pelo Coelho Branco e convencido a acelerar o ritmo para não se atrasar.
Claro que na parte visual, como é de se esperar de Tim Burton, o espetáculo está garantido. Em sua primeira criação com atores no atual padrão 3-d que se estabeleceu nas salas de projeção, o cineasta dá um show. Provavelmente, o filme perde muito de seu impacto se for visto sem os recursos tridimensionais. A cena da queda de Alice pelo toca do Coelho, por exemplo, deve entrar para uma antologia dos melhores momentos da carreira do diretor. Contudo, ao contrário do que aconteceu com Avatar, aqui as legendas atrapalharam um tanto o processo. Se no filme de James Cameron elas ocupavam um plano à parte, sem interferir com o restante, em Alice no País das Maravilhas as letras em alguns momentos, como na cena do chá, acabam se fundindo ora com um elemento, ora com outro, confundindo o efeito de profundidade. Para quem conseguir abstrair esses momentos - que não são tantos - há muito o que se deslumbrar com essa Era Vitoriana fantástica criada por um dos maiores estetas em atividade no cinema.
O clássico Aventuras de Alice no País das Maravilhas e sua continuação, Através do espelho, foram obras escritas pelo professor de matemática Charles Dogson (1832-1898), mais conhecido pelo pseudônimo literário Lewis Carrol. A musa de ambos os livros foi uma menina que tinha quatro anos incompletos quando ele a conheceu, em 1856, cujo nome não por acaso é o mesmo da protagonista dos romances e do filme que acaba de estrear no Brasil fazendo uma fusão daqueles dois trabalhos. Johnny Depp está no longa e em várias imagens relacionadas a ele dando forma ao Chapeleiro Maluco. Sendo que o diretor desta vez é Tim Burton, não é supresa alguma que o ator tenha feito parte do projeto - mesmo que ainda guarde reservas pessoais quanto a trabalhar com obras ligadas a suspeitas de pedofilia em sua origem - pois a parceria dos dois é muito bem estabelecida há duas décadas, desde Edward Mãos de Tesoura, de 1990.
Curioso é que a Alice criança originalmente escrita por Carrol tenha sumido. Ao contrário da primeira vez que os estúdios Disney adaptaram aquele material, em uma animação de 1951, a opção aqui foi a de dobrar a idade da personagem-título. Ela aparece como uma mulher às vésperas de completar 20 anos, vivida pela atriz australiana Mia Wasikowska, e de ser pedida em casamento por um nobre longe de se encaixar no perfil de príncipe encantado. Seja para se livrar de qualquer insinuação mais polêmica ou por escolha puramente artística, esse envelhecimento forçado foi uma decisão arriscada e que deixou marcas na obra. Num primeiro momento, poderia ser somente estranhamento, como ocorreu quando a Globo optou por usar uma atriz mirim para viver a personagem Emília - na ocasião em que a emissora brasileira resolveu voltar a adaptar o Sítio do Picapau Amarelo - depois de uma longa tradição em que a boneca de pano era interpretada por mulheres adultas na tela da TV. Mas é bem mais complicado que isso.
Independentemente das motivações por trás de sua criação, é inegável que Lewis Carrol produziu uma obra-prima da literatura infantil. Ao mesmo tempo em que contestou os rigores da sociedade da Era Vitoriana e apresentou brincadeiras com lógica e matemática, sua obra vem divertindo gerações de crianças há quase um século e meio e fascinando adultos com a riqueza de sua imaginação e apuro técnico. O efeito se perde muito, quase por completo, quando ao invés de uma criança entediada se deslumbrando e sendo desafiada por aquele mundo de maravilhas vemos uma pessoa adulta fugindo de suas responsabilidades interagindo com aquela sucessão de personagens enigmáticos. Mesmo que essa pessoa seja bem menos adulta em termos de personalidade do que seria de se esperar de uma mulher de sua idade naqueles tempos. O sense of wonder - sem trocadilhos com o nome do filme - acaba prejudicado com isso. Muito de Alice se perdeu no processo.
Mas ainda pior são os rumos do roteiro que troca aquela contestação um tanto anárquica da fonte primária por uma história que tenta agradar a mais parcelas do público, incluindo o masculino e adolescente, com toques épicos. Quase ao final do filme, ao ver a Alice adulta de armadura e espada na mão, enfrentando criaturas geradas por computador, tive a impressão de que alguma interferência estava acontecendo. Parecia que cenas de O senhor dos anéis, de Crônicas de Nárnia ou mesmo de Aragorn haviam sido infiltradas naquele universo meio que sem contexto, à força. E dali segue um final que, bem, é muito mais Disney que Burton, procurando amarrar tudo de um jeito tão explicadinho, tão didático que sobram sorrisos amarelos, maiores que o do famoso gato, tão pouco explorado no filme, infelizmente. Parece que o diretor acabou sendo apressado pelo Coelho Branco e convencido a acelerar o ritmo para não se atrasar.
Claro que na parte visual, como é de se esperar de Tim Burton, o espetáculo está garantido. Em sua primeira criação com atores no atual padrão 3-d que se estabeleceu nas salas de projeção, o cineasta dá um show. Provavelmente, o filme perde muito de seu impacto se for visto sem os recursos tridimensionais. A cena da queda de Alice pelo toca do Coelho, por exemplo, deve entrar para uma antologia dos melhores momentos da carreira do diretor. Contudo, ao contrário do que aconteceu com Avatar, aqui as legendas atrapalharam um tanto o processo. Se no filme de James Cameron elas ocupavam um plano à parte, sem interferir com o restante, em Alice no País das Maravilhas as letras em alguns momentos, como na cena do chá, acabam se fundindo ora com um elemento, ora com outro, confundindo o efeito de profundidade. Para quem conseguir abstrair esses momentos - que não são tantos - há muito o que se deslumbrar com essa Era Vitoriana fantástica criada por um dos maiores estetas em atividade no cinema.
22.4.10
Presença brasileira na Steampunk Magazine
A comunidade steamer internacional conta com uma publicação on line para debater e difundir sua cultura: a Steampunk Magazine. Na edição mais recente, a de número 7, já disponível para download no site da revista cuja capa pode ser vista ao lado, há um artigo que toca em um tema tão interessante quanto delicado e que merece uma atenção especial dos leitores brasileiros, até por citar um conhecido compatriota nosso. "The presence of race in steampunk" é o título da matéria que trata de questões étnicas relacionadas a este subgênero da ficção científica e já começa sua análise reconhecendo o quanto este é um tópico tão difícil de se discutir quanto a apropriação cultural, a opressão sistemática e os privilégios. Na opinião da revista, outros assuntos, como os relacionados às classes sociais e mesmo os ligados ao gênero, são mais facilmente subvertidos, por exemplo, em campanhas de RPG ligadas a essa vertente da FC. "Há muitas mulheres que atuam como capitãs do céu, ou outros papéis do tipo, que lhes seriam negados em jogos mais realísticos", compara.
Entretanto, para a Steampunk Magazine, as questões raciais seriam mais difícieis de se discutir e mesmo de serem retratadas. O artigo faz uma série de questionamentos sobre o significado de outras culturas - não ligadas ao mundo vitoriano - buscarem se vestir com clara inspiração inglesa ou americana. Seria uma forma de assimilação da cultura dominante, simulando uma aparência ligada a dos "opressores"? E caso algum povo resolva adotar uma identidade ligada diretamente às suas origens, deixando de lado elementos identificados com a Era Vitoriana, seria uma forma de exotismo? Ainda poderia ser considerado como steampunk? São algumas das perguntas deixadas no ar uma vez que, como o artigo enfatiza, este subgênero é um pastiche formado por muitas referências, sendo difícil categorizar algo não-vitoriano como quintessencialmente steampunk quando deixa de incorporar elementos facilmente reconhecíveis.
O ponto é exatamente o que a revista chamou de "óbvia penúria de mídia steampunk derivada de fontes não-vitorianas", eclipsadas que são pela variedade opressora das formas mais tradicionais de se representar o subgênero. A revista cita dois exemplos de trabalhos e de subculturas steamers que conseguiram superar tal eclipse com um alcance mais cosmopolita. Um é o ilustrador chinês, nascido em Hong Kong, James Ng - abaixo deixo vocês com uma amostra da arte dele, que pode ser conferida neste site. O segundo exemplo listado já é conhecido deste blog. "Bruno Accioly é um porta-voz para a subcultura steampunk brasileira", anotou a revista sobre o cofundador do Conselho Steampunk e que já foi entrevistado por aqui. "Contudo esses exemplos são notáveis porque surgem de povos e de lugares que não estão imersos no vitorianismo ou no steampunk americano", continua o articulista que reconhece ter ouvido falar de James Ng depois de o chinês ter publicado seus trabalhos mais famosos fora de seu país natal e afirma que o empresário carioca "filtra o steampunk vitoriano através de sua perspectiva excepcionalmente brasileira".
Mas a Steampunk Magazine se pergunta onde estarão mais exemplos de steamers, entre eles as pessoas de outras etnias que vivem em culturas de dominação branca, como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. A análise que a publicação faz é a de que o assunto racial acaba sendo tratado em termos simplistas, focando, por exemplo, apenas na escravidão, tema que é consensual pois ninguém pretende reproduzir tal realidade novamente. Porém, há pouco espaço para questões com mais nuances, tais como microagressões e preconceitos inconscientes que se manifestam no cotidiano. "A questão da raça no steampunk, para muitos, é frequentemente teórica, e não uma realidade desordenada que o steampunk médio tenha que tratar", pondera antes de concluir: "Mesmo os steampuks de outras etnias prefeririam não ter de tratar dos problemas raciais, porque o steampunk é uma fantasia, um mundo construído, uma forma de escapismo".
21.4.10
Orgulho e preconceito contra zumbis
Sempre que possível, gosto de resenhar eu mesmo obras que sejam legitimamente steampunk ou ao menos relacionadas ao gênero lançadas no Brasil. Foi assim com os filmes Como treinar seu dragão e Sherlock Holmes; com as HQs Gotham City 1889 e "Mickey e o selo de Vladimir Zeta"; com os livros Conspiração Dumont, A solução final e Anno Dracula; e mesmo com contos como "Não mais/Ya no" e "Ernst Amedée B. Mouchez, espião de Sua Majestade Imperial". Seria também o caso do romance que é o tema desta postagem, mas uma obra ainda em andamento aqui em casa está simplesmente acabando com aqueles dois sinônimos - tempo e dinheiro - em minha vida ao longo deste primeiro semestre. Felizmente, se no momento não é possível nem comprar nem conseguir condições para ler o romance, posso contar com a autora daquele último conto listado acima para pincelar trechos da resenha dela no meu blog.
O livro em questão é Orgulho e preconceito e zumbis, uma releitura iconoclasta feita por Seth Grahme-Smith do clássico do início do século XIX Pride and prejudice, escrito por Jane Austen (1775-1817). E a resenhista é Ana Cristina Rodrigues que, em sua crítica, fez um levantamento muito interessante dos bastidores da criação desta nova obra, que deu origem à febre editorial dos mashups literários; do contexto tanto da época do romance original quanto o dos tempos atuais que permitiram tal dessacralização de um texto icônico para a literatura inglesa e mundial como aquele. Algumas das melhores partes da análise da escritora e agitadora cultural carioca são suas observações sobre a reação que a novidade provocou em certos intelectuais, e outros nem tanto, com uma série de acusações e ataques ao trabalho de Grahme-Smith. Essa visão já começa pelo título que ela deu à sua resenha, o qual mantive nesta postagem.
Segue abaixo apenas o início do artigo que pode - e deve - ser lido integralmente aqui.
O livro em questão é Orgulho e preconceito e zumbis, uma releitura iconoclasta feita por Seth Grahme-Smith do clássico do início do século XIX Pride and prejudice, escrito por Jane Austen (1775-1817). E a resenhista é Ana Cristina Rodrigues que, em sua crítica, fez um levantamento muito interessante dos bastidores da criação desta nova obra, que deu origem à febre editorial dos mashups literários; do contexto tanto da época do romance original quanto o dos tempos atuais que permitiram tal dessacralização de um texto icônico para a literatura inglesa e mundial como aquele. Algumas das melhores partes da análise da escritora e agitadora cultural carioca são suas observações sobre a reação que a novidade provocou em certos intelectuais, e outros nem tanto, com uma série de acusações e ataques ao trabalho de Grahme-Smith. Essa visão já começa pelo título que ela deu à sua resenha, o qual mantive nesta postagem.
Segue abaixo apenas o início do artigo que pode - e deve - ser lido integralmente aqui.
Um dos maiores chavões que eu conheço – olha que são muitos – é o velho ‘a escola mata o gosto pela leitura ao obrigar os alunos a ler os clássicos’. Apesar de acreditar que muito disso se deve mais a obrigatoriedade do que aos clássicos em si, não podemos desconsiderar que em tempos de ‘Resident Evil’ e ‘God of War’, ‘O morro dos ventos uivantes’ e ‘A Odisseia’ saem perdendo no quesito atratividade.
Afinal, entre ler sobre monstros e matá-los para se tornar um deus qualquer pessoa com menos de 30 anos vai escolher o caminho mais divertido e sangrento. Oras, por vezes até eu mesma escolho. Então, fica difícil alguém conseguir manter a atenção nos intermináveis saraus e reuniões sociais de ‘A moreninha’ e ‘Senhora’ em tempos de ‘The Sims’, twitter e MSN.
E até onde posso perceber, o problema é universal. Ou melhor dizendo, mundial. As crianças vulcanas devem adorar ler os ensinamentos de Surak.
Mas aqui na 3ª pedra a partir do Sol, o negócio é bem mais complicado.
Até que um dia, lá fora – claro, o editor Jason Rekulak da Quirk Classics achou o ‘ovo de Colombo’ dessa história. Foi inspirado pelo exemplo de um livro de auto-ajuda para pessoas… ah, fofas em excesso assim como eu, que misturava os ensinamentos do Sun Tzu em ‘A arte da guerra’ com os conselhos que todo o fofinho já escutou de seu endócrino ou nutricionista que mudou os rumos da sua casa editorial.
Resolveu pegar clássicos da literatura que já tivessem caído em domínio publico e fazer uma mistura com elementos dos livros que a rapaziada curte: vampiros, fantasmas, lobisomens, andróides, zumbis, monstros marinhos, ninjas… Contatou o escritor pouco conhecido Seth Grahame-Smith, dizendo que tinha uma ideia, um título e só. O autor disse depois que este título ‘era a coisa mais genial que já tinha ouvido’: ‘Pride and Prejudice and Zombies‘.
Cá entre nós, se não é a coisa mais genial que EU já ouvi, está no top 100 com certeza.
O livro obviamente incomodou muitos acadêmicos. Mas como todos nós sabemos, o público em geral não dá muita bola para ranzinzices mofadas e adorou a ideia, fazendo do mashup do livro de Jane Austen um dos grande sucessos editoriais do ano passado. A Intrinseca, mostrando mais uma vez que é antenada com o que cheira a sucesso (é a editora das séries ‘Crepúsculo’ e ‘Percy Jackson’ no Brasil), lançou a versão brasileira do livro no começo de 2010.
Manteve-se fiel ao espírito da edição original: a capa é a mesma, o título é a tradução literal, as ilustrações – uma boa emulação dos originais da época de Austen – também estão lá. Inclusive a ‘ficha de leitura’, que tira um grande sarro das perguntas dos livros paradidáticos, aparece no final.
20.4.10
Engrenagens na pele
Não ia postar mais nada hoje, mas um tweet de Gabriela Barbosa, da Loja Paraíba do Conselho Steampunk, me chamou a atenção para uma derivação da cultura steamer da qual nem havia pensado ainda: as tatuagens. O artigo em questão foi publicado ontem, dia 19 de abril, na revista eletrônica portuguesa Obvious por Catarina Pires. "Steampunk - Arte e movimento" apresenta uma definição dessa cultura, mais do que simplestemente enxergá-la como um gênero literário, e faz comentários interessantes sobre a estética aplicada na arte de decorar o corpo com tinta permanente. Muito bacana podermos continuar a nos surpreender com novas camadas de possibilidades e usos do steampunk, não? Segue um trecho e uma das fotos do artigo:
Leia mais aqui.
Para alguns a arte no corpo, para outros uma ideologia que agarra a ficção científica, percorre o tempo e instala-se na nossa sociedade desde o final dos anos 80.
Steam, ou vapor em português; Punk, a ideologia e estilo de vida cultural. Estas duas palavras juntas, designam o movimento Steampunk que é hoje representado através de diversas manifestações artísticas. Do cinema, à música, à dança até à representação da sua arte no corpo.
Não é difícil entender o movimento Steampunk se o pensarmos enquanto história. Uma história que se enquadra no universo da ficção cientifica, que remonta ao reinado da Rainha Vitória no Reino Unido e agarra tudo o que acarreta essa era, tendo como base a revolução industrial e as novas invenções como a máquina a vapor. O Steampunk cria uma realidade espácio-temporal utópica, na qual a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis impossíveis, deixando-se fundir com o corpo humano. Muito da origem deste movimento vem da variante "Cyberpunk", sendo as maquinas cibernéticas substituídas pelas tecnologias da era do vapor. Conseguimos imaginar este tipo de teoria se pensarmos na Literatura que deu origem a este movimento, como é o caso de Julio Verne e Mark Twain.
Quando o movimento Steampunk começa a ser representado no corpo, através de admiráveis tatuagens, dá-se o efeito surpresa na maioria dos interessados, pois o realismo tridimensional com que são recheadas choca e conquista qualquer olhar mais atento.
Leia mais aqui.
Vem aí o primeiro romance steampunk nacional
Tenho acompanhado neste blog desde o início a produção daquele que deve ser o primeiro romance nacional totalmente pensado dentro da estética steampunk. No dia 7 de junho do ano passado, falei do blog que foi criado pelo autor para ajudá-lo a estruturar a obra. Mais tarde, em um artigo geral sobre o steampunk no Brasil, anunciei o futuro livro como uma das novidades por vir. No dia 9 de dezembro de 2009, a novidade era um e-book derivado do mesmo universo. Voltei a mencionar o projeto, já com a publicação confirmada, no último post daquele ano, anunciando que 2010 deveria ser o Ano do Vapor. Já em janeiro, comentei sobre os wallpapers que estavam disponíveis com imagens referentes ao romance.
Volto ao assunto agora para repassar aos leitores a sinopse de O Baronato de Shoah, do escritor José Roberto Vieira, em breve, nas livrarias, com o selo da editora Draco.
Volto ao assunto agora para repassar aos leitores a sinopse de O Baronato de Shoah, do escritor José Roberto Vieira, em breve, nas livrarias, com o selo da editora Draco.
O romance de estréia de José Roberto Vieira é uma fantástica aventura em um mundo sombrio que remete ao Steampunk, videogames, animações e RPG, onde passado, presente e futuro se encontram numa fórmula emocionante.
Sehn Hadjakkis é um Mashiyrra, um Escolhido. Desde seu nascimento ele foi eleito para ser um soldado da Kabalah, a elite do exército e liderar as forças do Quinto Império contra seus inimigos, os Legisladores.
Depois de quatro anos de lutas, mortes, e traições, Sehn finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita ainda na infância: se casar com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.
Entretanto, a única coisa que o impede é outra promessa, feita no leito de morte a seus pais: vingar-se de Edgar Crow, um amigo que traiu sua família e destruiu seus sonhos, transformando a vida de Sehn num verdadeiro inferno e o mundo em que vive um pesadelo.
Quando um Golpe de Estado ameaça tudo aquilo em que Sehn acredita, ele se vê obrigado a escolher entre uma destas promessas para salvar seu mundo ou a mulher que ama.
Se fizer a escolha errada, ele pode destruir a ambos.
Ou a si mesmo.
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