22.4.10

Presença brasileira na Steampunk Magazine

A comunidade steamer internacional conta com uma publicação on line para debater e difundir sua cultura: a Steampunk Magazine. Na edição mais recente, a de número 7, já disponível para download no site da revista cuja capa pode ser vista ao lado, há um artigo que toca em um tema tão interessante quanto delicado e que merece uma atenção especial dos leitores brasileiros, até por citar um conhecido compatriota nosso. "The presence of race in steampunk" é o título da matéria que trata de questões étnicas relacionadas a este subgênero da ficção científica e já começa sua análise reconhecendo o quanto este é um tópico tão difícil de se discutir quanto a apropriação cultural, a opressão sistemática e os privilégios. Na opinião da revista, outros assuntos, como os relacionados às classes sociais e mesmo os ligados ao gênero, são mais facilmente subvertidos, por exemplo, em campanhas de RPG ligadas a essa vertente da FC. "Há muitas mulheres que atuam como capitãs do céu, ou outros papéis do tipo, que lhes seriam negados em jogos mais realísticos", compara.

Entretanto, para a Steampunk Magazine, as questões raciais seriam mais difícieis de se discutir e mesmo de serem retratadas. O artigo faz uma série de questionamentos sobre o significado de outras culturas - não ligadas ao mundo vitoriano - buscarem se vestir com clara inspiração inglesa ou americana. Seria uma forma de assimilação da cultura dominante, simulando uma aparência ligada a dos "opressores"? E caso algum povo resolva adotar uma identidade ligada diretamente às suas origens, deixando de lado elementos identificados com a Era Vitoriana, seria uma forma de exotismo? Ainda poderia ser considerado como steampunk? São algumas das perguntas deixadas no ar uma vez que, como o artigo enfatiza, este subgênero é um pastiche formado por muitas referências, sendo difícil categorizar algo não-vitoriano como quintessencialmente steampunk quando deixa de incorporar elementos facilmente reconhecíveis.

O ponto é exatamente o que a revista chamou de "óbvia penúria de mídia steampunk derivada de fontes não-vitorianas", eclipsadas que são pela variedade opressora das formas mais tradicionais de se representar o subgênero. A revista cita dois exemplos de trabalhos e de subculturas steamers que conseguiram superar tal eclipse com um alcance mais cosmopolita. Um é o ilustrador chinês, nascido em Hong Kong, James Ng - abaixo deixo vocês com uma amostra da arte dele, que pode ser conferida neste site. O segundo exemplo listado já é conhecido deste blog. "Bruno Accioly é um porta-voz para a subcultura steampunk brasileira", anotou a revista sobre o cofundador do Conselho Steampunk e que já foi entrevistado por aqui. "Contudo esses exemplos são notáveis porque surgem de povos e de lugares que não estão imersos no vitorianismo ou no steampunk americano", continua o articulista que reconhece ter ouvido falar de James Ng depois de o chinês ter publicado seus trabalhos mais famosos fora de seu país natal e afirma que o empresário carioca "filtra o steampunk vitoriano através de sua perspectiva excepcionalmente brasileira".

Mas a Steampunk Magazine se pergunta onde estarão mais exemplos de steamers, entre eles as pessoas de outras etnias que vivem em culturas de dominação branca, como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. A análise que a publicação faz é a de que o assunto racial acaba sendo tratado em termos simplistas, focando, por exemplo, apenas na escravidão, tema que é consensual pois ninguém pretende reproduzir tal realidade novamente. Porém, há pouco espaço para questões com mais nuances, tais como microagressões e preconceitos inconscientes que se manifestam no cotidiano. "A questão da raça no steampunk, para muitos, é frequentemente teórica, e não uma realidade desordenada que o steampunk médio tenha que tratar", pondera antes de concluir: "Mesmo os steampuks de outras etnias prefeririam não ter de tratar dos problemas raciais, porque o steampunk é uma fantasia, um mundo construído, uma forma de escapismo".



21.4.10

Orgulho e preconceito contra zumbis

Sempre que possível, gosto de resenhar eu mesmo obras que sejam legitimamente steampunk ou ao menos relacionadas ao gênero lançadas no Brasil. Foi assim com os filmes Como treinar seu dragão e Sherlock Holmes; com as HQs Gotham City 1889 e "Mickey e o selo de Vladimir Zeta"; com os livros Conspiração Dumont, A solução final e Anno Dracula; e mesmo com contos como "Não mais/Ya no" e "Ernst Amedée B. Mouchez, espião de Sua Majestade Imperial". Seria também o caso do romance que é o tema desta postagem, mas uma obra ainda em andamento aqui em casa está simplesmente acabando com aqueles dois sinônimos - tempo e dinheiro - em minha vida ao longo deste primeiro semestre. Felizmente, se no momento não é possível nem comprar nem conseguir condições para ler o romance, posso contar com a autora daquele último conto listado acima para pincelar trechos da resenha dela no meu blog.

O livro em questão é Orgulho e preconceito e zumbis, uma releitura iconoclasta feita por Seth Grahme-Smith do clássico do início do século XIX Pride and prejudice, escrito por Jane Austen (1775-1817). E a resenhista é Ana Cristina Rodrigues que, em sua crítica, fez um levantamento muito interessante dos bastidores da criação desta nova obra, que deu origem à febre editorial dos mashups literários; do contexto tanto da época do romance original quanto o dos tempos atuais que permitiram tal dessacralização de um texto icônico para a literatura inglesa e mundial como aquele. Algumas das melhores partes da análise da escritora e agitadora cultural carioca são suas observações sobre a reação que a novidade provocou em certos intelectuais, e outros nem tanto, com uma série de acusações e ataques ao trabalho de Grahme-Smith. Essa visão já começa pelo título que ela deu à sua resenha, o qual mantive nesta postagem.

Segue abaixo apenas o início do artigo que pode - e deve - ser lido integralmente aqui.

Um dos maiores chavões que eu conheço – olha que são muitos – é o velho ‘a escola mata o gosto pela leitura ao obrigar os alunos a ler os clássicos’. Apesar de acreditar que muito disso se deve mais a obrigatoriedade do que aos clássicos em si, não podemos desconsiderar que em tempos de ‘Resident Evil’ e ‘God of War’, ‘O morro dos ventos uivantes’ e ‘A Odisseia’ saem perdendo no quesito atratividade.

Afinal, entre ler sobre monstros e matá-los para se tornar um deus qualquer pessoa com menos de 30 anos vai escolher o caminho mais divertido e sangrento. Oras, por vezes até eu mesma escolho. Então, fica difícil alguém conseguir manter a atenção nos intermináveis saraus e reuniões sociais de ‘A moreninha’ e ‘Senhora’ em tempos de ‘The Sims’, twitter e MSN.

E até onde posso perceber, o problema é universal. Ou melhor dizendo, mundial. As crianças vulcanas devem adorar ler os ensinamentos de Surak.

Mas aqui na 3ª pedra a partir do Sol, o negócio é bem mais complicado.

Até que um dia, lá fora – claro, o editor Jason Rekulak da Quirk Classics achou o ‘ovo de Colombo’ dessa história. Foi inspirado pelo exemplo de um livro de auto-ajuda para pessoas… ah, fofas em excesso assim como eu, que misturava os ensinamentos do Sun Tzu em ‘A arte da guerra’ com os conselhos que todo o fofinho já escutou de seu endócrino ou nutricionista que mudou os rumos da sua casa editorial.

Resolveu pegar clássicos da literatura que já tivessem caído em domínio publico e fazer uma mistura com elementos dos livros que a rapaziada curte: vampiros, fantasmas, lobisomens, andróides, zumbis, monstros marinhos, ninjas… Contatou o escritor pouco conhecido Seth Grahame-Smith, dizendo que tinha uma ideia, um título e só. O autor disse depois que este título ‘era a coisa mais genial que já tinha ouvido’: ‘Pride and Prejudice and Zombies‘.

Cá entre nós, se não é a coisa mais genial que EU já ouvi, está no top 100 com certeza.

O livro obviamente incomodou muitos acadêmicos. Mas como todos nós sabemos, o público em geral não dá muita bola para ranzinzices mofadas e adorou a ideia, fazendo do mashup do livro de Jane Austen um dos grande sucessos editoriais do ano passado. A Intrinseca, mostrando mais uma vez que é antenada com o que cheira a sucesso (é a editora das séries ‘Crepúsculo’ e ‘Percy Jackson’ no Brasil), lançou a versão brasileira do livro no começo de 2010.

Manteve-se fiel ao espírito da edição original: a capa é a mesma, o título é a tradução literal, as ilustrações – uma boa emulação dos originais da época de Austen – também estão lá. Inclusive a ‘ficha de leitura’, que tira um grande sarro das perguntas dos livros paradidáticos, aparece no final.

20.4.10

Engrenagens na pele

Não ia postar mais nada hoje, mas um tweet de Gabriela Barbosa, da Loja Paraíba do Conselho Steampunk, me chamou a atenção para uma derivação da cultura steamer da qual nem havia pensado ainda: as tatuagens. O artigo em questão foi publicado ontem, dia 19 de abril, na revista eletrônica portuguesa Obvious por Catarina Pires. "Steampunk - Arte e movimento" apresenta uma definição dessa cultura, mais do que simplestemente enxergá-la como um gênero literário, e faz comentários interessantes sobre a estética aplicada na arte de decorar o corpo com tinta permanente. Muito bacana podermos continuar a nos surpreender com novas camadas de possibilidades e usos do steampunk, não? Segue um trecho e uma das fotos do artigo:

Para alguns a arte no corpo, para outros uma ideologia que agarra a ficção científica, percorre o tempo e instala-se na nossa sociedade desde o final dos anos 80.

Steam, ou vapor em português; Punk, a ideologia e estilo de vida cultural. Estas duas palavras juntas, designam o movimento Steampunk que é hoje representado através de diversas manifestações artísticas. Do cinema, à música, à dança até à representação da sua arte no corpo.

Não é difícil entender o movimento Steampunk se o pensarmos enquanto história. Uma história que se enquadra no universo da ficção cientifica, que remonta ao reinado da Rainha Vitória no Reino Unido e agarra tudo o que acarreta essa era, tendo como base a revolução industrial e as novas invenções como a máquina a vapor. O Steampunk cria uma realidade espácio-temporal utópica, na qual a tecnologia mecânica a vapor teria evoluído até níveis impossíveis, deixando-se fundir com o corpo humano. Muito da origem deste movimento vem da variante "Cyberpunk", sendo as maquinas cibernéticas substituídas pelas tecnologias da era do vapor. Conseguimos imaginar este tipo de teoria se pensarmos na Literatura que deu origem a este movimento, como é o caso de Julio Verne e Mark Twain.

Quando o movimento Steampunk começa a ser representado no corpo, através de admiráveis tatuagens, dá-se o efeito surpresa na maioria dos interessados, pois o realismo tridimensional com que são recheadas choca e conquista qualquer olhar mais atento.


Vem aí o primeiro romance steampunk nacional

Tenho acompanhado neste blog desde o início a produção daquele que deve ser o primeiro romance nacional totalmente pensado dentro da estética steampunk. No dia 7 de junho do ano passado, falei do blog que foi criado pelo autor para ajudá-lo a estruturar a obra. Mais tarde, em um artigo geral sobre o steampunk no Brasil, anunciei o futuro livro como uma das novidades por vir. No dia 9 de dezembro de 2009, a novidade era um e-book derivado do mesmo universo. Voltei a mencionar o projeto, já com a publicação confirmada, no último post daquele ano, anunciando que 2010 deveria ser o Ano do Vapor. Já em janeiro, comentei sobre os wallpapers que estavam disponíveis com imagens referentes ao romance.

Volto ao assunto agora para repassar aos leitores a sinopse de O Baronato de Shoah, do escritor José Roberto Vieira, em breve, nas livrarias, com o selo da editora Draco.


O romance de estréia de José Roberto Vieira é uma fantástica aventura em um mundo sombrio que remete ao Steampunk, videogames, animações e RPG, onde passado, presente e futuro se encontram numa fórmula emocionante.

Sehn Hadjakkis é um Mashiyrra, um Escolhido. Desde seu nascimento ele foi eleito para ser um soldado da Kabalah, a elite do exército e liderar as forças do Quinto Império contra seus inimigos, os Legisladores.

Depois de quatro anos de lutas, mortes, e traições, Sehn finalmente tem a chance de voltar para casa e cumprir uma promessa feita ainda na infância: se casar com seu primeiro e verdadeiro amor, Maya Hawthorn.

Entretanto, a única coisa que o impede é outra promessa, feita no leito de morte a seus pais: vingar-se de Edgar Crow, um amigo que traiu sua família e destruiu seus sonhos, transformando a vida de Sehn num verdadeiro inferno e o mundo em que vive um pesadelo.
Quando um Golpe de Estado ameaça tudo aquilo em que Sehn acredita, ele se vê obrigado a escolher entre uma destas promessas para salvar seu mundo ou a mulher que ama.

Se fizer a escolha errada, ele pode destruir a ambos.

Ou a si mesmo.

Eyjafjallajökull e a cultura steamer

Fábio Fernandes, escritor, especialista em cybercultura e um dos contistas presentes na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, deixou para os leitores de seu blog, o Pós-estranho, uma reflexão sobre os motivos para o atual interesse mundial em torno da cultura steamer. O mote para a reflexão foi a atual sucessão de tragédias naturais, das quais a erupção do vulcão islandês Eyjafjallajökull é apenas a mais recente de um ano que está sendo marcado por sucessivos terremotos e por chuvas muito acima das médias históricas. Abaixo, deixo vocês com o trecho inicial do artigo dele, que pode ser lido aqui, e com uma foto daquele vulcão que me foi enviada por Giseli Ramos e que pode ser vista aqui:


É um pensamento que me ocorreu há algum tempo (na verdade, depois dos terremotos do Haiti e do Chile) e que agora, com a erupção do vulcão Eyjafjallajökull, me instiga ainda mais: será que o interesse pela cultura steamer não traduz, em vez de um desejo ou de uma mera brincadeira estética, uma preocupação inconsciente com o retorno a uma era tecnológica menos avançada -- ou um momento tecnológico de virada em que nos são apresentadas alternativas para nossa vida neste momento? Será que o movimento steampunk não é uma maneira que a espécie, culturalmente falando, encontrou para apresentar essas alternativas?

Colin Wilson, em O Oculto (salvo engano) disse que nós somos as partes visíveis de Deus. Se você acredita ou não num ser superior, não faz diferença, não é esta a questão; um bom steamer ateu diria que somos todos engrenagens de uma Grande Máquina. Será que a Grande Máquina não está dando um jeito de nos programar para, como espécie (nem que seja apenas como subcultura), pensarmos em alternativas viáveis para um possível dia em que as catástrofes naturais nos impeçam de usar a tecnologia do século vinte e um?

19.4.10

Mais vapor em Rascunhos

A divulgadora de literatura fantástica Cristina Alves volta a falar sobre o subgênero steampunk em seu obrigatório blog Rascunhos. Em suas últimas dicas a resenhista portuguesa destacou duas obras. A primeira delas, como já comentada neste blog, contará com a presença de um brasileiro, Fábio Fernandes, em uma versão para o inglês de sua noveleta publicada na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário.  Confira o trecho abaixo e leia a íntegra aqui:

Ann e Jeff Vandermeer organizaram uma antologia de contos Steampunk em 2008, com o nome do género.

Dois anos após o sucesso da primeira, será publicada agora a antologia Steampunk II: Steampunk Reloaded através da Tachyon, contando com autores como Gail Carriger, Ekaterina Sedia, Fabio Fernandes, Brian Stableford, Margo Lanagan ou Caitlín R. Kiernan. Para uma completa lista de conteúdos podem consultar o blog de Jeff Vandermeer, Ecstatic Days .

Para além destes contos, dentro do género Steampunk vão também ser lançados alguns livros, como The Dream of Perpetual Motion, de Dexter Palmer. Decorrendo numa realidade alternativa, conta a história de Harold Winslow, aprisionado a bordo de um zeppelin, acompanhado pela voz de Miranda, a única mulher que amou, e pelo corpo gelado do pai, Prospero, um génio e magnata industrial.

The tale of Harold’s life is also one of an alternate reality, a lucid waking dream in which the well-heeled have mechanical men for servants, where the realms of fairy tales can be built from scratch, where replicas of deserted islands exist within skyscrapers..

Um certo monarca do século XIX

Tiburcio, quadrinista e ilustrador conhecido dos leitores por seu trabalho publicado na revista Mad, está desenvolvendo desde o início deste ano uma tirinha na rede com uma ambientação muito próxima aos trabalhos da cultura steampunk. Claramente inspirada nos últimos dias do Império do Brasil, Meu Monarca Favorito narra as desventuras de um rei fictício, de um país fictício, em pleno século XIX, cercado de ameaças à sua coroa.

Com um clima leve, acompanhamos uma série de conspiradores republicanos, civis e militares, cobiçando o poder do Monarca anônimo, mas cujas aparência e personalidade remetem instantaneamente a nosso conhecido D. Pedro II (1825-1891). As webtiras são postadas duas vezes por semana, às quartas-feiras e aos domingos, com algumas postagens intermediárias para apresentar novos personagens ou para dar alguma ilustração de brinde aos leitores, como foi o caso das que permitem a impressão de cédulas do dinheiro que circula naquela monarquia - o mango imperial - ou a que mostra a aparência da bandeira e das armas do país. As atualizações podem ser acompanhadas ainda pelo Twitter do cartunista, o que gerou o desenho perfeitamente steamer do computador ao lado.

Abaixo, reproduzo uma das tiras de Meu Monarca Favorito, a mais recente no momento em que escrevo este post. É um capítulo com um gosto especial para quem aprecia o retrofuturismo, protagonizado pelo Sr. Platelminto, um personagem aparentemente à frente de seu tempo, espécie de antecessor dos marqueteiros. Na verdade, como Tiburcio havia explicado em um post anterior, a inspiração para o rapaz veio de passado ainda mais remoto, dos tempos de outro império: o romano. Platelminto seria baseado em Quinto Túlio Cícero, irmão caçula do mais famoso Marco Túlio Cícero (106 a.C - 43 a.C), apontado pelo historiador José Murilo de Carvalho como o pioneiro no marketing político. Na tira a seguir, Platelminto aparece como o criador de outra profissão que costuma atrapalhar a vida de quem tem telefone em casa até os dias de hoje... Clique na imagem para ampliar e fique de olho nos episódios semanais dessa tira quase steampunk.

15.4.10

Steampunk em debate no Rio

A livraria carioca Blooks prepara para o próximo mês um ciclo de debates sobre várias vertentes e mídias da FC, incluindo aí o subgênero steampunk. Iniciativa do escritor Octavio Aragão, um dos pioneiros do Brasil a escrever uma obra steamer, como falei neste post sobre o aniversário de Jules Verne, o Space Blooks - Ciclo de bate-papo sobre ficção científica vai reunir dez personalidades em três encontros, o último deles dedicado exclusivanente ao tema deste blog. Dois dos debatedores são escritores presentes na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário, Fábio Fernandes e Alexandre Lancaster. Abaixo, segue a lista de convidados e assuntos a serem debatidos, conforme anunciado no site da livraria por Toinho Castro, que divide a curadoria do evento com Aragão:

  • Dia 6 de maio, 19h | Cinema e Ficção Científica: o escritor e roteirista Bráulio Tavares, o animador César Coelho, o jornalista do Globo Rodrigo Fonseca e o jornalista Eduardo Souza Lima, o Zé José.

  • Dia 13 de maio, 19h |Ficção científica na Internet: Os escritores Fábio Fernandes, Ana Cristina Rodrigues e Saint-Clair Stockler expõem seus sucessos e vitórias nesse território de bravos.

  • Dia 20 de maio, 19h |Steampunk:  o escritor e editor Gérson Lodi-Ribeiro, o ilustrador Alexandre Lancaster e o multimidiático Fausto Fawcett falam sobre suas visões de passado na última mesa da noite.
A Books Livraria fica na Praia de Botafogo, 316, junto ao cinema Arteplex.

13.4.10

Torre de Vigia 24

Como havia prometido em um post anterior, eis a resenha de Ana Carolina da Silveira na seção Torre de Vigia. Em seu blog Leitura Escrita, a escritora começou o texto com uma introdução ao livro e passou a resenhar cada uma das noveletas de Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Como de hábito, vou reproduzir o início do post e o comentário dela a meu conto, no qual foi a primeira pessoa a comentar um certo easter egg presente em "Cidade Phantástica". O texto integal pode ser lido aqui.


O Brasil, feliz ou infelizmente, é o “país do futuro”, que jamais chega. Tivemos várias oportunidades históricas de saltos de desenvolvimento, mas acabamos por ficar para trás. Nós, mais do que a grande maioria das nações, temos na pele o sentimento do que poderia ter sido, mas por várias razões não foi. Agora vivemos um período de crescimento e prosperidade, mas estaremos escolhendo os rumos certos? Será que finalmente viraremos o país do presente?

Mas quantos planos não foram frustrados, embriões de bonança abortados, sonhos partidos? Quantos futuros não poderíamos ter tido, não fossem os mais diversos fatores?

O steampunk lida, como já dito antes, com um futuro que não foi. Como nós, brasileiros, enxergaríamos então um passado glorioso que poderia ter sido?

Bom, primeiro é preciso dizer que o steampunk demorou a pegar no Brasil, tendo sido mais divulgado só a partir da segunda metade da década de 2000 (apesar de já existir como gênero desde 1990). Não saíram muitas obras steampunk estrangeiras no Brasil, dá para destacar principalmente o RPG Castelo Falkenstein e os quadrinhos d’A Liga Extraordinária, mas não muito mais do que isso.

O primeiro livro genuinamente nacional a tratar do steampunk foi a coletânea Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário, lançada pela Tarja Editorial em 2009. A Tarja, como quem acompanha o blog já sabe, é uma editora voltada principalmente para a ficção especulativa nacional e vem lançando trabalhos bem interessantes de nossos autores.

A edição é muito bem cuidada, o projeto editorial é bem legal, é um livro bonito de se ter em mãos. Foram convidados para compô-los vários autores, de vários estilos, mostrando sua visão do steampunk.
Interessante perceber também que a coletânea teve repercussão internacional, ganhando resenha do crítico literário estadunidense Larry Nolan, em seu blog, que dá destaque à obra dentro do cenário da ficção especulativa latino-americana (...)
 
Cidade Phantástica, de Romeu Martins
– Uma aventura steampunk no Rio de Janeiro imperial, onde alguns fatos políticos ocorreram de maneira diferente de nossa realidade, como a ausência da Guerra do Paraguai e uma abolição décadas antes da real, além da aparição de personagens ficcionais brasileiros, como o pai da Sinhá Moça, que faz uma participação especial, e certo vilão muito conhecido. Aqui acontece algo inverso ao primeiro conto do livro: o conto tem pegada, tem empatia… mas tem alguns probleminhas de desenvolvimento. A trama é um bocadinho confusa, como se três histórias estivessem fundidas em uma só e fossem contadas em conjunto, mas sem delineamento. Achei uma pena, porque faltou só uma acertadinha de pilares para termos aqui um conto muito bom.

12.4.10

Bruce Sterling rides again... again

O mentor do steampunk volta a dar destaque para a produção brasileira em seu blog. Sim, Bruce Sterling já havia tratado do Brazilian Steampunk antes, o que foi noticiado neste blog aqui e aqui. Agora, novamente por inciativa do empresário Bruno Accioly, cofundador do Conselho Steampunk, ele foi informado da movimentação da cultura steamer neste lado do globo.

No email que o brasileiro lhe enviou, publicado pelo escritor em seu blog na Wired, tanto ele quanto os leitores de sua página são informados oficialmente sobre o Ano do Vapor em nosso país. O que inclui, entre as várias atividades promovidas pelo Conselho, a publicação da versão nacional pela editora Aleph do romance que começou tudo: The difference engine, a obra que Sterling escreveu em parceria com William Gibson e deu a forma moderna a esse subgênero. O americano se mostrou muito surpreso com o nome niporrusso - "magnificamente improvável" - de sua tradutora e foi pesquisar a existência de Ludimila Hashimoto no Twitter.

Bruno Accioly manifestou ainda a intenção do seu grupo em relação à divulgação da cultura movida a vapor. "Nós estamos estamos tentando construir um steampunk brasileiro que não seja apenas sobre estilo, moda e beleza, estamos tentando ir além do entretenimento para educar o público de uma maneira lúdica, usando a estética fascinante da Belle Époque, da Era Vitoriana, do século XIX, como a cobertura de açúcar de uma ferramenta educacional poderosa e uma forma obviamente importante de comunicar os problemas do presente enquanto fala divertidamente sobre o passado ficcional do steampunk". No seu comentário em resposta, Sterling não só deu apoio e demonstrou entender sobre o que o missivista falava como ainda provou ser um bom conhecedor do jeito certo de se fazer uma caipirinha.

10.4.10

Nostalgia revisitada

A advogada e escritora mineira Ana Carolina Silveira prometeu para breve uma resenha da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário em seu blog Leitura Escrita (adoro o nome dessa página). Assim que ela fizer isso, entra na minha seção de clipagem - aquela cujos títulos sempre são Torre de Vigia -, porém, antes de mais nada ela resolveu fazer uma bela introdução ao tema de onde extrai algumas passagens abaixo. A íntegra pode ser lida aqui:

Todos nós somos um pouco saudosistas, alguns mais, outros menos. É comum ouvirmos coisas como “no meu tempo as coisas eram melhores”, “no meu tempo tudo era diferente” e outras variantes. A nostalgia é parte de nós, ainda mais quando estamos diante de tempos difíceis e precisamos recorrer a lembranças de quando tudo era seguro e agradável.

O Steampunk, como gênero literário, também é uma espécie de releitura do saudosismo. O gênero é uma derivação do cyberpunk (aqui cabe um parêntesis para falar da ironia de falar do cyberpunk como uma projeção de um futuro que já chegou), que trata de como a humanidade estaria em um futuro próximo dominado pela alta tecnologia, principalmente a computacional, e onde as diferenças sociais se agravariam ainda mais pelo fortalecimento e ascensão das megacorporações e pelo crescimento de uma classe social posta à margem do progresso.

Já o steampunk parte da seguinte premissa: a tecnologia do vapor (“steam”, em inglês) surgiu no final do século XVIII-início do século XIX e foi determinante tanto para a industrialização (Revolução Industrial, baby) quanto, por via de consequência, da expansão do Império Britânico ocorrida no período vitoriano (chamado assim por ter coincidido com o longo reinado da Rainha Vitória). O século XIX também assistiu a ascensão do positivismo – e da aplicação mais rigorosa do método científico – e avanços científicos como o delineamento da evolução, por Darwin, e maiores conhecimentos sobre eletromagnetismo e química, que muito influenciaram as descobertas e teoremas elaborados posteriormente por Bohr, Curie, Einstein… Foi um século de luzes.

(...)Mas engana-se quem limita o steampunk à especulação tecnológica. O elemento “punk” que veio de seu tronco principal – o cyberpunk – diz respeito, também e principalmente, à crítica social. O século XIX e o Império Britânico foram o berço da civilização e da inovação científica? Foram sim, mas também promoveram a exploração, matança e divisão da África, o que gera consequências gravíssimas até hoje, assim como um sistema de colonização opressivo no Oriente Médio e Ásia (e que também foi responsável por vários frutos colhidos ao longo do século XX…). Também foi a época da exploração dos operários pelos industriais, o que gerou movimentos de revolta e propiciou o início de várias lutas sociais e movimentos políticos. Não houve apenas luzes, mas uma boa dose de trevas…

(...)Claro que não é minha intenção falar do steampunk como um todo, mas só dar uma introduçãozinha. Algumas pessoas fazem/fizeram melhor do que eu, aí uma lista de links para quem quiser se aprofundar no assunto:

Portal Steampunk: a maior página, com várias informações, sobre o steampunk no Brasil. Bem interessante.

Cidade Phantastica: Blog bem legal do Romeu Martins, também sobre steampunk em geral

Papo de Artista Steampunk: Do podcast do multiartista e multitarefas Rod Reis, com participação especial minha e do pessoal do Papo na Estante. Vale colocar no iPod.

Steampunk na TV 2

No finalzinho de setembro do ano passado escrevi aqui:

A coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário foi lançada durante o Fantasticon 2009, evento organizado por Silvio Alexandre no mesmo local em que vai ocorrer, em novembro, uma nova atividade ligada ao gênero. O lançamento do livro foi marcado ainda por uma mesa redonda que discutiu e apresentou a cultura steamer aos brasileiros.

Aquela conversa reuniu o organizador da coletânea, Gian Celli, editor da Tarja, um dos autores, Fábio Fernandes, e o empresário Bruno Accioly, fundador do Conselho Steampunk. A boa notícia para os que perderam o evento ou para aqueles que querem rever a discussão é que agora a mesa redonda está disponível na rede, no site da TV Cronópios. Clicando aqui você pode assistir à mesa "Steampunk e os novos rumos da ficção científica".

O gênero voltou a conquistar espaço na televisão esta semana. Primeiramente foi o colunista social Amaury Jr., da Rede TV!, quem convidou dois representantes da Loja São Paulo do Conselho Steampunk, Lord Fire e Lili Angelika, a apresentarem a seus telespectadores o assunto. Focado principalmente na questão da indumentária em estilo vitoriano - mas também com observações sobre outros temas dessa "nova tribo", como definiu o apresentador - a matéria de quase quatro minutos pode ser conferida no canal do YouTube do Conselho.

Uma outra investida televisiva do gênero ocorreu nesta sexta-feira, dia 9 de abril, no programa Hiper-Real da SescTV. Infelizmente, como não tenho o canal em minha grade, não pude assistir a esse programa que parece ter sido muito bom. Para quem perdeu a primeira exibição mas conta com a possibilidade de ver a programação daquela emissora, há reprises programadas, como informa este site:




Steampunk (14 anos)


reprises deste programa
10/04/2010 : 01h00 : sábado
10/04/2010 : 23h00 : sábado
11/04/2010 : 20h00 : domingo
12/04/2010 : 05h00 : segunda-feira

Steampunk é mais que um subgênero de ficção cientifica, é também uma versátil e criativa estética de viver. O SteamPunk no Brasil conta com uma estrutura que inclui um Conselho criado em 2008 que promove eventos em que grupos de jovens se encontram no Memorial do Imigrante de São Paulo para passear, vestidos como damas e cavalheiros, na velha Maria Fumaça.


Um caleidoscópio dos jovens na São Paulo contemporânea. Grupos diferentes, interesses distintos, prazeres e problemas singulares. Histórias da juventude.

6.4.10

Steampunk na rádio 2

Em novembro passado escrevi aqui:

Está no ar um verdadeiro crossover de podcasts tratando integralmente de cultura steamer. Rod Reis, do Papo de Artista, recebeu a equipe do Papo na Estante para falar sobre várias manifestações steampunk. Durante mais de uma hora, Thiago Cabello, Ana Cristina Rodrigues, Ana Carolina Silveira e Eric Novello fazem um levantamento de obras literárias, cinematográficas e dos quadrinhos dentro do gênero. Alguns dos contos presentes na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário são comentados. Para ouvir o programa este é o endereço

Pois acabo de ouvir uma segunda investida de um podcast neste mundo do steampunk. Trata-se do terceiro episódio do PODespecular, um programa radiofônico virtual dedicado à ficção especulativa. Com o significativo nome de "Vapores eletrônicos", a equipe e seus convidados discutiram as variadas vertentes da cultura steamer, ao longo de 85 minutos. Entre as várias atrações, eles comentaram conto a conto toda a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. O programa pode ser baixado no site Dimensão Nerd e logo abaixo deixo vocês com a lista completa do que foi abordado no podcast, com os devidos links.


No episódio de hoje, Paulo Elache e Edgar Smaniotto resenham a antologia brasileira “Steampunk - Histórias de um Passado Extraordinário” e conversam com Carlos Alberto Machado, Marco Ortiz e Rogério Brito para discutir e definir tudo (ou quase isso) sobre Steampunk, o gênero literário e o movimento cultural.
Divirtam-se!

* Vitrine especialmente produzida por Carlos Relva
Livros citados:
De Gianpaolo Celli (organizador):Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário”.
De Philip José Farmer: “O Diário de Bordo de Phileas Fogg” (The Other Log of Phileas Fogg), ler resenha aqui e comprar acolá.
De William Gibson e Bruce Sterling: “The Difference Engine”, livro steampunk escrito pelos pioneiros do movimento cyberpunk, que será publicado no Brasil pela Editora Aleph - leia aqui a notícia.
Da Editora Draco, vários lançamentos anunciados para 2010.
Da Editora Devir, anunciado o lançamento de “Xenocídio” (de Orson Scott Card), terceiro livro da “Saga de Ender”.

.Outras mídias citadas:
História em Quadrinhos: Os dois volumes, publicados pela Mythos Editora, de “Docteur Mystère”, resenhados aqui, ali, , acolá e cá também; “Os Passarinhos” (tirinha de Estevão Ribeiro), aqueles dois lá no canto direito da imagem de vitrine do podcast, o baixinho (Hector) e o magrão (Afonso), vestidos à steamplay. Conforme citado por Edgar Smaniotto, a graphic novel “As aventuras de Luther Arkwright” (The Adventures of Luther Arkwright), publicada em dois volumes no Brasil e que pode ser encontrada aqui. E, como curiosidade, uma ilustração steampunk de Hellboy, discretamente inserida por Carlos Relva no canto esquerdo da imagem de vitrine do podcast.
Música: Exemplos desse estilo nos links Gilded Age Records, The Clockwork Cabaret (steampunk radio) e num artigo da revista Matrix Online (“Pump Up The Volume: The Sound of Steampunk”) com vários links.
Cinema:Steamboy”, de Katsuhiro Otomo - encontrável aqui; o filme mencionado por Paulo Elache “The Prestige” (no Brasil, O Grande Truque) - encontrável aqui.
TV:Warehouse 13”, série citada por Carlos Alberto Machado, que passa no canal pago Warner (e nos USA, no canal SyFy).
.Podcasts sugeridos:
.Links:
Artigo da revista Carta Capital sobre Steampunk.
Comunidade Steampunk no Orkut.
Loja Paraná do Conselho Steampunk.
(Não deixem de se inscrever na Lista de Discussão do CLFC)
.Para críticas, dúvidas e palpites, mande e-mail para: podespecular@gmail.com
E para apontar nossos deslizes… No mesmo e-mail (fazer o quê?)