6.4.10

Torre de Vigia 22-b

Dias atrás, fiz um post sobre um comentário com direito a foto que Cristina Alves postou em seu blog a respeito da coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Agora, essa colega portuguesa, grande divulgadora da literatura fantástica lusófona, dedicou uma resenha completa ao livro. Tão completa que ela a dividiu em duas partes. Na primeira, Cristina contextualiza um pouco esse ramo da FC:

Género de ficção especulativa, o Steampunk reúne elementos de fantasia e ficção científica, constituindo normalmente uma história alternativa no século XIX, na época Victoriana, onde existirão máquinas movidas a vapor mais avançadas do que na realidade existiram. Entre estas invenções podemos encontrar dirigíveis ou submarinos, referências a Wells ou Verne.

Para além de género literário, o Steampunk tem influenciado algumas criações artísticas, dando origem a mobiliário ou relógios e computadores modificados onde, sob uma camada de madeira e vidro, podemos visualizar engrenagens fascinantes compostas por roldanas e botões.

No seguimento do espírito Steampunk a editora Tarja organizou uma antologia de contos brasileiros, com o nome do género. São ao todo 9 histórias, nem todas excelentes, mas todas acima da média.

Em seguida, ela começa a resenhar cada uma dessas histórias. É na segunda parte de sua análise que se encontra o comentário sobre "Cidade Phantástica", o qual reproduzo abaixo, juntamente com o trecho final daquele texto:

Romeu Martins é o autor de Cidade Phantástica, um conto que se inicia com a movimentada tentativa de rapto de uma jovem, que se revela menos indefesa do que seria de esperar de uma dama. Maria Pinto é a noiva de Mr. Gibson, um empresário americano que, conjuntamente com o seu sócio, constrói o Edifício Cidade Phantástica, um enorme prédio de ferro fundido que será a sede do Império de Gibson. Tanto dinheiro e poder instigam planos criminosos, que se iniciarão com a tentativa de rapto.(...)

Quase todas as histórias recriaram uma realidade interessante, povoada de invenções demoníacas ou simplesmente dementes, realidades alternativas sobre as quais seria engraçado ler mais alguma coisa. A Música das Esferas, Cidade Phantástica ou O Plano de Robida são alguns dos contos que me deixaram com esta sensação.

Depois de Steampunk, aguardo o lançamento de Vaporpunk, uma antologia do género steampunk, de autores portugueses e brasileiros.

Fico muito feliz que a minha história tenha sido uma das que tenham deixado tal sensação na resenhista. Espero ter em breve novidades quanto a continuações de "Cidade Phantástica", tanto uma segunda noveleta, "Tridente de Cristo", quanto uma nova versão de um conto curto no mesmo universo, a ser publicada em um fanzine dedicado ao gênero steampunk.

5.4.10

Vitorianos no maior jornal da Espanha

Quando comentei, no final do ano passado, um artigo da revista americana Time, escrevi por aqui:

Neste blog costumo abordar apenas material steampunk que tenha sido produzido no Brasil ou que esteja disponível em versão nacional. Não é o caso deste post em que vou falar de uma matéria veiculada em inglês no site da revista Time. O motivo é que gostei muito da abordagem do texto que levou o título "Steampunk: Reclaiming Tech for the Masses" (algo como Recuperando a tecnologia para as massas), ele sintetiza vários dos elementos que, na minha opinião, tornam este gênero da ficção fantástica tão atrativo em termos estéticos-formais e de conteúdo.

Repito o aviso agora, pois uma nova reportagem veio me chamar a atenção, graças a uma dica via Twitter do escritor Eric Novello. A matéria dessa vez foi publicada no site de El País, maior e mais respeitado jornal da Espanha. "Victorianos amantes de la retrotecnologia" é o artigo que tem o subtítulo: "Las obras de H. G. Wells o Julio Verne inspiran el movimiento steampunk". A motivação para o texto de Xavi Sancho foi a constatação de que tal movimento, surgido nos EUA há um par de décadas, viu sua relevância, popularidade e projeção social darem um passo gigante nos últimos três anos.


Abaixo, traduzo um trecho da reportagem de estilo, que pode ser lida integralmente aqui, e reproduzo ao lado uma das fotos que ilustram a matéria, um flagrante do designer e cultuador steamer Jake Von Slatter:

A meio caminho entre o romantismo, a nostalgia, a estética vitoriana e a tecnologia - não só como um meio ou fim, mas também como um complemento estético - o Steampunk pode ser entendido através das criações de H.G. Wells ou Julio Verne, o escapismo de Harry Houdini e a inventividade de Nikola Tesla. De alguma forma, o movimento é um elogio de como era um futuro de um passado que oferece expressões éticas e estéticas muito mais satisfatórias do que as do tempo atual. Os seguidores se distinguem por suas roupas vitorianas e eduardianas, suas palavras corteses, seus apelidos que parecem ter sido tirados da lista de membros da Câmara dos Lordes e, sobretudo, pela interação ativa com este movimento, fazendo seus próprios artigos e vestuário.
 
"A era vitoriana é a última época em que um menino em idade escolar podia ter suficiente conhecimento científico para compreender as complexidades da tecnologia de sua época. Um aficionado podia ainda contribuir para o progresso tecnológico. Além disso, como costumavam ser de boas famílias, incluíam seus valores estéticos em todas as suas criações", comenta o americano Jake Von Slatter, cérebro por trás do Steampunk Workshop, um seminário para a construção de dispositivos neste estilo - modifica telefones celulares, computadores ou iPods para a estética vitoriana -  e uma das figuras mais importantes dentro desta subcultura que em alguns países, como os EUA, está se tornando uma forma de vida. Ainda não conseguiu encontrar seu tom, mas já tem a sua imagem e até seus dilemas de identidade.

Steampunk feito no Brasil 4

O escritor Rynaldo Papoy é mais um representante do Brazilian Steampunk. Ele acaba de publicar no blog The Braganza Mothers um conto do gênero ambientado em um dos mais famosos e decisivos momentos da Guerra do Paraguai (1864-1870): a Batalha do Riachuelo, ocorrida no dia 11 de junho de 1865. Abaixo, podemos ver a mais famosa representação daquela escaramuça naval, um quadro pintado pelo catarinense Victor Meirelles (1832-1903).



No texto de Papoy, circulam alguns personagens reais, como o Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas (1804-1882), comandante da Armada Brasileira naquela ocasião. Até mesmo sua frase mais famosa surge nesse conto: "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever". Claro que o que torna "O Aquidabã" uma obra steamer é algo além dos detalhes históricos, no caso, uma tecnologia náutica que influencia bastante no resultado daquela batalha. Deixo vocês com um trecho do conto que pode ser lido integralmente aqui.

8h
A neblina dissipava-se. Já era possível avistar pontos azuis no céu. O Sol avançava por trás da província de Corrientes, à boreste da Esquadra Brasileira.

Do alto do mastro, Segundo-Tenente Josias Fernandes gritou:

- Esquadra inimiga à vista!

Os marinheiros brasileiros perderam imediatamente qualquer vestígio de sono, fome, cansaço ou medo.

A vasta frota paraguaia foi avistada aproximando-se, a todo vapor e com as velas arriadas, enfrentando o vento de bombordo.

Barroso chamou o bandeirista, Sargento Tobias de Souza Lima e lhe contou a mensagem que queria transmitida aos navios brasileiros.

Lima subiu com suas bandeiras ao alto do mastro e anunciou:

- O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever.

Comandante Tales de Miranda, no passadiço da canhoneira Belmonte, ordenou:

- A todo vapor!

Belmonte ultrapassou a Amazonas. Almirante Barroso viu a canhoneira avançar a toda velocidade, cuspindo fumaça para o céu, com seus canhões e metralhadoras apontados para a canhoneira Paraguary, descendo o rio em igual velocidade.

“Afunde-os, Miranda, afunde-os!”, pensou Barroso, mordendo seu cachimbo.

Os marinheiros a bordo da Belmonte olhavam fixos para a canhoneira inimiga, que abriu fogo. 

2.4.10

Torre de Vigia 23

O jornalista Antonio Luiz M. C. Costa, da revista Carta Capital, acaba de postar uma resenha sobre a primeira coletânea nacional dedicada ao gênero steampunk na rede social Skoob, especializada em literatura. Ele abre sua análise avisando aos leitores que é um dos contistas presentes no livro, sendo o autor de "A flor do estrume", mas compartilha a opinião de outros críticos que apontam a obra como uma das mais importantes lançadas recentementes no país. Entre eles, o americano Larry Nolen - cuja opinião foi registrada e, em parte, traduzidada aqui - como podemos ver a seguir:

O leitor talvez queira considerar esta resenha como suspeita, pois o resenhista é um dos autores. Mas não fui só eu quem considerou esta como uma das melhores antologias brasileiras de ficção científica publicadas em 2009. Compartilha dessa opinião o estadunidense Larry Nolen – um dos mais conhecidos resenhistas do gênero no mundo – que listou este livro entre os 51 melhores lançamentos ou relançamentos desse ano entre os cerca de 500 de todo o mundo que chegou a ler. O livro também foi lembrado na retrospectiva de 2009 organizada por Jeff VanderMeer para o site internacional de ficção científica “Locus Online”, no “The World SF News Blog” e no site especializado “Steampunkopedia”.

Transcrevo um trecho da resenha de Nolen:

“When I first ordered this anthology back in August, I had some trepidation that the authors would ape the manners and styles of the Anglo-American steampunk writers and not write anything that would be original in form or content. If anything, the elements that these nine writers (...) use are more appealing to me than what I have found in the majority of the English-language steampunk fiction of the past decade. There is a darker undercurrent in this anthology, a sense that underneath the trappings of a steam age ‘golden age’ that there is much wrong with the local and global societies. A frustration that technological advancement and the rise of a leisure class is not improving the lot of the social classes as much as it should. There is a dark cloud in several of these stories, a cloud which threatens to burst asunder, bringing destruction and ruinous change in its wake”.

Parafraseando, Nolen temia que os contos fossem mera imitação da produção anglo-americana, mas descobriu nos brasileiros desta antologia algo mais atraente ou interessante do que têm encontrado na maior parte da ficção steampunk anglófona: uma percepção de que a tecnologia (representada pelas invenções steampunk) e a ascensão das classes ociosas não melhora a vida das demais classes sociais tanto quanto deveria. Há uma “nuvem negra” em várias das histórias, que ameaça trazer mudanças destruidoras em seu caminho. É curioso, pois essa mesma percepção estava bem clara em “The Difference Engine”, o romance de William Gibson e Bruce Sterling que definiu o steampunk como gênero. Isso significaria que os autores brasileiros estão sendo mais fiéis ao espírito original do gênero que os britânicos e estadunidenses.
 Após essa introdução, o resenhista dedica "Uma antologia de ficção científica brasileira de repercussão internacional" a comentar cada um dos nove contos presentes em Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Destaco abaixo o trecho que fala de minha noveleta, "Cidade Phantástica", deixando o alerta de que há alguns spoilers ao final:

“Cidade Phantastica”, de Romeu Martins, é uma aventura em um Brasil de um Segundo Reinado mais avançado e industrializado que o do D. Pedro II real, no qual se encontram personagens de Júlio Verne (“Da Terra à Lua”), Conan Doyle (“A Ponte de Thor”) e Bernardo Guimarães (“A Escrava Isaura”), além dos criados pelo autor. Como aventura cinematográfica, funciona bem, tanto na descrição da ação quanto na caracterização e uso de personagens tão heterogêneos. O núcleo da história, porém, repousa numa premissa pouco verossímil. Os vilões conseguem construir, em segredo, um supercanhão no centro do Rio de Janeiro, capital do Império, como parte de um projeto arquitetônico que certamente atrairia o interesse e a curiosidade de todos os engenheiros do planeta – e numa posição que o tornaria muito pouco manejável.

30.3.10

Torre de Vigia 22

Já havia falado do blog e da blogueira em um post anterior. Agora a portuguesa Cristina Alves volta a ser mencionada por aqui, por um post publicado ontem em sua página chamada Rascunhos, no qual ela fotografa e comenta livros steamers, entre eles, a coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário. Segue abaixo o flagrante.


No início deste conjunto podem ver Steampunk, uma colectânea de histórias no género steampunk, onde podem encontrar autores como Fábio Fernandes (autor de Os Dias da Peste), ou Jacques Barcia, lançada pela Editora brasileira Tarja. Sobre os contos, podemos encontrar um pequeno resumo no site da editora:

Fábio Fernandes apresentou uma adaptação primorosa do complexo de Frankenstein, com uma visão fascinante de um futuro onde a sociedade divide seu espaço com a maquinidade. Alexandre Lancaster cedeu uma narrativa com ares de ficção científica, onde a ciência aponta que somente pode ser vista com simpatia se for inofensiva, caso contrário, torna-se uma maldição. Claudio Villa arremessa o leitor para o mar, singrando suas águas acima e abaixo, em busca de um tesouro que leva o leitor aos ares do terror lovecraftiano. Jacques Barcia nos dá um conto “estranho”, unindo o drama da guerra, máquinas quase humanas e seres inacreditáveis da mitologia em um caldo que realmente proporciona uma nova criação. E Flávio Medeiros encerra as páginas da obra com chave de ouro, mostrando os clássicos dirigíveis e submergíveis em um drama de honra que certamente agrada muito aos apreciadores do gênero.
Segue-se Boneshaker, uma história fantástica também enquadrada no género steampunk que cruza invenções na época victoriana, numa cidade caótica, isolada por um muro como resultado da libertação de um gás tóxico que transforma os seres humanos em zombies rápidos e acéfalos. Esta é uma história simples mas movimentada, com tecnologia movida a vapor, dirigíveis e cientistas malucos, onde podemos encontrar episódios de grande tensão. Embora não seja o melhor livro em que peguei este ano, encontra-se entre os melhores até agora.

Entrevista com China Miéville

Já havia falado do site Capacitor Fantástico quando comentei uma entrevista que eles traduziram com o escritor e organizador de coletâneas Jeff VanderMeer. Agora, seguindo uma dica via Twitter da cyberpesquisadora Adriana Amaral, fiquei sabendo que a equipe daquela página adaptou mais um material ao português, desta vez uma conversa de David Soyka com o escritor inglês China Miéville, nome mais citado quando se pensa em literatura New Weird. Reproduzo abaixo o texto de apresentação e as duas primeiras perguntas, que fazem referência ao gênero steampunk, uma das influências assumidas daquele autor. A entrevista completa pode ser lida aqui.


Seu primeiro romance, KING RAT, era uma aterrorizante história de fadas.

Em PERDIDO STREET STATION, Miéville criou 'New Crobuzon', uma metrópole corrupta habitada por insetos humanóides, cactos andantes, grotescos 'Renascidos' pela bioengenharia, e máquinas conscientes e 'vivas’, assim como um monte de tipos comuns, assediadas por criaturas que sugam espíritos, saídas de um experimento fracassado.

A fantasia de Miéville é permeada por um realismo que rejeita finais felizes. 


Pergunta:: Parabéns pelo Prêmio Arthur C.Clarke por 'Perdido Street Station'. Não parece irônico ou incongruente que um romance de fantasia baseado em um cenário 'steampunk' tenha recebido um prêmio tão importante, que recebe o nome de um escritor de Ficção Científica Hard, de satélites e naves espaciais, em que a sensibilidade para a prosa não é, digamos, sublime.


Miéville: Obrigado - ainda estou um pouco estupefato. Existe uma ironia sim, mas não é tão incomum este prêmio ir para alguém que faz uma FC tão pouco 'Clarkeniana'. O próprio Clarke é um sujeito muito generoso a respeito do que se trata o prêmio, e a quem deve ser dado.

Além de estar pessoalmente extasiado, me sinto contente, porque eu sempre senti que era impossível separar a Ficção Científica da Fantasia - certamente eu devo ter conscientemente estado em um e em outro, e eu esperava que o prêmio indo para um romance não tão de FC, deveria encorajar uma abertura conceitual da tradição. Sempre gostei de dizer que escrevo uma 'ficção esquisita', porque me sinto na interseção da Ficção Científica, Fantasia e até do horror, o que claramente, torna as fronteiras nebulosas. Quer dizer, é fácil dizer que Larry Niven é FC e Tolkien é fantasia, mas e David Lindsay? Lovecraft? Clark Ashton Smith?


P: A 'ciência' que aparece em seus romances, dependem de mecanismos da era-vitoriana. A teoria da grande crise soa igual à especulação quântica e a inteligência artificial sempre foi uma obsessão da FC. Tem sempre um cientista maluco e que é responsável por forças desastrosas, resultado direto de sua arrogância e da irracional manipulação cientifica, sem ligar para as conseqüências. O que da FC de antigamente se tornou um fato hoje, como a biotecnologia e as máquinas pensantes que aparecem em seu trabalho?

M: Em geral não penso que se possa ver a FC como profecia cientifica, sociológica ou outra coisa desse tipo. Não acho que FC trate disso. É obvio que muitos cientistas se inspiraram em historias de FC que leram quando jovens e não posso dizer que não seja uma influência.

Sou totalmente pró-ciência. Acho muito interessante. Tento evitar a tradicional tropa de escritores 'metidos a cientistas'. Não é a atividade cientifica por si só que nos causa problemas, como o doutor Frankenstein. Mary Shelley, refutava em ter a responsabilidade dos frutos de sua pesquisa - em meus livros, é algo mais como uma má sorte danada!

O problema não é a ciência, mas onde ela nos leva. Biotecnologia é um bom exemplo. Não tenho nenhum problema, em termos abstratos com a modificação genética dos alimentos. Porém, acho problemático quando ela caminha para beneficiar os exploradores.

Além disso, muita coisa é lançada no mercado sem os devidos testes - sem termos uma ideia real dos efeitos a longo prazo. Além disso, algumas pesquisas são socialmente inadequadas e inúteis, como fazer plantas que só respondam a um único tipo de fertilizante.

Muita coisa vai surgir nos próximos anos e isso é excitante. Particularmente estas coisas mais grotescas são as que mais falam à minha natureza macabra. Ratos com genes de águas-vivas e que brilham verdes, é demais!

29.3.10

Passarinhos vaporosos 2

Em um post anterior, tinha adiantado que Estevão Ribeiro, da tira Os passarinhos, traria novidades sobre um projeto steampunk com seus personagens, citando suas próprias palavras:

E antes que perguntem: Sim, tenho planos de fazer uma história sobre o Universo SteamPunk dos Passarinhos! Aguardem e até quarta! 

Ele acaba de dar mais detalhes em seu blog sobre o assunto, um projeto chamado "A peça que move o mundo":

Neste universo, que tem referências steampunk, o Grande Piador criou a terra com a explosão de sua caldeira, que destruiu o pequeno espaço que ele chamava de lar. Ao ver elementos como engrenagens de seu relógio, sua caldeira e um pequeno vaso transformar formar um universo, resolveu observar e cuidar dele.

Mas uma minúscula peça de seu relógio, a que move o o universo caiu na terra onde vivem nossos heróis Hector e Afonso. Agora, eles precisam achar esta peça antes que o mundo acabe!

Aberta a temporada de caça aos desenhistas

Estou procurando pessoas que ilustrem no estilo europeu, personagens carismáticos e cenários detalhados. Trabalhos podem ser enviados para hectorandalfonse@gmail.com.

Os trabalhos começam no segundo semestre, porque passarei três meses fazendo o roteiro de Pequenos Heróis 2, mas gostaria de discutir um pouco do universo assim que possível.

Este trabalho apenas usa os personagens da tirinha Os Passarinhos e não terá relação direta com as tirinhas. A previsão é a produção de uma graphic novel de 80 páginas, ou uma minissérie em duas partes de 40 páginas.

Um confederado no Planeta Vermelho

A editora Aleph que já havia publicado em 2009 Anno Dracula e garante ainda para este ano The difference engine surpreendeu ao anunciar em seu blog mais uma obra fundamental para quem aprecia o steampunk. Está previsto para o dia 12 de abril o lançamento de Uma princesa de Marte, romance de estreia de Edgar Rice Burroughs (1875-1950), escritor americano mais conhecido por seu aventureiro perdido na África, um certo Tarzan.

Nesta primeira obra de uma série, vamos acompanhar como o ex-soldado da Guerra Civil americana (1861-1865) John "Jack" Carter, após lutar pelos estados sulistas e passar a se dedicar à exploração de ouro, foi capturado para viver sua mais estranha aventura, entre uma raça de marcianos chamada de Tharks. Escrito em 1917, o livro é uma influência para os cultuadores do gênero, um verdadeiro clássico da ficção científica. Como aperitivo, a editora deixou à disposição dos leitores as primeiras páginas do romance. Trata-se do prefácio, no qual o próprio Burroughs assina, apresentando o trabalho como sendo um manuscrito que teria recebido anos antes de seu tio, o capitão Carter, e o primeiro capítulo, "Nas colinas do Arizona", tudo na tradução de Ricardo Giassetti.


Abaixo, pode ser vista a capa desse novo lançamento do Ano do Vapor, produzida pelo estúdio Retina78.



25.3.10

Guerra e circo

Um evento inusitado ocorre nesta sexta, organizado pelos confrades do Conselho Steampunk. Confiram abaixo uma chamada & o cartaz e leiam o texto na íntegra aqui.






Eis que, uma semana depois do evento[bb] “SteamPunk de Volta”, o Conselho SteamPunk nos brinda com o evento “A Guerra da Criméia foi um Circo”, um SteamCamp – evento informal – que começa às 18 horas do dia 26 de Março de 2010 e vai até o dia seguinte em um divertido “Sarau Etílico”.

O “Sarau Etílico” vai fazer referência ao advento da declaração da Guerra da Criméia, conflito que se desenrolou de 1853 à 1856, às margens do Mar Negro, no sul da Rússia e nos Balcãs.

Reflexo da tentativa russa de aumentar sua influência nos Balcãs desde o Século XVIII, o conflito causava receio na Inglaterra que, sob a rainha Vitória, via a possibilidade de que a queda de Constantinopla diante das tropas inimigas comprometesse seu controle estratégico dos estreitos de Bósforo e Dardanelos, cortando-lhe as comunicações com a Índia.

Mas nem só de desgraças e aborrecimentos vive a história, posto que na virada do dia 26 para o dia 27 é comemorado o Dia do Circo, homenageado no evento pelo Conselho SteamPunk, que convida artistas circenses de toda parte a participar[bb] ou mesmo apresentar seus talentos diante das ávidas câmeras das empresas[bb] de mídia presentes.

24.3.10

Feliz Ada Lovelace Day

Uma legítima e real personagem steampunk recebe homenagens no dia de hoje. Augusta Ada King, Condessa Lovelace (1815-1852). Não serei eu a falar sobre ela, deixarei para uma autêntica seguidora dos feitos dessa inglesa notável, minha querida amiga Giseli Ramos, a CyberGi (que ainda fez a gentileza de me citar em seu post dedicado à data):

Hoje é o dia de Ada Lovelace! Não, não, ela não nasceu nessa data, é um dia dedicado para blogar e/ou twittar a respeito das contribuições das mulheres na ciência, o que acho uma iniciativa bem válida. Afinal, você sabe se houve alguma mulher que ganhou a medalha Fields? E sabia que Ada Lovelace foi a primeira programadora? Ela fez o primeiro programa que poderia funcionar na máquina analítica de Babbage. De fato, a matriarca da programação (by Romeu).
Ada Lovelace
Ada Lovelace, a matriarca da programação

Bem que queria fazer um post caprichado a respeito (falta de tempo…), então me concentrarei em passar uns links que achei bem interessantes e uns comentários rápidos. Para começar, veja essa fantástica apresentação a respeito de Ada Lovelace (em inglês). Vale muitíssimo a pena ver! =D

É coisa recente as mulheres começarem a serem reconhecidas na área de computação… Conhecem o prêmio Turing? É uma espécie de Nobel da computação, para premiar as contribuições nessa área, afinal, um bom trabalho deve ser reconhecido, não? Desde 1966 não tinha premiado nenhuma mulher… até 2006! Quem ganhou nessa época foi Frances E. Allen, por suas contribuições à área de otimização de compiladores e de processamento paralelo. E em 2009, outra mulher ganhou o prêmio, Barbara Liskov, por contribuir para os fundamentos de design de sistemas e de linguagens de programação. Espero que no futuro possamos ver mais trabalhos importantes e marcantes feitos pelas mulheres. Para ver a lista de todos os ganhadores do Turing award, veja o verbete da Wikipedia.

Outra dica é esse wiki de mulheres notáveis. Vale a visita!
O texto continua aqui, recomendo.

22.3.10

Torre de Vigia 21

Alexandre Lancaster, um dos autores presentes na coletânea Steampunk - Histórias de um passado extraordinário foi entrevistado pelo site Ambrosia. O ponto principal da conversa foi a atuação dele como blogueiro especializado em mangás e animes. Porém, o entrevistador Phill Souza não se deixou de fora a participação de seu convidado na primeira antologia do gênero no Brasil e nem a HQ que ele está produzindo atualmente e que se passa no mesmo universo da noveleta "A música das esferas".

Logo abaixo, trechos da entrevista que focam o mundo steamer, sendo que a íntegra pode ser conferida aqui:

Phil Souza: E quanto ao Lancaster fora do Maximum Cosmo? O que ele gosta de fazer? Ler, Escutar...
Alexandre Lancaster
: Eu? Gosto essencialmente de rock, mas varia de acordo com o dia – tem momentos que eu me sinto pós-punk, tem dias que eu me sinto mais hard rock, tem dias que eu me sinto altamente contemporâneo, tem dias que eu estou nos anos 70. Tudo é estado de espírito. Em termos de atividades, estou desenvolvendo meu projeto de quadrinhos, que retomei e estou levando a sério. Escrevi alguns contos de ficção científica e estou com um deles na antologia Steampunk: Histórias de um Passado Extraordinário, da editora Tarja, que saiu ano passado e se passa no universo da minha série de HQ. Leio muita não-ficção, acredito que a leitura da história e de livros jornalísticos são essenciais até para minha visão de ficção. O último que li foi o Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória. Procuro ler os jornais. Um homem não pode ficar longe do mundo em que vive. E se pensarmos bem, até os mangás são o que são por não ficarem longe do mundo em que seus leitores vivem, mesmo o mais fantasioso deles.


Phil Souza: Sua série de HQ? Você pode falar um pouco dela?
Alexandre Lancaster
: O nome dela é Expresso! – ele surgiu de um conceito que eu pensava quando tinha uns doze, treze anos de idade, e ficou adormecido, em parte por eu ter passado a ler quadrinhos Marvel/DC por um bom período da minha vida. Mas ele só foi tomar forma uns seis anos atrás mais ou menos. A história tem um protagonista brasileiro, Adriano, um garoto inventor que quer deixar uma marca no mundo – mas vai encontrar muitas pedras no caminho. É uma série steampunk, mas não quero fazer dela uma dessas "terras paralelas" – eu queria sugerir que aquele poderia ser realmente o nosso mundo, em nosso passado, apesar de suas máquinas fantásticas.


Phil Souza: Você é dono do roteiro e desenha também?
Alexandre Lancaster:
Sim.

Phil Souza: O Steampunk está sendo muito falado ultimamente. Esse subgênero sempre te atraiu?
Alexandre Lancaster
: Acho que eu sou um dos fãs de primeira hora do gênero. Ele tem um apelo meio nostálgico, dos filmes antigos que eu via quando era garoto, das adaptações para cinema do Jules Verne, e até um pouco dos velhos animes que passavam no SBT. Eu cheguei a ver o Sherlock Hound do Miyazaki em velhas fitas vhs há mais de dez anos e adorei. Eu pessoalmente tenho alguma reserva quanto a uma certa incorporação que o gótico fez no steampunk, mas não vou me amolar por isso.
Minha visão é luminosa, um pouco mais colorida. Não imagino o começo do Século XX em preto, branco e sépia.

Phil Souza: E quando veremos essa HQ nas bancas? Tem previsão?
Alexandre Lancaster: Espero que esse ano. Estou trabalhando nisso, faz parte de um projeto maior. Mas o primeiro conto ambientado na série está no livro da Tarja, e convido a todos para que dêem uma olhada no que vem sendo feito no cenário de ficção científica aqui no Brasil.

Torre de Vigia 20

A dica veio de Fernando Trevisan, via Twitter: na edição número 26 do longevo fanzine Scarium há um texto de Edgar Smaniotto abordando a cultura steamer. "Steampunk, naves de geração e seitas" é o nome do artigo que faz parte da seção "Observatório da ficção especulativa brasileira".

Aqui embaixo, segue a capa desta edição do zine e a relação dos demais textos presentes em suas páginas. A publicação pode ser adquirida aqui.



Editorial:
Como uma Fenix
Cartas

Artigos:
Steampunk, naves de gerações e seitas - Edgar Smaniotto
Hellboymania - Cesar Silva

Contos:
O Artista da Capa - Gabriel Boz
Kaori - Entrevista
Anuara Diva - John Dekowes
O Imortal - Celso Santos
Planeta Andarilho - Renato A. Azevedo
Um Sol para contemplar - Hugo Vera
Pássaro da Noite - Ana Cristina Rodrigues
A Capsula do Tempo - Luiz Fernando Riesemberg
Sonhar é Proíbido - Davi Melo
Granizo Púrpura em Céu de Diamantes - Gabriel boz
Guerra da Água - Miguel Carqueija
Capa Gabriel Boz.

70 páginas
Edição 26 - Vários Autores
Páginas: 70
Formato: 13,5 x 20 cm

Tecnologia viking

Tudo bem que você precisará ser bem liberal com o termo para considerar a nova animação da DreamWorks uma representante steampunk. Afinal, os protagonistas aqui são os vikings, aqueles guerreiros escandinavos que aterrorizaram parte da Europa um milênio antes da Era Vitoriana. Porém, boa parte do interesse daquele gênero está preservado no filme, com algumas invenções retrofuturistas em um estilo faça-você-mesmo de enjambração mecânica. Além disso, Como treinar seu dragão é uma ótima aventura, bem humorada e que explora de maneira muito eficiente os recursos 3d que devem se tornar um padrão irrevogável nas produções cinematográficas nos próximos anos, principalmente as voltadas para o público juvenil, como esta.

Basicamente temos uma vila chamada Berk, onde os tais guerreiros vivem há sete gerações enfrentando um problema bastante sério: ataques constantes de dragões. Uma verdadeira praga, o lugar é alvo das mais variadas espécies desses rápteis voadores. Soluço é o nome do filho do chefe daquele bando, um garoto magrelo e desajeitado que parece honrar mais uma outra vocação dos escandinavos que não tem a ver com os feitos heroicos. Lembrando que provavelmente o leitor tem ou já teve pelo menos um celular feito naquela região congelada do mundo, o rapaz é um precursor dos atuais engenheiros. Com uma de suas invenções - uma espécie de catapulta capaz de disparar uma rede - ele captura um dos mais misteriosos representantes daqueles inimigos.

Sim, porque não é apenas uma variedade de dragões que ataca o vilarejo; há uma infinidade de tipos - o mais interessante lembra um isqueiro orgânico, com suas duas cabeças, uma libera gás e outra provoca faíscas para causar o incêndio. No caso, o garoto alvejou, mesmo que ninguém acredite nele, um Fúria da Noite, animal nunca antes capturado ou abatido, capaz de disparar rajadas explosivas. Recusando-se a matar o bicho a sangue frio, o garoto aprende com esse dragão - Banguela é o nome que ele recebe - alguns truques que vão revolucionar uma guerra que já dura 200 anos. Para isso, ele vai precisar usar mais daquela mente analítica que os poucos músculos que tem.

 Há muito em comum entre esta animação e o megassucesso Avatar. O princípio básico das duas histórias é o mesmo, baseado na Jornada do Herói; os efeitos tridimensionais das imagens e várias sequências aéreas. São semelhanças e tanto. Porém, na obra destinada a um público mais jovem, tais elementos são mais bem resolvidos. Entre um filme assumidamente divertido e para todas as idades como este ou uma película supostamente séria e adulta como aquele filme de James Cameron, não teria dúvida sobre qual me faria voltar a por aqueles irritantes óculos para assistir a uma segunda rodada.